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Imigração, tarifas, diplomacia: um mês da volta de Donald Trump

Imigração, tarifas, diplomacia: um mês da volta de Donald Trump

por danielbarbuglio | 20 fev 2025 | Investimentos Internacionais, Family Office, Wealth management

(Tempo de leitura: 8 minutos)

O que você precisa saber:
O primeiro mês do segundo governo Trump trouxe à tona promessas de campanha como deportações em massa e a imposição de tarifas comerciais, que geraram repercussões internacionais e tensões diplomáticas. No Oriente Médio e no leste europeu, Trump busca acordos de paz, embora suas negociações levantem preocupações.


Assim como no começo de um livro, onde o primeiro capítulo define o tom e o ritmo da narrativa, o primeiro mês do segundo governo Trump dá os primeiros sinais sobre como será este novo mandato. As promessas de campanha, que antes soavam como ideias ainda em rascunho, agora ganham contornos mais definidos, revelando as direções que o governo pretende tomar em temas centrais como economia, imigração e relações internacionais.

Política de imigração

O primeiro plano que Donald Trump colocou em ação foi de deportação em massa dos imigrantes ilegais. A medida não repercutiu apenas nos Estados Unidos, mas em vários outros países, inclusive o Brasil. O processo gerou um desconforto diplomático entre os dois países quando os brasileiros que retornavam criticaram as condições em que foram transportados de volta.

O desconforto não foi apenas com o Brasil. A nossa vizinha Colômbia e uma das principais parceiras dos Estados Unidos na região também mostrou descontentamento com a forma que estava sendo conduzida a deportação de seus cidadãos. O rápido imbróglio foi o suficiente para que Trump colocasse outra carta na mesa: as tarifas.

Tarifas

Entretanto, ali era o início do próximo grande passo do governo americano. Dias após, Trump anunciou tarifas de 25% para produtos do México e Canadá, além da taxação de 10% sobre os produtos chineses importados para os EUA. Em resposta, a China impôs tarifas de 10% e 15% sobre importações dos Estados Unidos, medida que pode afetar cerca de US$ 14 bilhões em produtos.

Apesar da imposição das tarifas, os países fronteiriços viram o congelamento da medida por um mês, após os governos anunciarem reforços nas fronteiras. O presidente americano havia dito que usaria as tarifas para pressionar os vizinhos a reforçarem suas políticas para controlar o fluxo de drogas aos EUA, principalmente o fentanil, a droga que mais mata no país, e a entrada de imigrantes ilegais.

O tarifaço também chegou ao Brasil, com as medidas sobre a importação de aço e alumínio em 25%. Os EUA, segundo dados da Comexstat, compram quase a metade do aço que produzimos, cerca de 48%, e com as novas tarifas é possível que os americanos comprem menos. Com isso, Trump espera fortalecer o setor metalúrgico interno do país, fazendo com que a indústria compre mais metais produzidos em solo americano em vez de importar.

E as medidas não param por aí. Trump ainda anunciou uma série de tarifas recíprocas, para países que impõem impostos sobre importações americanas e que são consideradas “injustas” por ele. E novamente o Brasil foi citado, dessa vez com o etanol. Segundo o presidente americano, as taxas dos EUA sobre o etanol são de 2,5%, enquanto o Brasil impõe uma tarifa de 18%. As novas regras não entraram em vigor imediatamente, buscando dar tempo aos países que devem ser impactados negociar novos termos comerciais com o governo americano, afirmou um funcionário da Casa Branca.

Guerra no Oriente Médio e leste europeu

O primeiro mês também marcou o envolvimento americano nas guerras do Oriente Médio e do Leste Europeu. Em relação à primeira, o governo Trump começou estabelecendo um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas – entretanto, o governo Biden reivindica para si as negociações que levaram a esse acordo. Esse cessar-fogo já resultou na troca de reféns entre os envolvidos, mas, nos últimos dias, o presidente subiu o tom do discurso após o Hamas atrasar a troca de reféns, além de ter dado declarações em que propôs a expulsão dos palestinos da Faixa de Gaza e dizer que vê os EUA tendo uma “posição de propriedade de longo prazo” no território. 

No leste europeu, a promessa de acabar com a guerra em 24 horas depois de eleito foi por água abaixo. Mas, nas últimas semanas, o presidente americano se movimentou para começar a traçar os caminhos que podem levar ao fim desse conflito. Trump falou com os presidentes da Rússia e da Ucrânia e representantes do seu governo se reuniram com representantes russos na Arábia Saudita, onde concordaram em iniciar o trabalho para a paz. 

Contudo, as negociações estão levantando receios quanto ao poder e participação da Ucrânia no acordo, assim como de todo o continente europeu. A fala de Trump que “é improvável a Ucrânia ter suas terras de volta” e o descarte da entrada do país na Otan levou preocupação ao Ocidente. Além disso, Trump fez uma publicação em sua rede social, Truth Social, chamando o líder ucraniano de ditador e o alertando a “se apressar” ou ficará “sem país”.

Inflação, juros, economia

O principal receio das medidas é um possível impacto inflacionário, o que pode manter as taxas de juros dos Estados Unidos elevadas por mais tempo. O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que não vê necessidade de acelerar cortes de juros, citando a força da economia. 

Na ata da última reunião, realizada em 28 e 29 de janeiro, na qual a taxa de juros se manteve entre 4,25% a 4,50%, membros do comitê demonstraram preocupação com os efeitos das tarifas e da repressão à imigração na inflação, no mercado de trabalho e no crescimento econômico. No documento, “os participantes indicaram que, desde que a economia permanecesse perto do emprego máximo, eles gostariam de ver mais progresso na inflação antes de fazer ajustes adicionais na taxa de juros”.

Em janeiro, o índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA registrou alta de 0,5%, acumulando inflação de 3% nos últimos 12 meses, superando as previsões do mercado de 0,3% no mês e 2,9% no ano. O núcleo do CPI, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, subiu 0,4% no mês e 3,3% em um ano.

Com tudo isso apenas no primeiro mês, o que está claro é que o segundo governo Trump deverá ser intenso, repleto de tensões e impactos que suas decisões poderão gerar, tanto no cenário doméstico quanto internacional.

Nos EUA, mercado aposta que boa parte do discurso de Trump é bravata e que bom senso prevalecerá

Nos EUA, mercado aposta que boa parte do discurso de Trump é bravata e que bom senso prevalecerá

por danielbarbuglio | 6 fev 2025 | Investimentos Internacionais, Family Office, Mídia, Wealth management

Miriam Leitão – O Globo

Leia a matéria completa, direto no O Globo, clicando aqui.

O presidente Donald Trump está surpreendendo a todos com a velocidade e a agressividade das medidas que vem anunciando nas suas duas primeiras semanas de governo, levando analistas a preverem inflação e juros mais altos nos EUA e uma desaceleração da economia mundial diante de uma possível guerra comercial global. O mercado americano, no entanto, continua confiante no novo governo e nos efeitos positivos que pode ter sobre a economia americana. E a razão é simples: eles acreditam que muito do que Trump fala é bravata e que, no fim, o bom senso vai prevalecer, diz Adriano Cantreva, sócio da Portofino Multi Family Office, que atua em Nova York, de onde há mais de 30 anos acompanha os movimentos do mercado global.

-É a estratégia negocial de Trump, ele vai com tudo ou não vai ter o efeito que deseja. Alguma coisa do que vem ameaçando, por exemplo, em relação às tarifas, será implementada. Mas ele sabe que, se fizer tudo como anunciou, vai ter efeito na economia americana, piora nos indicadores, no desemprego e ele não quer isso. Todos os países estão jogando xadrez, aguardando o movimento do outro, foi assim com Canadá e México e também está acontecendo com a China. Radicalizar e derrubar o tabuleiro não é bom para ninguém, por isso acho que o bom senso vai prevalecer. Ele radicaliza mais no discurso que, na prática, foi assim no primeiro governo, e será assim nos próximos quatro anos – avalia Cantreva.

A visão otimista do mercado, explica o analista, vem da perspectiva de desregulamentação da economia, o que acredita aumentará os investimentos privados:

-A economia americana vai bem, mas muito estimulada pelo investimento público, desde a pandemia. Com a desregulamentação prometida por Trump, em setores como energia, meio ambiente e no órgão correspondente ao Cade brasileiro, a avaliação é que haverá mais movimentação do capital privado, empurrando os negócios para frente. Todo esse movimento só terá reflexo no segundo semestre. Até aqui, o governo tem feito movimentos em direções conflitantes, não se sabe ao certo qual vai prevalecer, mas acreditamos que, se der errado, ele vai dar um passo atrás.

Cantreva diz que a economia americana continua a ser a “grande locomotiva do mundo”, ainda mais diante do arrefecimento do mercado na China, o que dá força a Trump na negociação.

-Ele tem as cartas na mão. Canadá e México podem até procurar outros parceiros, mas nenhum oferece o que os EUA podem dar. E no fim, acaba saindo barato o acordo feito até agora para eles. Em lugar da tarifa, o governo mexicano vai colocar dez mil homens da guarda nacional na fronteira. A ação do governo canadense vai custar US$ 1,3 bi.

Donald Trump toma posse: uma presidência cheia de promessas e estratégias ousadas

Donald Trump toma posse: uma presidência cheia de promessas e estratégias ousadas

por danielbarbuglio | 21 jan 2025 | Investimentos Internacionais, Family Office, Wealth management

(Tempo de leitura: 9 minutos)

O que você precisa saber:
Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos e, em pouco tempo, já tomou medidas nos principais temas que o ajudaram a conseguir a vitória.


A posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos marca o início de uma administração que se propõe a romper paradigmas e redefinir prioridades nacionais e internacionais. Com uma abordagem direta e assertiva, Trump apresenta-se como um líder disposto a enfrentar desafios globais e domésticos com ações rápidas e, muitas vezes, inesperadas. Desde antes de sua posse, suas declarações e iniciativas já sinalizavam mudanças significativas, refletindo uma estratégia de liderança que combina pragmatismo e imprevisibilidade.

Trump tem demonstrado um esforço constante para se conectar aos pontos mais relevantes e sensíveis da agenda global, como a paz no Oriente Médio, o fim do conflito na Ucrânia, a crise energética, as tensões comerciais com a China e até questões sociais polêmicas como a identidade de gênero. Essa postura, embora controversa, consolida sua influência em temas centrais para a política internacional e reafirma seu compromisso em ser uma figura de protagonismo global.

A diplomacia no Oriente Médio: um gesto ousado
Uma das primeiras movimentações de Trump foi enviar Steve Witkoff, um representante judeu e aliado de longa data, para intermediar conversas entre Israel e o Hamas. Witkoff, conhecido por sua atuação no setor imobiliário, reuniu-se com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e outras lideranças regionais. Seu papel foi essencial para mediar acordos preliminares, ainda que envoltos em controvérsias sobre a escolha de um enviado sem experiência diplomática formal. Essa estratégia reflete a abordagem de Trump de confiar em pessoas de sua rede pessoal para tarefas de alta relevância.

Como resultado, foi acordado um cessar-fogo na região de Gaza, no qual o Hamas seu comprometeu com a liberdade dos reféns e Israel em soltar palestinos presos e recuar em Gaza. Apesar da notícia positiva, há um disputa política por trás em relação a esse acordo nos Estados Unidos: foram os esforços diplomáticos de Trump ou de Biden ao longo dos meses que resultaram nessa solução? Cada um tenta reivindicar para si o sucesso nas negociações.

Ucrânia e Rússia: uma promessa de paz
Trump também sinalizou intenções ousadas no conflito entre Ucrânia e Rússia, prometendo acabar com a guerra em um curto espaço de tempo. Segundo o presidente, sua abordagem direta e assertiva seria capaz de levar as partes ao diálogo e evitar uma escalada que poderia culminar em uma terceira guerra mundial. Embora suas declarações atraiam atenção, críticos questionam a viabilidade de sua promessa e o impacto que ela pode ter na já delicada relação dos Estados Unidos com a OTAN e outros aliados.

Os presidentes Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, da Rússia e Ucrânia, respectivamente, parabenizaram Trump e se manifestaram sobre possíveis resoluções para o conflito. Putin afirmou que está “aberto ao diálogo” para alcançar a “paz duradoura” com a Ucrânia, enquanto Zelensky postou na rede social X que a a administração Trump representa uma oportunidade de alcançar uma paz justa no país.

Questão de gênero: um discurso polêmico
Em seu discurso de posse, Trump abordou a questão de gênero de maneira direta e controversa, afirmando: “Agora só existem dois gêneros: masculino e feminino.” Essa declaração reflete uma postura alinhada com setores conservadores de sua base de apoio e aponta para possíveis mudanças em políticas federais relacionadas a direitos LGBTQIA+. Enquanto aliados aplaudem a posição como um retorno a valores tradicionais, críticos destacam o impacto potencialmente excludente e os desafios que essa visão pode trazer em um contexto social mais amplo e diversificado.

Imigração: enfrentando cidades-santuário
No campo da imigração, Trump planeja iniciar a deportação de imigrantes em cidades-santuário como San Diego e Chicago, o que já está gerando um confronto antecipado com lideranças locais. As cidades-santuário, conhecidas por oferecerem proteção a imigrantes indocumentados, preparam-se para enfrentar uma pressão sem precedentes do governo federal. Prefeitos e governadores dessas regiões já sinalizaram resistência às medidas, antecipando batalhas legais e políticas nos próximos meses.

Minutos após a posse, o republicano não demorou para tomar as primeiras medidas no âmbito da imigração. O presidente declarou emergência nacional na fronteira com o México e revogou o direito de cidadania automática para filhos de imigrantes ilegais.

Economia e tecnologia: decisões adiadas e lançamentos polêmicos
Trump optou por adiar a imposição de novas tarifas sobre produtos chineses e solicitou estudos mais detalhados sobre os impactos econômicos dessas medidas. Segundo ele, é necessário evitar decisões precipitadas que possam prejudicar tanto o comércio internacional quanto a economia doméstica. Essa abordagem demonstra certa cautela em relação à China, mesmo após críticas feitas durante sua campanha. A decisão de adiar as tarifas também foi vista como um esforço para manter a estabilidade econômica enquanto sua administração assume o controle das políticas comerciais.

Por outro lado, sua administração adiou também a definição sobre o futuro do TikTok nos Estados Unidos, um tema que continua sendo observado de perto pelo setor de tecnologia.

Ademais, tanto Trump quanto sua esposa, Melania Trump, lançaram criptomoedas que rapidamente atraíram atenção no mercado financeiro. A criptomoeda $TRUMP, associada à figura do presidente, foi projetada para promover a ideia de liberdade financeira e expressão. Melania, por sua vez, apresentou a $MELANIA, que ganhou destaque como um ativo digital relacionado a causas sociais. Ambas as moedas geraram debates sobre seus objetivos e possíveis conflitos de interesse, mas também ilustram o impacto de suas marcas pessoais no mercado global.

Energia: ordens executivas e emergência nacional
No setor de energia, Trump assinou um ato que declara emergência energética nacional, destacando a necessidade de reduzir a dependência de recursos estrangeiros e impulsionar a produção doméstica de combustíveis fósseis. A medida também prevê investimentos na modernização de infraestruturas críticas, como redes elétricas e oleodutos, com o objetivo de garantir maior segurança e eficiência no abastecimento. Além disso, a flexibilização de regulações ambientais foi enfatizada como uma estratégia para atrair investimentos no setor de energia e criar empregos. Enquanto apoiadores elogiam as ações como necessárias para a independência energética dos Estados Unidos, críticos apontam os potenciais danos ao meio ambiente e o retrocesso nas metas de sustentabilidade.

Do discurso à prática: o desafio presidencial
O fim do discurso como candidato e o início do mandato como presidente trazem um novo foco à liderança de Donald Trump. Suas ações iniciais revelam o tom que deve marcar sua administração: direta, polêmica e orientada para resultados rápidos. Resta observar como essas iniciativas se desdobrarão e quais impactos trarão às dinâmicas internas e externas dos Estados Unidos.

Donald Trump utiliza a imprevisibilidade como uma de suas principais estratégias de liderança. Quando afirma que fará algo, muitas vezes não faz; quando garante que não tomará uma decisão, surpreendentemente a executa. Essa abordagem confunde adversários e aliados, ao mesmo tempo em que reforça sua mensagem de poder e controle. Ao desnortear seus críticos e mostrar quem realmente dá as cartas, Trump estabelece uma narrativa de comando absoluto que desafia convenções políticas tradicionais.

Análise dos mercados internacionais em 2025

Análise dos mercados internacionais em 2025

por danielbarbuglio | 15 jan 2025 | Investimentos Internacionais, Family Office

(Tempo de leitura: 1 minuto)

O nosso sócio e responsável pelas operações internacionais, Adriano Cantreva, participou ao vivo do CNN Money para falar sobre o cenário global.

Confira no vídeo abaixo a sua análise sobre a inflação americana, taxa de juros, o governo Trump e outros assuntos que impactam a economia internacional.

E, neste link, você confere o programa na íntegra.

Vitória no voto popular e na Câmara pode levar Trump a um governo mais radical, na visão de analista

Vitória no voto popular e na Câmara pode levar Trump a um governo mais radical, na visão de analista

por danielbarbuglio | 6 nov 2024 | Investimentos Internacionais, Análise de Mercado, Family Office, Wealth management

Miriam Leitão – O Globo

Leia a matéria completa, direto no O Globo, clicando aqui.

Donald Trump venceu no voto popular e ainda tem a chance de pintar a Câmara com vermelho republicado, além de ter mantido a maioria do Senado. A vitória em proporções bem maiores do que havia sido estimada pelas pesquisas pode levar Trump a implementar mudanças mais contundentes neste mandato do que no anterior, avalia o economista Adriano Cantreva, sócio da Portofino Multi Family Office.

– Ao que tudo indica, é uma vitória bastante forte, ele ganhou no número de votos, os republicanos mantiveram o Senado e tem chance de ganhar a Câmara também. Acredito que, com esse cenário, ele vai ser bem mais enfático, que esse próximo governo vai ser muito mais transformador do que foi aquele do passado. Nos próximos quatro anos, vai ter mais coisa acontecendo, as mudanças podem ser muito mais profundas do que se imagina. A tendência de protecionista, nacionalista pode ter uma intensidade maior do que se esperava – analisa Cantreva, que passou boa parte da manhã reunido com clientes em seu escritório em Nova York.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Sun Research, ainda é cedo para dizer se Trump será mais radical. Mas afirma que se confirmando a maioria republicana na Câmara, haverá, sem dúvida, mais facilidade em aprovação de propostas do governo Trump:

– As projeções eleitorais mostram que o Congresso deve ter maioria republicana, tanto no Senado quanto na Câmara e isso pode facilitar a aprovação da agenda política e econômica do Partido Republicano e os desejos de Donald Trump. Precisamos entender qual vai ser a força dos democratas, como os republicanos vão votar para essa agenda econômica de Trump. Há muita coisa ainda para entender como que vai ser essa relação entre Executivo e Legislativo, mas haverá mais facilidade na aprovação de algumas medidas do que projetado anteriormente.

Sung pontua que um ponto que merece atenção é a trajetória em ascensão da dívida pública americana:

– Independentemente do candidato que vencesse, a dívida pública dos Estados Unidos continuaria subindo. Trump sinalizou na campanha que ele deseja cortar impostos para as empresas e alguns setores. Ele vai renovar os cortes de impostos realizados em 2017, que vencem em 2025, o que vai levar a uma perda de arrecadação, que não será compensada pelo aumento da alíquota de importação de bens que ele deseja. Portanto, a dívida pública vai continuar subindo. Agências de rating já sinalizaram que há uma piora, uma deterioração das contas públicas americanas. E o segundo ponto, que era menos previsível, é que a gente acreditava que teríamos um Congresso dividido.

Trump eleito: quais os reflexos da eleição americana para os mercados

Trump eleito: quais os reflexos da eleição americana para os mercados

por danielbarbuglio | 6 nov 2024 | Investimentos Internacionais, Análise de Mercado, Family Office, Wealth management

(tempo de leitura 4 minutos)

O que você precisa saber
Donald Trump superou Kamala Harris e será novamente presidente dos Estados Unidos. Além disso, o partido republicano levou vantagem no Senado e na Câmara.


Vitória acachapante e inquestionável de Donald Trump. Talvez menos pelo resultado em si, mas certamente pela diferença de votos para Kamala Harris e pelas vitórias nos estados “pêndulo”, como Pensilvânia e Carolina do Norte (swing states). Tudo indica que os Republicanos conquistarão não somente a Presidência e o Senado, mas também a Câmara dos Deputados, ainda em apuração.

A reação dos mercados confirmou nossas expectativas para um “Red Sweep”. O dólar abriu o dia se valorizando contra todas as moedas, o S&P subindo fortemente e, em contrapartida, os juros americanos ajustaram suas taxas para cima.

O racional do mercado está na inferência de que, com a maioria no Congresso, o presidente Trump terá força para aprovar medidas na direção de uma menor regulação dos mercados, potencial corte de impostos para as empresas e aumento de tarifas de importação que protejam a indústria local.

Em contrapartida, medidas nessa direção deterioram ainda mais um já preocupante déficit fiscal, deterioração esta que viria acompanhada de nova pressão inflacionária.

É cedo para avaliar a distância entre as intenções e a execução de fato, mas, em linhas gerais, espera-se um governo ainda mais protecionista, fortalecendo o tema da campanha: Make America Great Again!

A reação dos mercados locais foi menos intensa quando comparada aos nossos pares. O real, por exemplo, é uma das moedas menos pressionadas, quando comparada, por exemplo, ao peso mexicano, chileno e mesmo ao euro.

Na renda fixa, os juros longos tiveram um ajuste também menor do que o esperado, sendo que nossa curva futura abre entre 10 a 15 bps. Parte da explicação desta reação mais branda passa pela expectativa, ainda nesta semana, de um novo pacote fiscal que enderece o crescimento dos gastos públicos.

Iniciativas como um novo pente-fino no Bolsa Família e endurecimento das regras para o BPC são ventiladas, mas ainda hoje se tem pouca visibilidade quanto aos detalhes do pacote, o que de certa forma impõe, por um lado, algum risco de decepção por parte do mercado, caso as proposições não atendam às expectativas de economia, que hoje giram entre R$ 30 e 50 bilhões. Por outro lado, aumenta-se a pressão sobre o Executivo para uma célere articulação com o Congresso na direção da aprovação das medidas em tempo e escopo que agradem ao mercado.

Nossa bolsa teve reação mais negativa, principalmente pelo peso maior de setores sensíveis ao aumento de juros, ao câmbio e ao impacto de medidas tarifárias prometidas por Trump, como commodities e bancos.

Mercados às 12h – 06/11/24
S&P500 +1,63%
Ibovespa -1,07*
Real 5,78 -0,39%
Pré Jan27 13,11% +13,2 bps

Confira também a repercussão da eleição americana nos principais veículos de mídia, ao longo das últimas semanas, com a análise do nosso sócio e responsável pelas operações internacionais, Adriano Cantreva.

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Eduardo Castro é Chief Investment Officer na Portofino Multi Family Office. É Engenheiro Eletrônico formado pela USP com pós em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e MBA pela Business School São Paulo, além de possuir formação em Sustainable Business Strategy por Harvard e Finanças Comportamentais na Universidade de Chicago.

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