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Causa e Efeito | 19.03.2022

Causa e Efeito | 19.03.2022

por danielbarbuglio | 19 mar 2022 | Causa e Efeito, Análise de Mercado, Multi Family Office, Wealth management

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Tempo do áudio e leitura: 5 mins

Família Portofino,

Nessa última semana, tivemos o que se convencionou chamar “super quarta”. No mesmo momento, os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos deliberaram sobre suas respectivas decisões de política monetária. Por aqui, nosso banco central deu seguimento à sua estratégia de elevação de juros, adicionando mais 1% à taxa SELIC, hoje em 11,75%. Nos Estados Unidos, o FED finalmente iniciou o processo de ajuste dos juros básicos da economia americana promovendo a primeira elevação de 0,25%.

O ritual de divulgação das decisões de política monetária por parte dos bancos centrais habitualmente inclui um comunicado que qualifica a ação tomada. A decisão, é obviamente importante, mas também faz parte da estratégia, atuar sobre as expectativas e antecipar, quando necessário, o plano de voo das futuras ações (forward guidance). Em determinados momentos, essa comunicação pós-reunião se torna mais relevante quando comparada a decisão em si. E dessa vez, foi exatamente o que aconteceu em ambos os casos.

Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos)

A decisão de elevar os juros americanos em 0,25% era francamente esperada por parte do mercado. A surpresa veio no aviso de que o FED, mantido o atual ambiente inflacionário, pretende elevar os juros nas próximas 6 reuniões deste ano e em pelo menos 3 em 2023. Mantendo o passo de 0,25%, estima-se que a taxa de juros no final do ciclo esteja em pelo menos 2,80%.

Nesse ambiente de preços de commodities sob pressão e, no caso dos Estados Unidos, de um mercado de trabalho extremamente apertado, há incertezas que certamente manterão a volatilidade dos mercados em um nível elevado. Os riscos dos juros americanos ainda permanecem assimétricos para cima. Não há que se descartar a alteração da estratégia para um passo de aumentos maior, 0,50%, e a necessidade de se interromper o ciclo bem acima de 3%. A mensagem teve um tom mais preocupado com a clara intenção de deixar os agentes de mercado preparados para mais juros e não o contrário.

Leia mais: Conflitos em empresas familiares: Saiba quais são os tipos mais comuns e a melhor forma para resolvê-los

Do lado de cá, a mensagem do nosso banco central foi percebida como mais otimista. Ratificada a esperada decisão de se elevar a SELIC em adicional 1%, o comunicado introduziu um cenário alternativo de que, mantido o preço do petróleo em torno dos US$ 100 ao longo desse ano, a estimativa da inflação para 2023 ficaria próxima de 3,1%, abaixo, portanto da meta de 3,5%. Isto posto, a elevação da SELIC para 12,75% seria suficiente para se concluir o ciclo de altas.

Trabalhamos com a inflação doméstica permanecendo pressionada, mas não o suficiente para alterar significativamente o plano do Banco Central do Brasil. Independentemente da necessidade de mais um aumento de 1%, é razoável inferir que o ciclo de altas de juros no Brasil se encerre, no máximo, nas próximas duas reuniões. Por aqui a mensagem surpreendeu positivamente os mercados.

Como se não bastasse o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e todas suas consequências econômicas que discorremos em edições anteriores desta carta, temos hoje o principal banco central do mundo ajustando as expectativas do mercado para um ambiente ainda bastante desafiador. Concomitantemente, o Banco Central do Brasil se mostra mais positivo com o trabalho feito até agora, introduzindo um risco de cauda mais positivo para o cenário na totalidade.

E é nessa complexidade que navegamos e ajustamos as posições das nossas carteiras. Há algumas semanas, tomamos a decisão de aumentar nossa exposição na classe de multimercados.  Essa decisão tem se mostrado acertada, dado que, até o dia 17/03, o nosso veículo exclusivo de alocação sobe 4,72% no ano contra um CDI de 1,98%.  Essa decisão se pautou na observação de que alguns gestores se destacam justamente em anos de maiores incertezas políticas ou econômicas. Em outras palavras, tiram proveito justamente do aumento da volatilidade dos mercados.

Adicionalmente, o nosso veículo de alocação em fundos multimercados investe em vários produtos de distribuição restrita, produtos estes que não estão disponíveis nas plataformas de varejo. Como exemplo podemos citar o SPX RAPTOR, CAPSTONE e KAPITALO ZETA. Nessa linha de exclusividade, mais recentemente conseguimos espaço no fundo alavancado da Ace Capital. Pouquíssimos players de mercado têm acesso a este fundo. Aqui combinamos a decisão correta de mercado com a implementação mais eficiente, exclusiva e de menor custo.

Cada detalhe importa.

Um ótimo final de semana para você e sua família.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Esfera BR | Camilo Santana e Gilberto Kassab

Esfera BR | Camilo Santana e Gilberto Kassab

por danielbarbuglio | 15 mar 2022 | Multi Family Office

Família Portofino,

Ontem, na segunda-feira, 14 de março, participamos de um jantar da Esfera Brasil com Camilo Santana, Governador do Ceará pelo partido do PT, e Gilberto Kassab, do PSD.

Camilo Santana

A trajetória de Camilo é dedicada ao Ceará. Em 2010, foi eleito como deputado estadual, em 2015 como governador e depois reeleito em 2018 com 80% dos votos no primeiro turno.

Um país mais unido

Santana conta que, quando eleito, virou governador de todos os cearenses, não apenas daqueles que votaram nele. Foi com este pensamento que conseguiu superar os desafios e afirmou acreditar no diálogo como o melhor caminho para a transformação do país.

No campo do diálogo, o qual mencionou inúmeras vezes, apresentou esta ferramenta como um dos seus pontos de maior atenção. Camilo utilizou como exemplo o fato de nunca ter visitado um município sem chamar o prefeito do local, mesmo que seus ideais não sejam convergentes, pois ele sempre está em busca do diálogo.

Além disso, o governador também ressaltou seus feitos enquanto à frente do estado cearense. Ele explicou que seu governo é responsável por uma série de reformas na previdência e uma revisão do teto de gastos para alcançar o equilíbrio fiscal. Estes projetos contribuíram para que ele conquistasse nota 10 em transparência por 5 anos pela CGU (Controladoria Geral da União) e mantivesse o crescimento do PIB do estado em 2021, acima do PIB Brasil.

“O Brasil perdeu a cultura de planejar”.

Durante o jantar, Santana expôs sua opinião em que diz que “o Brasil perdeu a cultura de planejar” e contou sobre seu projeto desenvolvido com visão para 2050, citando o setor de educação como exemplo. 

Em 2007, conforme mencionou o governador, o Ceará tinha um dos piores indicadores de educação do Brasil, mas com um quadro que evoluiu muito com aplicação do sistema de meritocracia, premiações e melhor distribuição de verba, olhando não apenas para o ensino fundamental, mas para toda a cadeia, ensino médio e superior. Com isso, o jogo virou. O estado recebeu o melhor índice de educação no ensino fundamental das últimas séries e 4° melhor no ensino médio.

Além disso, conta que, nos últimos 7 anos, o Ceará foi o estado que mais investiu de forma proporcional o seu orçamento, cobrindo os principais setores do estado.

Confira: Você sabe como funciona a doação de bens em vida? Veja o que é e como funciona essa modalidade

Trinca de hubs em Fortaleza

Falando sobre a capital do estado, a trinca de hubs desenvolvida para fortalecer Fortaleza também foi tema de debate. Santana explicou que na área do setor aéreo, ele percebeu que as cidades mais ricas do mundo têm algo em comum: todas têm um hub aéreo. Ou seja, um aeroporto que distribui voos para diversas localidades do mundo.

Dessa forma, Santana contou que o aeroporto da capital, o qual é administrado pela empresa alemã Fraport, aumentou de oito para 48 voos internacionais, com destinos para diferentes locais, como Paris, Lisboa, Amsterdã, entre outros.

No setor portuário, o governador exaltou que o Ceará possui a maior e mais moderna ZPE (Zona de Processamento de Exportação) em funcionamento no Brasil. Ele ainda destacou a parceria com coreanos e com o porto de Rotterdam, o maior da Europa.

Ainda no âmbito das hubs, mas agora no setor tecnológico, o governador falou sobre a rede de fibra óptica do estado, destacando que é totalmente pública. Ademais, falou também sobre o volume de startups e data centers, além dos investimentos em hidrogênio verde.

Pandemia

Em outro momento do jantar, como não podia ser diferente, Santana abordou como lidou com a situação da pandemia em seu estado. Ele explicou que criou um comitê com vários setores e participou de mais de 80 reuniões com cientistas para ouvir e achar uma solução para o problema.

Além disso, ele criticou a postura do Presidente da República durante a pandemia de coronavírus. “Com todo o respeito ao governo atual, faltou uma união federal nesta crise. Os governadores tiveram que assumir um papel que era do presidente na pandemia. Foram mais de 650 mil vidas perdidas”, criticou Santana.

Governo Bolsonaro

Outro tema que não poderia passar batido, ainda mais se tratando de ano de eleição, é o governo do presidente Jair Bolsonaro. Sobre este tema, Camilo Santana foi direto ao afirmar que o maior erro de Bolsonaro tem sido a falta de diálogo, citando como exemplo o atrito que tem com os governadores.

O político falou sobre a questão dos preços da gasolina, que Bolsonaro disse que os preços dos combustíveis estão altos por culpa dos governadores devido ao valor do ICMS. Santana rebateu tal acusação dizendo que o ICMS está com o preço da bomba de setembro congelado. Ele ainda ponderou que acha o valor do imposto alto, contudo ressaltou que o diálogo seria o melhor caminho para tentar achar uma solução. 

Na esteira da questão do ICMS, o governador disse que o Brasil é um país só. Portanto, ele defende o imposto igual para todos os estados e, inclusive, uma discussão ampla de reforma tributária e administrativa, explicando que há muita tributação diferente por estado. Para encerrar este assunto, ele questionou que os estados que não são bons pagadores têm que receber alguma punição, pois, dessa forma, praticamente estimula os estados a não pagarem suas contas. “Nós vemos pelo RS, que está com uma dívida absurda e acaba tendo descontos. Enquanto isso, o Ceará paga direito e não tem benefícios”, comentou Santana.

Eleições 2022

Em mais uma tema que o governador não teria como escapar, ele foi questionado sobre o que esperar do Lula. Em resposta, Camilo disse que o ex-presidente precisa unir o Brasil e que “o antagonismo não é bom para o país”. “Acredito que unir o Brasil vai ser o maior trabalho do Lula. E é isso que eu quero ver”, contou o cearense.  

O governador disse acreditar que a possível aliança com Geraldo Alckmin seria muito positiva para a candidatura petista.

Gilberto Kassab

Em sua participação no jantar, dentre os temas que comentou, Kassab explicou os motivos que levaram o senador Rodrigo Pacheco descartar o convite para a candidatura à presidência. Segundo o ex-prefeito de São Paulo, Pacheco alegou que o cenário está muito polarizado e ele não queria abandonar o Senado.

Em relação ao tema que está em destaque no noticiário, a possível filiação de Eduardo Leite ao PSD para disputar a presidência, Kassab disse que é quase certo que Leite irá aceitar o convite. 

O presidente nacional do PSD opinou sobre qual deveria ser a postura do Governador do Rio Grande do Sul na corrida presidencial. “Ele deve se apresentar como realmente é, mostrando as suas gestões e seus princípios”, disse Kassab. 

Por fim, ele ainda acrescentou que o governador é um líder e é uma alternativa para o Brasil. “Existe espaço e ansiedade do brasileiro para um país não polarizado”, finalizou Kassab.

Esta é uma iniciativa Portofino Multi Family Office e EsferaBR com o propósito de fomentar o diálogo entre políticos e empresários brasileiros. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

Causa e Efeito | 19.03.2022

Causa e Efeito | 12.03.2022

por danielbarbuglio | 12 mar 2022 | Causa e Efeito, Multi Family Office

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Tempo do áudio e leitura: 6 mins

Família Portofino,

Infelizmente, caminhamos para a terceira semana desta guerra sem sentido. A tragédia humanitária já se faz presente. Entre civis e militares, ucranianos e russos, as mortes já são contabilizadas aos milhares. Desde o início do conflito, mais de 2 milhões de pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, deixaram a Ucrânia. Essa tragédia já se configura como o maior êxodo desde a II Guerra Mundial.

Pouco se avançou no sentido de se encontrar uma saída pacífica para a crise. Na última semana, várias reuniões foram realizadas entre diplomatas russos e ucranianos, sem que se chegasse a resultados práticos na direção de um cessar-fogo. Ao longo da última sexta-feira, surgiram informações de que o Presidente Vladimir Putin havia sinalizado sua intenção de criar as condições necessárias para o início de negociações mais efetivas. O mercado chegou a se animar, mas as notícias não se confirmaram e os ataques continuam a acontecer. Até agora, tudo indica que o conflito ainda piora antes de melhorar. Uma pena.

Gráfico da BBC mostra o avanço das tropas russas na Ucrânia.

Além das tristes consequências humanitárias, desarranjos econômicos começam a se mostrar presentes. Como antecipado, esse novo choque de oferta, principalmente sobre as commodities agrícolas, metálicas e de energia, já mostra seus efeitos sobre a inflação em várias regiões do mundo. A inflação ao consumidor americano, em fevereiro de 0,8%, levou a inflação dos últimos 12 meses para 7,9%, o mais alto valor observado nos últimos 40 anos. No Brasil não tem sido diferente. O IPCA de fevereiro superou as expectativas dos analistas, mantendo a inflação dos últimos 12 meses acima do patamar de 10%. Como se não bastasse, as principais casas já começam a revisar suas projeções para o ano de 2022. Estimativas para o IPCA fechado do ano em 7% já deixaram de ser percebidas como um absurdo.

Além dos impactos mais conjunturais que, com o fim do conflito, em grande parte certamente serão atenuados, questões mais estruturais começam a nos preocupar. Com a inflação mais elevada, maiores taxas de juros seriam necessárias para estabilizar as expectativas das agentes, o que no fim e ao cabo, pesariam principalmente sobre os ativos de maior risco. Uma questão que temos discutido internamente e compartilhado com alguns clientes é a reversão de pelo menos parte dos ganhos de produtividade e consequente redução dos custos de produção gerados pelo processo de globalização vivido nos últimos 30 anos.

Veja também: Conheça as vantagens, a importância e como fazer planejamento sucessório

A ideia de que uma produção de bens globalizada que maximize os ganhos e minimize os custos, vem sofrendo alguns reveses, e não é de hoje. Ainda em 2018, o ex-presidente americano, Donald Trump, iniciou uma guerra comercial com a China. Visando incentivar a produção local de bens e reduzir o crescente poder econômico da China, o governo americano sobretaxou uma gama extensa de produtos importados dos chineses. A contrapartida por parte do governo chinês obviamente veio em seguida. Na prática, a despeito de todos os potenciais ineficiências, uma onda nacionalista vem crescendo e algumas versões do “Let´s Make America Great Again” vem ganhando corpo.

Já expusemos nesse fórum, risco materializado na pandemia pelas quebras das cadeias de produção e do transporte, resultando na falta de insumos básicos capazes de interromper a produção de um bem final. O exemplo clássico sempre citado para descrever esse risco estratégico, foi o enorme impacto na produção global de automóveis gerado pela impossibilidade de fabricação e envio de circuitos integrados, semicondutores estes fabricados principalmente na Coreia do Sul e Taiwan.

Agora, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a dependência estratégica no fornecimento de energia, metais e de insumos para a fabricação de fertilizantes, escancaram mais uma vez a necessidade de se rever a estratégia de se globalizar a produção com foco unicamente em custos. Este último revés reforça a nossa tese de que a revisão deste modelo de produção será um fator gerador de inflação de forma mais estrutural para os próximos anos.
E por falar em inflação, os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil se reúnem ao longo da semana para deliberar sobre o aumento dos juros básicos de suas respectivas economias. A despeito da baixa visibilidade quanto ao fim do conflito, acreditamos que o FED, o banco central americano, inicia na próxima reunião seu ciclo de aumento de juros em passos de 0,25%. Por sua vez, nosso banco central deve ratificar seu plano de voo com mais um aumento de 1%, elevando assim a taxa SELIC para 11,75%.

A classe de ativos de juros prefixados e juros reais mais longos foi, sem sombra de dúvidas, a mais afetada pela surpreendente e recente pressão inflacionária. Uma situação que já era extremamente delicada, se agravou nas últimas semanas. Permanecemos cautelosos em função do imponderável da guerra, mas dado o nível de preço e a percepção de que o ciclo de aumento de juros no Brasil já se encontra em estágio adiantado, acreditamos estar próximo o momento de elevar o risco das carteiras nessas posições.

Estamos atentos às oportunidades e, em simultâneo, torcendo pelo rápido fim desta guerra injustificável sob qualquer aspecto.

Um ótimo final de semana para você e sua família.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito | 19.03.2022

Causa e Efeito | 05.03.2022

por danielbarbuglio | 4 mar 2022 | Causa e Efeito, Análise de Mercado, Family Office, Finanças Comportamentais, Fundos de Investimentos, Multi Family Office, Portofino pelo Mundo, Wealth management


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Tempo do áudio e leitura: 5 mins

Olá Família Portofino,

Completadas duas semanas do início da invasão russa ao território ucraniano, duas questões nos surpreendem no desenrolar deste conflito. De um lado, a resposta do ocidente veio, como era de se esperar, com um rol de sanções econômicas. Nenhuma novidade até aqui. Entretanto, sua abrangência e intensidade certamente foram muito além do que os mercados inicialmente previam.

Putin, outros políticos, funcionários do Estado e oligarcas russos tiveram seus ativos fora do país congelados, impedidos de movimentação. Medidas foram tomadas para impossibilitar o uso das reservas internacionais russas por parte do seu banco central. Bancos russos foram retirados do sistema internacional de pagamentos (SWIFT), o que, na prática, significou impedi-los de liquidar operações financeiras fora da Rússia. Contratos comerciais com diversas empresas russas foram cancelados e diversas empresas internacionais anunciaram a interrupção de suas operações dentro do seu território. Ativos russos vêm sendo retirados dos principais índices de mercado, aumentando o isolamento do mercado russo do resto do mundo financeiro.

O estrangulamento imposto à sua economia através dessa série de medidas, empurra a economia russa para uma crise econômica como a vivenciada pelo país em 1998.

A outra surpresa veio da escalada bélica da invasão. A tolerância ao risco do presidente Putin vem surpreendendo até o mais pessimista dos analistas políticos. Alvos civis não têm sido preservados e até mesmo a maior planta nuclear da Europa, localizada ao sudeste da Ucrânia, foi atacada. Estivemos perto de um acidente de proporções muito superiores ao que presenciamos em Chernobyl. Esse ataque foi o gatilho para uma realização mais expressiva dos mercados nesta sexta-feira.

Se, por um lado, nos surpreendemos por assistir, em pleno século XXI, uma tradicional e violenta ofensiva das forças militares russas ao território ucraniano, por outro, também chama atenção a contraofensiva econômico-financeira, sem precedentes na história, com capacidade de dizimar a Rússia sem que nenhum tiro seja disparado.

Saiba mais: Já ouviu falar em trust fund? Entenda o que é e seus benefícios

Como previsto, o impacto sobre o preço das commodities tem sido brutal. O aumento de preços observado nesta semana só encontra semelhança aos piores momentos da crise do petróleo dos anos 70. Encurtando a estória, esse violento choque de oferta em seguida ao já anteriormente provocado pela pandemia, agrava o problema inflacionário e terá incontestável impacto sobre o crescimento mundial. É ainda cedo para afirmar, mas tudo caminha para impactos de intensidade distintas a depender da região.

Sem sombra de dúvida, a relevância do gás natural na matriz energética da Europa e sua enorme dependência do fornecimento russo, elevam o risco de estagflação para a região.

Os Estados Unidos também serão afetados pela elevação geral de preços, mas não o suficiente para ameaçar sua economia com uma recessão. Isto nos parece verdade até pelos sinais dados pelo banco central americano de que, a despeito da guerra, o plano de voo continua a ser de se iniciar o aumento dos juros agora na reunião do próximo dia 16. A China, por ser menos impactada no tocante à pressão de preços durante a pandemia e por ainda possuir espaço fiscal para continuar estimulando o crescimento da sua economia, também deverá ter impactos limitados consequentes do conflito.

O Brasil e o demais países emergentes exportadores de matérias-primas também tendem a serem impactados em menor grau. Seremos beneficiados pela melhora dos nossos termos de troca apesar de também termos agravado nosso problema com a pressão inflacionária advinda principalmente de combustíveis e preços de alimentos. O câmbio vem ajudando, mas certamente nosso banco central deixará aberta a porta para estender o ciclo de aumento da Selic além do consenso anterior à guerra, ao redor de 12,5%.

Tudo isso nos deixa ainda mais convictos quanto à manutenção da nossa estratégia. Continuamos a privilegiar as estratégias pós-fixadas, principalmente as de crédito privado indexadas ao CDI, mas também ao IPCA. Apesar do recente aumento do prêmio na curva de juros, acreditamos ser pouco prudente aumentar o risco prefixado das nossas carteiras. Quanto à renda variável doméstica, a combinação de preços altos, maior exposição do nosso mercado ao setor de commodities com juros altos e ainda crescentes, faz com que o nosso mercado continue a ser beneficiado pelo fluxo dos investidores estrangeiros.


Pessoas do mundo todo pedem o fim da guerra

Manteremos nossa postura mais conservadora até que tenhamos maior visibilidade das consequências econômicas dessa crise. Por outro lado, ainda céticos com a probabilidade e muitíssimos preocupados com a recente escalada dos ataques, continuamos torcendo para um pronto cessar-fogo e um espaço para negociações diplomáticas no sentido de se evitar um impacto ainda maior sobre vidas humanas.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito | 26.02.2022

Causa e Efeito | 26.02.2022

por danielbarbuglio | 25 fev 2022 | Análise de Mercado, Family Office, Finanças Comportamentais, Fundos de Investimentos, Investimentos Internacionais, Multi Family Office, Sucessão, Wealth management

Tempo de leitura: 4 mins.

Família Portofino,

Antes de falar sobre os mercados, vou pedir para que salve este número na agenda do seu telefone:

(11) 91024-4484

A partir de hoje, será através deste número que enviaremos diretamente para o seu celular as cartas “Causa e Efeito”, “Ação e Reação” e muitos outros conteúdos. Neste serviço de “WhatsApp Corporativo”, não solicitaremos informações sobre suas movimentações ou contas, ele servirá unicamente para entregar conteúdos informativos produzidos especialmente para você. Todas as demais solicitações continuarão a ser atendidas por seu Executivo de Relacionamento.

Os reflexos desta guerra injustificável.

Na última quinta-feira, na nossa carta Ação e Reação, analisamos os potenciais impactos à economia mundial e aos mercados financeiros com a invasão russa ao território ucraniano. Passado um dia de conflito militar aberto, com as tropas russas e ucranianas se enfrentando pelo controle da capital Kiev. O que aprendemos até agora? Com qual cenário base trabalhamos? E como toda essa crise afeta as nossas carteiras?

Quanto mais durar o conflito, maiores serão as chances de que a elevação dos preços das commodities pressione ainda mais a inflação mundial. Esta nova pressão sobre os preços de bens e serviços forçará os bancos centrais a acelerarem o processo de elevação dos juros, comprometendo ainda mais o crescimento mundial. Rússia e Ucrânia são produtores e exportadores relevantes de várias commodities, em especial as de energia, petróleo e gás natural, as matérias-primas de fertilizantes, macronutrientes potássicos, fosfatados e nitrogenados e vários metais estratégicos para a indústria como o níquel, o paládio e o alumínio.

Leia mais: Você sabe o que são Distressed Assets? Entenda sobre como funciona esse mercado e seus benefícios

Colocando de lado, se é que possível, as consequências brutais de um conflito dessa magnitude e seu impacto nefasto sobre vidas humanas, o que importa aos mercados, agora, não é que o que diretamente acontecerá com a Rússia e a Ucrânia. A dúvida está na incerteza quanto à possibilidade de o conflito militar migrar para uma guerra econômica declarada.  De um lado estão as principais economias ocidentais impondo sanções econômico-financeiras à Rússia e do outro, a própria Rússia tacitamente ameaçando responder a estas sanções interrompendo o fornecimento de gás natural e petróleo principalmente aos países europeus bem como o fornecimento de outras commodities estratégicas.

A nossa percepção é de que o teor das sanções, pelo menos por enquanto, não induzirão a Rússia a puxar mais este gatilho, agora de uma guerra econômica aberta. Por isso o apreçamento dos mercados passou a considerar como provável o cenário onde provavelmente a Rússia terá sucesso em alterar o atual regime político ucraniano na direção de garantir seu poder de influência na região em simultâneo, em que neutraliza o risco de crescente expansão da OTAN em países fronteiriços.

Os preços dos ativos demonstram o crescente consenso na direção do nosso cenário base. Esta crise deverá ficar circunscrita à região, sem se observar sua escalada tanto do ponto de vista geográfico quanto econômico. A bolsa brasileira já retornou para os níveis observados anteriormente ao início da invasão, nossa moeda, entretanto, não devolveu o ajuste recente o que nos parece compreensível dado às seis semanas consecutivas de valorização do real e a necessidade de se manter certa cautela às vésperas do feriado do carnaval. Do lado internacional, o S&P500 reforça nossa percepção de que se entende como menos provável um contágio maior das economias dado que o índice subiu mais de 6% das suas mínimas recentes, retornando para os níveis observados no fim da semana passada.

O cenário alternativo, apesar de hoje menos provável, nos impõe a manutenção de postura mais conservadora, postura esta que já vínhamos adotando mesmo antes do surgimento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. O processo de normalização das economias com as retiradas de estímulos e aumento de juros por parte dos bancos centrais, já nos fez adotar anteriormente uma postura mais conservadora em todos nossos portfólios. A ênfase em posições pós-fixadas com bom carregamento, na classe de fundos multimercados, em exposição mais conservadora em renda variável associadas a um posicionamento neutro em ativos prefixados e de juros reais, vem garantindo maior estabilidade nos resultados do ano. Nossas carteiras, em sua maioria, vêm mantendo rentabilidades alinhadas com o CDI do período, não tendo sido impactadas de maneira relevante pela volatilidade recente.

Mantemos nossa prudência e torcemos para que essa guerra injustificável se encerre o mais rápido possível preservando vidas e retornando a paz e tranquilidade às famílias ucranianas.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

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