Na madrugada da sexta-feira (7), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da 1ª Etapa da Reforma Tributária, a qual busca melhorar e simplificar o sistema tributário brasileiro, com enfoque na tributação sobre o consumo.
De forma resumida, o texto mais recente da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 45/19 unifica o ICMS, ISS, IPI, PIS, Cofins e cria o IVA (Imposto Sobre Valor Agregado), que será dividido em dois tributos: um federal (a Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS) e outro dos estados e municípios (o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS).
Além dos impostos sobre o consumo, o texto que agora segue para votação do Senado, também inclui outros temas, sobre tributação do patrimônio, que impactam diretamente as pessoas físicas:
ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação)
Deverá ser progressivo, em razão do valor da doação ou herança. Segundo o relator do projeto, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o objetivo é “tributar as heranças e doações de alto valor de modo mais justo”.
Alguns estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro já possuem alíquotas estaduais progressivas. Outros estados como São Paulo e Minas Gerais, que possuem alíquota fixa, precisarão ajustar as leis estaduais, se a reforma for aprovada no Senado Federal.
A alíquota máxima atual de 8% permanece a mesma e não é objeto de alteração na PEC nº 45/19. Em outras propostas paralelas, existe a possibilidade de o “teto” de 8% ser majorado.
ITCMD – Heranças no exterior e doações feitas por não-residentes
Enquanto não houver lei complementar específica regulamentando esse assunto, o texto da reforma prevê que os Estados poderão exigir ITCMD no estado de domicílio do herdeiro ou donatário. Na prática, essas duas hipóteses que hoje não são tributadas por ausência de previsão legal, passarão a ficar sujeitas ao recolhimento de ITCMD.
Vale lembrar que a entrada em vigor de qualquer alteração nas regras de imposto sobre doações e herança, que resulte em aumento da carga tributária, deve observar 02 condições: as novas regras só podem ser aplicadas no ano seguinte à mudança de lei e após 90 dias da data de sua publicação.
Isenção de ITCMD nas doações para instituições sem fins lucrativos
O ITCMD não incidirá sobre as doações destinadas a entidades e organizações que atenderem determinados requisitos e condições, que serão estabelecidos em lei complementar posteriormente.
IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para aeronaves e embarcações
O texto da PEC nº 45/2019 prevê que o IPVA passará a incidir sobre a propriedade de aeronaves e embarcações particulares.
IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)
A proposta aprovada pela Câmara prevê a possibilidade de atualização da base de cálculo do imposto pelo Município. Atualmente, não existe nenhuma permissão expressa nesse sentido.
A PEC nº 45/2019 estabelece que, após sua aprovação no Senado e promulgação, o Poder Executivo, em até 180 dias, deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei com propostas de alteração na tributação da renda.
A expectativa do mercado, com base em sinalizações do governo ao longo do primeiro semestre, é que as propostas de alterações no imposto de renda sejam endereçadas no segundo semestre, incluindo pautas como tributação de dividendos, fundos fechados e de investimentos e estruturas no exterior.
Estamos atentos e acompanhando esse assunto de perto. As mudanças na tributação do consumo são bastante relevantes e vão demandar uma reorganização geral das empresas. A boa notícia é que a PEC prevê um período de transição, o que permite que os contribuintes se reorganizem com antecedência em relação ao IVA.
Sobre as alterações na tributação do patrimônio e futuramente para as propostas que serão apresentadas sobre o imposto de renda, que impactam diretamente as pessoas físicas, a atenção será redobrada. Nesses casos, as novas regras podem valer já no início do ano seguinte à aprovação, sendo que para alguns impostos temos também o prazo de 90 dias. Em qualquer cenário, o tempo de reorganização e aproveitamento das regras antigas será mais curto, o que demandará mais agilidade dos contribuintes e advogados. Como family office, nós estamos preparados para auxiliar as famílias no que for necessário para garantir a readequação ágil dos planejamentos.
Victória Siqueira é Head de Wealth Planning na Portofino MFO, formada em Direito pela FGV, com extensão em General Business with Concentration in International Trade and Commerce pela UCLA.
Os investimentos offshore são aqueles realizados em ativos de outros países e sujeitos a diferentes legislações. Entenda como investir offshore!
O mundo dos investimentos possui estratégias voltadas para os mais diversos tipos de objetivos. Entre as mais polêmicas, estão os investimentos offshore.
Envolvendo a aplicação em ativos fora do território nacional, os investimentos offshore são realizados para diversificar o capital e proteger patrimônios.
As opções para realizar esse tipo de operação envolvem questões tributárias simplificadas e maiores retornos financeiros.
Além disso, diante do aumento dos efeitos da crise, investir fora do Brasil tem se tornado cada vez mais uma alternativa a ser avaliada.
Para entender melhor o que faz o investimento offshore ser tão atrativo e se esse tipo de aplicação é o mais adequado para você, continue no post!
O que são investimentos offshore?
Os investimentos offshore, ou “fora da costa”, são aqueles que envolvem ativos de empresas localizadas em outros países.
As empresas que recebem investimentos offshore estão estabelecidas nos países popularmente chamados de “paraísos fiscais”.
O motivo do termo é o alto número de benefícios tributários desses territórios, como a baixa cobrança de impostos e sistema fiscal simplificado.
São exemplos de países que considerados paraísos fiscais:
Suíça;
Panamá;
Bahamas;
Ilhas Cayman.
Entre os principais recursos investidos offshore, estão: ações, fundos de investimento, títulos privados e variação cambial.
Na prática, essa modalidade de investimento sempre é realizada em um domicílio fiscal distinto ao de origem do investidor.
Apesar de serem bastante relacionados a casos de corrupção, as offshores são regulamentadas por lei e contando com uma assessoria especializada para te apoiar nesta estruturação, não há com o que se preocupar.
Por isso, aqueles com experiência no mercado financeiro e um alto nível de recursos têm essa estratégia como uma opção a ser considerada.
Vale ressaltar que, apesar de envolver diversos benefícios, esse tipo de investimento tem uma baixa procura se comparado com outras opções.
Onshore e offshore: qual a diferença?
O termo “onshore” refere-se a investimentos realizados dentro do território nacional, ou seja, dentro do próprio país em que o investidor está localizado.
Já o termo “offshore” está associado a investimentos feitos em ativos localizados em outros países, além do país de residência do investidor.
Quais são as vantagens de “investir offshore”?
A principal vantagem relacionada aos investimentos offshore é aumentar o patrimônio em um mercado financeiro mais estável e com melhores rendimentos.
Além disso, os países com forte isenção de impostos e alto sigilo nas operações também facilitam a proteção patrimonial.
Confira abaixo outros benefícios do investimento offshore:
Entre duas principais medidas, está a criação de offshores, empresas abertas em territórios com menor tributação e legislação permissiva.
Diversificação de Investimentos
Outra vantagem que torna os investimentos offshore uma opção bastante interessante é a possibilidade de diversificação.
Afinal, eles podem ser usados para compor uma carteira diversificada como no caso dos ETFs, que incluem diversos ativos para uma melhor rentabilidade.
Ao investir em ativos de outros países, você dilui sua exposição ao risco local e aumenta as chances de obter uma boa performance financeira. Lá fora, você encontra mercados muito mais maduros que o brasileiro e pode acessar produtos e oportunidades que não existem por aqui.
Sucessão de bens
O investimento offshore, quando relacionado à sucessão de bens, geralmente envolve a criação de uma trust.
A Trust é uma empresa formada com o objetivo de administrar as operações financeiras e os bens de um indivíduo.
Nelas, um profissional chamado de Trustee fica responsável por deter os ativos e administrá-los segundo os desejos do acionista.
Em caso de falecimento, o Trustee tem a obrigação de transferir as ações da offshore de forma previamente definida em um Trust Deed (documento com regras da Trust).
Portanto, a criação de uma Trust é usada como instrumento de planejamento sucessório, com regras claras que evitam o inventário do patrimônio investido em offshore.
Entretanto, a escolha da melhor solução sucessória para offshores envolve questões como: residência fiscal, bens envolvidos, situação familiar, jurisdição e residência dos herdeiros.
Além disso, os impactos fiscais, objetivos do acionista e valor do patrimônio impactam diretamente a análise.
Para qual perfil é indicado investimentos offshore?
Em momentos de crise, em que o dólar apresenta uma alta cotação, o investimento offshore acaba não sendo a opção mais adequada.
Apesar disso, é importante entender para quem esse tipo de investimento é mais adequado, sendo capaz de oferecer todas as vantagens indicadas anteriormente.
Normalmente, quanto maior for o seu patrimônio, mais oportunidades a modalidade offshore pode apresentar.
Conforme a instrução CVM nº 554, é preciso ter, no mínimo, R$1 milhão em investimentos financeiros.
Portanto, essa opção é voltada para investidores com maior capacidade de aplicação e experiência no mercado financeiro.
Sendo, portanto, mais indicada para os chamados “investidores qualificados” que buscam, além da diversificação de ativos, um maior sigilo e proteção patrimonial.
Como investir em offshores?
Apesar de parecer algo complexo, existem diversos meios para ter acesso a mercados financeiros do exterior e investir em offshores.
Listamos algumas opções disponíveis para aqueles com necessidades que vão além do que as corretoras internacionais ou ETFs podem oferecer. Confira abaixo!
Fundos Offshore
Os Fundos Offshore são fundos de investimento internacionais que podem receber gestores de finanças do Brasil para operar.
Em outras palavras, a gestão ocorre no Brasil, mas os ativos encontram-se no exterior, mais especificamente nos paraísos fiscais.
Ao investir nesse tipo de fundo, você tem a oportunidade de diversificar a carteira e ter capital internacional com custos reduzidos.
Existem três tipos de fundos de investimentos offshore existentes. São eles:
De Renda Fixa: com títulos de baixo risco e menor rentabilidade;
De Renda Variável: possibilita a compra de ações de empresas estrangeiras;
Misto: composto de uma carteira de ativos com títulos de renda fixa e variável.
Um dos principais benefícios dessa estratégia é conseguir aplicar recursos no exterior de forma rápida e objetiva.
A abertura de uma empresa offshore está normalmente ligada à obtenção de benefícios fiscais em outros países.
Isso porque, em geral, esses negócios são abertos em locais onde existe uma menor cobrança de impostos e obrigações fiscais.
Além disso, não é preciso ter mão-de-obra ou algum tipo de produção para criar uma offshore.
As principais vantagens desse tipo de empreendimento são a eficiência fiscal, a proteção patrimonial e o planejamento sucessório, mais indicada para indivíduos com perfil financeiro mais elevado.
Criação de trust offshore
Já citada anteriormente, a Trust Offshore é um tipo de sociedade estrangeira considerada uma boa estratégia para a proteção de bens.
Na prática, o que ocorre é a transferência de um determinado patrimônio do Instituidor (você) para um administrador, chamado de Trustee.
O objetivo é fazer com que os bens sejam administrados em favor do depositante ou de uma pessoa indicada por ele, sendo ela o Beneficiário.
Existem graus de autonomia que podem ser concedidas pelo Instituidor ao Administrador, que são:
Fixed Trusts: nível de liberdade limitado na gestão dos bens;
Discretionary Trust: alta confiança para a implementação do Trust.
Nesse tipo de sociedade, o Administrador se torna judicialmente responsável pelo patrimônio do Instituidor.
Por conta disso, caso as medidas de proteção ao patrimônio não sejam realizadas como no acordo, o Trustee deve indenizar os beneficiários pelas perdas de bens ou propriedades.
ETFs (Fundos de Índices)
Os Fundos de Índices (ETFs, ou Exchange Traded Funds), são um tipo de fundo de investimentos que replicam índices financeiros da Bolsa de Valores, como o Ibovespa ou o Índice Brasil.
E sendo assim, o trabalho do gestor de um ETF é sempre ajustar sua composição para que fique mais semelhante possível com o benchmark.
Inclusive, mesmo que ele encontre opções mais atraentes no momento da alocação, é obrigatório seguir o índice escolhido na mesma proporção.
Diferente de outros fundos de investimentos, os Fundos de Índice são negociados na B3, assim como as ações, o que permite ao investidor comprar ETFs diretamente pelo home broker da corretora de valores.
De modo geral, os ETFs têm taxas de administração baixas em comparação com outros investimentos offshore, tais como fundos mútuos ou investimentos privados.
Como um investidor offshore, você pode usar ETFs para diversificar sua carteira em mercados globais sem ter que pesquisar ações individuais ou fazer grandes investimentos offshore em uma única classe de ativos.
BDRs (Brazilian Depositary Receipt)
Um Certificado de Depósito Brasileiro (BDR) é um certificado de depósito negociado no Brasil que representa ações de empresas listadas em bolsas de outros países, tais como a NASDAQ e a NYSE.
Na prática, estes ativos financeiros são como recibos de ações de empresas estrangeiras que são negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, a B3.
Sendo assim, uma alternativa mais simples para brasileiros investirem em empresas negociadas em bolsas internacionais sem que precisem abrir conta em uma corretora de valores estrangeira ou enfrentar a complexidade dos investimentos internacionais.
É importante ressaltar que os BDRs não são ativos novos no mercado financeiro. A questão é que, antes de 2020, eles não eram liberados para o pequeno investidor, sendo restritos aos que tinham mais de R$1 milhão em aplicações financeiras.
Foi só após o lançamento das novas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que algumas categorias dos BDRs se tornaram acessíveis a investidores do tipo pessoa física.
A novidade fez com que milhões de brasileiros tivessem acesso às ações das maiores empresas do mundo, como Google, Facebook, Netflix e Apple, através dos mais de 600 BDRs presentes na B3.
Vale ressaltar que os BDRs não são investimentos no exterior. Esses certificados de depósito apenas acompanham a variação das empresas de outros países.
Por esse motivo, ao investir em um BDR, você não se torna um sócio de uma empresa estrangeira como ocorre na compra de uma ação de uma companhia nacional.
Como abrir uma offshore? Passo a passo
A abertura de uma offshore, também conhecida como empresa offshore, pode ser um processo complexo, mas seguindo os passos corretos, é possível realizar esse procedimento de forma legal e segura.
Veja a seguir um guia passo a passo sobre como abrir uma offshore”:
Pesquisa e planejamento
É fundamental realizar uma pesquisa detalhada sobre as jurisdições offshore disponíveis e suas respectivas regulamentações antes de abrir a sua empresa offshore.
Assim sendo, defina seus objetivos e necessidades específicas, levando em consideração fatores como privacidade, custos, benefícios fiscais e estabilidade política e econômica.
Escolha da jurisdição
Com base na pesquisa realizada, selecione a jurisdição offshore que melhor atenda aos seus requisitos.
Considere aspectos como a reputação do país, estrutura legal e fiscal, custos de manutenção, privacidade e facilidade de abertura de empresa.
Nome da empresa e tipo jurídico
Defina um nome para a sua offshore, levando em consideração as restrições e diretrizes legais da jurisdição escolhida.
Além disso, escolha o tipo jurídico mais adequado para a sua empresa offshore, como sociedade limitada ou empresa de responsabilidade limitada.
Contrate um agente registrado
Em muitas jurisdições, é necessário ter um agente registrado para a sua offshore.
O agente registrado é uma entidade ou pessoa física local que atua como intermediário e representa a empresa perante as autoridades do país escolhido.
Elaboração dos documentos
Prepare a documentação necessária para a abertura da offshore, que pode incluir artigos de constituição, estatutos, certificados de ações, entre outros documentos exigidos pela legislação local.
Registro da empresa
Realize o registro da empresa junto às autoridades competentes da jurisdição offshore escolhida e siga os procedimentos legais estabelecidos.
Conta bancária offshore
Após a abertura da empresa, será necessário abrir uma conta bancária offshore para operacionalizar os investimentos e transações financeiras.
Pesquise os bancos disponíveis na jurisdição escolhida e siga os procedimentos estabelecidos por cada instituição financeira.
Cumprimento das obrigações legais
Mantenha-se atualizado com as obrigações legais e regulatórias da jurisdição offshore.
Isso inclui o cumprimento de declarações fiscais, relatórios financeiros e outras exigências impostas pelo país em que a empresa está registrada.
Assessoria profissional
Considere contratar profissionais especializados em direito empresarial, contabilidade e assuntos fiscais offshore para garantir que você esteja cumprindo todas as regulamentações e otimizando os benefícios desse tipo de estrutura empresarial.
Lembre-se de que abrir uma offshore envolve questões legais e fiscais complexas, e é fundamental buscar a orientação de profissionais qualificados e experientes, como os da Portofino Multi Family Office, para garantir que todas as etapas sejam realizadas corretamente e em conformidade com as leis aplicáveis.
O que é considerado paraíso fiscal?
O termo “paraíso fiscal” é frequentemente mencionado no contexto de investimentos offshore, mas o que exatamente significa?
Um paraíso fiscal é uma jurisdição que oferece benefícios fiscais e vantagens regulatórias para empresas e indivíduos estrangeiros.
Essas vantagens podem incluir baixas ou nulas alíquotas de impostos, sigilo bancário, facilidade na criação de empresas, flexibilidade nas leis de proteção de ativos e regulamentações menos rigorosas em comparação com outros países.
As características comuns de um paraíso fiscal incluem:
Benefícios fiscais;
Sigilo bancários;
Regulamentações flexíveis;
Estabilidade política e econômica.
Como vimos, alguns exemplos de países frequentemente mencionados como paraísos fiscais são Suíça, Panamá, Bahamas e Ilhas Cayman, mas essa lista pode variar ao longo do tempo.
É ilegal ter empresa offshore?
Ter uma empresa offshore não é ilegal em si mesma, desde que todas as operações financeiras e transações estejam em conformidade com as leis e regulamentações do país de residência do investidor.
No entanto, é importante distinguir entre o uso legal e ilegal de empresas offshore.
A evasão fiscal, ou seja, a prática de não pagar impostos devidos, é ilegal em quase todos os países e pode acarretar em consequências legais graves.
Além disso, também existem regulamentos internacionais, como as normas de combate à lavagem de dinheiro e o intercâmbio automático de informações financeiras entre países, que buscam garantir a transparência financeira e o combate a atividades ilegais.
Portanto,é fundamental buscar assessoria jurídica e contábil especializada ao estabelecer e operar uma empresa offshore para garantir a conformidade legal e evitar qualquer atividade ilegal ou suspeita.
Como investir no exterior sem abrir empresa offshore?
Investir no exterior não necessariamente requer a abertura de uma empresa offshore.
Existem outras opções para investir em ativos estrangeiros sem a necessidade de estabelecer uma estrutura empresarial offshore.
Algumas das opções incluem:
Corretoras internacionais: por meio delas, é possível investir em ações, fundos, títulos e outras classes de ativos estrangeiros;
Fundos de investimento internacionais: permitem que investidores se beneficiem da expertise de gestores profissionais, que administram carteiras diversificadas de ativos internacionais.
Investimentos Offshore: como funciona o pagamento de impostos?
O pagamento de impostos em investimentos offshore é um aspecto importante a ser considerado ao investir em ativos estrangeiros.
Ele depende de diversos fatores, como:
Jurisdição offshore: cada jurisdição offshore possui sua própria legislação fiscal e regras específicas para o pagamento de impostos. Alguns países offshore podem oferecer benefícios fiscais, como alíquotas de impostos mais baixas ou até mesmo isenções, enquanto outros podem ter regimes fiscais mais rigorosos;
Residência fiscal: geralmente, o investidor é obrigado a declarar os rendimentos obtidos no exterior e pagar os impostos devidos em sua jurisdição de residência. É importante verificar as leis fiscais do país de residência para determinar a tributação aplicável aos investimentos offshore;
Tratados internacionais: tratados de dupla tributação podem afetar a forma como os investimentos offshore são tributados. Esses tratados são acordos entre países que buscam evitar a dupla tributação dos investidores que possuem ativos e rendimentos em jurisdições diferentes e podem estabelecer regras específicas sobre a tributação de investimentos offshore e oferecer benefícios fiscais, como créditos de imposto ou reduções de alíquotas;
Obrigações de declaração: em muitos países, investidores que possuem ativos offshore têm obrigações de declaração adicionais. É necessário informar às autoridades fiscais sobre a existência desses ativos, mesmo que não haja impostos devidos. O não cumprimento dessas obrigações pode resultar em penalidades e consequências legais.
Por isso, novamente ressaltamos que é fundamental buscar a orientação de profissionais especializados para entender as implicações fiscais específicas dos investimentos offshore e garantir a conformidade com as leis fiscais aplicáveis.
A assessoria da Portofino Multi Family Office pode ajudar a otimizar a estrutura fiscal dos seus investimentos, considerando as leis fiscais do país de residência e da jurisdição offshore.
No cenário de negócios, muitas empresas demandam capital para financiar o crescimento, expandir operações ou desenvolver iniciativas estratégicas. Tradicionalmente, empresários recorrem à dívida como primeira fonte de financiamento. Com o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro, os fundos de investimento em equity (Private Equity) mostram-se como uma alternativa com vantagens e oportunidades importantes. Nosso objetivo é explorar melhor o conceito de captação com fundos de investimento como uma alternativa à captação de crédito de forma geral.
Os Fundos de Private Equity alocam capital em empresas privadas de diferentes perfis, inclusive empresas familiares. Diferente do crédito, que envolve o repagamento do capital levantado em um prazo específico e com juros, o investimento de equity leva, em contrapartida, ao capital investido, uma participação societária na companhia. O capital desse fundo vem de investidores privados ou institucionais para investimento em negócios sólidos e com boas perspectivas de crescimento.
Vantagens do levantamento de capital através de Fundos de Private Equity:
Não aumenta a alavancagem da companhia: os fundos fornecem acesso a capital livre de garantias e pagamento de juros. Isso pode ser benéfico em cenários, como o atual, de redução no volume de concessão de crédito por parte dos bancos e alta da taxa de juros.
Visão de longo prazo: diferentemente dos bancos, que focam, principalmente, no recebimento de juros e no repagamento do capital, os fundos têm tipicamente uma visão mais de longo prazo. Isso significa que estão mais comprometidos com o crescimento e o sucesso do negócio e, muitas vezes, trabalham em conjunto com o empresário para destravar valor e maximizar o retorno.
Flexibilidade: a estrutura dos investimentos dos fundos pode ser customizada conforme as necessidades do empresário. O capital pode ser usado em diferentes frentes do negócio, como, por exemplo, abertura de uma nova unidade produtiva, internacionalização, aquisições, ampliação da estrutura comercial e, eventualmente, até aporte de capital no “bolso” dos sócios para diluição de risco da pessoa física.
Suporte operacional e de governança: os fundos geralmente trazem experiência operacional e de acompanhamento de negócios. Isso vai além de aspectos financeiros, como orçamento e KPIs. Eles também apoiam na estratégia de crescimento do negócio, na estruturação de governança corporativa e no networking.
Atualmente, no mercado brasileiro, existem diversos perfis de Fundos de Private Equity, nacionais e internacionais, incluindo fundos com experiências setoriais específicas (agronegócio, indústria, tecnologia, varejo, etc.). Somente em 2022, esses fundos investiram mais de R$15 bilhões em empresas brasileiras. Ao se associar a um fundo, o empresário pode obter diversos benefícios, visando maximizar a geração de valor futura. Como exemplo, a maioria das empresas que realizaram abertura de capital nos últimos 10 anos tinha um fundo de investimento como sócio, que apoiou a companhia, dentre outras coisas, no processo de crescimento e governança.
No entanto, por se tratar de uma estrutura muitas vezes complexa, pontos importantes devem ser considerados, como diluição acionária, estratégia de saída, acordo de acionistas e, principalmente, alinhamento de interesses entre as partes. De forma geral, este tipo de investimento pode ser um importante catalisador para acelerar o crescimento de empresas.
Aqui, na Portofino Multi Family Office, temos conhecimento, experiência e diferentes estratégias para apoiar empresários a encontrar a melhor maneira de captar recursos para seus negócios, de acordo com o momento e os objetivos dos sócios e da empresa. Nossa equipe especializada está preparada para oferecer soluções personalizadas, orientação financeira e acompanhamento para ajudar os empresários a aproveitar as vantagens do Private Equity e outras alternativas de financiamento, sem nenhum conflito de interesses.
Entre em contato conosco para discutir suas necessidades específicas e saber como podemos ajudá-lo a impulsionar o crescimento de sua empresa.
Luiz Guimarães é sócio Portofino MFO M&A (Fusões e Aquisições) e possui 12 anos de experiência na área, formado em Administração e Ciências Contábeis pelo IBMEC, com extensão em Private Equity e Venture Capital pela IE Business School – Madrid.
Um grupo mercenário liderado por um oligarca e, até então, amigo e braço direito de Vladimir Putin foi responsável pela ameaça mais grave de poder ao presidente e seu governo em 24 anos. Apesar da tensa situação ter sido resolvida com “panos quentes” de ambos os lados, a sensação é que Putin sai enfraquecido desse embate.
No último mês, o líder do Grupo Wagner, organização paramilitar com fortes ligações ao governo russo, Yevgeny Prigozhin, acusou o Ministério de Defesa russo de atacar um acampamento e matar integrantes do grupo. O Kremlin prontamente negou qualquer envolvimento e acusou o líder de motim armado. Os mercenários marcharam em direção à cidade de Rostov e rapidamente a dominaram, mas o objetivo era Moscou, chegando a 200 km da capital.
Os dois lados firmaram um acordo e a organização paramilitar recuou suas tropas para, segundo Prigozhin, “não derramar sangue russo”. Putin chegou a dizer que a rebelião foi uma “facada nas costas”.
O impacto para o mercado
A expectativa era como essa tentativa de golpe refletiria no mercado financeiro. Neste sentido, é importante destacar que não houve nenhum impacto nem mudanças relevantes a curto prazo no cenário. No entanto, como descreveu Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos, a rebelião revelou fragilidades no governo russo.
Isso é resultado de um momento de muita imprevisibilidade vivido pela Rússia. A exportação de petróleo é uma das principais atividades do país e, apesar das sanções impostas após a invasão na Ucrânia, achou em parceiros uma saída para vender seus barris da commodity.
Desde o desempenho abaixo do esperado na guerra, a Rússia vem externando fissuras e inseguranças internas. O país enfrenta diversas sanções do Ocidente e no conflito contra a Ucrânia vê o seu exército com enormes dificuldades de conquistar território. Agora, essa rebelião ressalta ainda mais a imagem abalada do Kremlin.
Em meio a esse cenário, a grande questão é se o “motim” do Grupo Wagner ficou por isso mesmo ou se terão outros movimentos. Caso essa história tenha mais capítulos e afete a capacidade da Rússia de exportar petróleo, países parceiros, com destaque para a China, poderão passar a olhar outras alternativas, levando a um possível aumento na demanda por petróleo e consequente variação nos preços.
Havia muita expectativa sobre qual seria o comportamento da economia chinesa após a reabertura econômica com o fim das restrições impostas durante a pandemia de coronavírus. A expectativa era que houvesse um boom de crescimento do gigante asiático, contudo, apesar da recuperação estar ocorrendo, o ritmo não supre as expectativas de antes.
Importantes indicadores apresentaram uma queda significativa que impacta diretamente na percepção de crescimento. Dados recentes do PIB, setor imobiliário, produção industrial, vendas no varejo, exportações e importações mostraram uma desaceleração e ficaram abaixo das previsões. Especificamente sobre o setor imobiliário, ele foi o principal impulsionador da economia chinesa por muito tempo, hoje representa quase 20% do PIB do país, mas se tornou uma grande preocupação.
A inflação ao produtor e ao consumidor seguem em patamares historicamente baixos. A primeira, em junho, caiu 5,4% em relação ao mesmo mês em 2022. Já a inflação ao consumidor, caiu 0,2% em junho em relação a maio e ficou estável (0,0%) na comparação com junho de 2022. Esses dados mostram uma recuperação que caminha muito lentamente, com a população cautelosa nos gastos, impactando diretamente no movimento de recuperação pós-pandemia.
Empurrãozinho do governo
Observando a necessidade de garantir caminhos para que a economia reaqueça, o governo adotou algumas medidas para estimular o consumo. No último mês, a política monetária foi alterada para estimular o consumo, reduzindo as taxas de juros, como de longo prazo, que influencia diretamente o financiamento imobiliário. Esse movimento deve permitir que as obras iniciadas que estavam paralisadas possam ser concluídas.
A redução nas taxas de juros é a primeira realizada pelo Banco do Povo (Banco Central da China) desde agosto de 2022. Apesar dos recentes estímulos, o mercado ainda espera que novas medidas sejam anunciadas para fortalecer o processo de recuperação dos chineses.
Essa expectativa ficou ainda mais latente após a divulgação do PIB chinês do segundo semestre vir abaixo do esperado, ressaltando a recuperação econômica aquém do projetado por lá. O Produto Interno Bruto da China cresceu 6,3% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em relação à média de crescimento do PIB global de 3%, esperado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), os dados chineses estão bem acima. Contudo, a expectativa para o crescimento chinês era maior, dito que, há um ano, a economia do país passava por uma dura política de Covid zero que colocou inúmeras cidades em lockdowns. Neste sentido, a base de comparação era baixa, o que elevou as expectativas. Enquanto isso, a China segue crescendo, contudo em um ritmo de recuperação abaixo do esperado.
Em relação ao primeiro trimestre, a alta foi de apenas 0,8% – contra 2,2% na comparação entre 1T23 e 4T22.
Nos últimos dias, o Politburo (comitê formado pelas mais poderosas lideranças do Partido Comunista Chinês) foi marcado pelo anúncio de estímulos para a economia, apesar das autoridades não terem entrado em muitos detalhes. A agência de notícias estatal Xinhua publicou um resumo dizendo que o governo quer estimular os gastos com consumo, combater o desemprego e apoiar o fragilizado setor imobiliário.
Enviando currículos…
Outro ponto preocupante é a alta taxa de desemprego para jovens entre 16 e 24 anos, que chegou a 20,8% em maio, a maior já registrada no país. Resumidamente, está ocorrendo um aumento na base de jovens educados e o mercado de trabalho não está acompanhando o ritmo de crescimento e oferecendo vagas condizentes em termos de salários e qualificação profissional.
O governo tem tentado fazer com que as empresas contratem mais profissionais qualificados e que os recém-formados aceitem trabalhos braçais e procurem oportunidades no interior. Entretanto, essa solução não tem brilhado aos olhos dos jovens. E essa situação tende a piorar ainda mais nos próximos meses, com a expectativa de que quase 12 milhões de estudantes devem se graduar na faculdade. Mais um problema que o governo de Xi Jinping tem para resolver.
China x Ocidente
Como se pode ver, não são poucas as atenuantes que afetam a economia chinesa. Uma das principais é a guerra comercial com os americanos. Acusações de espionagem, disputas geopolíticas, restrições no setor de tecnologia e outras questões econômicas. A “Guerra dos Chips”, os semicondutores, é a principal expoente dessas tensões, principalmente com o avanço da inteligência artificial.
Sabendo dos interesses chineses, os Estados Unidos, a Holanda e o Japão se uniram para restringir o acesso da China a suas tecnologias. O mercado de chips, de extrema importância no ponto de vista econômico, tecnológico e militar, movimenta mais de US$ 500 bilhões por ano com a expectativa de dobrar esse número até o fim da década.
O posicionamento chinês em relação a Taiwan também é outro empecilho na direção de um melhor relacionamento com o Ocidente. As constantes ameaças de invasão e reinvindicação do território vizinho, assim como a neutralidade na guerra da Ucrânia, são atenuantes que dificultam a colaboração econômica global.
O sentimento ainda é de otimismo
No último mês, durante a cúpula do Fórum Econômico Mundial, Li Qiang, primeiro-ministro chinês, demonstrou confiança quanto ao crescimento chinês.
O ministro demonstrou otimismo com o PIB, ainda mostrando confiança com um crescimento anual de 5%. As falas de Qiang foram recebidas com a esperança de que o governo pode anunciar mais medidas de estímulos para impulsionar a recuperação econômica do país, que vieram durante o Politburo. Mesmo com poucos detalhes e informações de como serão essas medidas, o posicionamento do governo chinês com o intuito de impulsionar a economia é bem recebido.
A China é a segunda maior economia do mundo, representando aproximadamente 15% do cenário mundial. Os próximos meses darão respostas de como a economia reagirá e como o mercado receberá um avanço mais pujante ou mais dados fracos e seus impactos na economia global. Seguimos monitorando o mercado chinês e realizando movimentos táticos que interpretamos como apropriados para os objetivos dos nossos clientes.