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A Groenlândia no centro da crise geopolítica. Os EUA arriscam as relações pela a ilha

A Groenlândia no centro da crise geopolítica. Os EUA arriscam as relações pela a ilha

por danielbarbuglio | 6 fev 2026 | Family Office, Investimentos Internacionais

(Tempo de leitura: 4 minutos)

O que você precisa saber:

  • A tensão gerada com a ofensiva norte-americana expõe as fissuras dentro da Otan;
  • Washington argumenta que o território é essencial para o projeto “Domo de Ouro”;
  • O governo dos Estados Unidos demonstra preocupação com a presença da China e da Rússia no Ártico

Não é exagero dizer que a Groenlândia virou, de repente, um espelho das tensões do mundo atual. Um território glacial, pouco povoado e distante dos grandes centros de poder passou a concentrar disputas que misturam defesa, recursos naturais e a desconfiança crescente entre aliados históricos. O episódio revela menos sobre a ilha em si e muito mais sobre a fase da política externa dos Estados Unidos. E o estado das relações internacionais.

A insistência de Donald Trump em comprar a Groenlândia, e a disposição retórica de ir além disso, não pode ser lida como uma excentricidade isolada. Ela faz parte de uma lógica mais ampla, marcada por uma visão transacional das alianças e pela centralidade absoluta da segurança nacional.

O argumento central de Washington gira em torno do chamado “Domo de Ouro”, um sistema de defesa inspirado no modelo israelense e pensado para detectar e interceptar mísseis antes que atinjam o território norte-americano. A lógica é simples: a posição geográfica da Groenlândia, no coração do Ártico, é privilegiada.

🔎 Aprofunde-se: Esta matéria da BBC explica melhor esse sistema de defesa

Por outro lado, o que a geopolítica diz atualmente é que o Ártico aumentou a sua importância. O processo de aquecimento global não é apenas sobre o meio ambiente. Neste caso, ele está contribuindo para uma disputa estratégica muito mais profunda: novas rotas comerciais e valor militar da região. 

É nesse contexto da história que os dois antagonistas dos Estados Unidos, a China e a Rússia, ganham espaço no roteiro. O avanço da presença desses dois atores na região evidencia a preocupação norte-americana e a importância estratégica da região.

E, atualmente, ao se falar em estratégia, no contexto geopolítico das relações internacionais, são as terras raras quem têm mudado de lugar as peças do tabuleiro. Na história que estamos contando aqui, não é diferente, já que o domínio chinês na produção e processamento desses minerais têm feito o Ocidente – leia-se EUA e Europa – suar frio. 

A Groenlândia, rica em terras raras em seu terreno pouco explorado, surge como uma alternativa estratégica no longo prazo em diminuir a dependência de Pequim.

A estratégia é vista com bons olhos pelo pessoal lá em Washington. Para os outros 31 membros da Otan não é bem assim. A ofensiva norte-americana causou um grande desconforto – para não falar crise – dentro da aliança. Ao flertar com a anexação de um território sob soberania de um país-membro, fissuras e dúvidas foram expostas sobre a força do multilateralismo. A ameaça de tarifas contra países contrários ao plano só aprofundou essa sensação de instabilidade.

“Nunca vimos isso antes. Um aliado, um amigo de 250 anos, considerando usar tarifas como arma geopolítica”, declarou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure.

Quando Trump descartou o uso de força militar e aliviou o discurso sobre as tarifas retaliatórias, o sangramento foi contido, mas a ferida ainda segue longe de cicatrizar. 

As conversas “construtivas” entre Estados Unidos e Dinamarca restabelecem o diálogo. De toda forma, para além de terras raras, segurança nacional e rotas comerciais, a crise na Groenlândia também expõe como alianças e relações que uma vez já foram sólidas e hoje vivem sobre a corda bamba de incertezas. 

infográfico verde com curiosidades sobre a Groenlândia

Ano novo, mas a mesma tensão entre Trump e o Fed

Ano novo, mas a mesma tensão entre Trump e o Fed

por danielbarbuglio | 16 jan 2026 | Family Office, Investimentos Internacionais, Wealth management

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:

  • O embate entre Trump e Powell aumenta as tensões às vésperas da reunião de juros
  • O presidente do Fed publicou vídeo criticando a ação do governo
  • Para ele, se trata de uma ameaça clara à independência da autoridade monetária

O ano de 2026 começou carregando as mesmas tensões que marcaram o fim de 2025. Entre elas, a relação cada vez mais conturbada entre Donald Trump e Jerome Powell, tendo a independência do Federal Reserve como pano de fundo. 

As tensões voltaram a escalar já na segunda semana do ano, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviar ao Federal Reserve uma intimação relacionada à investigação que apura se Powell teria mentido ao Congresso. O foco do depoimento são as reformas na sede do Fed, em Washington, que envolvem a expansão e modernização de dois edifícios da década de 1930, com custo estimado em US$2,5 bilhões.

As pressões do governo sobre o Fed – especialmente de Trump – não são novidade. O elemento novo, desta vez, foi a reação de Jerome Powell. O chair se manifestou por meio de uma gravação, na qual afirmou que o processo está diretamente ligado à resistência do Fed em atender aos pedidos do presidente por cortes mais agressivos na taxa de juros. Para Powell, trata-se de uma ameaça clara à independência da autoridade monetária.

“É uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse o dirigente.

Trump, por outro lado, negou que tenha qualquer relação com a acusação. A negativa, contudo, não arrefeceu as reações. Presidentes de bancos centrais ao redor do mundo assinaram uma carta conjunta em apoio a Powell, criticando qualquer tentativa de interferência política sobre a condução da política monetária e reforçando a importância da autonomia institucional do Fed. (Leia o documento mais abaixo)

O episódio se soma a uma longa lista de atritos entre o governo e o banco central. Entram nessa conta o processo contra Lisa Cook (entenda aqui), as críticas públicas e até os insultos direcionados a Powell em meio às pressões por cortes mais rápidos e profundos nos juros.

Na última reunião do ano, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,5% a 3,75%, em decisão dividida: Stephan Miran — recém indicado por Trump — defendeu um corte maior, de 0,5 ponto, enquanto outros dois membros, Jeffrey Schmid e Austan Goolsbee, votaram pela manutenção. O comitê sinalizou apenas um corte adicional para 2026, ressaltando a incerteza quanto às perspectivas econômicas. Após os dados de inflação mais recentes, Trump voltou a pressionar por cortes mais agressivos nos juros. 

Em tempo, a mudança no comando do Fed é um tema para acompanhar de perto. Trump já comunicou sua preferência por um nome mais alinhado às suas preferências e afirmou, inclusive, que o substituto de Powell já estaria escolhido. A decisão deve ser anunciada em breve.

Confira a carta assinada pelos presidentes de BCs ao redor do mundo.

13 de janeiro de 2026

Manifestamos total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell. A independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos. Por isso, é fundamental preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática. O chair Powell tem exercido sua função com integridade, foco em seu mandato e compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado e amplamente reconhecido por todos que trabalharam com ele.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, em nome do Conselho do BCE
Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Governadores do Danmarks Nationalbank
Martin Schlegel, presidente do Conselho de Governadores do Banco Nacional da Suíça
Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank
Michele Bullock, presidente do Reserve Bank of Australia
Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais
Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais.

Imagem em destaque: The White House

O ano em que a Casa Branca voltou ao estilo Trump

O ano em que a Casa Branca voltou ao estilo Trump

por danielbarbuglio | 17 dez 2025 | Family Office, Investimentos Internacionais

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:

  • A política de tarifas e imigração do governo Trump dominou o noticiário
  • O relacionamento entre Donald Trump e Jerome Powell também foi destaque no ano
  • A preocupação com as empresas de IA cresceu

Ufa — que ano foi 2025. De uma política comercial inédita nos Estados Unidos a um embate institucional com o banco central, o ano foi marcado por fortes reviravoltas. As medidas protecionistas e a postura firme de Donald Trump em temas como imigração e comércio internacional definiram o tom de uma montanha-russa que impactou diretamente os mercados globais.

Ao revisitar os principais capítulos da economia norte-americana, é inevitável não começar pelo binômio que dominou o noticiário: tarifas e imigração.

No início do ano, a nova política tarifária de Trump surpreendeu ao incluir não apenas adversários, mas também países aliados. O confronto mais intenso, porém, ocorreu com a China. De um lado, os Estados Unidos elevaram tarifas de importação; do outro, Pequim respondeu na mesma medida. Em poucas semanas, as alíquotas ultrapassaram 100%, reacendendo a tensão entre as duas maiores economias do mundo.

Essas medidas geraram alta volatilidade nos mercados de renda fixa e variável, refletindo a incerteza sobre o impacto nas cadeias globais de produção e no comércio internacional.

Em paralelo, os EUA endureciam a política imigratória, com deportações e operações em larga escala. O tema, inclusive, permeou os comunicados do Federal Reserve ao longo do ano. O ambiente de incerteza aumentou a cautela da autoridade monetária, que passou a destacar a necessidade de monitorar atentamente os dados econômicos antes de qualquer mudança significativa na política de juros.

A situação expôs a insatisfação de Trump com o chair Jerome Powell em relação à condução da política monetária. O presidente norte-americano defendia cortes mais agressivos nas taxas de juros, mas Powell se manteve firme em suas convicções apesar das pressões externas.  Na última reunião do ano, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,5% a 3,75%, em decisão dividida: Stephan Miran — recém-indicado por Trump — defendeu um corte maior, de 0,5 ponto, enquanto outros dois membros, Jeffrey Schmid e Austan Goolsbee, votaram pela manutenção. O comitê sinalizou apenas um corte adicional para 2026, ressaltando a incerteza quanto às perspectivas econômicas.

Em tempo, a mudança no comando do Fed é um tema para acompanhar de perto. Trump já comunicou sua preferência por um nome mais alinhado às suas preferências, e a decisão deve ser anunciada no início do próximo ano.

Do lado dos mercados, o segundo semestre foi marcado por maior seletividade e cautela. Além dos sinais mistos sobre atividade e inflação, cresceu a preocupação com a precificação de empresas de inteligência artificial, cujo desempenho extraordinário elevou questionamentos sobre sustentabilidade de lucros e valuations.

Fora do eixo norte-americano, 2025 também foi um ano desafiador no cenário geopolítico. Em Gaza, um cessar-fogo trouxe algum respiro, embora as incertezas sobre o futuro da região permaneçam altas. No Leste Europeu, as negociações por um acordo de paz seguem em curso, ainda distantes de um desfecho.

E assim encerramos 2025, com uma visão cautelosamente otimista. Apesar dos desafios políticos, econômicos e geopolíticos, os resultados corporativos seguem positivos, o volume de investimentos permanece robusto e há sinais de maior disposição ao diálogo entre países. Ao mesmo tempo, os riscos ainda são significativos e o cenário global continua indefinido.

Engana-se quem imagina que o ciclo se fecha no dia 31. Como de costume, 2026 tende a ser um ano de volatilidade, ajustes e oportunidades — terreno fértil para quem souber manter disciplina, paciência e visão de longo prazo.

(Imagem destaque: The White House)  

 

Fernando Godoy cursou Administração de Empresas na FGV com foco em Gestão Estratégica, atuou por 2 anos em empresa de capital aberto e possui 8 anos de experiência no mercado financeiro, com ênfase em investimentos internacionais. Está no time da Portofino MFO há 6 anos, 4 deles como sócio.
“¿Qué pasa, hermano?” O que acontece com o governo Milei na Argentina?

“¿Qué pasa, hermano?” O que acontece com o governo Milei na Argentina?

por danielbarbuglio | 22 set 2025 | Investimentos Internacionais, Family Office, Wealth management

(Tempo de leitura: 7 minutos)

O que você precisa saber:
– O governo do presidente Javier Milei reduziu a inflação de 200% para algo em torno de 36%;
– Recentemente, eclodiu um suposto caso de corrupção envolvendo a irmã de Milei;
– A derrota nas eleições legislativas de Buenos Aires acendeu alerta;
– Milei tenta se recuperar poucos dias antes da importante eleição legislativa nacional


“¡Viva la libertad, ca*****!” — o brado de Javier Milei ecoou como um trovão quando ele assumiu a presidência da Argentina em 2023. Para muitos, era a promessa de um novo amanhecer, um tango vibrante que romperia com o passado e devolveria esperança a um país cansado de crises. 

Contudo, as manifestações contra a caravana presidencial e a derrota de seu partido nas eleições legislativas em Buenos Aires são os primeiros sinais de que as ruas podem não estar mais encantadas com o grito que ajudou o presidente a chegar na Casa Rosada.

A perda na capital, coração político e cultural da Argentina, acendeu um alerta vermelho. Buenos Aires não é apenas a cidade mais populosa do país, ela funciona como um espelho que antecipa o que pode acontecer no palco nacional. E, com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando em 26 de outubro, Milei sabe que não pode perder mais compasso.

Essas eleições são cruciais: sem ampliar sua base no Congresso – hoje com menos de 15% das cadeiras –, o presidente terá dificuldade em transformar seu discurso de livre mercado em realidade.

Um pouco de contexto

Milei assumiu em 2023, prometendo virar a página da política tradicional e devolver estabilidade a uma Argentina cambaleante. Com sua tesoura afiada, cortou gastos, encerrou subsídios, mexeu no câmbio e enfrentou os juros altos. O resultado imediato foi um alívio na inflação, que caiu de mais de 200% para algo em torno de 36% e conseguiu o primeiro superávit fiscal em 10 anos. O peso ganhou fôlego, mas a conta chegou em outro lado: desigualdade em alta e mais argentinos escorregando para a pobreza.

Para seus apoiadores, no entanto, esses sacrifícios representam um caminho doloroso, mas necessário. Defendem que as medidas são parte de uma travessia que exige firmeza inicial para, no futuro, colher frutos mais sólidos de crescimento e estabilidade.

E como se não bastasse a difícil dança econômica, um novo tropeço surgiu: o suposto escândalo de corrupção envolvendo Karina Milei, irmã e braço-direito do presidente. Conhecida como El Jefe, Karina é a sombra mais próxima de Javier, mas gravações reveladas pela imprensa a colocam no centro de denúncias de um suposto esquema de suborno ligado ao pagamento de remédios a pessoas com incapacidade.

Áudios gravados no ano passado apontam o ex-diretor da Agência Nacional de Incapacidade (Andis, em espanhol), Diego Spagnuolo, afirmando que a irmã do presidente recebia suborno de 3%, segundo a AFP – e disse ainda ter informado o presidente sobre o esquema.

Somado ao escândalo das criptomoedas, ao aumento da desigualdade e ao corte de benefícios sociais, o episódio corroeu a confiança da população: os índices de confiança do governo caíram 13,6%.

Sucessivas derrotas

Se antes Milei ainda conseguia manter o compasso no Congresso, agora parece que a música virou. Os vetos, que eram sua principal arma para sustentar o plano de austeridade, começaram a ser derrubados como peças de dominó.

  • Senado derrubou veto em uma lei que expande os benefícios para pessoas com deficiência;
  • Em agosto, a Câmara derrubou um veto presidencial de uma lei que declara situação de emergência no atendimento a pessoas com incapacidade e aloca mais fundos no setor;
  • Derrota no Senado em decretos presidenciais que pretendiam reduzir o orçamento estatal e aprovou o aumento dos valores destinados à saúde e às universidades públicas.

O cenário também pode ser refletido em números. Segundo o analista político Andrés Malamud, Milei enfrentou 34 eleições legislativas: venceu de 15 de 17 até março de 2025, mas, desde abril, perdeu 16 em 17.

Como essas informações foram lidas

O dia seguinte às eleições em Buenos Aires foi marcado por uma queda de 13% no índice Merval, principal indicador da Bolsa argentina, em resposta à derrota para a oposição peronista. O peso perdeu 5% de valor e, em Wall Street, as ações de empresas argentinas derreteram 21%.

O risco-país também não ficou imune: disparou nos últimos dias, chegando a bater 1.000 pontos-base antes de recuar para 901 — ainda assim, o maior patamar desde que a Argentina assinou seu mais recente acordo com o FMI, apenas cinco meses atrás.

Paz e amor?

No cenário turbulento para seu governo, Milei apareceu com uma nova postura durante a apresentação do Orçamento de 2026. Com um discurso mais conciliador, a motosserra do presidente abriu espaço para o aumento dos gastos com saúde, educação e pensões.

Nesse tom menos radical, e com a afirmação de que sua política de equilíbrio fiscal é “inegociável”, os ativos argentinos responderam positivamente, revertendo um pouco da queda registrada após a derrota acachapante em Buenos Aires – o índice Merval subiu 2,3% e os títulos soberanos tiveram alta de 5%.

Em meio a derrotas políticas, escândalos de corrupção e menor confiança, Milei tenta mostrar resiliência. A prometida “profunda autocrítica”, enquanto sinaliza que vai redobrar esforços em seu modelo econômico, será decisiva para as eleições legislativas – e também para uma possível reeleição como chefe da Casa Rosada.

Fed volta a reduzir juros; BC mantém Selic em 15%

Fed volta a reduzir juros; BC mantém Selic em 15%

por danielbarbuglio | 17 set 2025 | Análise de Mercado, Family Office, Investimentos Internacionais

(Tempo de leitura: 4 minutos)

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, reforçando uma postura cautelosa diante de um cenário que combina inflação ainda resiliente, expectativas pouco ancoradas e um ambiente internacional incerto. Embora os últimos dados mostrem alguma desaceleração da inflação no curto prazo, a autoridade monetária avalia que o índice segue acima da meta e que o ritmo de arrefecimento não é suficiente para justificar cortes imediatos nos juros.

O comunicado também ressalta que o mercado de trabalho permanece aquecido, o que tende a pressionar os preços de serviços, além de lembrar que as condições externas — especialmente a trajetória de juros nos Estados Unidos e a volatilidade das commodities — adicionam riscos à economia brasileira.

Na prática, o Copom reconhece que a taxa atual é elevada e tem impactos relevantes sobre a atividade, mas prefere esperar sinais mais claros de convergência da inflação antes de iniciar um ciclo de cortes. Um ponto importante é que o comunicado retirou a sinalização explícita de manutenção para a próxima reunião, o que pode indicar proximidade de um esgotamento no atual nível de juros.

Além disso, o Banco Central procura equilibrar duas pressões: de um lado, a necessidade de controlar a inflação para preservar o poder de compra; de outro, a preocupação em não frear excessivamente a economia. Ao manter um discurso firme, o Copom busca reforçar sua credibilidade e sinalizar ao mercado que não pretende ceder a pressões políticas ou conjunturais, mantendo o foco em assegurar a estabilidade de preços no médio e longo prazo.

Thomás Gibertoni
Sócio | Portfolio Manager

É formado em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e possui certificações CGA e CGE. Thomás passou pelo Banco Santander e antes de chegar à Portofino foi Portfolio Manager na Claritas Investimentos.

O Fed reduziu a taxa de juros em 0,25 p.p., para 4%–4,25%, diante de sinais de desaceleração da economia e de uma inflação ainda acima da meta. O balanço de riscos passou a pesar mais para o lado do emprego, com maior preocupação sobre uma possível deterioração do mercado de trabalho.

A decisão foi interpretada como um ajuste fino de política monetária, e não como uma mudança estrutural de rumo, dada ainda a inflação resiliente e a incerteza em relação às tarifas. O Fed reforçou que seguirá acompanhando atentamente os dados econômicos e poderá realizar novos cortes se os riscos se intensificarem. Apenas um membro do Comitê votou por uma redução mais agressiva, de 0,50 p.p. Há expectativa de mais dois cortes no ano e de três adicionais em 2026, levando a uma taxa terminal de 3%.

Burton Mello
Investimentos Internacionais

Tarifas, conflitos e política monetária: o movimentado cenário americano

Tarifas, conflitos e política monetária: o movimentado cenário americano

por danielbarbuglio | 8 set 2025 | Investimentos Internacionais, Family Office

(Tempo de leitura: 7 minutos)

O que você precisa saber:
O cenário nos Estados Unidos está muito movimentado: próximo da reunião que pode cortar a taxa de juros, as tarifas, mercado de trabalho e imigração ainda são destaques.


Quando Donald Trump venceu a última eleição, ninguém esperava uma presidência sem turbulências. Pelo contrário: as expectativas eram de que o palco político global seria sacudido. E é exatamente isso que está acontecendo. Com medidas protecionistas e uma postura radical sobre imigração, ele coloca os Estados Unidos no centro de um furacão, e o mundo inteiro está de olho.

Em um cenário marcado pelo vaivém, o mundo acompanha atentamente as notícias que surgem sobre a política de tarifas. Longe das surreais taxas aplicadas no começo do ano – vide a de 145% para a China -, o momento se voltou para as tarifas de 50% aplicadas no Brasil. Diversos outros países continuam sob os holofotes da política tarifária do líder americano, como a União Europeia – que chegou a um recente acordo com os americanos -, a Índia – com taxas iguais a do Brasil -, entre outros. 

Contudo, apesar de as tarifas estarem a todo vapor, a decisão de um tribunal federal as considerou ilegais. Agora, o presidente recorreu à Suprema Corte para os magistrados reverterem a decisão. Em meio a isso, as tarifas ainda continuam em vigor, já que a justiça permite a continuidade enquanto o processo avança. (Entenda mais aqui)

A relação de Trump com o Federal Reserve (o banco central americano) também é um capítulo à parte. As taxas que estão na faixa de 4,25% a 4,50% viram uma pequena fresta se abrir em direção a uma queda na próxima reunião – para a felicidade do presidente. 

Trump está há meses pressionando Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, a reduzir as taxas de juros. As ameaças e os xingamentos — como “burro” e “teimoso” — viraram rotina. Curiosamente, foi o próprio Trump quem o indicou para o cargo em seu primeiro mandato, e agora o acusa de ter motivações políticas para não reduzir os juros.

E os ataques não se limitam somente a Powell. Trump mirou em Lisa Cook, uma das diretoras do Fed, após a demitir por supostas fraudes em empréstimos hipotecários. O caso não tem precedentes na história do país e reacende o debate sobre a independência do banco central. (Você pode mergulhar no assunto através deste link).

Apesar da pressão, o líder americano pode estar perto de ver seu desejo se realizar.

No importante simpósio de Jackson Hole, Powell sinalizou uma pequena abertura para um corte de juros, ainda que cautelosamente.

O chairman do Fed destacou que a política monetária já se encontra em “território restritivo” e que o equilíbrio de riscos entre crescimento e inflação está mudando, o que pode justificar ajustes na postura atual. Ele reforçou que as decisões seriam tomadas com base em dados econômicos, reafirmando que o Fed não se curvará a pressões políticas.

Porém, outros dados importantes precisam entrar na conta: o Livro Bege mostrou que as empresas estavam hesitantes em contratar trabalhadores, resultado da demanda mais fraca ou à incerteza. Além disso, também “quase todos os distritos observaram aumentos de preços relacionados a tarifas, com fontes de muitos distritos relatando que as tarifas tiveram impacto especialmente forte nos preços de insumos”.

Assim, os dados do mercado de trabalho também foram atualizados. O Payroll, por outro lado, mostrou sinais de desaceleração do mercado de trabalho em agosto, com a criação de apenas 22 mil empregos.

Os dados reforçam que o mercado de trabalho americano está perdendo fôlego, refletindo possivelmente os efeitos das políticas comerciais do governo Trump – especialmente as tarifas impostas em abril, que reduziram o volume de comércio e afetaram a atividade econômica.

Diante desse cenário, e considerando o duplo mandato do Federal Reserve (que busca equilibrar emprego e inflação), o fraco resultado de agosto é um sinal de que os juros podem cair na próxima reunião do Fed, mesmo com preocupações inflacionárias relacionadas às tarifas.

Nos dias 16 e 17 de setembro, teremos uma resposta quanto aos juros: Trump finalmente vai ver os juros caírem ou Powell continuará sendo “burro” e “teimoso” na visão do presidente?

E tem mais assunto…

Enquanto isso, em outras frentes, as promessas de Trump seguem sendo testadas. A promessa de acabar com a guerra no Leste Europeu em “24 horas” se mostrou uma ilusão. Oito meses de seu governo e o conflito entre Rússia e Ucrânia ainda é uma ferida aberta. Acordos de cessar-fogo frágeis e a morte de inocentes nos lembram que a guerra não é um jogo de palavras.

E se a situação não é nada animadora entre Rússia e Ucrânia, o mesmo pode-se dizer da guerra no Oriente Médio. 

O – frágil – acordo de paz que Trump reivindicou para si ruiu como um castelo de cartas. Após alguns meses sem guerra na região e imagens emocionantes de reféns libertados, a impressão é que tudo voltou à estaca zero. Retratos desumanos e de violência voltaram a dar o tom nesse sangrento conflito entre Israel e Hamas.

Em meio a tantas manobras políticas, econômicas e militares, o mundo observa com atenção os desdobramentos das ações de Donald Trump. A cada decisão, ele redefine não somente o cenário interno dos Estados Unidos, mas também o equilíbrio global. Enquanto isso, seus aliados e adversários tentam se adaptar a essa nova dinâmica.

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