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Brazil Investment Forum | Bradesco – Highlights #Dia 1

Brazil Investment Forum | Bradesco – Highlights #Dia 1

por danielbarbuglio | 5 abr 2022 | Análise de Mercado, Family Office, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Sucessão, Wealth management

Tempo de leitura: 11 minutos.

Família Portofino,

Nesta terça-feira (5), aconteceu o primeiro dia do Bradesco BBI 8th Brazil Investment Forum, evento organizado pelo Bradesco Private Bank. O dia contou com diversos painéis sobre diferentes assuntos que estão em destaque no cenário econômico e político atual. Para falar sobre esses assuntos, nomes nacionais e internacionais do mercado, como Affonso Pastore, Luis Stuhlberger, Gustavo Montezano, William Dudley, entre outros, marcaram presença no evento.

Confira um resumo dos painéis desta terça-feira.

Desafios econômicos pós-eleições no Brasil

O primeiro painel contou com a presença de Affonso Pastore, ex-Presidente do Banco Central, Nelson Barbosa, ex-Ministro da Economia e ex-Ministro do Planejamento, e Gustavo Franco, Managing Partner da Rio Bravo Investimentos e ex-Presidente do Banco Central, discutiram suas visões sobre o que esperar para a economia brasileira após as tão aguardadas eleições presidenciais de 2022.

Os especialistas, além de falarem sobre os prognósticos e desafios pós-eleições, relembraram o período de pandemia, quando a taxa Selic bateu 2% ao ano, para contextualizar o momento de inflação vivido atualmente. Para Pastore, por exemplo, ele teme que a inflação não diminua o tanto quanto se espera. 

Além disso, eles também comentaram sobre a importância de se ter uma política fiscal que estimule o crescimento. “O próximo governo vai ter que desarmar uma bomba fiscal”, disse Barbosa.

Na parte final do debate, os economistas comentaram sobre a Petrobras e a privatização das estatais durante o último governo. A alta dos combustíveis também esteve em pauta, a qual os profissionais falaram sobre possibilidades para o tema.

As melhores ideias de investimentos para 2022

Na sequência do evento, foi a vez de Luis Stuhlberger, sócio fundador e gestor de carteira da Verde Asset, Carlos Woelz, sócio fundador e gestor de carteira da Kapitalo Investimentos, e Daniela Costa-Bulthuis, gestora de carteira na Robeco, analisarem o que o cenário econômico atual e quais, na visão deles, são as melhores ideias de investimentos.

Stuhlberger traçou um panorama desde o início da pandemia de coronavírus e destacou o período a partir de julho de 2021, dizendo que o “Brasil voltou ao inferno” e que “foi um período insano”. Ele relembrou que a crise dos precatórios, somada a todo o temor acerca do teto de gastos, fez a Bolsa de Valores sofrer uma grande queda no segundo semestre de 2021.

O gestor analisou que o Brasil está em um momento que vai se beneficiar muito das circunstâncias externas. Stuhlberger ainda ressaltou que acha que é a primeira vez que ele vê, apesar da alta de juros nos Estados Unidos, o Brasil sendo beneficiado nesse cenário. Ele também disse que acredita em um mundo mais inflacionista depois da crise de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia. 

Costa-Bulthuis abordou as opções que o investidor de mercados emergentes tem. Ela listou que na China há o risco de interferência nas empresas e a crise no setor imobiliário e de construção, a Europa Central está vivendo um momento muito arriscado devido à guerra , o Oriente Médio não apresenta tantas opções e a África do Sul tem a questão do desemprego.

Neste sentido, ela explicou que a América Latina tem mercados diversificados e com moedas líquidas. Ou seja, para a gestora, esse mercado voltou a ser o centro e o polo a se investir nos mercados emergentes em 2022. Contudo, ela fez questão de ressaltar os riscos de crises políticas, não só no Brasil.

Falando sobre o Brasil, Costa-Bulthuis explicou que o Banco Central do Brasil se antecipou aos outros em relação ao aumento da alta de taxas de juros. Ademais, o fator valuation, de acordo com a fala da gestora, com os preços dos ativos muito descontados também é um fator favorável aos investimentos no Brasil. Em outras palavras, ativos baratos, moeda com tendência de valorização, falta de opções e a conjuntura favoreceram a entrada de investimentos estrangeiros.

No fim do painel, a gestora comentou que os setores de commodities, os bancos e as empresas pagadoras de dividendos são investimentos que ela vê com bons olhos, além de dizer que não é a hora de voltar para growth.

O que é necessário para atrair investimentos em infraestrutura para 2023-26?

Ainda na parte da manhã do evento, Antônio Carlos Sepulveda, CEO da Santos Brasil, Bruno Serapião, Sócio Senior na Pátria Investimentos, e Marco Cauduro, CEO da CCR, discutiram sobre o setor de infraestrutura.

Sepulveda comentou que a área tem espaço para melhorar, principalmente na parte de regulação. Nas palavras do CEO, o Brasil é hiper regulado com um sistema que peca pelo excesso de regulação.

Em relação ao tema ambiental, Sepulveda explicou que há um anseio de países e pessoas sobre o tema. Ele falou que é um ponto indissociável a todos os projetos e que o licenciamento ambiental no nosso país não é diferente de nenhum outro.

Em suma, os três convidados falaram sobre investimentos, contratos e disponibilidade de capital atualmente.

Saiba mais: Conheça os Fundos de Investimento Exclusivos: Veja como funcionam e para quem são indicados

Sessão Especial: William Dudley, ex-Vice Chairman do Federal Open Market Committee e ex-Presidente do Fed de NY

William Dudley analisou o cenário econômico nos Estados Unidos e a participação do Federal Reserve. De acordo com ele, o Fed teve talvez quatro grandes erros.

O primeiro seria a nova política monetária adotada. “Estamos em uma situação que a política monetária precisa estar mais rígida”, disse o economista. O segundo erro é que o banco central americano estava muito preocupado em reduzir a compra de ativos. Terceiro erro foi a avaliação do mercado de trabalho. Dudley comentou que o Fed não considerou que a pandemia resultaria em um mercado mais rígido. O quarto, e último, erro foi considerar a inflação transitória. Ele afirmou que está “bem confiante” que a política monetária vai ser apertada nos próximos meses.

Em relação à guerra na Ucrânia, Dudley pensa que os Estados Unidos estão em um lugar melhor do que os outros países. Sobre o valor das commodities, ele comentou que depende muito do que acontecer no mundo e de quanto a guerra vai pressionar os preços. 

BNDES e a Nova Economia: Os pilares do desenvolvimento sustentável 

Nos painéis da parte da tarde, Gustavo Montezano, CEO do BNDES, e Marcelo Serfaty, Presidente do Conselho do Conselho de Administração do BNDES, iniciaram os trabalhos comentando o papel do banco.

Serfaty disse que o Brasil tem a capacidade de atrair muito capital e de se reinserir nas cadeias globais. “O BNDES pode ter papel importante na reinserção do setor privado nas cadeias globais. Vejo na guerra hoje uma oportunidade para o Brasil”, afirmou o presidente do conselho.

Já Montezano explicou que o BNDES tem um papel chave. Na opinião dele, o banco tem que atuar de forma multidimensional para descentralizar a economia, quanto mais a economia ser descentralizada mais sustentável e inovadora ela será. 

Foco em ESG: Desafios e oportunidades para produtores de commodities na era verde

Andrew Lichter, Vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento Corporativo da Mobius Risk Group, e Vinicius Nonino, Diretor de Novos Negócios na Suzano, foram os responsáveis por falar sobre a agenda ESG.

Lichter disse que ele não sabe o que os governos vão fazer sobre regulamentações, mas imagina que devem haver alguns padrões de relatórios globais.

Por outro lado, Nonino afirmou que a Suzano quer ser referência em sustentabilidade a partir das iniciativas que os colocam em direção à agenda ESG. Ele também comentou que o Brasil precisa aprovar as leis do setor. Para ele, “é muito desafiador”, pois é necessário ver com uma perspectiva local de interesses políticos. “Enquanto olharmos com esses olhos será difícil avançar”, finalizou.

O renascimento das juniors E&Ps no Brasil

O penúltimo painel do dia teve a presença de Décio Oddone, CEO da Enauta e ex-Diretor da Agência Nacional do Petróleo, e Ricardo Savini, CEO da 3R Petroleum.

Oddone comentou sobre a onda de vendas dos ativos da Petrobras e disse acreditar que vamos ter um mercado secundário desses ativos da estatal.

Savini explicou que o momento das empresas juniores e majors são diferentes. Falando sobre a 3R, ele falou que estão em um momento quase embrionário e, por isso, é difícil falar sobre pagamento de dividendos. “É o momento de pagar a Petrobras pela compra dos ativos. É prematuro discutir sobre dividendos”, falou o CEO.

Eleições 2022: Visão de consultores políticos e instituto de pesquisa

Para finalizar o primeiro dia de evento, o último painel, com duração de 1h30, recebeu Chris Garman, Diretor-Executivo para as Américas da Eurásia Group, Fernando Abrucio, Consultor Político, Luciano Dias, Consultor Político e Sócio da CAC, e Márcia Cavallari, CEO da IPEC.

Os analistas falaram sobre o que esperam para as eleições deste ano e como os candidatos devem se comportar durante a corrida eleitoral. Garman destacou que há dois candidatos, Lula e Bolsonaro, “com credenciais ante sistemas muito fortes”. 

Ademais, para Abrucio, essas eleições não serão como as de 2018. Isso pois naquela época o tópico era corrupção, mas, atualmente, o tema mais forte é o bem-estar da população. O consultor ponderou que a principal característica dessa eleição é o plebiscito sobre o bolsonarismo. “O grande ponto é olhar para o governo Bolsonaro, avaliar e votar”, comentou.

Por fim, Cavallari disse que, no decorrer da corrida eleitoral, Lula pode perder quantidade de votos porque pode resgatar o que já aconteceu em outros mandatos. Bolsonaro, contudo, tem chance de crescer. “É comum vermos os governantes melhorarem ao longo da campanha”, finalizou.

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Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e a nossa posição não é partidária.
As opiniões expressas aqui são dos palestrantes e convidados do evento.

Somos um multi family office independente, de plataforma aberta, mas não estamos isolados.
Podemos gerenciar os seus investimentos em qualquer instituição financeira custodiante no Brasil e no exterior, consolidando as suas posições e cuidando para que a seleção dos ativos utilizados em suas carteiras não tenham nenhuma intermediação, com relatórios mensais integrados para lhe fornecer uma visão global do seu patrimônio.

Nosso trabalho é alinhado exclusivamente aos seus objetivos, sem conflitos de interesses.

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Causa e Efeito | 26.02.2022

Causa e Efeito | 26.02.2022

por danielbarbuglio | 25 fev 2022 | Análise de Mercado, Family Office, Finanças Comportamentais, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Sucessão, Wealth management

Tempo de leitura: 4 mins.

Família Portofino,

Antes de falar sobre os mercados, vou pedir para que salve este número na agenda do seu telefone:

(11) 91024-4484

A partir de hoje, será através deste número que enviaremos diretamente para o seu celular as cartas “Causa e Efeito”, “Ação e Reação” e muitos outros conteúdos. Neste serviço de “WhatsApp Corporativo”, não solicitaremos informações sobre suas movimentações ou contas, ele servirá unicamente para entregar conteúdos informativos produzidos especialmente para você. Todas as demais solicitações continuarão a ser atendidas por seu Executivo de Relacionamento.

Os reflexos desta guerra injustificável.

Na última quinta-feira, na nossa carta Ação e Reação, analisamos os potenciais impactos à economia mundial e aos mercados financeiros com a invasão russa ao território ucraniano. Passado um dia de conflito militar aberto, com as tropas russas e ucranianas se enfrentando pelo controle da capital Kiev. O que aprendemos até agora? Com qual cenário base trabalhamos? E como toda essa crise afeta as nossas carteiras?

Quanto mais durar o conflito, maiores serão as chances de que a elevação dos preços das commodities pressione ainda mais a inflação mundial. Esta nova pressão sobre os preços de bens e serviços forçará os bancos centrais a acelerarem o processo de elevação dos juros, comprometendo ainda mais o crescimento mundial. Rússia e Ucrânia são produtores e exportadores relevantes de várias commodities, em especial as de energia, petróleo e gás natural, as matérias-primas de fertilizantes, macronutrientes potássicos, fosfatados e nitrogenados e vários metais estratégicos para a indústria como o níquel, o paládio e o alumínio.

Leia mais: Você sabe o que são Distressed Assets? Entenda sobre como funciona esse mercado e seus benefícios

Colocando de lado, se é que possível, as consequências brutais de um conflito dessa magnitude e seu impacto nefasto sobre vidas humanas, o que importa aos mercados, agora, não é que o que diretamente acontecerá com a Rússia e a Ucrânia. A dúvida está na incerteza quanto à possibilidade de o conflito militar migrar para uma guerra econômica declarada.  De um lado estão as principais economias ocidentais impondo sanções econômico-financeiras à Rússia e do outro, a própria Rússia tacitamente ameaçando responder a estas sanções interrompendo o fornecimento de gás natural e petróleo principalmente aos países europeus bem como o fornecimento de outras commodities estratégicas.

A nossa percepção é de que o teor das sanções, pelo menos por enquanto, não induzirão a Rússia a puxar mais este gatilho, agora de uma guerra econômica aberta. Por isso o apreçamento dos mercados passou a considerar como provável o cenário onde provavelmente a Rússia terá sucesso em alterar o atual regime político ucraniano na direção de garantir seu poder de influência na região em simultâneo, em que neutraliza o risco de crescente expansão da OTAN em países fronteiriços.

Os preços dos ativos demonstram o crescente consenso na direção do nosso cenário base. Esta crise deverá ficar circunscrita à região, sem se observar sua escalada tanto do ponto de vista geográfico quanto econômico. A bolsa brasileira já retornou para os níveis observados anteriormente ao início da invasão, nossa moeda, entretanto, não devolveu o ajuste recente o que nos parece compreensível dado às seis semanas consecutivas de valorização do real e a necessidade de se manter certa cautela às vésperas do feriado do carnaval. Do lado internacional, o S&P500 reforça nossa percepção de que se entende como menos provável um contágio maior das economias dado que o índice subiu mais de 6% das suas mínimas recentes, retornando para os níveis observados no fim da semana passada.

O cenário alternativo, apesar de hoje menos provável, nos impõe a manutenção de postura mais conservadora, postura esta que já vínhamos adotando mesmo antes do surgimento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. O processo de normalização das economias com as retiradas de estímulos e aumento de juros por parte dos bancos centrais, já nos fez adotar anteriormente uma postura mais conservadora em todos nossos portfólios. A ênfase em posições pós-fixadas com bom carregamento, na classe de fundos multimercados, em exposição mais conservadora em renda variável associadas a um posicionamento neutro em ativos prefixados e de juros reais, vem garantindo maior estabilidade nos resultados do ano. Nossas carteiras, em sua maioria, vêm mantendo rentabilidades alinhadas com o CDI do período, não tendo sido impactadas de maneira relevante pela volatilidade recente.

Mantemos nossa prudência e torcemos para que essa guerra injustificável se encerre o mais rápido possível preservando vidas e retornando a paz e tranquilidade às famílias ucranianas.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Ação e Reação | Rússia x Ucrânia

Ação e Reação | Rússia x Ucrânia

por danielbarbuglio | 24 fev 2022 | Análise de Mercado, Family Office, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Portofino pelo Mundo, Wealth management

Tempo de Leitura: 10 minutos.

Família Portofino,

Na madrugada do Brasil, desta quinta-feira (24), o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou uma “ação militar especial” na Ucrânia, visando “desmilitarizar o país” vizinho, ordenando um “baixar armas” aos militares ucranianos. A tensão entre os dois países começou com a aproximação entre a Ucrânia e a Otan (aliança militar intergovernamental formada por 30 países, criada em meio a Guerra Fria, e existente até hoje). Desde então, as manchetes dos jornais repercutem o tema bem de perto. 

Este movimento fez com que Vladimir Putin enviasse tropas rumo à fronteira da Rússia com a Ucrânia, posicionando soldados e equipamentos militares. A todo momento, Putin se posicionou afirmando que se tratava somente de “exercícios militares”, contudo países do Ocidente, especialmente os Estados Unidos, afirmavam que o presidente pretendia atacar o país ucraniano.

Ao longo das últimas semanas, diversos diplomatas de países europeus se reuniram com o presidente russo para tentar achar uma saída diplomática para o impasse no leste europeu. As exigências russas para o fim do conflito incluíam uma declaração de que a Ucrânia nunca se aliaria à Otan e o recuo das tropas da aliança militar.

Nesta semana, o que já era tenso ficou ainda mais, após a Rússia reconhecer a independência de Donetsk e Luhansk, áreas separatistas da Ucrânia, e enviar tropas em “missão de paz” para garantir a segurança das duas áreas. O movimento foi visto como uma violação flagrante do direito internacional.

Foi a partir disso que ocorreram as primeiras sanções ao governo russo, o que fez Putin afirmar que uma resposta “forte e dolorosa” seria dada. Foi então que a Rússia decidiu invadir a Ucrânia.

Confira: Conheça os Fundos de Investimento Exclusivos: Veja como funcionam e para quem são indicados

O que se sabe até agora sobre o combate militar?

  • Dezesseis regiões da Ucrânia estão sob ataques, incluindo a capital Kiev, onde explosões e mísseis já foram registrados;
  • Ucrânia informou que mais de 50 pessoas foram mortas durante os primeiros ataques, incluindo civis;
  • Kiev tem estradas congestionadas com cidadãos tentando fugir, falta de combustíveis, mercados lotados e estações de trens cheias. A estimativa é que cerca de 1 milhão de refugiados busquem asilo nos países vizinhos como Polônia, Romênia e Hungria;
  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu que os cidadãos ajudem a defender a Ucrânia e permitiu que, quem tiver arma, utilize para ajudar no confronto;
  • Governo da Ucrânia informou que seis aviões russos foram abatidos;
  • Espaço aéreo ucraniano fica vazio após início de confronto;
  • Vladimir Putin afirmou que quem interferir no confronto entre os países terá consequências como nunca vistas.
  • De acordo com Anton Gerashchenko, conselheiro do ministro do Interior da Ucrânia, “invasores” acessaram a zona fechada de Chernobyl;
  • A Rússia afirmou ter destruído 74 instalações militares ucranianas.

Os EUA e a Otan já haviam dado a entender que medidas serão tomadas. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, comunicou que o país americano e seus aliados responderão de forma unida e decisiva.

Confira algumas das sanções que já foram tomadas contra o país do leste europeu.

  • O impedimento da negociação de novos papéis da dívida pública russa em mercados ocidentais imposto pelos Estados Unidos;
  • A interrupção, por parte da Alemanha, do processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2, ligando o país à Rússia;
  • Sanções econômicas direcionadas a cinco bancos e a elite russa, entre eles três bilionários russos pelo Reino Unido, impedindo estes últimos de viajar para o país e congelando seus respectivos ativos congelados;
  • A proibição de todos os integrantes da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, que aprovaram a independência dos territórios ucranianos de Donetsk e Luhansk, de viajar pela União Europeia e o congelamento de quaisquer investimentos financeiros destes indivíduos no bloco, sanção esta aplicada conjuntamente pelos países membros;
  • Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, declarou que os países devem cancelar a dependência de petróleo e gás natural da Rússia, além de dizer convocará amanhã uma reunião da Otan;
  • O ministro disse após os ataques que o Reino Unido criará lei para banir exportações à Rússia e congelará ativos de mais de 100 entidades, além de outras medidas que serão anunciadas;
  • A União Europeia anunciará um pacote para bloquear o acesso dos russos a tecnologias e setores econômicos estratégicos.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou, na tarde desta quinta-feira (24), sobre os conflitos no leste europeu e anunciou algumas das sanções que serão impostas contra a Rússia.

Biden disse que a Rússia não poderá negociar em dólares, euro e iene, terão medidas sobre o rublo (moeda do país), limitará as transações em dólar das empresas russas, entre outras. Em outras palavras, o pacote de medidas visa sufocar a indústria e os bancos russos.

O democrata afirmou em seu pronunciamento que Putin não quer apenas anexar a Ucrânia, mas, sim, a antiga União Soviética. Em suma, no seu discurso, ele afirmou que “esta será a maior sanção econômica da história […] Os EUA vão defender todos seus aliados da região. A Otan está mais unida e determinada do que nunca”.

Agora, partindo para o cenário econômico, o desenrolar deste conflito e as possíveis sanções que serão impostas aos russos podem gerar impactos econômicos graves para diferentes países, incluindo o Brasil.

A seguir, veja uma lista de como o mercado reagiu com os primeiros passos da  guerra e o que pode ocorrer nos próximos dias, a depender de como o conflito se desenrole.

  • O índice de medo subiu mais de 20%, maior nível de tensão desde setembro de 2020;
  • As bolsas de valores caíram ao redor do mundo. A bolsa de valores russa chegou a despencar 50%, com a moeda do país atingindo a mínima histórica. Em Nova Iorque, as bolsas de valores se recuperaram após as falas de Joe Biden;
  • Como era de se esperar, as commodities dispararam. O petróleo chegou a atingir US$ 105, maior patamar nos últimos sete anos;
  • No cenário europeu, uma guerra pode aumentar ainda mais a crise energética no continente, visto que a Rússia é responsável por distribuir cerca de ⅓ de todo o gás natural consumido no continente;
  • No Brasil, o impacto seria representado em um aumento da pressão inflacionária, principalmente nos preços dos combustíveis e da alimentação. A Rússia é uma das principais produtoras e exportadoras de petróleo do mundo. Desta forma, uma redução na oferta aumentaria os preços. No caso da alimentação, Rússia e Ucrânia são produtores estratégicos de milho e trigo, e possíveis sanções podem elevar os já elevados preços ainda mais no mercado internacional. Quando se trata especificamente do trigo, a Rússia se apresenta como a maior exportadora da “commodity” no mundo, com quase 20% do volume total em bilhões de dólares;
  • O Brasil importa muitos insumos usados na fabricação de fertilizantes advindos da Rússia. Uma sanção econômica no país europeu pode ser prejudicial para o agronegócio;
  • No mercado financeiro, a aversão ao risco dos investidores pode fazer com que recursos sejam direcionados para economias mais seguras, extraindo recursos dos emergentes, como o Brasil;
  • A bolsa de valores brasileira pode apresentar queda, mesmo sendo composta por ativos de commodities, mas que podem não sustentar a alta, sozinhos, e o dólar pode voltar a se valorizar;
  • O maior aperto inflacionário, tanto no Brasil quanto ao redor do mundo, fará com que os bancos centrais elevem os juros, dificultando, ou retardando, um possível crescimento econômico;
  • A redução da oferta de metais preciosos no mercado global, a exemplo da platina, matéria-prima utilizada em inúmeras indústrias, englobando desde a produção de automóveis até a fabricação de fios dentais, e consequente aumento do preço do material.

Apesar dos últimos acontecimentos, ainda não se sabe o que pode realmente acontecer. Neste sentido, podemos dizer que o avanço do conflito armado pode desencadear diferentes níveis de sanções à Rússia. Alguns economistas do mercado avaliam que os movimentos russos foram bem pensados, dizendo que os mesmos agiram para proteger a economia e poder continuar o avanço militar mesmo com sanções. O respaldo chinês é um fator muito importante neste caso.

A resposta dos mercados acabou por surpreender visto que, depois de uma abertura bastante pressionada, as bolsas de valores, por exemplo, apresentaram forte recuperação ao longo do dia. De certa forma, parte do risco da efetivação do conflito já estava precificada nos ativos e do ponto de vista das carteiras, já vínhamos com posições neutras  privilegiando ativos de renda fixa com bom carregamento. 

Ainda é muito cedo para dizer, mas já é razoável inferir que alguma pressão sobre a inflação no mundo via preços de energia e alguma desaceleração na atividade econômica poderão ser verificadas. Crise humanitária à parte, vamos observar se o conflito se mantém circunscrito à  região o que poderá a vir ser absorvido pelos mercados sem maiores impactos sobre os preços de ativos. A conferir.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office. ”Ação e Reação” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO, que retrata fatos importantes, urgentes e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Conteúdo produzido por Portofino Multi Family Office.

CEO CONFERENCE | BTG Pactual – Dia 1

CEO CONFERENCE | BTG Pactual – Dia 1

por danielbarbuglio | 22 fev 2022 | Análise de Mercado, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Planejamento, Wealth management

Tempo de leitura – Overview do dia em 10 minutos.

Nesta terça-feira (22), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2022, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como os presidenciáveis Sérgio Moro e João Dória, além dos ministros Paulo Guedes, da Economia, Tarcísio Freitas, da Infraestrutura e Joaquim Leite, Meio Ambiente. Dentre outras personalidades, Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central, e Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados.

A Agenda Política Brasileira

No primeiro painel do dia, Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados, falou sobre o cenário político brasileiro. O parlamentar afirmou ser demagogia não querer discutir os jogos de azar no âmbito Legislativo. Além disso, Lira também falou que irá trabalhar para que o semipresidencialismo seja discutido até o fim do ano.

Perspectiva Econômica Brasileira

O painel “Perspectiva Econômica Brasileira” contou com a presença de Paulo Guedes, ministro da Economia, com a moderação de Mansueto Almeida, Economista-Chefe do BTG Pactual.

O ministro deu sua visão sobre o que esperar da nossa economia no futuro, dizendo que o Brasil vai surpreender com um crescimento para cima, ao contrário do que ele espera do exterior, que a perspectiva é de surpreender para baixo.

Ademais, Guedes manteve sua postura padrão, na qual mencionou todas as evoluções e, a contraponto, no que diz respeito às críticas que ele e o governo vêm recebendo, seguiu afirmando que as informações estão desencontradas e que os avanços são inúmeros.

Presidenciáveis 2022: Sérgio Moro

Ex-ministro da Justiça e Segurança e pré-candidato à Presidência da República, Sérgio Moro mostrou durante sua passagem no evento um posicionamento extremamente contrário e incisivo em relação à corrupção e contra Jair Bolsonaro.

Dentre os principais temas abordados por ele, Moro se mostrou favorável às privatizações e ao combate à corrupção. Neste sentido, o ex-ministro trouxe um discurso bem literal e reformista visando sua campanha eleitoral.

No tocante à sua campanha eleitoral, o presidenciável ressaltou a participação de Affonso Pastore como seu principal conselheiro, além de mais três economistas. Ainda neste campo, Moro demonstrou uma postura de união contra extremos, a qual deve buscar alianças para poder buscar mais eleitores. Por fim, em sua participação, o pré-candidato apresentou a intenção de acabar com a reeleição e a sua posição a favor do teto de gastos.

Leia mais: Fuja dos riscos locais e cruze fronteiras: Entenda as vantagens e veja para qual perfil os investimentos offshore são indicados

Presidenciáveis 2022: João Dória

Na sequência de Sérgio Moro, foi a vez de João Dória subir ao palco e falar um pouco sobre seus feitos durante seu governo em São Paulo e sua campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

Questionado sobre o seu programa de governo na economia, Dória foi enfático ao falar sobre a importância do teto de gastos. “Jamais romper o teto de gastos e manter o controle do orçamento”, afirmou o candidato. Além disso, ele aproveitou o momento para “cutucar” o atual governo e mencionar as reformas que não foram feitas no mandato de Jair Bolsonaro. Em outras palavras, ele se mostrou a favor de reformas e aproveitou o momento para criticar o governo inúmeras vezes.

Ainda no campo da economia, Dória usou da plataforma para falar sobre a alta da inflação e os impactos para as famílias de classe baixa. Neste campo, o filiado ao PSDB ressaltou os projetos sociais que realizou em São Paulo e a importância de pensar nas pessoas que estão à margem.

Dória também comentou sobre os números das pesquisas dos candidatos de terceira via, e afirmou que vai manter sua candidatura independente das perspectivas das pesquisas. No fim de sua participação, o pré-candidato comentou sobre a possível união entre MDB, União Brasil, Cidadania e PSDB. De acordo com artigo publicado pela jornalista Bela Megale, o MDB, União Brasil e PSDB decidiram criar uma espécie de grupo de trabalho para que as legendas tenham uma candidatura única na eleição presidencial de 2022.

O artigo também afirma que, além de debater uma candidatura única à Presidência, as siglas definiram que não estarão ao lado de Bolsonaro e nem de Lula.

O Protagonismo da Infraestrutura em 2022

No painel que teve a presença de Tarcísio Freitas, ministro da Infraestrutura, o parlamentar destacou que 2021 foi “super desafiador”. Ademais, ele também fez questão de mencionar que o Brasil tem tudo para virar um “canteiro de obras” nos próximos anos. Neste sentido, ele defendeu o avanço que o Brasil está tendo em diversos setores da infraestrutura.

Na parte final do painel, o ministro dedicou os últimos minutos para falar sobre narrativa versus realidade, ou seja, o que falam por aí e o que de fato acontece. Freitas explicou como a narrativa e a desconexão que há entre esses dois posicionamentos pode ser perigosa. Sendo assim, ele questionou a narrativa que está sendo criada e disse que não podemos acreditar nelas.

O painel também contou com a presença de Marco Cauduro, CEO da CCR, João Alberto F. de Abreu, CEO da Rumo S.A., e Antônio Sepúlveda, presidente da Santos Brasil.

Cenário da Política Monetária Brasileira

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tomou o palco para fazer uma apresentação sobre o cenário global da economia e do Brasil. Campos Neto explicou que a Covid gerou o deslocamento da demanda de serviço para bens, aumentando assim a demanda de energia na produção. Para produzir mais bens, é necessário mais energia e, mesmo a energia verde, também custa mais caro e contribuiu nos índices de inflação. Em resumo, houve um aumento dos preços de energia que se manterá alto por mais tempo devido ao deslocamento da demanda.

Além disso, pontuou que acredita haver uma inflação encomendada nos EUA, por vir, e que a mudança estrutural na forma de trabalho americana, com as pessoas trabalhando mais de casa, fez o mercado precificar 5 altas de 0,25%.

Em relação à política monetária brasileira, Campos Neto analisou que os países emergentes, com exceção do Brasil e Rússia, estão abaixo da taxa de juros neutra. Ou seja, isso indica que muitos países ainda vão subir suas respectivas taxas de juros. Segundo ele, o Brasil tem atualmente a maior inflação dos emergentes e que 60% da taxa de 10% veio da Energia.

O site do Banco Central disponibilizou todo conteúdo da apresentação feita por Campos Neto que você pode baixar, clicando aqui.

Economia Verde: um Novo Brasil

No penúltimo painel do dia se discutiu muito o tema da sustentabilidade. Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, falou sobre o programa para criação de crédito de reciclagem que está sendo desenvolvido junto com Paulo Guedes.

Além de Leite, Gustavo Montezano, presidente do BNDES, também participou e comentou sobre como o programa de saneamento está sendo bem-sucedido. Ele instigou a opinião pública a perguntar a seus representantes municipais, estaduais e federais qual o projeto de saneamento de seu estado.

Ricardo Botelho, CEO da Energisa, também esteve no painel e finalizou com uma comparação com a Fórmula 1: “O Brasil está na pole position de potência ambiental e energética”.

Análise: Pesquisas Eleitorais 2022

O último painel do dia recebeu Márcia Cavallari, CEO da IPEC, Marcelo Tokarski, Sócio-Diretor do Instituto FSB Pesquisa, e Maurício Moura, Fundador e Presidente da Ideia Big Data, para falarem sobre as eleições de 2022.

Dentre as falas mais importantes, podemos mencionar a explicação da Cavallari, dizendo que “as pesquisas representam o diagnóstico de momento, sem querer representar o que vai ocorrer no futuro”. Em outras palavras, ainda é muito cedo para algumas afirmações e podem haver movimentações que podem mudar o jogo.

Em outro ponto, Moura foi perguntado sobre o que pode mudar até as eleições. Ao responder, ele levantou três pontos: 1) a popularidade de Jair Bolsonaro; 2) a rejeição do PT voltar a ser tema; 3) o desempenho dos candidatos que buscam ser a terceira via. Sobre este último ponto, ele falou que para uma terceira via mais forte, seria necessário algumas mudanças ou algum evento que mude as alternativas do eleitor.

Por fim, o CEO Conference Brasil 2022 retorna nesta quarta-feira (23) com a presença de Jair Bolsonaro em um dos painéis.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

Causa e Efeito | 19.02.2022

Causa e Efeito | 19.02.2022

por danielbarbuglio | 18 fev 2022 | Análise de Mercado, Causa e Efeito, Finanças Comportamentais, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Sucessão, Wealth management

Tempo de leitura: 5 mins

Família Portofino,

Tempos estranhos esses…

Lá fora, os bancos centrais dos países desenvolvidos exercitam sua criatividade e tentam desarmar a bomba do chamado “quantitative easing”. Tudo isso sem sermos empurrados para uma recessão global ou ser deflagrada uma expressiva correção dos preços dos ativos. Na verdade, essa estratégia de injeção massiva de liquidez começou a ser testada a partir de 2008. Naquela época, os bancos centrais se viram obrigados a navegar por mares nunca antes navegados implementando uma estratégia de política monetária pouquíssimo convencional e de certa forma inédita.  

Com objetivo de evitar que o colapso do mercado financeiro, pós crise das hipotecas americanas (Crise do Subprime), conduzisse a economia mundial na direção de algo semelhante ao que se viveu em 1929, os bancos centrais decidiram basicamente imprimir dinheiro, expandir seus balanços para, então, usar essa liquidez na compra de títulos de longo prazo. Desta forma, se garantiu que as taxas de juros se mantivessem baixas e em alguns momentos, negativas. Isso mesmo, por mais estranho que possa parecer, o investidor que desejasse investir seus recursos na segurança dos títulos soberanos de países desenvolvidos, teria que remunerar os tesouros destes países. A história nós conhecemos, recursos quase que inesgotáveis, migraram para ativos de maior risco.

Até 2019, os quatro maiores bancos centrais do mundo, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Europa, cresceram seus balanços do nada para inimagináveis 15 trilhões de dólares. Não por coincidência, experienciamos um dos mais longos bull markets. Nesse período, o S&P 500 subiu inacreditáveis 160%, em outras palavras, 11% ao ano por pouco mais de 11 anos.

E aí, surgiu a Covid-19. O que esses bancos centrais fizeram? Praticamente dobraram a aposta em pouco mais de dois anos. Aumentaram sua munição em 11 trilhões de dólares, expandiram o universo de títulos de renda fixa elegíveis à compra e tudo isso em menos de 2 anos. Contudo, dessa vez a conta chegou. A combinação dos efeitos da pandemia sobre a regularidade das cadeias produtivas mundiais, com o aumento da demanda de bens, serviços, commodities, ativos reais e financeiros, deflagraram um dos maiores, se não o maior processo inflacionário globalizado da nossa história contemporânea.


Como se isso não fosse suficientemente complexo, do lado doméstico flertamos mais uma vez com o precipício da irresponsabilidade fiscal. Desde a implosão do teto dos gastos, no segundo semestre do ano passado, perdemos a garantia de que um autodenominado governo liberal jamais ameaçaria o arcabouço fiscal vigente. Do outro lado do espectro ideológico, a outra candidatura provável no segundo turno das eleições presidenciais, recentemente afirmou que o Brasil não necessitava da reforma da previdência e tampouco da trabalhista e que ambas aconteceram por pressão do setor empresarial. Independente se de direita ou de esquerda, populismo é populismo. E na ausência, pelo menos por enquanto, de uma terceira via competitiva e viável, este ambiente está longe de ser animador.


Dito isso, os ativos brasileiros deveriam estar sendo impactados, certo? Errado! O Real é hoje destaque de valorização no ano e nossa bolsa também se apresenta entre as que mais sobem. Óbvio que nossos fundamentos não explicam essa performance. A complexidade do cenário externo que discorremos acima forçaram os investidores globais a rebalancearem seus portfólios reduzindo suas exposições em mercados desenvolvidos, buscando alternativas que atendessem a algumas condições. Países que já se encontravam em estágio avançado no processo de aumento de juros proporcionando, portanto, um carregamento favorável, que tivessem sua moeda depreciada e seus mercados de ações apresentassem companhias com preços historicamente atrativos, preferencialmente nos setores de commodities, foram os escolhidos da vez. Brasil, Chile, Peru, Colômbia e África do Sul foram alguns dos beneficiados por essa rotação.

Isso tudo para colocar em perspectiva a enorme complexidade do atual momento que vivemos e da necessidade de nos mantermos cautelosos, porém atentos às oportunidades.

Nas nossas carteiras continuamos a privilegiar ativos de renda fixa de crédito privado, premiados de um lado, mas com sólida estrutura de garantias ou protegidos por robusta subordinação do outro. Continuamos com o nosso portfólio de ações mais defensivo. Recentemente, iniciamos a elevação da nossa exposição em fundos multimercados, pois estes têm se provado mais aparelhados para rapidamente adequar suas posições à volatilidade dos mercados que certamente permanecerá em níveis elevados.

E muitos diziam, no fim do ano passado, que o nosso grande desafio seria navegar um ano de eleições majoritárias.

Ainda nem mencionamos os impactos sobre a economia global, caso se chegasse às vias de fato, o conflito entre Rússia e Ucrânia. 

Tempos estranhos esses…

Aproveite seu fim de semana!

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 05.02.2022

por danielbarbuglio | 4 fev 2022 | Causa e Efeito, Análise de Mercado, Family Office, Finanças Comportamentais, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Wealth management

Tempo de Leitura: 4 minutos

Olá, Família Portofino.

Difícil fugir do assunto, visto que este tema vem ditando o comportamento dos mercados nas últimas semanas.

A mudança do tom dos bancos centrais quanto à dinâmica da inflação disseminada e a consequente necessidade de se acelerar e intensificar a retirada de estímulos vem causando extrema volatilidade. O último a capitular foi o Banco Central Europeu e sua presidente, Christine Lagarde, não descartou subir os juros ainda este ano.

A relevância do tema é tão grande que outras preocupações têm sido colocadas de lado. O reconhecimento da menor letalidade e baixa hospitalização dos infectados pela variante Ômicron, principalmente aqueles já vacinados, fez com que os mercados já atribuíssem um caráter endêmico para a pandemia. Para os mercados, é limitado o risco de impacto adicional ao processo de reabertura e a normalização da economia mundial. Isso sem falar do aumento significativo da tensão entre a Rússia e Ucrânia. Uma invasão russa ao território ucraniano teria impacto importante sobre os preços dos ativos. Espera-se consequentes sanções impostas pelos Estados Unidos e aliados à Rússia com reflexos sobre o preço do petróleo, agravando o problema da inflação.

A queda de braço entre as narrativas a respeito do impacto do aumento de juros sobre o crescimento continua. Ora o mercado embarca na tese de que a retirada dos estímulos apenas desacelerá a taxa de crescimento da economia global, ora o pêndulo se move para o temor de que a dose necessária para arrefecer o processo inflacionário terá um efeito recessivo sobre a atividade. Continuamos acreditando na redução do crescimento na margem, mas reconhecemos que essa incerteza continuará.

Esta última semana foi didática para descrever o momento em que vivemos. Nesse ambiente incerto quanto à condução da política monetária e com as empresas precificadas à perfeição, o escrutínio dos analistas nos resultados e no guidance de crescimento das mega techs americanas tem sido enorme. A constatação da queda de usuários ativos do Facebook fez com que o preço das ações da sua holding, Meta Plataforms, Inc., caísse incríveis 26%. Estamos falando de uma destruição de valor de mais de R$ 1,3 trilhões. Colocando em perspectiva, é como se o valor de mercado da Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco somados, evaporasse em um único pregão.

Do outro lado da moeda, a Amazon foi reconhecida por diversificar suas receitas em outros negócios além do tradicional marketplace. Recuperando parte do impacto do Facebook do dia anterior e valorizando adicionalmente, a Amazon subiu 14% acrescentando cerca de 1 trilhão ao seu valor de mercado. E como se não fosse suficiente volatilidade para uma única semana, na sexta também foi divulgado o número de criação de empregos nos Estados Unidos, número esse que superou em mais de três vezes a projeção dos analistas. Os títulos americanos de 10 anos tiveram suas taxas superando os 1,92%, valor observado antes só no final de 2019 e hoje a curva precifica probabilidades iguais de um aumento de 0,25% ou 0,50% na próxima reunião de março. A despeito de toda essa volatilidade, o S&P 500 terminou a semana subindo 1,5%, ufa! 

A guerra de narrativas certamente continuará pelo menos até março, quando o banco central americano deverá iniciar o ciclo de elevação de juros. O comportamento da inflação será crucial para a definição de um cenário mais consensual. Enquanto isso, o pêndulo do mercado continuará a oscilar entre o otimismo e o desespero. Estamos do lado dos que acreditam na continuidade de um ambiente positivo para os ativos de risco, mas sem qualquer pudor em mudar de ideia e adaptar nossos portfólios para um cenário estruturalmente adverso. É como dizem popularmente: só não muda de ideias quem não as tem.

Um ótimo final de semana para você e sua família.

Eduardo Castro

“Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino, que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Por Eduardo Castro, CIO (Chief Investment Officer) Portofino Multi Family Office ®.

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