O que você precisa saber: Nesta terça-feira (25), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2025, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energias do Brasil, entre outros.
Cenário Econômico 2025
O evento começou com a presença mais esperada: Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Haddad começou falando sobre como o contexto geopolítico está desafiador, com a falta de previsibilidade com a economia americana. Ele explicou que essa tensão econômica é global e citou que “há maior tensão na Colômbia, no México e no Chile, que são países relativamente organizados”.
O ministro também falou que o mercado financeiro está “muito mais tenso” do que antigamente. Ao ser perguntado sobre as incertezas do final do ano passado, ele afirmou que “as pessoas estão com mais dedo no gatilho, esperando uma notícia para agir, para se proteger ou especular”.
No que diz respeito ao Brasil, segundo Haddad, o Brasil é visto positivamente pelo cenário externo. Ele mencionou que as agências de classificação de risco, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os fundos de investimento soberanos têm uma visão diferente em relação à avaliação dos investidores locais.
As contas públicas também foram pauta do debate. O ministro ressaltou a colaboração dos parlamentares para a elevação das receitas, contudo disse que o Congresso Nacional impediu o governo de zerar o déficit fiscal. Além disso, também destacou o compromisso do presidente Lula com o ajuste fiscal.
Haddad, ainda em sua fala, disse que, com a vitória de Lula nas eleições de 2022, a “democracia foi salva”, assim como também disse que não será candidato nas eleições de 2026. O nome do ministro é sempre muito ventilado caso Lula decida não tentar uma nova reeleição. Outro assunto em alta nos corredores do Planalto é a reforma ministerial, a qual Haddad reforçou que nunca conversou com o presidente sobre o assunto.
Estratégias para Segurança Energética no Brasil
O segundo painel do dia debateu sobre segurança e transição energética. Entre os convidados estava Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energias do Brasil, que afirmou que o gás natural é sem dúvida visto no mundo inteiro como combustível de transição e completou dizendo que o nosso país precisa ampliar a nossa oferta desse recurso.
Para ele, o Brasil já faz a sua parte na questão da sustentabilidade, vendo-o como muito promissor nessa área. Ele completou ao afirmar que as políticas públicas estão sendo feitas de formas vigorosas para essa transição energética. Segundo Silveira, o Brasil “o líder da transição energética global”.
O ministro ainda comentou um tema espinhoso que divide opiniões dentro do governo e atrai críticas de ambientalistas: a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Assunto muito debatido recentemente, Silveira defendeu a exploração na região “dentro de uma legislação ambiental que já é extremamente moderna e segura” e justificou que, enquanto o mundo demandar [petróleo], “não seremos nós que poderemos deixar de ofertar”.
Aprofunde mais: a Margem Equatorial é uma região na costa do Brasil entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, vista como uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás.
Navegando Mercados em 2025: Macro Views
Encerrando os painéis da parte da manhã, os painelistas comentaram sobre o cenário macroeconômico atual. Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, apresentou uma visão bastante otimista com o cenário americano e global. Ele, assim como Fabiano Rios, CIO da Absolute Investimentos, elogiaram a equipe econômica do governo Trump.
Já no que diz respeito ao Brasil, Carlos Woelz, sócio-fundador da Kapitalo Investimentos, foi crítico ao dizer que o Brasil continua tão ruim quanto era em dezembro e “tão ruim quanto era em agosto antes de piorar”. Woelz também criticou o arcabouço fiscal, que começou com uma base não sustentável e com uma regra toda complicada, “como a de campeonatos estaduais”, brincou. Ele ainda creditou a piora do cenário entre agosto e dezembro ao fato da percepção de que iria precisar de uma política monetária muito mais alta.
Por outro lado, Rodrigo Carvalho, sócio-fundador da Clave Capital, viu a melhora por parte dos ativos brasileiros a partir de um começo mais suave da política de tarifas de Trump do que o mercado esperava.
O Mundo com Trump 2.0
Mike Pompeo, ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos, abriu os painéis da tarde e discorreu sobre os recentes acontecimentos envolvendo Estados Unidos, Rússia e Europa. Para ele, os europeus sentiram que estavam sendo cortados, mas a voz deles ainda é muito grande nesse cenário. “Nós ouvimos que os EUA vão abandonar a Ucrânia, mas eu não posso imaginar que algo como isso aconteça”, disse Pompeo.
Quando perguntado qual seria um possível resultado para todo esse cenário, ele respondeu que a percepção tem que ser a de que o presidente Putin não venceu.
O ex-secretário também falou sobre o momento da China e foi enfático ao dizer que o presidente Xi Jinping está muito focado no poder. Ele explicou que vê a China em um momento de ação, em que o país vai demonstrar seu poder econômico, militar e tecnológico para colocar pressão em outras nações. Neste sentido, ele criticou o fato de, na sua opinião, ver que o líder chinês vê a economia como um suporte para os seus objetivos ao invés de usar a economia para alcançá-los.
E por falar em tecnologia, a inteligência artificial foi pauta. Pompeo explicou que especialistas já percebiam que a China estava diminuindo a distância para os Estados Unidos antes mesmo da DeepSeek. “DeepSeek foi uma surpresa para todo mundo, mas quando damos um passo atrás e analisamos, não chega a ser uma surpresa”.
O Que Esperar do Cenário Macroeconômico em 2025
Na sequência, o cenário americano continuou sendo tema de debate, mas dessa vez com Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, e Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe. Mansueto citou que o desafio fiscal dos Estados Unidos é bem grande, e não acredita que a equipe do governo vai conseguir reduzir os gastos para levar a dívida pública ao patamar anterior ao da pandemia. Berriel abordou a questão das tarifas, comentou que o presidente e o seu entorno parecem estar bastante comprados em relação a essa questão e à política de imigração, sendo úteis para a economia e negociações.
Ao falar sobre o Brasil, Mansueto analisou o governo e o momento da economia. “O governo vai aceitar uma desaceleração da economia com o juro tão alto?”, questionou, e continuou explicando que “estamos vendo desde o início do ano o anúncio de medidas de estímulo da economia. No ponto de vista de expectativa, acaba machucando a crença de que a política monetária vai funcionar”.
Também presente no painel, Eduardo Loyo, sócio do BTG, disse que seria importante que as pessoas vissem que a política monetária está tendo um efeito e fazendo a economia desacelerar para levar a inflação a uma trajetória de convergência. “Eu acho que, se você anuncia uma série de programas para compensar no futuro o juro alto e que evitem que tenha qualquer efeito, você está trabalhando contra a política monetária e a credibilidade da mesma”, finalizou.
Visões de Brasil e Mundo
André Esteves, Chairman & Sócio Sênior do BTG, foi entrevistado por William Waack. Assim como aconteceu ao longo de todo o dia, os Estados Unidos e o cenário geopolítico foram temas centrais.
Esteves caracterizou Trump como um “pacote complexo”, no qual a sua vitória indiscutível mostrou que a sociedade americana queria algo a mais que o presidente simboliza. Além disso, o sócio também falou sobre a personalidade do presidente, que costuma trazer “verdades duras” para o debate, apesar de não concordar com a tática que ele usa.
Questionado sobre a possível resolução na guerra da Ucrânia, ele demonstrou preocupação sobre o movimento americano em direção à Rússia, “pois abala uma aliança que está no centro do mundo ocidental, entre Estados Unidos e Europa”.
Por fim, ele falou como o Brasil se posiciona nesse cenário. Na visão de Esteves, o Brasil está à margem da briga entre China e Estados Unidos. “Em mundo mais dividido ou mais unido, acho que a gente consegue navegar ‘numa boa’. No lado tarifário, a gente ainda tem um adicional, já que somos um dos poucos países que têm déficit com os EUA, eles são superavitários com o Brasil. Nós estamos fora do radar do ponto de vista tarifário, podemos pegar só um efeito colateral como o aço”.
Outlook de Grandes Gestores
Por fim, o primeiro dia de evento acabou com um debate que já começou a fazer análises sobre as eleições do ano que vem. Antes disso, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, se mostrou pessimista com a inflação brasileira: “Eu acho que a inflação nunca mais cai se a gente não encarar definitivamente a questão do déficit”. Ele ponderou que essa não é uma questão exclusiva desse governo, mas que “o grande problema do Brasil é o Congresso Nacional”.
Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, também estava presente e deu início aos comentários sobre eleição ao dizer que a queda de aprovação do governo foi surpreendente.
Para finalizar, as eleições de 2026, na visão de Xavier, terão uma grande influência de Jair Bolsonaro, em um cenário no qual muitos acreditam que ele possa apoiar Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ou algum membro familiar, como um filho ou a esposa.
O CEO Conference Brasil 2025 retorna nesta quarta-feira (26) com outros nomes importantes.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
O sistema da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (“CBE” ou “DCBE”) já está aberto e o prazo para apresentar a declaração termina no dia 07 de abril de 2025, às 18h00.
Sendo assim, a nossa equipe de Wealth Planning preparou um guia com orientações sobre quem é obrigado a apresentar a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE ou DCBE) em 2025 e como declarar os principais ativos no exterior.
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O que você precisa saber: A disputa entre Executivo e Legislativo sobre o gasto público destaca a importância da colaboração entre ambos. O Ploa 2025 enfrenta limitações, com a maioria das despesas sendo obrigatórias. O Congresso corrige falhas do Executivo, buscando garantir sustentabilidade e equilíbrio. Superar rivalidades é essencial para uma aplicação eficiente dos recursos públicos.
Por senador Angelo Coronel, relator do Orçamento 2025
A disputa entre Executivo e Legislativo sobre quem define melhor o gasto público ignora um fato crucial: ambos os Poderes são técnicos e políticos, mas só juntos garantem equilíbrio.
O Projeto de Lei Orçamentária (Ploa) 2025, enviado pelo governo com premissas de crescimento de 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação de 3,3%, já nasce engessado: 92,2% das despesas são obrigatórias, deixando míseros 7,8% (R$ 230 bilhões) para decisões discricionárias. O Executivo, ao alegar supremacia técnica, esquece que seu próprio projeto é amplamente contestado por órgãos federais, que imploram ajustes a este relator. Se a proposta fosse imune a falhas, por que tanta pressão por revisões?
O próprio Executivo, ao enviar o Ploa, subestimou riscos. O salário mínimo projetado ignorava estimativas mais realistas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – cada 1 ponto percentual extra custa até R$ 10 bilhões. Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), com dotação de R$ 112,9 bilhões, não cobre o estoque de 431 mil requerimentos pendentes. E o corte de R$ 3 bilhões no Auxílio Gás, dependente de manobra contábil questionável, expõe a fragilidade da proposta original.
O Congresso não é um mero “revisor político”. Com mais de 500 consultores especializados – muitos ex-gestores do Executivo –, a Casa analisa cada linha do Orçamento com rigor. Em 2024, a aprovação em tempo recorde do complexo pacote de corte de gastos mostrou essa capacidade técnica: as novas regras protegeram benefícios sociais do crescimento descontrolado e travaram incentivos tributários em caso de déficit. O impacto é claro: sem essas medidas, o teto de gastos para 2025 já estaria comprometido.
Agora, o desafio é aprovar o Orçamento 2025 na Comissão Mista de Orçamento (CMO), que tem até a última terça-feira de março para concluir seu trabalho. Será preciso equilibrar as demandas: de um lado, o mercado desconfia da receita estimada (R$ 2,349 trilhões), acima das projeções do Prisma Fiscal (R$ 2,275 trilhões). De outro, a pressão por investimentos mínimos de 0,6% do PIB (R$ 74,3 bilhões), essenciais para não estrangular o crescimento.
A lição do pacote de corte de gastos é clara: técnica sem política é miopia. O Executivo escolheu prioridades ao enviar o Ploa, mas cabe ao Legislativo corrigir distorções e garantir sustentabilidade.
O Congresso não é um adversário – é um parceiro que ouve prefeitos, governadores e a sociedade. Se o Orçamento fosse apenas uma planilha, não precisaríamos de democracia.
À classe produtiva, que busca previsibilidade e racionalidade na aplicação de recursos públicos, cabe reforçar: a modernidade está em abandonar rivalidades. O Brasil não suporta mais Orçamentos feitos em gabinetes fechados. Técnica e política são faces da mesma moeda – a que paga o preço do futuro.
Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.
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O que você precisa saber: Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central e terá o seu primeiro grande dia. Assim como hoje, Galípolo estará no centro dos holofotes por muito tempo.
Gabriel Galípolo começou 2025 como o novo presidente do Banco Central, e o dia do seu primeiro grande teste no cargo chegou. Será a sua estreia na decisão de juros como líder da autoridade monetária, o que certamente o colocará novamente no centro dos debates econômicos.
Galípolo iniciou sua trajetória no governo Lula como secretário-executivo do Ministério da Fazenda e chamou rapidamente a atenção. Seu desempenho agradou tanto que, em pouco tempo, foi nomeado diretor de política monetária do Banco Central, pavimentando seu caminho para a presidência da instituição.
Apesar de sua boa relação com Lula e o ministro Haddad, sua indicação foi recebida com desconfiança inicial. A principal preocupação girava em torno de como Galípolo atuaria em um Banco Central independente, dado seu vínculo próximo com o Executivo. Esse receio foi amplificado pelas críticas de Lula a Roberto Campos Neto, que mantinha a Selic elevada, e por declarações que sugeriam uma possível interferência na política monetária.
O maior sinal de alerta surgiu em maio, quando a taxa básica de juros foi reduzida de 10,75% para 10,50%. Na ocasião, Galípolo votou por um corte de 0,50 p.p., enquanto Campos Neto preferia uma redução de 0,25 p.p. Essa divergência levantou questionamentos no mercado sobre se, como presidente, Galípolo seria mais flexível em relação à situação fiscal e às metas de inflação, cedendo à pressão política.
No entanto, tanto Galípolo quanto Lula reiteraram que ele teria plena autonomia no cargo. Além disso, nas reuniões subsequentes, ficou claro que suas decisões seguiram critérios técnicos. Apesar da desconfiança inicial, os indicados de Lula na diretoria só divergiram de Campos Neto uma única vez – no episódio mencionado.
A última reunião de 2024 – e também a última de Campos Neto como presidente do BC – resultou em um aumento de 1 ponto percentual nos juros, com previsão de mais dois aumentos da mesma magnitude nas reuniões seguintes. A expectativa é que a taxa de juros alcance 14,25% em março, o que traz um desafio ainda maior para Galípolo. Os juros elevados podem dificultar o crescimento econômico esperado para os próximos anos, aumentando a pressão sobre o governo, especialmente em um cenário que antecipa uma possível corrida pela reeleição de Lula, enquanto o Banco Central tenta conter a inflação que entra em 2025 em alta, após estourar o teto da meta no ano anterior.
Assim, Galípolo assume o comando do Banco Central com o apoio do governo e a promessa de autonomia para conduzir a política monetária. Sua atuação será acompanhada de perto, com a expectativa de que suas decisões sejam sempre baseadas em critérios técnicos.
Explicação da ascensão e queda de Liz Truss como primeira ministra do Reino Unido.
Liz Truss caiu como primeira ministra do Reino Unido devido a uma combinação de fatores políticos, econômicos e de liderança. Aqui estão as principais razões:
Plano Econômico Mal Recebido
Liz Truss e seu então Ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, anunciaram um “mini orçamento” em setembro de 2022 que incluía cortes significativos de impostos, especialmente para os mais ricos, sem apresentar um plano claro de como financiar essas medidas. A proposta gerou forte reação negativa nos mercados financeiros, resultando em uma queda acentuada na libra esterlina e no aumento dos juros dos títulos do governo britânico (Gilts).
Perda de Confiança nos Mercados O plano foi percebido como fiscalmente irresponsável, especialmente em um momento de alta inflação e incertezas econômicas globais. O Banco da Inglaterra foi forçado a intervir para estabilizar o mercado de títulos e proteger fundos de pensão, o que evidenciou ainda mais a falta de confiança no governo de Truss.
Falta de Apoio Político Dentro do Partido Conservador, muitos parlamentares ficaram insatisfeitos com as decisões econômicas de Truss, que contradiziam promessas feitas no manifesto do partido. Sua liderança foi rapidamente enfraquecida, com demissões e renúncias de aliados importantes, incluindo Kwasi Kwarteng, substituído por Jeremy Hunt.
Crise de Liderança Truss foi criticada por sua incapacidade de comunicar e defender sua visão econômica, agravando a percepção de falta de preparo para lidar com as crises. Ela recuou em várias das medidas anunciadas, o que minou ainda mais sua credibilidade como líder.
Instabilidade no Partido Conservador O Partido Conservador estava dividido e sob intensa pressão após anos de instabilidade política, incluindo o mandato de Boris Johnson. A queda de Truss foi vista como uma tentativa do partido de conter os danos antes das próximas eleições gerais.
Resultado:
Liz Truss anunciou sua renúncia em outubro de 2022, após apenas 44 dias no cargo, tornando-se a primeira ministra com o mandato mais curto da história do Reino Unido. Sua queda simbolizou um colapso da confiança em sua liderança e em sua abordagem econômica, deixando uma tarefa difícil para seu sucessor, Rishi Sunak, que herdou uma economia fragilizada e um partido dividido.
22/09/2022. London, United Kingdom. Official Portrait of Prime Minister Liz Truss in No10 Downing Street. Picture by Simon Dawson / No 10 Downing Street
Linha do Tempo da Queda de Liz Truss
6 de setembro de 2022: Posse como primeira ministra Liz Truss é nomeada primeira ministra pelo Rei Charles III após vencer a eleição interna do Partido Conservador, derrotando Rishi Sunak. Promete implementar políticas de cortes de impostos e crescimento econômico, alinhadas à sua visão de “Trussnomics”.
8 de setembro de 2022: Morte da Rainha Elizabeth II Apenas dois dias após a posse, a Rainha Elizabeth II falece, mergulhando o país em luto nacional. As atividades políticas são adiadas, e Liz Truss faz um discurso de homenagem à monarca.
23 de setembro de 2022: Anúncio do “Mini Orçamento” O Ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, apresenta um pacote econômico que inclui: cortes de impostos para os mais ricos, cancelamento do aumento de impostos sobre empresas e isenção do teto para bônus de banqueiros. O plano não inclui previsão de custos nem consulta ao Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR), o que gera incerteza nos mercados financeiros.
26 de setembro de 2022: Crise nos Mercados Financeiros A libra esterlina cai para uma mínima histórica em relação ao dólar. Os juros dos títulos do governo britânico disparam, aumentando os custos de financiamento. Fundos de pensão enfrentam risco de colapso devido à volatilidade nos mercados.
28 de setembro de 2022: Intervenção do Banco da Inglaterra O Banco da Inglaterra intervém no mercado de títulos, comprando Gilts para estabilizar o sistema financeiro. A medida reforça a percepção de que o governo de Truss perdeu o controle da economia.
3 de outubro de 2022: Recuo no Corte de Impostos para os Mais Ricos Liz Truss e Kwasi Kwarteng voltam atrás na proposta de eliminar a alíquota de 45% do imposto de renda para os mais ricos, após forte pressão pública e de parlamentares conservadores. O recuo é visto como uma humilhação para o governo.
14 de outubro de 2022: Demissão de Kwasi Kwarteng Kwasi Kwarteng é demitido como Ministro das Finanças, tornando-se o segundo a ocupar o cargo em menos de um ano. Jeremy Hunt é nomeado para o cargo e rapidamente desfaz a maior parte das políticas econômicas de Truss.
17 de outubro de 2022: Jeremy Hunt Reverte o Mini Orçamento Jeremy Hunt anuncia o cancelamento de quase todas as medidas econômicas propostas no “mini orçamento”, incluindo os cortes de impostos e os subsídios de energia a longo prazo. Truss perde ainda mais credibilidade política, com Hunt assumindo, na prática, o controle da política econômica.
19 de outubro de 2022:Caos no Parlamento Durante uma votação sobre fracking, surgem relatos de que parlamentares conservadores foram coagidos a apoiar o governo. A crise de liderança se aprofunda, com críticas à gestão de Truss.
20 de outubro de 2022: Renúncia Após apenas 44 dias no cargo, Liz Truss anuncia sua renúncia como primeira ministra, tornando-se a chefe de governo com o mandato mais curto da história do Reino Unido.
25 de outubro de 2022: Rishi Sunak Assume o Cargo Rishi Sunak é eleito líder do Partido Conservador e se torna o novo primeiro-ministro do Reino Unido.
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Este é um conteúdo Portofino Multi Family Office e não possui nenhuma intenção política ou partidária.
O que você precisa saber Gilberto Kassab comentou sobre o cenário para as eleições de 2026 e também analisou o momento de sucessão no Congresso.
Por Esfera Brasil
Em nosso encontro com empresários na terça-feira, 19, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, voltou sua fala principal ao governador Tarcísio de Freitas, a quem rasgou elogios. Kassab, que tem em seu currículo posições como prefeito de São Paulo e ministro de Estado, afirmou com veemência que “Tarcísio vai se eleger [presidente do Brasil] em 2030”. “E eu não vejo adversário”, acrescentou.
Líder do partido que mais fez prefeitos em 2024, Kassab é um notório cacique da política brasileira. Por seu conhecimento, recebeu perguntas sobre possíveis candidatos diante do cenário ainda nebuloso que se desenha para 2026. Na opinião dele, Tarcísio pode, mas não deve se lançar candidato à Presidência ainda — mesmo diante das incertezas de Lula.
“Ele tem uma pedrinha no caminho chamada ‘Bolsonaro’. Bolsonaro já avisou, nas entrevistas que ele dá, que é candidato de qualquer jeito e que o problema do Tarcísio é São Paulo”, disse. “Tarcísio, para ser candidato, precisa renunciar daqui a um ano. Como ele vai anunciar que vai renunciar com essa postura do Bolsonaro?”, complementou com uma pergunta.
Ainda sobre 2026, Kassab afirmou que, caso Lula e Tarcísio sejam os nomes do pleito, é possível que o PSD não apoie nenhum dos dois e lance um terceiro candidato. “O objetivo do PSD sempre será ter candidato próprio”.
Sucessão no Congresso
O presidente do PSD não vê Lula desgastado no Congresso, pelo contrário: acredita que a escolha de Hugo Motta como principal candidato à sucessão de Arthur Lira na presidência da Câmara só aconteceu porque houve o apoio de Lula.
“Quem está fazendo o Hugo Motta é o Lula. Porque, se Lula apoiasse Elmar [Nascimento], Elmar estaria eleito. Se Lula apoiasse Antonio Brito, Antonio Brito estaria eleito. Então Hugo Motta, com certeza, não vai criar nenhum problema para Lula”, avaliou. Quanto à sucessão no Senado, que tem Davi Alcolumbre como principal nome, Kassab acredita que também há a interferência de Lula, mesmo que, nesse caso, a estratégia tenha sido não fortalecer qualquer alternativa a Alcolumbre.
Na opinião de Kassab, Lula ainda tem força e pode ser reeleito em 2026 — mas isso dependeria de ajustes na economia. “Lula vai ter que definir agora qual é a dele, qual é o caminho dele. É o populismo, é o gasto, ou ele vai querer um país com equilíbrio fiscal e vai se dirigir mais ao centro?”, indagou. “E se ele fizer um pacote razoável — eu torço para que faça —, sinalizando para o equilíbrio fiscal, eu acredito que ele não vai ter problemas no Congresso”.
Segundo declaração dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na segunda-feira, 18, o tão aguardado pacote de cortes de gastos do governo está definido, mas seu anúncio ainda depende de retorno do Ministério da Defesa. Especialistas estimam que o pacote pode chegar a um valor entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões nos orçamentos de 2025 e 2026.
Governador?
Quando questionado se tentaria ser governador de São Paulo, cadeira hoje ocupada por Tarcísio, Kassab respondeu que acha ter preparo para o cargo. “Eu gostaria, sim, de ter essa oportunidade, seria o coroamento de uma carreira. Mas é uma vontade que não pode ser traduzida numa obstinação”, relatou.
Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.
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