Nesta quinta-feira (17.08.23), aconteceu o AgroForum, evento realizado pelo BTG Pactual, que discutiu diversos assuntos relacionados ao agronegócio com a presença de importantes nomes da economia e política brasileira, como os governadores de São Paulo, Mato Grosso e Goiás, Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, e outros diretores de grandes empresas do setor.
Energia Verde: Investindo em Biometano e Biogás
Neste primeiro painel, o BTG Pactual recebeu Marcel Jorand, CEO da Gás Verde, Renato J.S. Pereira, VP da Adecoagro, e José Fernando Mazuca, CEO da UISA. Os três executivos debateram ao longo de 40 minutos sobre o investimento em Biometano e Biogás e como suas respectivas empresas têm atuado no mercado.
Jorand mostrou uma visão positiva para os próximos passos, afirmando que “a festa está só começando” Ele também aproveitou para ressaltar que eles não competem com o álcool ou a gasolina. Mazuca, por outro lado, apontou os desafios do setor, explicando que o maior deles é encontrar uma forma de linearizar a produção o ano todo.
Soluções em Biocombustíveis de Grãos
Na sequência, foi a vez de Luiz Dumoncel, CEO da 3Tentos, Erasmo C. Battistella, fundador da Be8, e Rafael Abud, CEO da FS Bio. Durante o painel, eles concordaram que o Brasil é uma vitrine e referência mundial quando o assunto é biocombustíveis de grãos. Eles atribuíram isso à grande frota flex e às políticas públicas que estão contribuindo para o país ser um exemplo no setor.
A perspectiva para o futuro é boa também. O painel debateu que o país possui um grande potencial de exportação e que é importante olhar para esse mercado que está se desenvolvendo mundialmente. Por fim, o debate ficou em torno do que é necessário fazer daqui para frente, e foi abordado que é preciso cada vez mais alimentos, energia e se atentar às mudanças climáticas. No Brasil, temos boas condições de mostrar o potencial em bioenergia.
Os Caminhos para Transição Energética
O terceiro painel do dia teve como convidado o Ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, que explicou que não há como enxergar o desenvolvimento do setor de energia sem caminhar com a sustentabilidade. “Temos que criar o ambiente para que no médio prazo a gente esteja na nova economia, a economia verde”, disse ele.
O ministro analisou que o passo para o horizonte é a compatibilização da nova economia. Segundo a sua análise, o Brasil – e a Índia talvez -, pela pujança e posição geográfica, é o país que, se acertar nas políticas, pode aproveitar esse novo momento e sair na frente como protagonista político e econômico. “Estamos vivendo um ambiente de muitas oportunidades e com um desafio enorme”, afirmou.
Na sua participação, Silveira ainda falou sobre a importância do gás natural, citando a insegurança energética que a guerra no leste europeu despertou, e a necessidade de trabalhar em integração energética.
A Força da Indústria no Campo
Nicole Trennepohl, Diretora Executiva da Stara, George Vital, CEO da Fockink, Denis Alves, CEO da Grunner, e Sérgio Carvalho, CEO da Randoncorp, foram os convidados para debater neste painel.
Vital e Carvalho mostraram uma visão positiva para o agronegócio no resto deste ano e para 2024. O CEO da Fockink citou as políticas públicas e o avanço da reforma tributária, por exemplo, como aspectos que contribuem para essa perspectiva. Denis Alves pontuou que o agro está sempre olhando para o futuro e acredita que o Brasil continuará sendo uma potência agro energética nos próximos anos.
Os integrantes do painel ainda falaram sobre inovação e sustentabilidade. Alves citou que a Grunner faz parte do programa Rota 2030, iniciativa do Governo Federal para estimular o investimento e o fortalecimento das empresas brasileiras do setor automotivo por meio do desenvolvimento e da aplicação de novas tecnologias. Sérgio Carvalho destacou que a Randocorp está investindo muito em tecnologias para reduzir os custos de transporte dos grãos brasileiros. Também afirmou que atuam no ESG de uma maneira muito ampla e arrojada, como reduzir a geração de gás estufa até 2030, o qual possuem a expectativa de atingir a meta.
O Momento do Setor de Proteínas
Seguindo o dia de debates no AgroForum, Ricardo Faria, Presidente do Conselho da Granja Faria, Eduardo Miron, CEO da Frigol, e Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, falaram sobre o setor de proteínas.
Na visão de Miron, o momento das proteínas no curto prazo é preocupante, onde algumas das variáveis que definem os resultados das empresas estão em um movimento contrário. Ele citou o câmbio e a dependência muito grande da China, como exemplos para a sua opinião. No entanto, sua visão para o longo prazo é de que “temos tudo para ter muito sucesso. Estruturalmente, o Brasil está super bem posicionado”.
Um assunto bastante debatido foi a respeito da China. Apesar de Miron colocar que hoje há um problema no país asiático, Tomazoni se disse otimista com o país. “Mesmo durante a crise que teve com o suíno, o consumo bovino não teve nenhuma mudança. No longo prazo, a carne bovina vai continuar crescendo na China”, afirmou. Ele complementou analisando que o sudeste asiático como um todo tem perspectiva de crescimento e o Brasil está em uma posição privilegiada para se aproveitar.
Dentre os demais assuntos, a sustentabilidade surgiu à pauta. Miron explicou que a Frigol é uma das poucas empresas que fazem relatório de sustentabilidade. “As empresas que quiserem sobreviver terão que olhar para essas questões”, disse ele. Já Ricardo contou que a Granja Faria encara a sustentabilidade como obrigação, e não como retórica. “A gente acredita na diversidade, pontos de vista distintos. Não estamos fazendo sustentabilidade por moda”, disse Faria.
Brasil: Potência do Agronegócio
O segundo painel da tarde reuniu Tarcísio de Freitas, Mauro Mendes e Ronaldo Caiado, respectivos governadores de São Paulo, Mato Grosso e Goiás.
Tarcísio destacou que o Brasil é uma potência agroambiental, que sobretudo é sustentável e referência para todo o mundo. “O agro vai nos dar muitas alegrias no ramo da transição energética”, afirmou. Mendes seguiu na mesma linha, com a explicação de que o agronegócio é desenvolvido no país inteiro. “Dentro do nosso país e no mundo, não tem nenhum setor tão representativo quanto”, disse.
Foto: Divulgação BTG Pactual
Os políticos também navegaram por outras questões, como infraestrutura. O governador de São Paulo disse que, embora o estado tenha uma infraestrutura de boa qualidade, o grande desafio é retomar as ferrovias. Ronaldo Caiado analisou que a logística é fundamental, e que “quando você pensa em logística no Brasil, a discussão é sempre Atlântico Norte e Sul. Eu entendo que para as regiões do Norte e Centro-Oeste, a grande saída é o Pacífico. Nós seríamos muito mais competitivos”.
Além disso, tecnologia também foi tema de debate, com o investimento nesse setor sendo fundamental, assim como segurança pública. Mauro Mendes falou sobre o futuro do agro: “O agro tem um futuro interessante, mas existem desafios, como as mudanças climáticas, que podem proporcionar uma grande oportunidade para o Brasil, mas também uma dificuldade”.
Bioinsumos: Sustentabilidade e Inovação
No penúltimo painel do dia, Fabrício Simões, CEO da Ubyfol, Jorge Almeida, Diretor Geral Brasil da Rovensa, e Antônio Gissi, CEO da Essere, comentaram sobre os avanços dos bioinsumos.
Simões falou que o setor de insumos no Brasil está cada vez mais se reinventando. “Quando olhamos para o futuro vamos ter que produzir mais e melhor. O desafio é cada vez mais levar tecnologia, ainda mais com a necessidade de aumento de produtividade que vai ser exigido da agricultura brasileira”, analisou.
Ao fazer uma “retrospectiva”, Gissi explica que, antigamente, os biológicos eram utilizados de forma muito errada, fazendo com que o produtor deixasse essa tecnologia adormecida. Ele ainda atribuiu a ascensão da sustentabilidade como um dos motivos para a volta do uso dos bioinsumos. “Os bioinsumos não vieram para substituir o defensivo químico. Eu acho que os químicos devem ceder espaço aos biológicos, mas eles vão sempre trabalhar juntos”, finalizou.
Cenário Econômico e Político Brasileiro
Para encerrar o evento, André Esteves, Chairman e Sócio Sênior do BTG Pactual, e Mansueto Almeida, Economista-chefe do BTG Pactual, analisaram o cenário econômico e político no Brasil e no mundo.
O economista-chefe revelou que tem a impressão de que hoje o Brasil está em um momento bem melhor do que no início do ano. “No começo do ano, não sabíamos a posição e estratégia do governo em muitas questões”, afirmou Almeida.
Ele comentou que ao longo do ano houveram algumas surpresas positivas que levaram o Brasil a estar em uma posição melhor, tal qual o novo plano fiscal que colocou um limite para o crescimento do gasto (com grande apoio da Câmara dos Deputados) e o crescimento da produção agrícola em 2023, sendo muito maior do que o dimensionado. O economista também destacou a mudança de comportamento em relação à independência do Banco Central. Ele explicou que atualmente, quando alguém critica a independência do BC, escutamos líderes políticos criticando, o que era diferente há anos atrás.
Esteves concordou que o Brasil melhorou muito, destacando também o arcabouço fiscal e os benefícios das reformas discutidas. O chairman analisou a situação na China e nos Estados Unidos. Em relação aos americanos, ele falou sobre a política monetária, que o Federal Reserve está próximo do fim de altas. Na China, ele comentou sobre o setor imobiliário, o qual está vivendo uma “crise clássica”. A China é o país do G20 mais dependente do setor imobiliário. “Me preocupa também o estilo da liderança chinesa, a qual se preocupa mais com a política do que com a economia”, comentou. Por fim, ele disse que está pessimista com o curto prazo chinês, apesar de ponderar que é difícil apostar contra.
Este é um conteúdo produzido por PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária. Quer acessar outros mais?Clique aqui.
O Dia dos Pais é uma das datas mais prestigiadas no mundo todo, aquele dia dedicado a ter um momento especial com seu pai, seja ele de sangue ou aquela pessoa vista como referência e exemplo em nossas vidas. Mas você sabia que a data começou a ser comemorada nos Estados Unidos como forma de homenagear um veterano de guerra e que no Brasil foi um diretor do jornal O Globo e da rádio que teve a ideia de comemorar a data?
O primeiro Dia dos Pais da história
A comemoração do Dia dos Pais tem origens que remontam a diferentes culturas e tradições ao longo da história, mas a celebração moderna, como a conhecemos hoje, tem suas raízes nos Estados Unidos. Acredita-se que a ideia de um dia dedicado aos pais tenha surgido a partir de uma iniciativa da filha de um veterano da Guerra Civil Americana chamada Sonora Smart Dodd.
Em 1909, Sonora propôs a criação de um dia especial para homenagear os pais. Ela desejava honrar seu pai, William Jackson Smart, um veterano da Guerra Civil americana que criou os filhos sozinho após a morte da esposa. Em 19 de junho de 1910, aniversário de seu pai, a filha enviou à Associação Ministerial de Spokane, em Washington, uma solicitação para tornar a data oficial.
Em 1972, o presidente Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais como feriado nacional nos Estados Unidos, tornando-o uma data oficial de celebração em todo o país no terceiro domingo de junho de todo ano.
E no Brasil, como surgiu ?
Por aqui, a data foi impulsionada pelo publicitário Sylvio Bhering. Em 1953, precisamente no dia 16 de agosto, Bhering, diretor do jornal O Globo, teve a iniciativa de criar uma campanha para homenagear os pais brasileiros. A campanha ganhou força, e o Dia dos Pais passou a ser oficialmente comemorado no Brasil. Assim como em outros países, a data do Dia dos Pais no Brasil é móvel, sendo celebrada no segundo domingo de agosto.
Ao longo dos anos, a comemoração no Brasil se consolidou, seguindo o exemplo dos Estados Unidos, com troca de presentes, homenagens e gestos de carinho em direção aos pais e figuras paternas.
Neste sentido, o Dia dos Pais também tem uma importância comercial muito grande. Nas datas comemorativas, é comum encontrar restaurantes e lojas cheios, promoções de presente e outras iniciativas para o “presente perfeito” para os homenageados.
Já é hora de planejar
O Dia dos Pais está chegando e você já pode começar a planejar o que fazer nesta data especial. Por isso, separamos aqui, com base nas cidades em que temos escritório no Brasil, uma lista de eventos que podem te ajudar no planejamento do dia.
Apaixonados por futebol
Exposições e shows
Elementar: Fazer Junto – Museu da Arte Moderna de São Paulo
O Dia dos Pais também é marcado pelos presentes. E essa muitas vezes é uma tarefa muito difícil, saber o que a outra pessoa quer ou gostaria. Pensando nisso, separamos aqui alguns presentes menos tradicionais do que outros.
Hotel de luxo em Roma
O Hotel de Russie, apelidado pelo poeta francês Jean Cocteau em 1917 como “paraíso na terra”, foi eleito o melhor de Roma pelo Travel + Leisure World’s Best Awards 2023.
Localizado na Via del Babuino, perto da famosa Piazza del Popolo, é famoso por receber artistas, políticos, escritores, entre outros. Pensando em aproveitar o verão europeu, as diárias neste hotel 5 estrelas começam em € 15,4 mil.
Divulgação/Hotel de RussieDivulgação/Hotel de RussieDivulgação/Hotel de RussieDivulgação/Hotel de Russie
Passeio no Sudeste Asiático
Uma viagem de trem que dura três noites pode ser uma oportunidade para conhecer o sudeste asiático, com diferentes rotas, por R$ 16 mil. Em 2024, The Eastern & Oriental Express – A Belmond Train lançará duas viagens sazonais de ida e volta de Cingapura, passando pela Malásia e com paradas em destinos populares, como Penang, Langkawi e o Parque Nacional Taman Negara.
Serão oferecidas duas experiências para os clientes. A primeira é a “Essence of Malaysia: A Gateway into Malay Culture”, que explora o oeste da Malásia indo de Cingapura através de Kuala Lumpur até a ilha de Langkawi e depois Penang. A outra é a “Wild Malaysia: Exploring Sights Unseen”, que, por sua vez, viaja pela costa leste do país.
Bancos centrais implementam ferramentas distintas para cumprir seus mandatos de inflação e estabilidade financeira.
Por Mariam Dayoub, CFA charterholder e mestre em Administração Pública pela Universidade Columbia
Após um período prolongado de taxa de juros baixas mundo afora, ainda que com algum atraso por terem inicialmente caracterizado o surto inflacionário corrente como “transitório”, os bancos centrais reagiram às taxas de inflação mais altas das últimas quatro décadas com uma elevação forte e rápida dos juros.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, subiu a taxa de juros em quase cinco pontos percentuais desde março de 2022, na campanha de aperto monetário mais intensa desde a década de 1980. Porém, a inflação, dados os impactos variáveis e cumulativos da política monetária, permanece elevada e distante da meta de 2%.
Sempre que o Fed embarcou em um ciclo de aperto monetário, houve episódios de estresse ou crises no mercado financeiro subsequentemente. Geralmente, o maior impacto ocorre em entidades alavancadas. Alguns exemplos são: a crise de dívida externa da América Latina (1982), o estouro da bolha da internet (2000) e a crise do subprime (2007).
Desta vez, após fortes quedas nos preços das ações de crescimento e altas nas taxas de juros de mercado em 2022, tremores foram sentidos no sistema bancário americano. Em março de 2023, ocorreram a segunda, a terceira e a quarta maiores falências bancárias da história dos EUA, concomitantes ao colapso de um grande banco suíço.
Os problemas nesses bancos regionais americanos não ocorreram por perdas nas concessões de crédito, mas por má gestão de risco e fragilidades em seus modelos de negócio. Ademais, hoje, a tecnologia permite que correntistas saquem seus depósitos de instituições financeiras com um toque nos aplicativos, o que aumenta exponencialmente a velocidade de corridas bancárias. Nos casos desses bancos, isso foi potencializado por publicações em redes sociais. Ficou claro que a revolução tecnológica e digital transformou o mercado bancário global.
O pilar que sustenta o setor bancário é a confiança. Quando abalada, seus impactos são sentidos por toda a economia. Dadas as cicatrizes deixadas pela crise financeira global de 2008 a 2009, os reguladores do sistema financeiro, que falharam na supervisão dos bancos que quebraram em 2023, agiram rapidamente para impedir que esses eventos se tornassem sistêmicos. Nos EUA, além da janela de redesconto, o Fed criou um programa para prover liquidez aos bancos, aceitando títulos públicos no valor de face como colateral. Com essas medidas, os saques de depósitos por correntistas do sistema bancário e o uso desses programas disponibilizados pelo Fed se estabilizaram.
O episódio de 2023 evidenciou a separação de instrumentos utilizados pelos bancos centrais para o cumprimento de seus objetivos de controle de inflação, via taxa de juros, e de estabilidade financeira, via implementação de medidas macroprudenciais. Essa separação é válida enquanto crises financeiras ou bancárias não se transmitem para a economia de forma mais intensa.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) seguiu os pares globais. Em sua comunicação recente, o Copom avaliou que “a melhor contribuição da política monetária segue sendo no combate a pressões inflacionárias e na suavização de flutuações econômicas” e ressaltou a separação de instrumentos entre os dois objetivos.
Historicamente, estresses no sistema financeiro levaram a apertos de crédito nas economias. Neste episódio contemporâneo, todavia, o pano de fundo é relativamente saudável. No agregado, tanto as famílias quanto as empresas estão com balanços mais robustos, o que limita o impacto do choque. Contudo, ele será transmitido nos trimestres à frente, com a restrição de crédito impactando a atividade, equivalente a um aperto adicional da política monetária.
Membros do Fed têm indicado que, isso posto, o banco central encerrará seu ciclo de aperto monetário com uma taxa de juros aquém do esperado antes do choque bancário, porém com manutenção de taxas de juros elevadas por um período prolongado. Esse modus operandi segue o Copom, que antecipou o ciclo de aperto monetário comparado aos pares e mantém uma postura paciente neste segundo estágio do processo de desinflação, que requer moderação da atividade para atuação dos canais de transmissão da política monetária.
Tanto lá quanto cá, para antecipar o ciclo de afrouxamento da política monetária, o impacto dos choques transmitidos pelo sistema bancário terá de ser mais profundo do que o esperado pelas autoridades monetárias, levando a uma desinflação mais intensa, simultânea ao aumento da taxa de desemprego.
Diante dos múltiplos desafios, os bancos centrais indicam que seguirão atuando com paciência e serenidade para garantir que, nos próximos anos, a inflação retorne para níveis próximos às metas, em um ambiente com expectativas ancoradas e com reformas em prol da estabilidade financeira.
Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.
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Na madrugada da sexta-feira (7), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da 1ª Etapa da Reforma Tributária, a qual busca melhorar e simplificar o sistema tributário brasileiro, com enfoque na tributação sobre o consumo.
De forma resumida, o texto mais recente da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 45/19 unifica o ICMS, ISS, IPI, PIS, Cofins e cria o IVA (Imposto Sobre Valor Agregado), que será dividido em dois tributos: um federal (a Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS) e outro dos estados e municípios (o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS).
Além dos impostos sobre o consumo, o texto que agora segue para votação do Senado, também inclui outros temas, sobre tributação do patrimônio, que impactam diretamente as pessoas físicas:
ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação)
Deverá ser progressivo, em razão do valor da doação ou herança. Segundo o relator do projeto, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o objetivo é “tributar as heranças e doações de alto valor de modo mais justo”.
Alguns estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro já possuem alíquotas estaduais progressivas. Outros estados como São Paulo e Minas Gerais, que possuem alíquota fixa, precisarão ajustar as leis estaduais, se a reforma for aprovada no Senado Federal.
A alíquota máxima atual de 8% permanece a mesma e não é objeto de alteração na PEC nº 45/19. Em outras propostas paralelas, existe a possibilidade de o “teto” de 8% ser majorado.
ITCMD – Heranças no exterior e doações feitas por não-residentes
Enquanto não houver lei complementar específica regulamentando esse assunto, o texto da reforma prevê que os Estados poderão exigir ITCMD no estado de domicílio do herdeiro ou donatário. Na prática, essas duas hipóteses que hoje não são tributadas por ausência de previsão legal, passarão a ficar sujeitas ao recolhimento de ITCMD.
Vale lembrar que a entrada em vigor de qualquer alteração nas regras de imposto sobre doações e herança, que resulte em aumento da carga tributária, deve observar 02 condições: as novas regras só podem ser aplicadas no ano seguinte à mudança de lei e após 90 dias da data de sua publicação.
Isenção de ITCMD nas doações para instituições sem fins lucrativos
O ITCMD não incidirá sobre as doações destinadas a entidades e organizações que atenderem determinados requisitos e condições, que serão estabelecidos em lei complementar posteriormente.
IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para aeronaves e embarcações
O texto da PEC nº 45/2019 prevê que o IPVA passará a incidir sobre a propriedade de aeronaves e embarcações particulares.
IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)
A proposta aprovada pela Câmara prevê a possibilidade de atualização da base de cálculo do imposto pelo Município. Atualmente, não existe nenhuma permissão expressa nesse sentido.
A PEC nº 45/2019 estabelece que, após sua aprovação no Senado e promulgação, o Poder Executivo, em até 180 dias, deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei com propostas de alteração na tributação da renda.
A expectativa do mercado, com base em sinalizações do governo ao longo do primeiro semestre, é que as propostas de alterações no imposto de renda sejam endereçadas no segundo semestre, incluindo pautas como tributação de dividendos, fundos fechados e de investimentos e estruturas no exterior.
Estamos atentos e acompanhando esse assunto de perto. As mudanças na tributação do consumo são bastante relevantes e vão demandar uma reorganização geral das empresas. A boa notícia é que a PEC prevê um período de transição, o que permite que os contribuintes se reorganizem com antecedência em relação ao IVA.
Sobre as alterações na tributação do patrimônio e futuramente para as propostas que serão apresentadas sobre o imposto de renda, que impactam diretamente as pessoas físicas, a atenção será redobrada. Nesses casos, as novas regras podem valer já no início do ano seguinte à aprovação, sendo que para alguns impostos temos também o prazo de 90 dias. Em qualquer cenário, o tempo de reorganização e aproveitamento das regras antigas será mais curto, o que demandará mais agilidade dos contribuintes e advogados. Como family office, nós estamos preparados para auxiliar as famílias no que for necessário para garantir a readequação ágil dos planejamentos.
Victória Siqueira é Head de Wealth Planning na Portofino MFO, formada em Direito pela FGV, com extensão em General Business with Concentration in International Trade and Commerce pela UCLA.
No cenário de negócios, muitas empresas demandam capital para financiar o crescimento, expandir operações ou desenvolver iniciativas estratégicas. Tradicionalmente, empresários recorrem à dívida como primeira fonte de financiamento. Com o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro, os fundos de investimento em equity (Private Equity) mostram-se como uma alternativa com vantagens e oportunidades importantes. Nosso objetivo é explorar melhor o conceito de captação com fundos de investimento como uma alternativa à captação de crédito de forma geral.
Os Fundos de Private Equity alocam capital em empresas privadas de diferentes perfis, inclusive empresas familiares. Diferente do crédito, que envolve o repagamento do capital levantado em um prazo específico e com juros, o investimento de equity leva, em contrapartida, ao capital investido, uma participação societária na companhia. O capital desse fundo vem de investidores privados ou institucionais para investimento em negócios sólidos e com boas perspectivas de crescimento.
Vantagens do levantamento de capital através de Fundos de Private Equity:
Não aumenta a alavancagem da companhia: os fundos fornecem acesso a capital livre de garantias e pagamento de juros. Isso pode ser benéfico em cenários, como o atual, de redução no volume de concessão de crédito por parte dos bancos e alta da taxa de juros.
Visão de longo prazo: diferentemente dos bancos, que focam, principalmente, no recebimento de juros e no repagamento do capital, os fundos têm tipicamente uma visão mais de longo prazo. Isso significa que estão mais comprometidos com o crescimento e o sucesso do negócio e, muitas vezes, trabalham em conjunto com o empresário para destravar valor e maximizar o retorno.
Flexibilidade: a estrutura dos investimentos dos fundos pode ser customizada conforme as necessidades do empresário. O capital pode ser usado em diferentes frentes do negócio, como, por exemplo, abertura de uma nova unidade produtiva, internacionalização, aquisições, ampliação da estrutura comercial e, eventualmente, até aporte de capital no “bolso” dos sócios para diluição de risco da pessoa física.
Suporte operacional e de governança: os fundos geralmente trazem experiência operacional e de acompanhamento de negócios. Isso vai além de aspectos financeiros, como orçamento e KPIs. Eles também apoiam na estratégia de crescimento do negócio, na estruturação de governança corporativa e no networking.
Atualmente, no mercado brasileiro, existem diversos perfis de Fundos de Private Equity, nacionais e internacionais, incluindo fundos com experiências setoriais específicas (agronegócio, indústria, tecnologia, varejo, etc.). Somente em 2022, esses fundos investiram mais de R$15 bilhões em empresas brasileiras. Ao se associar a um fundo, o empresário pode obter diversos benefícios, visando maximizar a geração de valor futura. Como exemplo, a maioria das empresas que realizaram abertura de capital nos últimos 10 anos tinha um fundo de investimento como sócio, que apoiou a companhia, dentre outras coisas, no processo de crescimento e governança.
No entanto, por se tratar de uma estrutura muitas vezes complexa, pontos importantes devem ser considerados, como diluição acionária, estratégia de saída, acordo de acionistas e, principalmente, alinhamento de interesses entre as partes. De forma geral, este tipo de investimento pode ser um importante catalisador para acelerar o crescimento de empresas.
Aqui, na Portofino Multi Family Office, temos conhecimento, experiência e diferentes estratégias para apoiar empresários a encontrar a melhor maneira de captar recursos para seus negócios, de acordo com o momento e os objetivos dos sócios e da empresa. Nossa equipe especializada está preparada para oferecer soluções personalizadas, orientação financeira e acompanhamento para ajudar os empresários a aproveitar as vantagens do Private Equity e outras alternativas de financiamento, sem nenhum conflito de interesses.
Entre em contato conosco para discutir suas necessidades específicas e saber como podemos ajudá-lo a impulsionar o crescimento de sua empresa.
Luiz Guimarães é sócio Portofino MFO M&A (Fusões e Aquisições) e possui 12 anos de experiência na área, formado em Administração e Ciências Contábeis pelo IBMEC, com extensão em Private Equity e Venture Capital pela IE Business School – Madrid.
O mercado imobiliário tem evoluído ao longo dos anos, abrindo novas oportunidades para investidores que desejam explorar esse setor literalmente sólido e também lucrativo. O avanço da tecnologia e a digitalização desempenharam um papel crucial nessa transformação, simplificando processos, ampliando o acesso à informação e gerando novas formas de negócios.
Dados estatísticos comprovam a preferência e confiança contínua dos investidores em imóveis como uma opção rentável. Segundo a Wealth-X, cerca de 30% do patrimônio líquido das famílias ultra high net worth é investido em imóveis. Além disso, o Banco Mundial revela que os preços dos imóveis residenciais têm apresentado crescimento constante, com uma taxa média de valorização anual entre 3% e 5% em diversos mercados globais. Esses números confirmam a capacidade dos imóveis de gerar valor e retornos atrativos a longo prazo, destacando o potencial desse setor tradicional.
Na Portofino, oferecemos uma área especializada para atender às diversas necessidades dos nossos clientes em relação aos seus ativos imobiliários. Do planejamento estratégico do portfólio familiar à assessoria na tomada de decisões, nosso objetivo principal é otimizar o desempenho e o retorno, sem intermediários nem conflitos de interesse.
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