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Portofino
Impacto de tarifaço para o Brasil ainda não está claro

Impacto de tarifaço para o Brasil ainda não está claro

por danielbarbuglio | 23 maio 2025 | Wealth management, Family Office, Investimentos Internacionais

Mario Camera – Valor Econômico

Leia a matéria completa, direto no Valor Econômico, clicando aqui.

O anúncio do novo pacote tarifário dos Estados Unidos para o Brasil, em 2 de abril de 2025, acendeu o sinal de alerta em setores estratégicos da economia nacional. Mas, passados dois meses, os efeitos ainda não foram suficientes para provocar mudanças concretas nas estratégias empresariais. Na indústria, a principal consequência até agora tem sido o compasso de cautela. “O impacto das tarifas americanas no mercado brasileiro ainda é incipiente, mesmo porque tem formação de estoques, tem discussões de postergamento, e essas novas negociações criam expectativas”, afirma Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar de o setor não ter sofrido retrações diretas, a CNI enviou uma missão aos EUA em maio. O objetivo foi negociar tratamento diferenciado por setor e sinalizar que o Brasil tem projetos de complementaridade produtiva com os americanos, incluindo cadeias de semicondutores, terras raras, combustível sustentável de avião (SAF) e data centers verdes. “Nós temos 55% das nossas exportações de manufatura só para os Estados Unidos, é o principal destino dos nossos bens intensivos em tecnologia. Então, essa solução precisa ser encontrada o mais rápido possível, e entendemos que deveria ser feito também de forma setorial”, afirma Alban.

O presidente da CNI alerta, no entanto, que as tarifas americanas já provocam um desvio na balança comercial com outro parceiro: a China. “O maior impacto que já vemos foi uma maior concentração, no primeiro trimestre, de vendas de produtos manufaturados chineses para o Brasil, que aumentou 30% em relação ao mesmo período do ano passado”, observa.

O movimento também preocupa a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Segundo a entidade, só em março as importações de calçados da China cresceram 51,7% em relação ao mesmo mês de 2024. Em comunicado no início de abril deste ano, o presidente da entidade, Haroldo Ferreira, alertava que “essa invasão [de calçados chineses] ocorre antes mesmo da entrada em voga da nova tarifa. A previsão é de que aumente ainda mais nos próximos meses […] A China não ficará sem escoar essa produção”.

Já no agronegócio, o ritmo das vendas externas não apenas foi mantido, como acelerou em alguns setores, a exemplo da carne. Em abril, o Brasil embarcou 48 mil toneladas de carne bovina para o mercado americano, seis vezes mais que no mesmo mês de 2024. Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o principal fator da competitividade brasileira é estrutural: “Os EUA vivem o menor plantel bovino dos últimos 80 anos e seguem buscando fornecedores com capacidade de entrega em escala e preços acessíveis”, explica.

O rebanho bovino americano recuou em função de seca, alimentação dos animais mais cara e aumento dos juros, com impacto direto no custo de produção. Assim, mesmo com tarifa total que pode chegar a 36,4%, a carne brasileira continua mais barata. “Se a carne brasileira chega ao mercado a US$ 30 e sofre o acréscimo tarifário, ainda assim permanece muito mais competitiva que a carne americana, cotada a US$ 100”, afirma o presidente da Abiec.

Na prática, segundo Perosa, o tarifaço recaiu sobre os importadores americanos, “que arcam com os custos adicionais”.

“Nós ainda estamos em um momento de muita adaptação”, João Daronco.

No mercado financeiro, o impacto também foi difuso, mas não irrelevante. Para Eduardo Castro, CIO da Portofino Multi-Family Office, o vaivém das decisões americanas desestabilizou o horizonte de previsibilidade dos agentes econômicos. “Esse cenário foi deixando a própria economia real sem horizonte”, afirma. “Se de fato isso [o aumento de tarifas] caminhar nessa direção, vai ser ruim para ativos de risco, ruim para o dólar”, salienta.

Segundo Castro, o mercado global esperava que Trump fosse “positivo para ativos de risco”, mas a realidade surpreendeu. “Veio algo que se imaginava que viria, mas numa intensidade e numa desorganização, numa ausência de tecnicidade tão grande que deixou mercados e economia real absolutamente perdidos”, diz. Para ele, a principal consequência até o momento foi um aumento da cautela. “O máximo que se fez foi redução de risco: corte de exposição a renda variável, aumento de caixa, espera.”

A guerra comercial iniciada pelos EUA também deve levar a uma mudança na diversificação de carteiras internacionais, o que não deve abalar a posição americana no mercado, segundo Castro. “Portfólios que eram majoritariamente alocados nos Estados Unidos vão caminhar para uma diversificação maior. Apesar disso, os EUA não vão deixar de ser a principal economia do mundo, nem o principal país pra oferta de títulos e ativos financeiros; só que serão em um ponto de equilíbrio diferente”, diz.

A percepção também é compartilhada por João Daronco, analista da Suno Research. “Nós ainda estamos em um momento de muita adaptação, sem saber ao certo todas as consequências do tarifaço”, afirma. Segundo Daronco, não existe, até o momento, “nenhum direcionamento concreto [no Brasil] de uma empresa que está reduzindo o custo, cortando pessoal ou diminuindo investimentos propriamente dito”.Para ele, o impacto poderia ser percebido a partir de julho e agosto, “quando as empresas começarem, de fato, reportar os seus números, o fluxo de caixa, o quanto que investiram etc”.

Aumento das alíquotas de IOF

Aumento das alíquotas de IOF

por danielbarbuglio | 23 maio 2025 | Planejamento, Análise de Mercado, Family Office, Multi Family Office, Wealth management

(Tempo de leitura: 3 minutos)

Ontem à noite, o presidente Lula assinou o Decreto nº 12.466 de 2025, que aumentou as alíquotas de IOF/Câmbio, IOF/Crédito e IOF/Seguros. O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um imposto que pode ser alterado sem a necessidade de respeitar as regras de anterioridade (como a virada do ano ou a noventena). Para a maioria das mudanças publicadas, a vigência é imediata. Ou seja, as novas alíquotas de IOF já estão em vigor a partir de hoje.

Na imagem, apresentamos um resumo das principais alterações no IOF/Câmbio, que impactam pessoas físicas — especialmente nas movimentações realizadas pelos nossos clientes.

Como regra geral, o governo estabeleceu uma alíquota padrão de 3,5% para o envio de recursos ao exterior e de 0,38% para o retorno desses recursos ao Brasil. Há, ainda, isenções e alíquotas específicas para situações expressamente definidas no decreto.

Há uma alíquota reduzida de 1,1% para operações de câmbio com “finalidade de investimento”, embora o decreto não detalhe os critérios de enquadramento. Será necessário demonstrar que a operação se enquadra nessa finalidade. Provavelmente será essa a alíquota de câmbio utilizada para recursos enviados ao exterior que são diretamente investidos (em geral, mediante envio de comprovação ao banco de que o investimento foi realizado).

Para aumento de capital em empresas no exterior, nos parece que o mesmo “câmbio” de 1,10% poderá ser utilizado, desde que acompanhado de uma ata de aumento de capital com a indicação expressa de que a finalidade é investir na offshore. 

Entendemos que esse racional seja aplicável, mas a aplicação prática também dependerá do entendimento dos bancos, que realizam as operações de câmbio e são responsáveis pelo recolhimento do imposto.

Quanto ao IOF/Seguros, o governo determinou que aportes mensais em VGBL com valor superior a R$ 50 mil estarão sujeitos à alíquota de 5%. Até o momento, essa regra está em vigor.

Existe a possibilidade de a FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) se mobilizar para tentar reverter a aplicação dessa alíquota de 5%.

Estamos acompanhando o tema de perto e informaremos a todos sobre novas atualizações.

Inflação em abril mostra resistência, mesmo com possível fim do ciclo de alta dos juros

Inflação em abril mostra resistência, mesmo com possível fim do ciclo de alta dos juros

por danielbarbuglio | 9 maio 2025 | Family Office, Análise de Mercado, Wealth management

(Tempo de leitura: 2 minutos)

O que você precisa saber:
O IBGE divulgou os dados mais recentes de inflação. Neste texto, o nosso sócio e Portfolio Manager, Thomás Gibertoni, analisou o resultado apresentado.


O IPCA (índice oficial de inflação) de abril ficou em 0,43%, um pouco acima do esperado pelo mercado (0,42%) e um pouco menor que o registrado em março (0,56%). No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, a inflação subiu para 5,53%, ante 5,48% no mês anterior.

O que ajudou a segurar a inflação

  • Queda no preço de passagens aéreas (-14,15%) e combustíveis (-0,45%).
  • Alimentos em casa subiram menos (0,83%), com destaque para itens como ovos e café, que caíram (-1,29%) ou subiram menos (4,48%) após altas recentes.

O que pressionou a inflação

  • Bens industriais (como roupas e eletrônicos) subiram 0,62%, influenciados pelo fim de promoções e trocas de coleção (vestuário: +1,02%).
  • Medicamentos tiveram reajuste (2,32%), algo comum em abril.

Preocupação com serviços e núcleo da inflação

Os preços de serviços essenciais e a média dos núcleos de inflação (que excluem itens voláteis) praticamente não recuaram (0,61% e 0,51%, respectivamente), indicando que a inflação mais persistente segue alta. Em termos anualizados, alguns indicadores até aceleraram (7,8%), enquanto outros se mantiveram em patamares elevados (6,2%).

Surpresas no resultado

  • Alimentos em casa ficaram um pouco mais baratos do que o esperado, principalmente legumes e verduras.
  • Serviços pessoais (como educação e saúde) ficaram mais caros (+2 bps), piorando a qualidade geral do resultado.

Conclusão

A inflação de abril manteve-se em níveis preocupantes, especialmente nos setores mais resistentes a quedas (como serviços). Apesar de o Banco Central ter sinalizado uma possível pausa nos aumentos de juros, o cenário atual—com inflação alta e sem sinais claros de melhora—reforça a necessidade de manter os juros elevados por enquanto. Não há condições para discutir cortes na taxa de juros em 2025.


Thomás Gibertoni
Sócio | Portfolio Manager

É formado em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e possui certificações CGA e CGE. Thomás passou pelo Banco Santander e antes de chegar a Portofino foi Portfolio Manager na Clarita Investimentos.

Super Quarta | Análise: EUA mantém juros, enquanto Brasil eleva Selic para 14,75% ao ano

Super Quarta | Análise: EUA mantém juros, enquanto Brasil eleva Selic para 14,75% ao ano

por danielbarbuglio | 7 maio 2025 | Family Office, Multi Family Office, Wealth management

(Tempo de leitura: 2 minutos)

O que você precisa saber:
O nosso time analisou as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, a equipe do Copom optou por elevar a Selic para 14,75%, o maior patamar em 20 anos. Por outro lado, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada.


O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu aumentar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, elevando de 14,25% para 14,75% ao ano. A medida reflete um cenário de elevada incerteza, tanto no cenário externo — com destaque para as políticas comerciais dos Estados Unidos — quanto no doméstico, especialmente em relação aos rumos da política fiscal.

Diante desse contexto, o Copom adotou um tom cauteloso, optando por aguardar os efeitos cumulativos do atual ciclo de alta de juros, a divulgação de novos indicadores econômicos e os desdobramentos das medidas comerciais internacionais antes de definir os próximos passos.

O Comitê não descarta novas altas, mas também não assume compromisso com elevações imediatas. Se novos ajustes forem necessários, a próxima reunião (em junho) deve ser pulada, com eventuais movimentos ficando para julho em diante, dependendo da evolução dos dados.

Thomas Gibertoni
Sócio e Portfolio Manager


Mesmo após pressões para corte de juros de Trump, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros dos EUA entre 4,25% e 4,5% pela terceira vez seguida, adotando cautela diante da desaceleração econômica e das incertezas provocadas pela guerra tarifária. Tal decisão era amplamente prevista pelo mercado e não afetou significativamente o preço das ações ou do tesouro de 10 anos.

O presidente do Fed, Jerome Powell – criticado por Trump – enfatizou que as decisões da instituição são baseadas em análises de dados econômicos e que a atual postura é de cautela, aguardando mais informações sobre os impactos reais das tarifas na economia real.

Fernando Godoy
Sócio e Portoflio Manager

Ibovespa tem alta com alívio temporário no ‘tarifaço’ nos Estados Unidos

Ibovespa tem alta com alívio temporário no ‘tarifaço’ nos Estados Unidos

por danielbarbuglio | 15 abr 2025 | Family Office, Análise de Mercado, Wealth management

Bruna Furlani e Maria Fernanda Salinet – Valor Econômico

Leia a matéria completa, direto no Valor Econômico, clicando aqui.

Sinalizações mais positivas vindas do exterior potencializaram os ganhos do Ibovespa na sessão de ontem e fizeram o índice fechar em alta firme de 1,39%, aos 129.454 pontos. A suspensão temporária das tarifas recíprocas sobre eletrônicos da China, anunciada pelos Estados Unidos, deu o primeiro impulso ao índice no começo do dia, ao favorecer a busca por ativos de risco ao redor do mundo.

Falas de diretores do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que aventaram sobre a possibilidade de um corte mais intenso de juros, caso o governo adote uma política tarifária mais dura, também ajudaram a ampliar os ganhos do índice, apoiado pelo recuo dos juros futuros.

Segundo operadores, indícios de compras de investidores estrangeiros nos papéis da Petrobras também ajudaram o índice na sessão. As ações da estatal encerraram ontem com movimento misto: as ordinárias fecharam em alta de 0,21%, enquanto as preferenciais terminaram em queda de 0,38%. Participantes do mercado afirmam que desempenhos díspares como esse costumam ocorrer quando há compra de investidores internacionais, já que os recibos de ações negociados em Nova York (ADRs) do papel ordinário da petroleira tendem a ser mais líquidos.

“Trump deixou claro que a intenção é levar o trabalho até o final. Porém, o formato final ninguém sabe”.

A sessão também foi de alta dos papéis da Vale, que subiram 1,30%. A busca por ações com grande representação no Ibovespa, caso de Petrobras e da mineradora, ocorreu mesmo em um dia volátil para algumas commodities. Ontem, as cotações do petróleo oscilaram após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revisar para baixo sua projeção para a demanda global da commodity neste ano e no ano que vem.

Em meio a um cenário em que o mercado precifica uma desaceleração mais profunda da atividade global, o sócio da Portofino Multi Family Office, Adriano Cantreva, avalia que os agentes financeiros devem diminuir o interesse por commodities, como o petróleo. “O Trump citou que deve aumentar a produção americana e é esperado um menor uso [da commodity] com a eletrificação. Esses dois fatores já diminuem a demanda por petróleo. Se ainda tivermos uma recessão, não vejo um cenário positivo para petróleo”, resume.

Apesar da subida vista ontem nos mercados acionários, como o Ibovespa, a avaliação de agentes financeiros é que os alívios a “conta-gotas” de Donald Trump não são capazes de afastar totalmente o receio com os próximos passos do líder republicano. “Trump deixou muito claro que a intenção do governo é levar o trabalho até o final. Porém, o formato final ninguém sabe. O sentimento é um pouco de alívio porque o primeiro dia [Liberation Day] foi um ‘desastre’, mas não há segurança de um final feliz”, resume Cantreva.

Diante das incertezas que existem no radar, a Portofino tem adotado uma posição mais neutra em juros e bolsa brasileira. “Achamos que essa piora dos ativos não é ‘temporal’. Acreditamos que há uma probabilidade maior de termos um comércio mundial diferente do que tivemos nas últimas décadas”, observa o executivo. Para ele, o cenário não deve ser de crescimento ou de valorização das ações locais, em meio a indefiniçções sobre os Estados Unidos e sobre a relação que será estabelecida entre os americanos e os chineses.

O gestor Eduardo Grübler, da AMW (Asset Management Warren), também destaca o alto grau de incerteza do mercado acionário local e observa que os investidores estão aproveitando o alívio recente para realizar lucros. Em sua avaliação, a alta registrada ontem pelo Ibovespa é apenas um movimento “pontual”.

Além de adotar uma postura mais cautelosa com a bolsa local, a AMW aproveitou o momento recente para diminuir a exposição às ações americanas. “Reduzimos EUA como um todo, estamos na mínima histórica de exposição lá. O que ainda temos é majoritariamente em empresas geradoras de caixa e fora das big techs, como a Philip Morris”, afirma o gestor.

Entre as ações do Ibovespa, a maior alta foi registrada pelos papéis da Azul, que tiveram ganhos de 12,33%. A aérea vai realizar uma oferta de ações que pode movimentar até R$ 4,1 bilhões. Já na ponta contrária, os papéis da Minerva lideraram as perdas, com baixa de 2,87%. Analistas do Goldman Sachs rebaixaram as ações do frigórifico de compra para neutra, com preço-alvo em R$ 6,95.

Investimento no exterior sofre novo teste com tarifaço

Investimento no exterior sofre novo teste com tarifaço

por danielbarbuglio | 9 abr 2025 | Family Office, Análise de Mercado, Investimentos Internacionais, Wealth management

Adriana Cotias – Valor Econômico

Leia a matéria completa, direto no Valor Econômico, clicando aqui.

Mal o brasileiro deu os primeiros passos rumo à internacionalização dos seus investimentos e o “modo pânico” foi acionado nos mercados financeiros globais. A imposição de tarifas de importação mais severas do que se previa pelo governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, vem na sequência da rasteira já sofrida no início do ano pelas empresas de tecnologia com o fenômeno chinês DeepSeek. Só que agora, o tarifaço, se colocado em prática do jeito que foi formulado, terá desdobramentos ainda difíceis de se prever no xadrez econômico mundial e consequências para os preços dos ativos.

Neste ano, o índice S&P 500 perde mais de 15%; o Nasdaq acumula perdas de quase 21%, e o Dow Jones, de 11,20%. Os títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos recuam 0,06%, com o retorno apontando para 4,3%. No Brasil, o custo de oportunidade dado pela Selic parte de 14,25%, com uma inflação projetada de 5,1%, segundo o boletim Focus, que coleta as estimativas do mercado.

“Quando há uma série de investidores tomando atitudes irracionais, a primeira coisa que nós, agentes do mercado fiduciário, temos a fazer é tentar acalmá-los”, diz Daniel Haddad, executivo-chefe de investimentos da Avenue, corretora americana fundada por brasileiros, hoje controlada pelo Itaú Unibanco.

Com cerca de US$ 5, 5 bilhões na custódia da plataforma, ele cita que os investidores em geral não fizeram movimentos bruscos de mudança de carteira. “A gente investe muito tempo entendendo o perfil do cliente para que num momento como este ele consiga permanecer investido e tenha tranquilidade com uma carteira adequada à sua tolerância a risco.”

Haddad lembra que, no passado, a economia americana já enfrentou uma taxa de desemprego de 25%, juros de 20%, além de guerras, pandemia e recessões. “Ainda assim, os EUA continuam como a maior economia do mundo, as empresas permanecem sólidas, liderando a inovação global, e o Tesouro americano segue como uma referência de segurança para quem busca preservar capital”. Em tempos de volatilidade, a paciência é a chave.

O executivo cita que o pior que pode acontecer é montar uma carteira agressiva e quando o investidor vê o mercado cair 5%, tem o impulso de vender todos os ativos por se descobrir conservador. “Se você não se conhece, o mercado financeiro é um lugar muito caro para isso, porque o expõe a todos os tipo de emoção, na euforia ou na crise”, continua Haddad, mostrando que nesses momentos quem assessora o cliente tem que assumir um pouco o papel de psicólogo.

Haddad diz que o investidor que tem internacionalizado parte da sua carteira tem hoje mais a mentalidade de preservação do capital no longo prazo, com viés multigeracional. “O bolso mais fundo vem com a ideia de preservação de capital e sabe que para isso precisa de tempo.”

Olhando pelo retrovisor, o executivo da Avenue lembra que nos momentos de recessão, os investidores em geral buscam ativos mais seguros e, por consequência, o dólar se valoriza em relação a outras moedas. Há a percepção de que o país desenvolvido tem menor risco do que os emergentes”, afirma. Estatisticamente, ciclos de recessão nos EUA ocorrem a cada sete anos, mas com o benefício do retorno composto, quem fica investido consegue capturar valor e não perde as recuperações.

Embora a política comercial de Trump tenha vindo mais salgada do que se esperava, com uma taxação média de 18%, neste primeiro momento o melhor é não fazer nada, diz Adriano Cantreva, sócio da gestora de fortunas Portofino, em Nova York. Ele considera que a intenção do governo é mostrar que está disposto a ir para o tudo ou nada, mas que no fim pode ser uma estratégia de negociação. Mas assusta.

“É óbvio que não querem causar uma recessão. Porém, neste mandato novo, Trump parece querer entregar o que prometeu”, diz Cantreva. Se no curto prazo é muita incerteza para digerir, ele acredita que à frente pode haver um desfecho saudável. “O investidor tem que seguir com o olhar para o longo prazo, pensar no plano feito para a aposentadoria. Vai ter volatilidade, pode cair, mas o fundamento pode ser melhor.”

Nessas horas de incerteza, quem tem alguma liquidez pode até aproveitar preços mais descontados. Ele cita como exemplo as ações da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, que sofreram na onda de vendas e que costumam ser caras. “Há bons negócios a preços interessantes. É o momento de considerar empresas que caíram bastante, têm potencial de valorização, um negócio sólido e que geram caixa. É o que dá conforto para segurar por um longo período de tempo porque as companhias entregam resultados e contribuem para aumentar o patrimônio do investidor no decorrer do tempo.”

O índice S&P 500, que tem grande peso das sete gigantes de tecnologia – Amazon, Apple, Alphabet (dona do Google), Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – pode sofrer mais porque metade das receitas dessas companhias vem de outros países, diz Cantreva. “Estão mais expostas a retaliações de outras economias.” Mas abaixo delas, há outros casos que podem trazer frutos.

Já Otávio Vieira, que lidera a estratégia de crédito da gestora de fortunas Est, diz que a retaliação chinesa aos EUA pode deflagar uma crise pior do que a das hipotecas de alto risco, em 2008, com a quebra do banco Lehman Brothers. “Só que ali havia instrumentos para lidar, como ‘QE’ [afrouxamento quantitativo] e juros mais baixos. Mas uma estagflação por desarranjo tarifário o mundo ainda não experimentou e não sei se vai saber responder”, afirma.

Mesmo que Trump volte atrás, as suas idas e vindas vão confundir as cadeias de produção e congelar investimentos, acrescenta Vieira. Outro efeito vai ser na inflação, porque a taxação extra vai acabar recaindo no bolso do americano, que vai ter que arcar com produtos mais caros.

“Todo mundo vai sofrer, com a guerra comercial vai ter um período de inflação mais alta”, diz Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter. É uma má notícia para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que ainda luta para levar a inflação de volta à meta de 2%. “Os ativos de risco vão reagir a um ambiente de negócios não muito propício.” Para momentos de alta volatilidade, ele diz não haver uma fórmula certa. O investidor pode fazer a rotação que se vê nos EUA, privilegiando ações de concessionárias de serviços públicos e do setor financeiro, deixando um pouco de lado as grandes de tecnologia.

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