CEO Conference 2026 | BTG Pactual – Dia 2

fev 11, 2026 | Family Office, Wealth management

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(Tempo de leitura: 11 minutos)

O que você precisa saber:
Nesta quarta-feira (11), aconteceu o segundo dia do CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato á República, Gilberto Kassab, Sec. de Rel. Institucionais de São Paulo e Presidente Nacional do PSD, entre outros.


Cenário econômico 2026

 

O segundo dia de CEO Conference começou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no centro do palco. Logo de início, ele já citou que a diretoria do BC está de olho em todos os dados e acrescentou que há diversas fontes de incertezas atualmente: geopolítica, ano de eleição e o comportamento da economia, especialmente emprego e produtividade.

Galípolo comentou que a autarquia espera mais dados para reforçar a confiança e iniciar o corte de juros em março. Ele  disse que “vamos encarar os dados e consumir com serenidade”. Galípolo contou que a autoridade monetária não irá realizar movimentos bruscos, com decisões graduais. “A palavra-chave é serenidade”, disse.

O presidente foi questionado sobre as vagas abertas na diretoria do BC, mas evitou se comprometer:  “prerrogativa do presidente da República”. Sobre os nomes ventilados por Fernando Haddad, Guilherme Melo e Tiago Cavalcanti, Galípolo falou: “Não conheço o Tiago, mas sei que é um nome excelente. O Guilherme conheço há 20 anos. Mas, de novo, esta é uma prerrogativa do presidente da República”.

Antes de terminar, o presidente questionou: “por que o Brasil precisa de juros elevados, em relação aos pares, para conseguir convergência?”. A resposta dele? Ressaltou haver elementos conjunturais e estruturais.

Leia mais: CEO Conference 2026 | BTG Pactual – Dia 1

Oportunidades e Estratégias: Investindo em 2026

 

Na sequência, o evento debateu estratégias de investimentos em meio ao cenário atual de geopolítica e de eleições.

André Lion, sócio e CIO da Ibiuna Investimentos, explicou que o Brasil está muito bem posicionado para se aproveitar do movimento estrutural de realocação de ativos. O outro convidado, Leonardo Linhares, sócio da SPX Investimentos, acrescentou que Trump “tratou mal o capital” e contribui para esse cenário com as incertezas geradas.

No que diz respeito às eleições, Linhares foi firme em sua opinião: “eu não vou dormir tranquilo se tiver a continuidade desse governo.” Nas perspectivas de futuro, ele analisou que “o governo atual é mais fraco do que parecia”, em chances de reeleição. Lion também disse que fica “ansioso com a continuidade do governo”. “O problema é que o Brasil vai continuar numa situação extremamente frágil”, disse. Contudo, não acredita que será um cenário muito diferente com a vitória desse governo.

Oportunidades e Desafios no Setor Energético Brasileiro

 

O ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, começou sua participação destacando o potencial que o Brasil tem na transição energética, o líder desse movimento. Por outro lado, criticou o fato de o país ter uma das energias mais limpas do mundo, mas, ao mesmo tempo, uma das mais caras. Ainda completou: “Precisamos ser reconhecidos pela pluralidade energética”.

A China ganhou espaço no debate, principalmente sobre eletrificação. O ministro destacou a dominância do país asiático no setor e como conseguiram agregar nas cadeias de terras. Neste cenário, ele comentou uma iniciativa de intercâmbio de profissionais brasileiros na China e, quando voltarem, estarão vinculados ao governo para agregar na indústria.

Além disso, afirmou que o governo vai reajustar os preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade após reação negativa. Silveira também defendeu o licenciamento da Margem Equatorial, segundo ele, a grande conquista de Lula. Ele explicou que o país não pode “preterir o petróleo” e que a iniciativa “vai transformar o Norte do país”.

Para encerrar, reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Lula. “Lula está muito dedicado e focado no Brasil. Desconheço alguém que tenha o respeito que o presidente tem no mundo, inclusive com o Trump”, finalizou.

Reflexões: o Brasil e o Mundo em 2026

 

Na parte da tarde, André Esteves, chairman & sócio sênior do BTG Pactual, começou o debate com o cenário político. “Quem for sentar na cadeira ano que vem não vai pegar terra arrasada. Economia, para mim, não é um grande problema”, disse, contudo ponderando que ainda falta sustentabilidade para a trajetória da dívida. 

Ele foi convidado a analisar o cenário para as eleições. Ele acredita que o senador Flávio Bolsonaro tem chances, mas que o pleito está 50/50: “será uma eleição competitiva”. Apesar do equilíbrio, destacou que Lula pode ter uma vantagem por toda a experiência em campanhas políticas.

Esteves disse que a percepção geral é de que o risco político no país diminui. O comentário foi feito após ser perguntado sobre a entrada de recursos de investidores estrangeiros. Logo após, complementou dizendo que isso merece ser celebrado e que o “Brasil é institucionalmente confiável”.

Do ponto de vista internacional, vê com bons olhos o interesse norte-americano pela América Latina. “Podemos discordar de algumas questões, mas no geral vejo como positiva”, opinou.

Entrevista com Flávio Bolsonaro

 

O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, foi outro nome que marcou presença no CEO Conference.

O seu painel começou com ele contando a história da sua vida, falando sobre as filhas e esposa, e depois sua carreira na política. Como era esperado, elogiou o mandato de Jair Bolsonaro e criticou a prisão de seu pai, que a definiu como uma situação de “injustiça”. “Uma pessoa inocente não merece passar pelo que ele está passando”, afirmou.

Questionado sobre sua candidatura, Bolsonaro defendeu o diálogo depois que foi perguntado se a sua relação com as outras instituições seria de embate como foi a de seu pai. “Acredito que vamos ganhar essa eleição com o cérebro e não com o fígado”, disse. Ele também sinalizou que, se for eleito, pretende manter programas sociais e cortar impostos. 

A relação com o governador Tarcísio de Freitas foi tema de debate. O senador descreveu um clima amigável com o político quando foi perguntado se a decisão de Bolsonaro escolhê-lo como o nome da direita foi acertada, a qual ele disse que sim. “O Tarcísio é alguém com quem tenho uma relação muito boa, apesar das tentativas da imprensa de criar animosidade entre a gente. O meu amigo que faz um governo muito bom em SP”, comentou.

Ainda sobre a candidatura, ele respondeu sobre Romeu Zema ser o vice, possibilidade que não foi descartada e que seria um “bom nome” para a posição. A possível equipe econômica também foi tema, mas Bolsonaro escondeu o jogo e explicou que ainda é muito cedo para falar disso. Contudo, não poupou o atual ministro da Fazenda: “com certeza vai ser muito melhor que o Haddad”.

Por falar no atual governo, o pré-candidato fez inúmeras críticas a Lula e sua equipe. Ele afirmou que essa eleição não vai ser mais sobre Lula e Bolsonaro, “mas, sim, o caminho que o Brasil quer seguir: o da prosperidade ou das trevas”. O senador ainda comparou o atual presidente com um carro velho que um dia já serviu, mas hoje não leva a lugar nenhum e “bebe igual” a um. Haddad foi chamado de “o melhor ministro do Paraguai”. 

Inteligência Artificial e Investimentos em Tecnologia

 

Já na reta final do evento, a inteligência artificial ganhou destaque. John Lindfors, cofundador da DST Global, disse que acompanha o desempenho de machine learning há mais de 12 anos. “Pensamos que, desde o início, ter uma exposição no setor de inteligência artificial. Escolher uma empresa contra a outra não era tão fácil. Vimos as grandes empresas surgindo e, por isso, criamos esse portfólio”, explicou.

Por fim, contou que a visão deles sobre o futuro da tecnologia “é que muitos setores vão ser impactados pela IA. Agora, estamos focados em indústrias que vão ser impactadas e buscamos empresas nesses setores”.

Cenário Político 2026

 

O evento terminou com Gilberto Kassab, Sec. de Rel. Institucionais de São Paulo e Presidente Nacional do PSD. Para ele, Tarcísio é o melhor candidato para a Presidência “por sua experiência, por governar São Paulo, por ter a perspectiva de vitória mais consistente frente ao atual governo”. Entretanto, afirmou que o governador fez certo ao apoiar Flávio Bolsonaro.

Sobre o Flávio, Kassab disse que ele e Lula têm rejeição, por isso, há espaço para uma candidatura de centro. Neste sentido, confirmou que a “chance de o PSD não ter candidato é zero”.

Para encerrar o evento, ainda negou qualquer chance de ser vice de Lula e falou que não é candidato a nada, mas que, se surgirem circunstâncias para isso, não fecha as portas.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

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