Infelizmente, caminhamos para a terceira semana desta guerra sem sentido. A tragédia humanitária já se faz presente. Entre civis e militares, ucranianos e russos, as mortes já são contabilizadas aos milhares. Desde o início do conflito, mais de 2 milhões de pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, deixaram a Ucrânia. Essa tragédia já se configura como o maior êxodo desde a II Guerra Mundial.
Pouco se avançou no sentido de se encontrar uma saída pacífica para a crise. Na última semana, várias reuniões foram realizadas entre diplomatas russos e ucranianos, sem que se chegasse a resultados práticos na direção de um cessar-fogo. Ao longo da última sexta-feira, surgiram informações de que o Presidente Vladimir Putin havia sinalizado sua intenção de criar as condições necessárias para o início de negociações mais efetivas. O mercado chegou a se animar, mas as notícias não se confirmaram e os ataques continuam a acontecer. Até agora, tudo indica que o conflito ainda piora antes de melhorar. Uma pena.
Gráfico da BBC mostra o avanço das tropas russas na Ucrânia.
Além das tristes consequências humanitárias, desarranjos econômicos começam a se mostrar presentes. Como antecipado, esse novo choque de oferta, principalmente sobre as commodities agrícolas, metálicas e de energia, já mostra seus efeitos sobre a inflação em várias regiões do mundo. A inflação ao consumidor americano, em fevereiro de 0,8%, levou a inflação dos últimos 12 meses para 7,9%, o mais alto valor observado nos últimos 40 anos. No Brasil não tem sido diferente. O IPCA de fevereiro superou as expectativas dos analistas, mantendo a inflação dos últimos 12 meses acima do patamar de 10%. Como se não bastasse, as principais casas já começam a revisar suas projeções para o ano de 2022. Estimativas para o IPCA fechado do ano em 7% já deixaram de ser percebidas como um absurdo.
Além dos impactos mais conjunturais que, com o fim do conflito, em grande parte certamente serão atenuados, questões mais estruturais começam a nos preocupar. Com a inflação mais elevada, maiores taxas de juros seriam necessárias para estabilizar as expectativas das agentes, o que no fim e ao cabo, pesariam principalmente sobre os ativos de maior risco. Uma questão que temos discutido internamente e compartilhado com alguns clientes é a reversão de pelo menos parte dos ganhos de produtividade e consequente redução dos custos de produção gerados pelo processo de globalização vivido nos últimos 30 anos.
A ideia de que uma produção de bens globalizada que maximize os ganhos e minimize os custos, vem sofrendo alguns reveses, e não é de hoje. Ainda em 2018, o ex-presidente americano, Donald Trump, iniciou uma guerra comercial com a China. Visando incentivar a produção local de bens e reduzir o crescente poder econômico da China, o governo americano sobretaxou uma gama extensa de produtos importados dos chineses. A contrapartida por parte do governo chinês obviamente veio em seguida. Na prática, a despeito de todos os potenciais ineficiências, uma onda nacionalista vem crescendo e algumas versões do “Let´s Make America Great Again” vem ganhando corpo.
Já expusemos nesse fórum, risco materializado na pandemia pelas quebras das cadeias de produção e do transporte, resultando na falta de insumos básicos capazes de interromper a produção de um bem final. O exemplo clássico sempre citado para descrever esse risco estratégico, foi o enorme impacto na produção global de automóveis gerado pela impossibilidade de fabricação e envio de circuitos integrados, semicondutores estes fabricados principalmente na Coreia do Sul e Taiwan.
Agora, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a dependência estratégica no fornecimento de energia, metais e de insumos para a fabricação de fertilizantes, escancaram mais uma vez a necessidade de se rever a estratégia de se globalizar a produção com foco unicamente em custos. Este último revés reforça a nossa tese de que a revisão deste modelo de produção será um fator gerador de inflação de forma mais estrutural para os próximos anos. E por falar em inflação, os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil se reúnem ao longo da semana para deliberar sobre o aumento dos juros básicos de suas respectivas economias. A despeito da baixa visibilidade quanto ao fim do conflito, acreditamos que o FED, o banco central americano, inicia na próxima reunião seu ciclo de aumento de juros em passos de 0,25%. Por sua vez, nosso banco central deve ratificar seu plano de voo com mais um aumento de 1%, elevando assim a taxa SELIC para 11,75%.
A classe de ativos de juros prefixados e juros reais mais longos foi, sem sombra de dúvidas, a mais afetada pela surpreendente e recente pressão inflacionária. Uma situação que já era extremamente delicada, se agravou nas últimas semanas. Permanecemos cautelosos em função do imponderável da guerra, mas dado o nível de preço e a percepção de que o ciclo de aumento de juros no Brasil já se encontra em estágio adiantado, acreditamos estar próximo o momento de elevar o risco das carteiras nessas posições.
Estamos atentos às oportunidades e, em simultâneo, torcendo pelo rápido fim desta guerra injustificável sob qualquer aspecto.
Um ótimo final de semana para você e sua família.
Eduardo Castro
Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.
”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.
Completadas duas semanas do início da invasão russa ao território ucraniano, duas questões nos surpreendem no desenrolar deste conflito. De um lado, a resposta do ocidente veio, como era de se esperar, com um rol de sanções econômicas. Nenhuma novidade até aqui. Entretanto, sua abrangência e intensidade certamente foram muito além do que os mercados inicialmente previam.
Putin, outros políticos, funcionários do Estado e oligarcas russos tiveram seus ativos fora do país congelados, impedidos de movimentação. Medidas foram tomadas para impossibilitar o uso das reservas internacionais russas por parte do seu banco central. Bancos russos foram retirados do sistema internacional de pagamentos (SWIFT), o que, na prática, significou impedi-los de liquidar operações financeiras fora da Rússia. Contratos comerciais com diversas empresas russas foram cancelados e diversas empresas internacionais anunciaram a interrupção de suas operações dentro do seu território. Ativos russos vêm sendo retirados dos principais índices de mercado, aumentando o isolamento do mercado russo do resto do mundo financeiro.
O estrangulamento imposto à sua economia através dessa série de medidas, empurra a economia russa para uma crise econômica como a vivenciada pelo país em 1998.
A outra surpresa veio da escalada bélica da invasão. A tolerância ao risco do presidente Putin vem surpreendendo até o mais pessimista dos analistas políticos. Alvos civis não têm sido preservados e até mesmo a maior planta nuclear da Europa, localizada ao sudeste da Ucrânia, foi atacada. Estivemos perto de um acidente de proporções muito superiores ao que presenciamos em Chernobyl. Esse ataque foi o gatilho para uma realização mais expressiva dos mercados nesta sexta-feira.
Se, por um lado, nos surpreendemos por assistir, em pleno século XXI, uma tradicional e violenta ofensiva das forças militares russas ao território ucraniano, por outro, também chama atenção a contraofensiva econômico-financeira, sem precedentes na história, com capacidade de dizimar a Rússia sem que nenhum tiro seja disparado.
Como previsto, o impacto sobre o preço das commodities tem sido brutal. O aumento de preços observado nesta semana só encontra semelhança aos piores momentos da crise do petróleo dos anos 70. Encurtando a estória, esse violento choque de oferta em seguida ao já anteriormente provocado pela pandemia, agrava o problema inflacionário e terá incontestável impacto sobre o crescimento mundial. É ainda cedo para afirmar, mas tudo caminha para impactos de intensidade distintas a depender da região.
Sem sombra de dúvida, a relevância do gás natural na matriz energética da Europa e sua enorme dependência do fornecimento russo, elevam o risco de estagflação para a região.
Os Estados Unidos também serão afetados pela elevação geral de preços, mas não o suficiente para ameaçar sua economia com uma recessão. Isto nos parece verdade até pelos sinais dados pelo banco central americano de que, a despeito da guerra, o plano de voo continua a ser de se iniciar o aumento dos juros agora na reunião do próximo dia 16. A China, por ser menos impactada no tocante à pressão de preços durante a pandemia e por ainda possuir espaço fiscal para continuar estimulando o crescimento da sua economia, também deverá ter impactos limitados consequentes do conflito.
O Brasil e o demais países emergentes exportadores de matérias-primas também tendem a serem impactados em menor grau. Seremos beneficiados pela melhora dos nossos termos de troca apesar de também termos agravado nosso problema com a pressão inflacionária advinda principalmente de combustíveis e preços de alimentos. O câmbio vem ajudando, mas certamente nosso banco central deixará aberta a porta para estender o ciclo de aumento da Selic além do consenso anterior à guerra, ao redor de 12,5%.
Tudo isso nos deixa ainda mais convictos quanto à manutenção da nossa estratégia. Continuamos a privilegiar as estratégias pós-fixadas, principalmente as de crédito privado indexadas ao CDI, mas também ao IPCA. Apesar do recente aumento do prêmio na curva de juros, acreditamos ser pouco prudente aumentar o risco prefixado das nossas carteiras. Quanto à renda variável doméstica, a combinação de preços altos, maior exposição do nosso mercado ao setor de commodities com juros altos e ainda crescentes, faz com que o nosso mercado continue a ser beneficiado pelo fluxo dos investidores estrangeiros.
Pessoas do mundo todo pedem o fim da guerra
Manteremos nossa postura mais conservadora até que tenhamos maior visibilidade das consequências econômicas dessa crise. Por outro lado, ainda céticos com a probabilidade e muitíssimos preocupados com a recente escalada dos ataques, continuamos torcendo para um pronto cessar-fogo e um espaço para negociações diplomáticas no sentido de se evitar um impacto ainda maior sobre vidas humanas.
Eduardo Castro
Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.
”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.
Antes de falar sobre os mercados, vou pedir para que salve este número na agenda do seu telefone:
(11) 91024-4484
A partir de hoje, será através deste número que enviaremos diretamente para o seu celular as cartas “Causa e Efeito”, “Ação e Reação” e muitos outros conteúdos. Neste serviço de “WhatsApp Corporativo”, não solicitaremos informações sobre suas movimentações ou contas, ele servirá unicamente para entregar conteúdos informativos produzidos especialmente para você. Todas as demais solicitações continuarão a ser atendidas por seu Executivo de Relacionamento.
Os reflexos desta guerra injustificável.
Na última quinta-feira, na nossa carta Ação e Reação, analisamos os potenciais impactos à economia mundial e aos mercados financeiros com a invasão russa ao território ucraniano. Passado um dia de conflito militar aberto, com as tropas russas e ucranianas se enfrentando pelo controle da capital Kiev. O que aprendemos até agora? Com qual cenário base trabalhamos? E como toda essa crise afeta as nossas carteiras?
Quanto mais durar o conflito, maiores serão as chances de que a elevação dos preços das commodities pressione ainda mais a inflação mundial. Esta nova pressão sobre os preços de bens e serviços forçará os bancos centrais a acelerarem o processo de elevação dos juros, comprometendo ainda mais o crescimento mundial. Rússia e Ucrânia são produtores e exportadores relevantes de várias commodities, em especial as de energia, petróleo e gás natural, as matérias-primas de fertilizantes, macronutrientes potássicos, fosfatados e nitrogenados e vários metais estratégicos para a indústria como o níquel, o paládio e o alumínio.
Colocando de lado, se é que possível, as consequências brutais de um conflito dessa magnitude e seu impacto nefasto sobre vidas humanas, o que importa aos mercados, agora, não é que o que diretamente acontecerá com a Rússia e a Ucrânia. A dúvida está na incerteza quanto à possibilidade de o conflito militar migrar para uma guerra econômica declarada. De um lado estão as principais economias ocidentais impondo sanções econômico-financeiras à Rússia e do outro, a própria Rússia tacitamente ameaçando responder a estas sanções interrompendo o fornecimento de gás natural e petróleo principalmente aos países europeus bem como o fornecimento de outras commodities estratégicas.
A nossa percepção é de que o teor das sanções, pelo menos por enquanto, não induzirão a Rússia a puxar mais este gatilho, agora de uma guerra econômica aberta. Por isso o apreçamento dos mercados passou a considerar como provável o cenário onde provavelmente a Rússia terá sucesso em alterar o atual regime político ucraniano na direção de garantir seu poder de influência na região em simultâneo, em que neutraliza o risco de crescente expansão da OTAN em países fronteiriços.
Os preços dos ativos demonstram o crescente consenso na direção do nosso cenário base. Esta crise deverá ficar circunscrita à região, sem se observar sua escalada tanto do ponto de vista geográfico quanto econômico. A bolsa brasileira já retornou para os níveis observados anteriormente ao início da invasão, nossa moeda, entretanto, não devolveu o ajuste recente o que nos parece compreensível dado às seis semanas consecutivas de valorização do real e a necessidade de se manter certa cautela às vésperas do feriado do carnaval. Do lado internacional, o S&P500 reforça nossa percepção de que se entende como menos provável um contágio maior das economias dado que o índice subiu mais de 6% das suas mínimas recentes, retornando para os níveis observados no fim da semana passada.
O cenário alternativo, apesar de hoje menos provável, nos impõe a manutenção de postura mais conservadora, postura esta que já vínhamos adotando mesmo antes do surgimento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. O processo de normalização das economias com as retiradas de estímulos e aumento de juros por parte dos bancos centrais, já nos fez adotar anteriormente uma postura mais conservadora em todos nossos portfólios. A ênfase em posições pós-fixadas com bom carregamento, na classe de fundos multimercados, em exposição mais conservadora em renda variável associadas a um posicionamento neutro em ativos prefixados e de juros reais, vem garantindo maior estabilidade nos resultados do ano. Nossas carteiras, em sua maioria, vêm mantendo rentabilidades alinhadas com o CDI do período, não tendo sido impactadas de maneira relevante pela volatilidade recente.
Mantemos nossa prudência e torcemos para que essa guerra injustificável se encerre o mais rápido possível preservando vidas e retornando a paz e tranquilidade às famílias ucranianas.
Eduardo Castro
Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.
”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.
Na madrugada do Brasil, desta quinta-feira (24), o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou uma “ação militar especial” na Ucrânia, visando “desmilitarizar o país” vizinho, ordenando um “baixar armas” aos militares ucranianos. A tensão entre os dois países começou com a aproximação entre a Ucrânia e a Otan (aliança militar intergovernamental formada por 30 países, criada em meio a Guerra Fria, e existente até hoje). Desde então, as manchetes dos jornais repercutem o tema bem de perto.
Este movimento fez com que Vladimir Putin enviasse tropas rumo à fronteira da Rússia com a Ucrânia, posicionando soldados e equipamentos militares. A todo momento, Putin se posicionou afirmando que se tratava somente de “exercícios militares”, contudo países do Ocidente, especialmente os Estados Unidos, afirmavam que o presidente pretendia atacar o país ucraniano.
Ao longo das últimas semanas, diversos diplomatas de países europeus se reuniram com o presidente russo para tentar achar uma saída diplomática para o impasse no leste europeu. As exigências russas para o fim do conflito incluíam uma declaração de que a Ucrânia nunca se aliaria à Otan e o recuo das tropas da aliança militar.
Nesta semana, o que já era tenso ficou ainda mais, após a Rússia reconhecer a independência de Donetsk e Luhansk, áreas separatistas da Ucrânia, e enviar tropas em “missão de paz” para garantir a segurança das duas áreas. O movimento foi visto como uma violação flagrante do direito internacional.
Foi a partir disso que ocorreram as primeiras sanções ao governo russo, o que fez Putin afirmar que uma resposta “forte e dolorosa” seria dada. Foi então que a Rússia decidiu invadir a Ucrânia.
Dezesseis regiões da Ucrânia estão sob ataques, incluindo a capital Kiev, onde explosões e mísseis já foram registrados;
Ucrânia informou que mais de 50 pessoas foram mortas durante os primeiros ataques, incluindo civis;
Kiev tem estradas congestionadas com cidadãos tentando fugir, falta de combustíveis, mercados lotados e estações de trens cheias. A estimativa é que cerca de 1 milhão de refugiados busquem asilo nos países vizinhos como Polônia, Romênia e Hungria;
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu que os cidadãos ajudem a defender a Ucrânia e permitiu que, quem tiver arma, utilize para ajudar no confronto;
Governo da Ucrânia informou que seis aviões russos foram abatidos;
Espaço aéreo ucraniano fica vazio após início de confronto;
Vladimir Putin afirmou que quem interferir no confronto entre os países terá consequências como nunca vistas.
De acordo com Anton Gerashchenko, conselheiro do ministro do Interior da Ucrânia, “invasores” acessaram a zona fechada de Chernobyl;
A Rússia afirmou ter destruído 74 instalações militares ucranianas.
Os EUA e a Otan já haviam dado a entender que medidas serão tomadas. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, comunicou que o país americano e seus aliados responderão de forma unida e decisiva.
Confira algumas das sanções que já foram tomadas contra o país do leste europeu.
O impedimento da negociação de novos papéis da dívida pública russa em mercados ocidentais imposto pelos Estados Unidos;
A interrupção, por parte da Alemanha, do processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2, ligando o país à Rússia;
Sanções econômicas direcionadas a cinco bancos e a elite russa, entre eles três bilionários russos pelo Reino Unido, impedindo estes últimos de viajar para o país e congelando seus respectivos ativos congelados;
A proibição de todos os integrantes da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, que aprovaram a independência dos territórios ucranianos de Donetsk e Luhansk, de viajar pela União Europeia e o congelamento de quaisquer investimentos financeiros destes indivíduos no bloco, sanção esta aplicada conjuntamente pelos países membros;
Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, declarou que os países devem cancelar a dependência de petróleo e gás natural da Rússia, além de dizer convocará amanhã uma reunião da Otan;
O ministro disse após os ataques que o Reino Unido criará lei para banir exportações à Rússia e congelará ativos de mais de 100 entidades, além de outras medidas que serão anunciadas;
A União Europeia anunciará um pacote para bloquear o acesso dos russos a tecnologias e setores econômicos estratégicos.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou, na tarde desta quinta-feira (24), sobre os conflitos no leste europeu e anunciou algumas das sanções que serão impostas contra a Rússia.
Biden disse que a Rússia não poderá negociar em dólares, euro e iene, terão medidas sobre o rublo (moeda do país), limitará as transações em dólar das empresas russas, entre outras. Em outras palavras, o pacote de medidas visa sufocar a indústria e os bancos russos.
O democrata afirmou em seu pronunciamento que Putin não quer apenas anexar a Ucrânia, mas, sim, a antiga União Soviética. Em suma, no seu discurso, ele afirmou que “esta será a maior sanção econômica da história […] Os EUA vão defender todos seus aliados da região. A Otan está mais unida e determinada do que nunca”.
Agora, partindo para o cenário econômico, o desenrolar deste conflito e as possíveis sanções que serão impostas aos russos podem gerar impactos econômicos graves para diferentes países, incluindo o Brasil.
A seguir, veja uma lista de como o mercado reagiu com os primeiros passos da guerra e o que pode ocorrer nos próximos dias, a depender de como o conflito se desenrole.
O índice de medo subiu mais de 20%, maior nível de tensão desde setembro de 2020;
As bolsas de valores caíram ao redor do mundo. A bolsa de valores russa chegou a despencar 50%, com a moeda do país atingindo a mínima histórica. Em Nova Iorque, as bolsas de valores se recuperaram após as falas de Joe Biden;
Como era de se esperar, as commodities dispararam. O petróleo chegou a atingir US$ 105, maior patamar nos últimos sete anos;
No cenário europeu, uma guerra pode aumentar ainda mais a crise energética no continente, visto que a Rússia é responsável por distribuir cerca de ⅓ de todo o gás natural consumido no continente;
No Brasil, o impacto seria representado em um aumento da pressão inflacionária, principalmente nos preços dos combustíveis e da alimentação. A Rússia é uma das principais produtoras e exportadoras de petróleo do mundo. Desta forma, uma redução na oferta aumentaria os preços. No caso da alimentação, Rússia e Ucrânia são produtores estratégicos de milho e trigo, e possíveis sanções podem elevar os já elevados preços ainda mais no mercado internacional. Quando se trata especificamente do trigo, a Rússia se apresenta como a maior exportadora da “commodity” no mundo, com quase 20% do volume total em bilhões de dólares;
O Brasil importa muitos insumos usados na fabricação de fertilizantes advindos da Rússia. Uma sanção econômica no país europeu pode ser prejudicial para o agronegócio;
No mercado financeiro, a aversão ao risco dos investidores pode fazer com que recursos sejam direcionados para economias mais seguras, extraindo recursos dos emergentes, como o Brasil;
A bolsa de valores brasileira pode apresentar queda, mesmo sendo composta por ativos de commodities, mas que podem não sustentar a alta, sozinhos, e o dólar pode voltar a se valorizar;
O maior aperto inflacionário, tanto no Brasil quanto ao redor do mundo, fará com que os bancos centrais elevem os juros, dificultando, ou retardando, um possível crescimento econômico;
A redução da oferta de metais preciosos no mercado global, a exemplo da platina, matéria-prima utilizada em inúmeras indústrias, englobando desde a produção de automóveis até a fabricação de fios dentais, e consequente aumento do preço do material.
Apesar dos últimos acontecimentos, ainda não se sabe o que pode realmente acontecer. Neste sentido, podemos dizer que o avanço do conflito armado pode desencadear diferentes níveis de sanções à Rússia. Alguns economistas do mercado avaliam que os movimentos russos foram bem pensados, dizendo que os mesmos agiram para proteger a economia e poder continuar o avanço militar mesmo com sanções. O respaldo chinês é um fator muito importante neste caso.
A resposta dos mercados acabou por surpreender visto que, depois de uma abertura bastante pressionada, as bolsas de valores, por exemplo, apresentaram forte recuperação ao longo do dia. De certa forma, parte do risco da efetivação do conflito já estava precificada nos ativos e do ponto de vista das carteiras, já vínhamos com posições neutras privilegiando ativos de renda fixa com bom carregamento.
Ainda é muito cedo para dizer, mas já é razoável inferir que alguma pressão sobre a inflação no mundo via preços de energia e alguma desaceleração na atividade econômica poderão ser verificadas. Crise humanitária à parte, vamos observar se o conflito se mantém circunscrito à região o que poderá a vir ser absorvido pelos mercados sem maiores impactos sobre os preços de ativos. A conferir.
Eduardo Castro
Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office. ”Ação e Reação” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO, que retrata fatos importantes, urgentes e seus reflexos nos mercados financeiros globais.
Conteúdo produzido por Portofino Multi Family Office.
O CEO Conference Brasil 2022, evento promovido pelo BTG Pactual, chegou ao fim nesta quarta-feira (23). Após um primeiro dia em que contou com figuras importantes do cenário político-econômico do Brasil, o segundo dia de evento não ficou atrás e teve a presença de renomados profissionais do mercado, além de políticos. O atual presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, foi o convidado do último painel.
Perdeu o primeiro dia de CEO Conference Brasil 2022? Clique aqui para saber como foi.
A seguir, confira um overview dos painéis deste último dia de evento.
Cenário Econômico & Político Brasileiro
O dia começou com André Esteves, Sócio Sênior do BTG Pactual, sendo entrevistado pelo jornalista William Waack. O principal tema da conversa se manteve no âmbito da política, passando desde as eleições presidenciais no fim do ano até a divisão de equilíbrio dos poderes. A começar pelas eleições, o sócio do BTG foi enfático ao afirmar que “não devemos votar em quem não entende a evolução institucional do Brasil. Também não devemos votar em quem não entende o que deu certo e errado na economia”. Além disso, ele “prefere olhar o copo meio cheio em relação aos dois candidatos líderes”.
Esteves disse que há pontos positivos tanto para Jair Bolsonaro quanto Lula. Do lado de Bolsonaro, ele ponderou que há muitas confusões e declarações inapropriadas, porém é um governo que, na visão dele, vai andando. No caso de Lula, o empresário retornou às eleições de 2002 para explicar seu ponto de vista. “Quando você olha 2002, a perspectiva de mercado, do empresariado, do establishment, da mídia, era de um certo Lula. Quando se sentou na cadeira, tivemos um Lula totalmente palatável, que fez um ótimo primeiro governo”, afirmou Esteves no evento.
Quando perguntado sobre a participação do Centrão e o impacto que essa ala tem nas decisões e na forma que o governo é conduzido, Esteves relembrou que toda vez que o Brasil flertou com os extremos, foi essa ala que manteve o fio terra ligado e nos manteve republicanos. Outro assunto pautado no painel foi a respeito do reequilíbrio entre os Poderes. Sobre este tema, Esteves disse que esse movimento é saudável.
Na parte final do painel, o assunto debatido foi econômico, em especial o ingresso de capital estrangeiro na Bolsa de Valores e a queda do dólar ante o real. André Esteves explicou que há uma transição de ações de crescimento para as ações de valor. Como consequência, o Brasil se beneficia desta rotação. “O Brasil é ‘value’ nesse contexto global. Temos boas companhias, um ciclo de commodities, escala, múltiplos baixos. O Brasil entrou no radar”, disse o sócio sênior.
Ademais, sobre a situação inflacionária e de juros dos EUA, Esteves criticou ao dizer que parece que os agentes econômicos americanos desaprenderam a interpretar a inflação com a ausência dela e depois de 15 anos de taxa de juros zero.
Top Gestoras do Mercado
Ao lado de André Esteves, dois dos mais renomados gestores de recursos do Brasil, Rogério Xavier, da SPX Capital, e Luis Stuhlberger, da Verde Asset, falaram o que pensam sobre a inflação e o processo de elevação da taxa de juros nos Estados Unidos.
Assim como pensa Esteves, Xavier e Stuhlberger também entendem que os juros nos EUA deveriam subir mais. Os gestores pensam que os bancos centrais europeu e americano estão sendo complacentes com o processo inflacionário e, que para conter a alta de preços, será necessário aumentar os juros de curto prazo, como também deixar de atuar na compra de títulos de longo prazo.
Xavier analisou o desemprego baixo nos países desenvolvidos, acrescentando com uma poupança disponível para consumo também elevada. Este cenário favorece a demanda das famílias e a transformação de uma inflação originalmente estimulada por choques de oferta em algo mais duradouro.
Dentre as falas de Stuhlberger, podemos mencionar a análise que o mesmo fez sobre a política monetária expansionista dos últimos anos, caracterizada pelo juro de curto prazo zero e excessivas compras de títulos de longo prazo. O sócio da Verde Asset falou que o movimento terá consequências, expondo que os “banqueiros centrais” que compraram títulos públicos de 30 anos com taxas negativas de 1% a 2% terão seu trabalho questionado. Ainda sobre este tópico, o gestor comentou que a cura longa está “distorcida demais”. Desta forma, elas podem não mostrar o que realmente teremos de aumento de juros pelos bancos centrais.
Antes de entrar na questão política, Stuhlberger também mencionou a preocupação que o mundo tinha sobre a questão de não haver empregos para todos. Entretanto, nos EUA, é possível observar que as taxas de emprego estão voltando aos níveis próximos do pleno emprego. Sobre política, o gestor disse acreditar que os estrangeiros e o mercado não têm opinião negativa sobre Lula, o que é um dos motivos para a Bolsa subir e o dólar cair.
Daniel Goldberg, Managing Partner & CIO da Lumina Capital, também participou do painel.
Alta da Selic e o efeito na seleção de ações
O terceiro painel, que teve a presença de Maurício Bittencourt, Sócio-fundador da Velt, Guilherme Aché, Sócio-fundador e CEO da Squadra, e Florian Bartunek, Sócio-fundador da Constellation, discutiu bastante sobre a alta da taxa Selic e o impacto nas ações.
Neste sentido, Aché opinou que está olhando as empresas que caíram muito. Ele explicou que para ter retornos acima da média no longo prazo é preciso fazer investimentos “indigestos” no primeiro momento. Em suma, este movimento é observar as companhias que caíram muito agora com a alta de juros e explorar as quedas, pois há empresas muito boas nesta situação.
Ademais, os profissionais também comentaram brevemente sobre as tendências do mercado que vêm surgindo nos últimos tempos. Bittencourt analisou que estamos num momento empresarial com enormes espaços para ruptura. Ou seja, ele disse que negócios que, por exemplo, tem uma forma definida que levaram a um patamar de rentabilidade alta, mas as que não estão adaptadas a um mundo digital, podem apresentar queda.
No campo das tendências, Aché destacou que precisamos entender como a blockchain afeta positivamente e negativamente nossos investimentos. Por fim, Florian Bartunek destacou as criptomoedas, não somente elas, mas explicando que atualmente o cliente quer poder comprar as coisas a qualquer momento. Em outras palavras, os investidores não querem esperar a Bolsa abrir, por exemplo.
Presidenciáveis 2022: Ciro Gomes
Depois da passagem de Sérgio Moro e João Dória pelo palco do evento do BTG, foi a vez do outro pré-candidato à Presidência falar ao mercado financeiro. Ciro Gomes abordou durante o painel que participou que irá propor a tributação progressiva de heranças.
O pré-candidato do PDT também falou sobre reformas. Ao ser questionado sobre o tema, o presidenciável disse que trabalhará nas reformas que o Brasil realmente precisa, porém não as mencionou, e também criticou a reforma da previdência e o sistema de repartição. Além disso, o teto de gastos também foi tema das perguntas endereçadas ao candidato. Em resposta, ele apontou que o teto está levando o investimento do governo a zero.
Na parte final de sua participação, após ser perguntado sobre um possível cenário em que não chega ao segundo turno, Gomes enfatizou que “nunca mais fará campanha para bandido, preciso estar no segundo turno”.
Ascensão do 5G
O painel focado em discutir a implementação de 5G recebeu Fábio Faria, Ministro das Comunicações, Aílton Santos, CEO da Nokia Brasil, Marcelo Motta, Head Soluções e Cibersegurança da Huawei América Latina, e Alberto Griselli, CEO da Tim Brasil.
O ministro informou que todos os setores serão impactados pelo 5G e que nenhum ficará de fora. Ele disse que alguns terão mais destaque, como o agronegócio, que terá fazendas inteligentes, as quais permitirão o aumento da produtividade e diminuição do desperdício. O setor da infraestrutura e de saúde também foram destaques das falas do ministro. O primeiro deverá contar com portos e aeroportos autônomos. Já a implementação da tecnologia na saúde permitirá o avanço da telemedicina, como, por exemplo, a cirurgia robótica a distância.
Os participantes também explicaram as diferenças entre as tecnologias, desde a 2G até a 5G. Os principais diferenciais desta nova tecnologia será o mercado de sensores, o qual não pode ser acessado com as tecnologias anteriores. Segundo Griselli, o 5G irá permear o mundo em que vivemos. O 5G permite missões críticas móveis, características que permitem carros autônomos ou robôs.
Os Desafios do Brasil: Ajuste Fiscal, Reformas Estruturais e Crescimento
O penúltimo painel dos dois dias de evento contou com Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro, Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, e Tiago Berriel, estrategista-chefe do banco, como convidados.
Em sua participação, Almeida destacou que o próximo governo precisa fazer um ajuste de R$ 250 bilhões. Ele ainda alertou que esse ajuste não se faz em um ano, portanto o próximo governo terá de estar ciente que os quatro anos serão de austeridade.
Sobre a projeção de crescimento para 2022, Almeida disse que o cenário-base é de um crescimento zero. O economista, porém, pondera que isso não significa que o Brasil perdeu a capacidade de crescer, “culpando” a taxa de juros como um dos principais motivos.
Presidente do Brasil Jair Bolsonaro
O painel mais esperado do evento em 2022 teve a participação de Jair Bolsonaro. O presidente iniciou com um discurso em que destacou o desempenho do país durante a pandemia, afirmando que somos uns dos que menos sofreu economicamente no período.
A todo momento, Bolsonaro fez questão de indagar quem assistia ao evento sobre como estaria a economia do Brasil caso o “outro lado” (referência aos partidos e políticas da esquerda) estivesse ocupando sua cadeira e perguntou se “vamos flertar novamente ficar ao lado do abismo”. “O que está em jogo é a nossa liberdade e a economia”, disse o presidente. Ainda como exercício de imaginação, Bolsonaro indagou como seria a situação de desemprego no país com o “outro lado” no poder. Ao lado de Paulo Guedes, os dois falaram sobre como o Brasil se portou no quesito de criação de empregos. Durante o primeiro ano de pandemia, de acordo com os dados apresentados, foram criados 1 milhão de empregos formais e 2,7 milhões em 2021. No total, foram criados 11 milhões de empregos formais e informais. Neste campo, Guedes informou que o desemprego no começo da pandemia era de 11,7%, foi para 14,5% e retornou para 11,6%.
Sobre a inflação, Bolsonaro afirmou que o controle passa pela criação de empregos e em mecanismos de produção. Em relação ao preço dos combustíveis, o discurso foi de que não interferirá na política de preço dos combustíveis. Ele também comentou que a queda do dólar compensa o preço do brent.
O ministro e o presidente comentaram sobre os projetos que, apesar de ser ano eleitoral, estão avançando. Dentre eles, Paulo Guedes falou sobre a privatização dos Correios, que está no Senado, e da Eletrobrás.
Por fim, em sua mensagem final, Bolsonaro disse: “o Brasil está rumando para o progresso e prosperidade. Acreditem na sua pátria”.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
Nesta terça-feira (22), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2022, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como os presidenciáveis Sérgio Moro e João Dória, além dos ministros Paulo Guedes, da Economia, Tarcísio Freitas, da Infraestrutura e Joaquim Leite, Meio Ambiente. Dentre outras personalidades, Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central, e Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados.
A Agenda Política Brasileira
No primeiro painel do dia, Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados, falou sobre o cenário político brasileiro. O parlamentar afirmou ser demagogia não querer discutir os jogos de azar no âmbito Legislativo. Além disso, Lira também falou que irá trabalhar para que o semipresidencialismo seja discutido até o fim do ano.
Perspectiva Econômica Brasileira
O painel “Perspectiva Econômica Brasileira” contou com a presença de Paulo Guedes, ministro da Economia, com a moderação de Mansueto Almeida, Economista-Chefe do BTG Pactual.
O ministro deu sua visão sobre o que esperar da nossa economia no futuro, dizendo que o Brasil vai surpreender com um crescimento para cima, ao contrário do que ele espera do exterior, que a perspectiva é de surpreender para baixo.
Ademais, Guedes manteve sua postura padrão, na qual mencionou todas as evoluções e, a contraponto, no que diz respeito às críticas que ele e o governo vêm recebendo, seguiu afirmando que as informações estão desencontradas e que os avanços são inúmeros.
Presidenciáveis 2022: Sérgio Moro
Ex-ministro da Justiça e Segurança e pré-candidato à Presidência da República, Sérgio Moro mostrou durante sua passagem no evento um posicionamento extremamente contrário e incisivo em relação à corrupção e contra Jair Bolsonaro.
Dentre os principais temas abordados por ele, Moro se mostrou favorável às privatizações e ao combate à corrupção. Neste sentido, o ex-ministro trouxe um discurso bem literal e reformista visando sua campanha eleitoral.
No tocante à sua campanha eleitoral, o presidenciável ressaltou a participação de Affonso Pastore como seu principal conselheiro, além de mais três economistas. Ainda neste campo, Moro demonstrou uma postura de união contra extremos, a qual deve buscar alianças para poder buscar mais eleitores. Por fim, em sua participação, o pré-candidato apresentou a intenção de acabar com a reeleição e a sua posição a favor do teto de gastos.
Na sequência de Sérgio Moro, foi a vez de João Dória subir ao palco e falar um pouco sobre seus feitos durante seu governo em São Paulo e sua campanha eleitoral para as eleições presidenciais.
Questionado sobre o seu programa de governo na economia, Dória foi enfático ao falar sobre a importância do teto de gastos. “Jamais romper o teto de gastos e manter o controle do orçamento”, afirmou o candidato. Além disso, ele aproveitou o momento para “cutucar” o atual governo e mencionar as reformas que não foram feitas no mandato de Jair Bolsonaro. Em outras palavras, ele se mostrou a favor de reformas e aproveitou o momento para criticar o governo inúmeras vezes.
Ainda no campo da economia, Dória usou da plataforma para falar sobre a alta da inflação e os impactos para as famílias de classe baixa. Neste campo, o filiado ao PSDB ressaltou os projetos sociais que realizou em São Paulo e a importância de pensar nas pessoas que estão à margem.
Dória também comentou sobre os números das pesquisas dos candidatos de terceira via, e afirmou que vai manter sua candidatura independente das perspectivas das pesquisas. No fim de sua participação, o pré-candidato comentou sobre a possível união entre MDB, União Brasil, Cidadania e PSDB. De acordo com artigo publicado pela jornalista Bela Megale, o MDB, União Brasil e PSDB decidiram criar uma espécie de grupo de trabalho para que as legendas tenham uma candidatura única na eleição presidencial de 2022.
O artigo também afirma que, além de debater uma candidatura única à Presidência, as siglas definiram que não estarão ao lado de Bolsonaro e nem de Lula.
O Protagonismo da Infraestrutura em 2022
No painel que teve a presença de Tarcísio Freitas, ministro da Infraestrutura, o parlamentar destacou que 2021 foi “super desafiador”. Ademais, ele também fez questão de mencionar que o Brasil tem tudo para virar um “canteiro de obras” nos próximos anos. Neste sentido, ele defendeu o avanço que o Brasil está tendo em diversos setores da infraestrutura.
Na parte final do painel, o ministro dedicou os últimos minutos para falar sobre narrativa versus realidade, ou seja, o que falam por aí e o que de fato acontece. Freitas explicou como a narrativa e a desconexão que há entre esses dois posicionamentos pode ser perigosa. Sendo assim, ele questionou a narrativa que está sendo criada e disse que não podemos acreditar nelas.
O painel também contou com a presença de Marco Cauduro, CEO da CCR, João Alberto F. de Abreu, CEO da Rumo S.A., e Antônio Sepúlveda, presidente da Santos Brasil.
Cenário da Política Monetária Brasileira
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tomou o palco para fazer uma apresentação sobre o cenário global da economia e do Brasil. Campos Neto explicou que a Covid gerou o deslocamento da demanda de serviço para bens, aumentando assim a demanda de energia na produção. Para produzir mais bens, é necessário mais energia e, mesmo a energia verde, também custa mais caro e contribuiu nos índices de inflação. Em resumo, houve um aumento dos preços de energia que se manterá alto por mais tempo devido ao deslocamento da demanda.
Além disso, pontuou que acredita haver uma inflação encomendada nos EUA, por vir, e que a mudança estrutural na forma de trabalho americana, com as pessoas trabalhando mais de casa, fez o mercado precificar 5 altas de 0,25%.
Em relação à política monetária brasileira, Campos Neto analisou que os países emergentes, com exceção do Brasil e Rússia, estão abaixo da taxa de juros neutra. Ou seja, isso indica que muitos países ainda vão subir suas respectivas taxas de juros. Segundo ele, o Brasil tem atualmente a maior inflação dos emergentes e que 60% da taxa de 10% veio da Energia.
O site do Banco Central disponibilizou todo conteúdo da apresentação feita por Campos Neto que você pode baixar, clicando aqui.
Economia Verde: um Novo Brasil
No penúltimo painel do dia se discutiu muito o tema da sustentabilidade. Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, falou sobre o programa para criação de crédito de reciclagem que está sendo desenvolvido junto com Paulo Guedes.
Além de Leite, Gustavo Montezano, presidente do BNDES, também participou e comentou sobre como o programa de saneamento está sendo bem-sucedido. Ele instigou a opinião pública a perguntar a seus representantes municipais, estaduais e federais qual o projeto de saneamento de seu estado.
Ricardo Botelho, CEO da Energisa, também esteve no painel e finalizou com uma comparação com a Fórmula 1: “O Brasil está na pole position de potência ambiental e energética”.
Análise: Pesquisas Eleitorais 2022
O último painel do dia recebeu Márcia Cavallari, CEO da IPEC, Marcelo Tokarski, Sócio-Diretor do Instituto FSB Pesquisa, e Maurício Moura, Fundador e Presidente da Ideia Big Data, para falarem sobre as eleições de 2022.
Dentre as falas mais importantes, podemos mencionar a explicação da Cavallari, dizendo que “as pesquisas representam o diagnóstico de momento, sem querer representar o que vai ocorrer no futuro”. Em outras palavras, ainda é muito cedo para algumas afirmações e podem haver movimentações que podem mudar o jogo.
Em outro ponto, Moura foi perguntado sobre o que pode mudar até as eleições. Ao responder, ele levantou três pontos: 1) a popularidade de Jair Bolsonaro; 2) a rejeição do PT voltar a ser tema; 3) o desempenho dos candidatos que buscam ser a terceira via. Sobre este último ponto, ele falou que para uma terceira via mais forte, seria necessário algumas mudanças ou algum evento que mude as alternativas do eleitor.
Por fim, o CEO Conference Brasil 2022 retorna nesta quarta-feira (23) com a presença de Jair Bolsonaro em um dos painéis.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.