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Esfera BR | Capitalismo retardatário necessita do Estado para acelerar, diz Guido Mantega

Esfera BR | Capitalismo retardatário necessita do Estado para acelerar, diz Guido Mantega

por danielbarbuglio | 19 abr 2022 | EsferaBR, Family Office, Multi Family Office

Tempo de leitura: 5 minutos

Família Portofino,

Na segunda-feira, 18 de abril, participamos de um almoço da Esfera Brasil com Guido Mantega, ex-ministro da Economia nos governos Lula e Dilma Rousseff e nome cotado para assumir a pasta em caso de eleição do ex-presidente.

O Estado em questão

Logo em sua primeira fala no almoço, Mantega ressaltou a importância do Estado no desenvolvimento do Brasil. Ele disse que observou o presidente Jair Bolsonaro trabalhar em direção às privatizações, imaginando que iria “chover investimentos”. Porém, segundo o ex-ministro, não foi isso que aconteceu.

Na opinião dele, quando o país está em crise o investimento não vem. Ele complementou explicando que não é contra as privatizações, mas que em alguns pontos é necessário o trabalho em conjunto e em outros a predominância do Estado.

Petrobras em pauta

Na esteira das privatizações, não demorou muito para o assunto chegar até a Petrobras. Um dos temas de maior discussão atualmente e de grandes implicações na corrida eleitoral, Mantega rapidamente questionou: “Qual a vantagem de privatizar a Petrobras?”. Em resposta, argumentou que a empresa “seria um oligopólio que na mão da iniciativa privada iria focar somente no lucro”. Ele ainda destacou que os preços poderiam estar mais altos e que são eles que direcionam a bússola para a crise que enfrentamos.

Ademais, afirmou que empresa pública tem que ser eficiente, mas ponderou que não precisa do lucro astronômico que teve no ano passado. O economista comentou sua posição dizendo que as empresas ligadas à holding acabavam atrapalhando. Por outro lado, relembrou que as mesmas já foram vendidas e que não vê necessidade de privatização.

Ainda sobre a estatal, ele disse acreditar na importância da empresa por trabalhar com a “commodity mais sensível do mundo”. Encerrando o debate a respeito do tema, o ex-ministro explicou que a sugestão dele para a alta dos preços dos combustíveis seria fazer como a Noruega e criar um fundo estabilizador, o qual, segundo ele, não funcionaria para controlar os preços, mas sim para controlar as grandes variações.

Teto de gastos: sim ou não?

Mantega disse que é contra. Ele comentou que acredita em uma âncora fiscal para controlar os custos, contudo argumentou que isso não pode limitar os investimentos no Brasil. Neste sentido, ele explicou que “investimento não é gasto” e que estamos atrás de muitos países vizinhos em questão de infraestrutura. Apesar de ser contra, ele afirmou que vai trabalhar para manter o teto de gastos, porém irá tirar o investimento da equação.

Veja também: Conheça as vantagens, a importância e como fazer planejamento sucessório

Reforma Tributária x Reforma Trabalhista 

No campo das reformas, ele começou falando sobre a tributária. Sobre ela, o economista falou que não existe a Reforma Tributária perfeita, mas existe a boa. Ele relembrou que tentou duas vezes, em 2004 e 2008, realizar a reforma, mas esbarrou na dificuldade de diálogo.

Ele disse que o foco principal teria que ser para alimentar a produtividade com foco nos setores produtivos do país. Adicionou também que acha errado a tributação atual ser focada em consumo e, para ele, a ideia teria que ser taxar grandes lucros ou fortunas, chegando em um ponto de equilíbrio.

No caso da Reforma Trabalhista, Mantega analisou que terá reajustes, pois é uma lei antiga que precisa de formulação. Ele falou que sabe que é necessário facilitar a geração de emprego. Sendo assim, explicou que programas como Minha Casa Minha Vida são exemplos de como um projeto público envolve construtoras privadas, que estimulam a economia.

Chapa Lula-Alckmin

Alvo de muita polêmica, a união entre Lula e Geraldo Alckmin, na visão de Mantega, terá um grande peso para focar no centro. Além disso, ponderou que as falas de Lula pró-sindicato são mais emocionais, mas, caso eleito, pensa que o governo será um centro-esquerda.

Banco Central, Campos Neto, Pedro Guimarães e a pandemia

Ao ser perguntado sobre a atuação de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, o ex-ministro disse que os dois estão fazendo um bom trabalho de forma geral, mesmo achando que o Campos Neto não deveria ter baixado os juros para 2%, mas admitiu que dentro da crise você só descobre o exagero quando ela melhora.

Agora, no aumento da taxa de juros, acredita que o presidente do BC também subiu um pouco de forma exagerada, e que como não temos uma demanda de inflação, não precisaria aumentar tanto. Contudo, ressaltou que foi um bom gestor.

Estratégia do PT

Já na parte final do almoço, Guido Mantega foi questionado sobre qual seria a estratégia do PT. Em meio a dedução de ser estatista, ele afirmou “não é estatista, e sim desenvolvista”. Ele ressaltou que o capitalismo retardatário (o Brasil chegou depois em um mundo já capitalista), precisa do Estado para acelerar.

Por fim, reconheceu que dentro do partido tem extremistas, contudo não é o Lula que dá essa orientação. “O Lula de hoje é o mesmo de 2002. O foco dele é conciliar e estimular o diálogo”, finalizou Mantega.

Clique aqui para ler sobre outras personalidades e eventos promovidos pela iniciativa EsferaBR e PortofinoMFO.

Esta é uma iniciativa Portofino Multi Family Office e EsferaBR com o propósito de fomentar o diálogo entre políticos e empresários brasileiros. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir a todos os lados, neutro e não partidário.

Esfera BR | Capitalismo retardatário necessita do Estado para acelerar, diz Guido Mantega

Esfera BR | Bruno Araújo

por danielbarbuglio | 12 abr 2022 | EsferaBR, Family Office, Multi Family Office

Tempo de leitura: 5 minutos

Família Portofino,

Na segunda-feira, 11 de abril, participamos de um jantar da Esfera Brasil com Bruno Araújo, presidente do PSDB.

Eleições 2022

“É muito difícil quebrar a polarização, mas é possível” e “o jogo acaba quando balança a bandeira” foram as frases que Bruno Araújo iniciou sua participação no evento.

Como não poderia ser diferente, muito em virtude das recentes polêmicas envolvendo o PSDB e quem seria o candidato do partido para chefe do executivo, o discurso de Araújo na maior parte do jantar foi sobre o tema.

Em suas falas iniciais, ele disse que o objetivo é quebrar a polarização “com todos os esforços”. Neste sentido, Araújo comentou que o planejamento do PSDB era fazer as prévias em relação ao candidato para Presidente da República no ano passado para se prepararem melhor.

Saiba mais: Fuja dos riscos locais e cruze fronteiras: Entenda as vantagens e veja para qual perfil os investimentos offshore são indicados

Pacto entre partidos e o caso João Dória

O presidente do partido revelou que o PSDB, Cidadania, MDB e União Brasil fizeram um “pacto” entre os partidos e afirmou que o nome oficial para terceira via dessa coalizão será feito em consenso no dia 18 de maio, podendo ser qualquer pessoa filiada a algum desses quatro e com mais de 35 anos de idade.

Como sabemos, os principais nomes em disputa são o de João Dória (PSDB), ex-Governador de São Paulo, Sergio Moro (União Brasil), ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Eduardo Leite (PSDB), ex-Governador do Rio Grande do Sul, e Simone Tebet (MDB), senadora.

O critério da estratégia da coalizão, segundo Araújo, será escolher o candidato e depois estudar a melhor forma de lançar. Contudo, o que ele garante é que o candidato escolhido terá mais de um terço da força política do Brasil: 20 mil vereadores, 2 mil prefeitos, 160 deputados e 10 governadores. Além disso, ele destacou que o conjunto de recursos do Fundo Eleitoral será o maior do Brasil.

  • PT: R$ 484 milhões;
  • PL: R$ 283 milhões
  • Pacto: R$ 770 milhões (União Brasil) + R$ 356 milhões (MDB) + R$ 314 milhões (PSDB) + R$ 86 milhões (Cidadania) = R$ 1.5 bilhões.

Quando perguntado sobre as prévias feitas no PSDB e como seria para conciliar com o movimento entre os partidos, Araújo afirmou “que o pacto partidário está acima de qualquer prévia do partido”.

Questionado sobre Dória, o presidente do PSDB confirmou o que já havia dito antes sobre a escolha de um nome único e disse acreditar que o ex-governador vai aceitar. “Em consenso vamos chegar em um nome único e, independentemente de qual seja, ele tem certeza que o Dória vai aceitar colocar o Brasil na frente”, comentou.

Lula x Bolsonaro

No caso da estratégia da terceira via não dar certo e a disputa realmente se concentrar entre Lula e Jair Bolsonaro, Araújo explicou que há 40 dias pensava ser possível que o candidato do PT vencesse as eleições ainda no primeiro turno, mas ponderou que o atual presidente pode virar o jogo.

“Muitos eleitores acabaram ‘doando’ seus votos para o Lula, mas o que vem acontecendo é que Lula está preso nas suas últimas candidaturas, questão que está assustando os eleitores e os fazendo repensar. Desta forma, faz com que Bolsonaro ganhe tração e possa conseguir virar o jogo e ser reeleito”, analisou o convidado.

Os objetivos do PSDB

Na parte final do jantar, Araújo contou sobre o projeto do partido para as eleições deste ano. Além da presidência, um dos objetivos é manter o PSDB no estado de São Paulo com Rodrigo Garcia. “60% dos prefeitos gostam dele e praticamente domina o interior de São Paulo. Ele vai surpreender a todos”, finalizou.

Clique aqui para ler sobre outras personalidades eventos promovidos pela iniciativa EsferaBR e PortofinoMFO.

Esta é uma iniciativa Portofino Multi Family Office e EsferaBR com o propósito de fomentar o diálogo entre políticos e empresários brasileiros. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir a todos os lados, neutro e não partidário.

Conflitos em empresas familiares: causas e como gerenciá-los

Conflitos em empresas familiares: causas e como gerenciá-los

por danielbarbuglio | 8 abr 2022 | Family Office

Desentendimentos são naturais em relações de trabalhos, e principalmente os conflitos em empresas familiares. Afinal, pessoas pensam diferente uma das outras e isso não é necessariamente algo negativo.

Saber gerenciar esses conflitos é que se torna o ponto chave, pois manter um clima harmonioso no ambiente de trabalho é muito mais produtivo para todos da equipe.

Também vale dizer que as divergências de ideias, quando bem administradas, podem ser muito saudáveis e colaborar para criação de soluções inovadores, por isso é algo que tem sim seu valor.

Contudo, a visão negativa a respeito desse tema e a falta de ferramentas para lidar com as divergências tornam sua resolução um assunto delicado para a maioria dos profissionais.

Então, vem com a gente entender quais as principais causas de conflitos em empresas familiares e qual a melhor forma de gerenciá-los para tirar algo positivo mesmo de uma situação adversa.

Boa leitura.

O que é um conflito em empresas familiares?

Trabalhar com familiares e conhecidos é algo muito bacana, porém é importante saber separar muito bem o que é da vida pessoal e o que é do profissional, senão o conflito é inevitável.

Empresas familiares por muitas vezes vem de uma longa geração, e todos estão empenhados em proteger o legado da família, mas há casos em que cada integrante tem uma visão diferente de como fazer isso, e aí surgem as divergências.

Quando a liderança discorda de algum ponto, e a discussão sai do âmbito profissional e passa a ser pessoal, nesse momento é que os conflitos aparecem e podem acabar contaminando outros setores, por isso é fundamental administrar bem essas situações.

Tipos de conflitos nas empresas familiares

Existem alguns tipos de conflitos que ocorrem com frequência em empresas familiares, e para organizar, é possível categorizarmos em 4 estágios, que são:

conflitos em empresa familiar

Pequenos Desentendimentos

Uma resposta mais ríspida, não responder um e-mail na hora ou até discordar de quais cores devem ir na nova logo, tudo isso são exemplos de desentendimentos pequenos, mas corriqueiros e frequentes.

A melhor forma de lidar com eles é um diálogo franco e direto ao ponto, para que não cresçam.

Disputa sérias

Quando nenhuma das partes quer abrir mão do seu ponto de vista sobre alguma decisão da empresa, aí temos uma disputa séria que por vezes pode escalar rapidamente.

Tem origem em visões de mundo completamente opostas e podem fugir do campo da razão para algo emocional onde as partes ficam defensivas quanto ao assunto.

Conflitos Desestabilizantes

Esse tipo de desentendimento é quanto às visões ideológicas opostas acabam se tornando mais agressivas, incluindo ataques pessoais que nada têm a ver com o dia a dia do trabalho.

Quando chega nesse estágio, a empresa familiar passa a não ter colegas de trabalho, mas sim inimigos que estão mais focados em derrotar uns aos outros do que em fazer o negócio prosperar.

Estado de Guerra

Quando chega nesse nível, pessoal e profissional se misturam e o ambiente fica insustentável, com familiares discutindo em toda e qualquer decisão.

Perde-se o foco nos negócios da empresa e começa uma briga eterna para destruir uns aos outros, às custas dos ativos da companhia.

Se o conflito escalar até esse ponto, realmente é difícil salvar.

Quais são as causas frequentes desses conflitos?

Como vimos nos 4 estágios citados acima, as causas podem começar pequenas e ir escalando à medida que não haja resolução.

Podemos destacar que os conflitos mais frequentes são por visões políticas antagônicas, objetivos diferentes, sentimento de injustiça quanto ao cargo que ocupa e, principalmente, desavenças pessoais que vêm de fora da empresa.

mediação de conflitos em empresa familiar

Como resolver conflitos em empresas familiares?

O diálogo sempre será a maneira mais acertada para resolver todo e qualquer conflito, e será efetivo se aplicado nos primeiros estágios do conflito, onde a animosidade ainda é baixa.

É importante que todos partam da base do respeito, e principalmente que a empresa tenha valores e regras claras para não permitir esse tipo de coisa.

Também é fundamental estar claro que os familiares não estão acima das leis e podem sim ser punidos. Isso mostra para os demais funcionários que o ambiente é justo.

resolução de conflito em empresa familiar

Dicas para evitar o surgimento dos conflitos

Em certa escala, conflitos nas empresas são inevitáveis, mesmo nas que não são compostas por familiares, mas em geral, há sempre uma resolução pacífica e muitas vezes até construtiva.

No caso das relações familiares é mais complicado, pois como vimos envolve fatores extra empresa que são difíceis de contar.

Então, para diminuir as chances de brigas, separamos algumas dicas que você poderá aplicar no seu negócio.

1. Você precisa contratar um familiar? Já verificou outros profissionais para a função?

Essa é a primeira e talvez mais eficiente dica, pois quanto menos misturada for a vida pessoal da profissional, menos serão as chances de conflito.

Caso tenha que contratar familiares, tente pensar em funções que não se cruzem e, se possível, que não tenha convívio e relação direta com a sua.

2. Alinhe e compartilhem os mesmos valores

As regras precisam ser bem claras e respeitadas, então deixe claro que os valores da empresa são mais importantes até que os laços sanguíneos, pois o legado precisa ser preservado.

Não favoreça funcionário só por ser parente, pois isso cria uma cultura péssima para empresa e desvaloriza os demais colaboradores.

3. Tenha um processo para lidar com conflitos

É fundamental que exista um processo claro para resolução de todo e qualquer conflito independentemente do estágio dele e do nível de parentesco.

Assim como as regras se aplicam a todos, o método de resolução deve ser devidamente respeitado.

É impossível agradar a todos, então proponha soluções onde cada um ceda um pouco, sem favoritismo para nenhum lado, e claro, sempre tome a decisão que será melhor para empresa, não para o colaborador/familiar.

4. Busque ajuda de mediadores

Ter alguém para mediar os conflitos que sejam de fora da família ou mesmo de fora da empresa é muito bom, por ser alguém que tem distanciamento emocional da situação.

Um mediador externo vai analisar os fatos pelos fatos, e vai buscar chegar num acordo que satisfaça as partes, sempre seguindo o que é objetivo primário da empresa. 

Conclusão

Você sabe que gerir uma empresa de sucesso é matar um leão por dia, e no meio do caminho ter que lidar com conflitos familiares pode ser algo totalmente improdutivo.

Em muitos casos são inevitáveis e a responsabilidade de gerenciá-los é sua enquanto gestor, então o melhor cenário é impedir que desentendimentos graves ocorram ou se prolonguem para além da conta.

Buscar assessoria externa pode ser uma excelente forma de gerenciar essas situações de conflito em empresa familiar, principalmente se for uma solução que tenha experiência no assunto e também possua um método eficiente.

Nesse sentido, nós da Portofino Multi Family Office podemos te ajudar, pois somos especialistas em gerir patrimônios familiares pensando sempre nas necessidades dos integrantes e no legado que irá ser passado para frente.

Conheça um pouco das nossas soluções para te ajudar a gerir conflitos e muito mais.

Leia também Desafios nas empresas familiares: saiba quais são e como evitar

Brazil Investment Forum | Bradesco – Highlights #Dia 3

Brazil Investment Forum | Bradesco – Highlights #Dia 3

por danielbarbuglio | 7 abr 2022 | Análise de Mercado, Family Office, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Sucessão, Wealth management

Tempo de leitura: 3 minutos

Família Portofino,

Chegou ao fim, nesta quinta-feira (7), o Bradesco BBI 8th Brazil Investment Forum, evento promovido pelo Bradesco Private Bank. Com somente um painel no dia, o fórum terminou com a participação de Paulo Guedes, Ministro da Economia do Brasil.

Para saber como foi o primeiro e o segundo dia, respectivamente, clique aqui ou acesse o link.

Sessão Especial com Paulo Guedes, Ministro da Economia do Brasil

“Vamos surpreender novamente esse ano”, foi assim que Guedes iniciou seu discurso no evento. Para justificar essa afirmação, o ministro comentou que o Brasil está à frente do resto do mundo. “Fomos a única grande economia do mundo que conseguiu zerar o déficit e ao mesmo tempo fazer a política monetária já em posição de combate à inflação. Em qualquer momento a inflação pode começar a ceder”, falou Guedes.

Seguindo nos tópicos de inflação e crescimento, o chefe da pasta destacou que o nosso país tem uma dinâmica de crescimento já contratada, ressaltando que reformas importantes foram feitas, mas passaram despercebidas por terem sido feitas “no calor do momento da Covid-19”. No discurso, para validar sua visão da melhora do ambiente econômico, o economista citou que dois bancos revisaram a expectativa do PIB para cima.

Confira: Wealth Management: Saiba tudo como funciona esse serviço e qual o momento correto para contratar

Questionado sobre a agenda prioritária para 2022 e 2023, ele comentou que irão fazer reforma até o último dia desse mandato e a partir do primeiro do ano que vem. Sobre 2023, o ministro explicou que além de acelerar as privatizações, reduzir impostos, desburocratizar o ambiente de negócios e reforço das questões sociais, a prioridade é a Reforma Tributária. Nas palavras dele, “já estamos atrasados”, portanto, a expectativa dele é que as reformas acelerem.

Nos últimos assuntos abordados, Guedes analisou que com o cenário de guerra, os países europeus virão procurar soluções energéticas e alimentar no Brasil, fazendo com que petroleiras e empresas de energia venham para o país.

Por fim, o ministro da Economia reiterou o aumento do corte da alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 25% para 33%, além de poder fazer uma nova redução de 10% nas tarifas de importação. 

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Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e a nossa posição não é partidária.
As opiniões expressas aqui são dos palestrantes e convidados do evento.

Somos um multi family office independente, de plataforma aberta, mas não estamos isolados.
Podemos gerenciar os seus investimentos em qualquer instituição financeira custodiante no Brasil e no exterior, consolidando as suas posições e cuidando para que a seleção dos ativos utilizados em suas carteiras não tenham nenhuma intermediação, com relatórios mensais integrados para lhe fornecer uma visão global do seu patrimônio.

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Brazil Investment Forum | Bradesco – Highlights #Dia 3

Brazil Investment Forum | Bradesco – Highlights #Dia 2

por danielbarbuglio | 6 abr 2022 | Análise de Mercado, Family Office, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Sucessão, Wealth management

Tempo de leitura: 12 minutos.

Família Portofino,

O Bradesco BBI 8th Brazil Investment Forum, evento promovido pelo Bradesco Private Bank, chegou, nesta quarta-feira (6), ao segundo dia de painéis. O evento foi repleto de grandes personalidades do cenário econômico e político, que discutiram diversos assuntos de importância para o dia a dia do investidor. 

Clique aqui para saber como foi o primeiro dia.

Mesa redonda: O que esperar dos investimentos em Private Equity e Venture Capital em 2022?

O pontapé inicial do segundo dia teve em pauta os mercados de Private Equity e Venture Capital em 2022. Além de discutirem suas experiências e expectativas, Rafael Padilha, Head de Private Equity, Luiz Ribeiro, Diretor Executivo e Co-Head do escritório da General Atlantic no Brasil, e Joaquim Lima, Sócio na Riverwood Capital, também comentaram sobre os riscos e cuidados nesses mercados.

No caso do investidor-gestor, para Padilha, é importante estar atento ao que está acontecendo no cenário macroeconômico, focar no micro e analisar de forma “detalhista” o time da empresa que está investindo. Do ponto de vista do investidor, o economista disse que a principal preocupação tem que ser o timing, ter muito claro em mente que é um investimento a longo prazo e escolher um gestor com track record de sucesso.

Ribeiro concordou com as colocações de Padilha e acrescentou que o investidor tem que ter clareza do tipo de investimento, setor e exposição que ele está investindo. Ou seja, ter certeza que o investimento faz sentido ao perfil de risco.

Sessão Especial com Nick Beighton, ex-CEO da ASOS

Na sequência, Nick Beighton, ex-CEO da ASOS, loja britânica de roupas e artigos de beleza destinada a jovens adultos, falou sobre as mudanças do varejo e a implementação cada vez maior do e-commerce.

Beighton comentou sobre os desafios em mudar para o mobile. Nas palavras dele, a empresa teve que ter bons engenheiros de tecnologia e precisaram pensar em diferentes abordagens. “A experiência mobile é muito melhor que a desktop”, disse o ex-CEO. Ele explicou que o desktop é para adquirir clientes, enquanto no mobile é possível criar conexões com os clientes. 

“Os aplicativos se tornaram uma conexão melhor para os nossos clientes. Portanto, aperfeiçoamos o nosso user experience. Trabalhamos com inteligência artificial também para fazer com que o cliente prestasse mais atenção no aplicativo e ficasse mais engajado”, contou Nick.

O executivo ainda falou sobre conteúdo e como ele é importante para atrair os clientes. Ele ressaltou que quanto mais o consumidor estiver engajado com o software, melhor será a experiência. Ademais, com a inteligência artificial ele conseguiu diminuir a quantidade de cliques que os usuários precisavam dar para realizar suas ações e, segundo ele, “os clientes amam isso”. No campo de conteúdo, ele precisa ser inspirador e engajador, principalmente quando trata-se do mercado de moda.

Bancos digitais: A rentabilização de clientes como desafio

O terceiro painel do segundo dia de evento abordou um tema alvo de muitas questões e discussões, tanto de investidores quanto de clientes. Jean Sigrist, Presidente do Conselho de Administração do Neon, João Vitor Menin, CEO do Banco Inter, e Renato Ejnisman, CEO do Next, debateram sobre as inovações e os desafios do mercado de bancos digitais.

Dentre os assuntos discutidos pelos convidados, podemos destacar a análise sobre a questão da relação entre preço/serviço. Menin disse que o Inter sempre aposta em ter uma gama de serviços bem completos, mas ponderou que investem muito na questão de preço. Ele complementou dizendo que alinha experiência e preço, porém cada cliente pode ter um olhar diferente, então “tem que ser bom nos dois”.

Para Ejnisman, com o tempo a experiência vai ser mais relevante. Nas palavras dele, o passar do tempo vai mostrar que entender o cliente e se antecipar às suas expectativas vai ser mais importante. Ele também abordou a questão da monetização, a qual disse acreditar que não será um mercado de winner takes all. 

Sessão Especial com Charles Gave – Sócio fundador da Gavekal Research

A sessão especial com Charles Gave teve uma apresentação do convidado, no qual ele falou sobre os principais fatores econômicos dos últimos 25 anos. Além disso, também comentou a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Na questão da inflação, ele afirmou que estamos entrando num mundo inflacionário e a inflação ainda vai subir mais. Por fim, disse que na construção de um portfólio, ao se considerar a inflação, é importante olhar a aceleração e não o nível.

A abertura do mercado “livre” de energia elétrica no Brasil – Desafios e oportunidades para distribuidoras, geradoras, comercializadoras e consumidores

Na parte da tarde, Elisa Bastos, Diretora da Aneel, e Ricardo Lisboa, Presidente da Abraceel, foram os responsáveis por compor o painel que teve como tema o mercado de energia elétrica no Brasil.

Lisboa fez questão de pontuar que toda e qualquer mudança estrutural traz medo. De um lado, ele comentou que esse receio atrasou a abertura, mas, por outro lado, ajudou a trazer soluções para problemas e riscos. “Estou bastante otimista e acho que é uma virada importante para o país”, afirmou. Ricardo contou que no futuro as pessoas teriam que saber de quem contratar energia.

Em geral, a opinião é de que o mercado livre aumentaria a competição e poderia melhorar a qualidade de atendimento do consumidor.

Saiba mais: Ativos alternativos: Entenda em que consiste esse investimento, benefícios, exemplos e como investir

Sessão Especial com Ricardo Reis, especialista em Política Monetária e professor de Economia na London School of Economics

Ricardo Reis realizou uma análise sobre os desafios da política monetária em 2022 e para os próximos anos. Logo no início de sua fala, o professor fez questão de deixar claro: “A inflação pode, de fato, subir de forma consistente. Estamos com um problema grave”.

Para explicar essa afirmação, ele traçou um panorama desde o começo da pandemia, explicando que o período trouxe enormes mudanças e desafios para a economia global, tais como: dispersão das fortunas das empresas, trabalho a distância, transição climática, digitalização, entre outros. Reis definiu essas questões como desafios de longo prazo, mas disse que são poucos comentados porque há um problema mais urgente. 

Além disso, ele explicou que há 12 meses tivemos a rápida recuperação da economia e a consequente alta da inflação. Neste cenário, os bancos centrais mantiveram um nível histórico expansionista ao invés de mudar a rota para conter a inflação.

Dessa forma, o professor concluiu que há grandes desafios estruturais para os bancos centrais, que todo o foco está na inflação depois dos erros dos últimos 12 meses e pressão da dívida pública. No caso da inflação, Reis opinou que “baixá-la sem causar uma recessão seria um feito extraordinário”.

Assimetria regulatória no sistema bancário

Isaac Sidney, CEO da Febraban, Bruno Balduccini, Parceiro na Pinheiro Neto Advogados, e Rubens Sardenberg, Diretor de Assuntos Econômicos, Regulamentação e Riscos da Febraban, foram os selecionados para debaterem sobre o sistema bancário no evento.

Os convidados discutiram sobre o sistema bancário e as novas regulações do Banco Central. Ademais, falaram sobre o crescimento das fintechs e as questões que elas trazem para o BC lidar. Sobre as fintechs, Balduccini foi categórico ao dizer que “se alguém das fintechs falar que não esperava as mudanças regulatórias estará mentindo”.

Outro tema abordado foram as criptomoedas, com Isaac Sidney pontuando que é um tema que merece atenção.

Sessão Especial com Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento do governo de São Paulo, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central

O penúltimo painel do dia contou com Henrique Meirelles como convidado para falar sobre o atual cenário econômico e político. 

Em sua primeira fala, Meirelles fez uma rápida análise sobre as últimas décadas. Ele comentou que no período de 2000-2010 o Brasil cresceu bastante, com média de 4% mesmo com as crises. Já nos anos de 2011-2020, segundo o secretário, foi de altos e baixos, com um governo Dilma de muita interferência e gastos exagerados, movimentos que geraram muita desconfiança na economia. 

Meirelles também comentou sobre o teto de gastos. Ele disse que é normal que todos queiram disputar o orçamento para suas regiões e estados, mas o problema, nesse caso, é a necessidade de haver um limite, uma âncora que permita uma gerência inteligente. Para ele, é preciso voltar a respeitar o teto até 2026 e, a partir desse momento, definir um novo critério.

Outro assunto abordado diz respeito à autonomia do Banco Central e a importância disso. O ex-ministro explicou que a decisão de dar autonomia à instituição é fundamental, pois proporciona condições de fazer a política adequada. Meirelles complementou dizendo que é importante que o próximo governo faça política fiscal para dar âncora na economia e na inflação, ajudando o BC.

Por fim, o ex-presidente do BC foi questionado sobre a polêmica do preço dos combustíveis. Em relação aos combustíveis, ele falou que não pode haver intervencionismo na Petrobras. “Se for isso, é melhor deixar como está”, afirmou Meirelles. Ele foi objetivo ao dizer qual a solução: “Competição”. “Divide a Petrobras em 3, 4 companhias, privatiza e o mercado determina o valor de competição. Não criar monopólio privado, mas dividir a companhia”, disse.

Desafios e oportunidades para os bancos incumbentes

Para finalizar a quarta-feira do fórum, o evento recebeu três CEO de grandes bancos do Brasil. Fausto de Andrade Ribeiro, CEO do Banco do Brasil, Octavio de Lazari, CEO do Bradesco, e Milton Maluhy, CEO do Itaú, comentaram sobre tudo da participação dos bancos digitais no mercado.

Lazari comentou que enxerga essas instituições como concorrentes em nichos específicos, mas, de forma geral, não, a não ser algumas que já atingiram um certo patamar. Do ponto de vista dos investidores, o CEO destacou que eles já começam a olhar as coisas de uma forma diferente, principalmente com o novo momento da taxa de juros.

Maluhy concordou com a colocação do executivo do Bradesco, e acrescentou que são a favor da competição e concorrência dentro das regulamentações. Ele ainda disse que a questão do preço (anuidade, isenção de taxas) foi uma boa porta de entrada para esses novos players. O CEO do Itaú também mencionou a taxa de juros, explicando que no cenário oposto ao atual, de baixa taxa de juros, tem mais espaço para capital de risco.

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