CEO CONFERENCE | BTG Pactual – Dia 1

CEO CONFERENCE | BTG Pactual – Dia 1

Tempo de leitura – Overview do dia em 10 minutos.

Nesta terça-feira (22), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2022, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como os presidenciáveis Sérgio Moro e João Dória, além dos ministros Paulo Guedes, da Economia, Tarcísio Freitas, da Infraestrutura e Joaquim Leite, Meio Ambiente. Dentre outras personalidades, Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central, e Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados.

A Agenda Política Brasileira

No primeiro painel do dia, Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados, falou sobre o cenário político brasileiro. O parlamentar afirmou ser demagogia não querer discutir os jogos de azar no âmbito Legislativo. Além disso, Lira também falou que irá trabalhar para que o semipresidencialismo seja discutido até o fim do ano.

Perspectiva Econômica Brasileira

O painel “Perspectiva Econômica Brasileira” contou com a presença de Paulo Guedes, ministro da Economia, com a moderação de Mansueto Almeida, Economista-Chefe do BTG Pactual.

O ministro deu sua visão sobre o que esperar da nossa economia no futuro, dizendo que o Brasil vai surpreender com um crescimento para cima, ao contrário do que ele espera do exterior, que a perspectiva é de surpreender para baixo.

Ademais, Guedes manteve sua postura padrão, na qual mencionou todas as evoluções e, a contraponto, no que diz respeito às críticas que ele e o governo vêm recebendo, seguiu afirmando que as informações estão desencontradas e que os avanços são inúmeros.

Presidenciáveis 2022: Sérgio Moro

Ex-ministro da Justiça e Segurança e pré-candidato à Presidência da República, Sérgio Moro mostrou durante sua passagem no evento um posicionamento extremamente contrário e incisivo em relação à corrupção e contra Jair Bolsonaro.

Dentre os principais temas abordados por ele, Moro se mostrou favorável às privatizações e ao combate à corrupção. Neste sentido, o ex-ministro trouxe um discurso bem literal e reformista visando sua campanha eleitoral.

No tocante à sua campanha eleitoral, o presidenciável ressaltou a participação de Affonso Pastore como seu principal conselheiro, além de mais três economistas. Ainda neste campo, Moro demonstrou uma postura de união contra extremos, a qual deve buscar alianças para poder buscar mais eleitores. Por fim, em sua participação, o pré-candidato apresentou a intenção de acabar com a reeleição e a sua posição a favor do teto de gastos.

Leia mais: Fuja dos riscos locais e cruze fronteiras: Entenda as vantagens e veja para qual perfil os investimentos offshore são indicados

Presidenciáveis 2022: João Dória

Na sequência de Sérgio Moro, foi a vez de João Dória subir ao palco e falar um pouco sobre seus feitos durante seu governo em São Paulo e sua campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

Questionado sobre o seu programa de governo na economia, Dória foi enfático ao falar sobre a importância do teto de gastos. “Jamais romper o teto de gastos e manter o controle do orçamento”, afirmou o candidato. Além disso, ele aproveitou o momento para “cutucar” o atual governo e mencionar as reformas que não foram feitas no mandato de Jair Bolsonaro. Em outras palavras, ele se mostrou a favor de reformas e aproveitou o momento para criticar o governo inúmeras vezes.

Ainda no campo da economia, Dória usou da plataforma para falar sobre a alta da inflação e os impactos para as famílias de classe baixa. Neste campo, o filiado ao PSDB ressaltou os projetos sociais que realizou em São Paulo e a importância de pensar nas pessoas que estão à margem.

Dória também comentou sobre os números das pesquisas dos candidatos de terceira via, e afirmou que vai manter sua candidatura independente das perspectivas das pesquisas. No fim de sua participação, o pré-candidato comentou sobre a possível união entre MDB, União Brasil, Cidadania e PSDB. De acordo com artigo publicado pela jornalista Bela Megale, o MDB, União Brasil e PSDB decidiram criar uma espécie de grupo de trabalho para que as legendas tenham uma candidatura única na eleição presidencial de 2022.

O artigo também afirma que, além de debater uma candidatura única à Presidência, as siglas definiram que não estarão ao lado de Bolsonaro e nem de Lula.

O Protagonismo da Infraestrutura em 2022

No painel que teve a presença de Tarcísio Freitas, ministro da Infraestrutura, o parlamentar destacou que 2021 foi “super desafiador”. Ademais, ele também fez questão de mencionar que o Brasil tem tudo para virar um “canteiro de obras” nos próximos anos. Neste sentido, ele defendeu o avanço que o Brasil está tendo em diversos setores da infraestrutura.

Na parte final do painel, o ministro dedicou os últimos minutos para falar sobre narrativa versus realidade, ou seja, o que falam por aí e o que de fato acontece. Freitas explicou como a narrativa e a desconexão que há entre esses dois posicionamentos pode ser perigosa. Sendo assim, ele questionou a narrativa que está sendo criada e disse que não podemos acreditar nelas.

O painel também contou com a presença de Marco Cauduro, CEO da CCR, João Alberto F. de Abreu, CEO da Rumo S.A., e Antônio Sepúlveda, presidente da Santos Brasil.

Cenário da Política Monetária Brasileira

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tomou o palco para fazer uma apresentação sobre o cenário global da economia e do Brasil. Campos Neto explicou que a Covid gerou o deslocamento da demanda de serviço para bens, aumentando assim a demanda de energia na produção. Para produzir mais bens, é necessário mais energia e, mesmo a energia verde, também custa mais caro e contribuiu nos índices de inflação. Em resumo, houve um aumento dos preços de energia que se manterá alto por mais tempo devido ao deslocamento da demanda.

Além disso, pontuou que acredita haver uma inflação encomendada nos EUA, por vir, e que a mudança estrutural na forma de trabalho americana, com as pessoas trabalhando mais de casa, fez o mercado precificar 5 altas de 0,25%.

Em relação à política monetária brasileira, Campos Neto analisou que os países emergentes, com exceção do Brasil e Rússia, estão abaixo da taxa de juros neutra. Ou seja, isso indica que muitos países ainda vão subir suas respectivas taxas de juros. Segundo ele, o Brasil tem atualmente a maior inflação dos emergentes e que 60% da taxa de 10% veio da Energia.

O site do Banco Central disponibilizou todo conteúdo da apresentação feita por Campos Neto que você pode baixar, clicando aqui.

Economia Verde: um Novo Brasil

No penúltimo painel do dia se discutiu muito o tema da sustentabilidade. Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, falou sobre o programa para criação de crédito de reciclagem que está sendo desenvolvido junto com Paulo Guedes.

Além de Leite, Gustavo Montezano, presidente do BNDES, também participou e comentou sobre como o programa de saneamento está sendo bem-sucedido. Ele instigou a opinião pública a perguntar a seus representantes municipais, estaduais e federais qual o projeto de saneamento de seu estado.

Ricardo Botelho, CEO da Energisa, também esteve no painel e finalizou com uma comparação com a Fórmula 1: “O Brasil está na pole position de potência ambiental e energética”.

Análise: Pesquisas Eleitorais 2022

O último painel do dia recebeu Márcia Cavallari, CEO da IPEC, Marcelo Tokarski, Sócio-Diretor do Instituto FSB Pesquisa, e Maurício Moura, Fundador e Presidente da Ideia Big Data, para falarem sobre as eleições de 2022.

Dentre as falas mais importantes, podemos mencionar a explicação da Cavallari, dizendo que “as pesquisas representam o diagnóstico de momento, sem querer representar o que vai ocorrer no futuro”. Em outras palavras, ainda é muito cedo para algumas afirmações e podem haver movimentações que podem mudar o jogo.

Em outro ponto, Moura foi perguntado sobre o que pode mudar até as eleições. Ao responder, ele levantou três pontos: 1) a popularidade de Jair Bolsonaro; 2) a rejeição do PT voltar a ser tema; 3) o desempenho dos candidatos que buscam ser a terceira via. Sobre este último ponto, ele falou que para uma terceira via mais forte, seria necessário algumas mudanças ou algum evento que mude as alternativas do eleitor.

Por fim, o CEO Conference Brasil 2022 retorna nesta quarta-feira (23) com a presença de Jair Bolsonaro em um dos painéis.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

Causa e Efeito | 19.02.2022

Causa e Efeito | 19.02.2022

Tempo de leitura: 5 mins

Família Portofino,

Tempos estranhos esses…

Lá fora, os bancos centrais dos países desenvolvidos exercitam sua criatividade e tentam desarmar a bomba do chamado “quantitative easing”. Tudo isso sem sermos empurrados para uma recessão global ou ser deflagrada uma expressiva correção dos preços dos ativos. Na verdade, essa estratégia de injeção massiva de liquidez começou a ser testada a partir de 2008. Naquela época, os bancos centrais se viram obrigados a navegar por mares nunca antes navegados implementando uma estratégia de política monetária pouquíssimo convencional e de certa forma inédita.  

Com objetivo de evitar que o colapso do mercado financeiro, pós crise das hipotecas americanas (Crise do Subprime), conduzisse a economia mundial na direção de algo semelhante ao que se viveu em 1929, os bancos centrais decidiram basicamente imprimir dinheiro, expandir seus balanços para, então, usar essa liquidez na compra de títulos de longo prazo. Desta forma, se garantiu que as taxas de juros se mantivessem baixas e em alguns momentos, negativas. Isso mesmo, por mais estranho que possa parecer, o investidor que desejasse investir seus recursos na segurança dos títulos soberanos de países desenvolvidos, teria que remunerar os tesouros destes países. A história nós conhecemos, recursos quase que inesgotáveis, migraram para ativos de maior risco.

Até 2019, os quatro maiores bancos centrais do mundo, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Europa, cresceram seus balanços do nada para inimagináveis 15 trilhões de dólares. Não por coincidência, experienciamos um dos mais longos bull markets. Nesse período, o S&P 500 subiu inacreditáveis 160%, em outras palavras, 11% ao ano por pouco mais de 11 anos.

E aí, surgiu a Covid-19. O que esses bancos centrais fizeram? Praticamente dobraram a aposta em pouco mais de dois anos. Aumentaram sua munição em 11 trilhões de dólares, expandiram o universo de títulos de renda fixa elegíveis à compra e tudo isso em menos de 2 anos. Contudo, dessa vez a conta chegou. A combinação dos efeitos da pandemia sobre a regularidade das cadeias produtivas mundiais, com o aumento da demanda de bens, serviços, commodities, ativos reais e financeiros, deflagraram um dos maiores, se não o maior processo inflacionário globalizado da nossa história contemporânea.


Como se isso não fosse suficientemente complexo, do lado doméstico flertamos mais uma vez com o precipício da irresponsabilidade fiscal. Desde a implosão do teto dos gastos, no segundo semestre do ano passado, perdemos a garantia de que um autodenominado governo liberal jamais ameaçaria o arcabouço fiscal vigente. Do outro lado do espectro ideológico, a outra candidatura provável no segundo turno das eleições presidenciais, recentemente afirmou que o Brasil não necessitava da reforma da previdência e tampouco da trabalhista e que ambas aconteceram por pressão do setor empresarial. Independente se de direita ou de esquerda, populismo é populismo. E na ausência, pelo menos por enquanto, de uma terceira via competitiva e viável, este ambiente está longe de ser animador.


Dito isso, os ativos brasileiros deveriam estar sendo impactados, certo? Errado! O Real é hoje destaque de valorização no ano e nossa bolsa também se apresenta entre as que mais sobem. Óbvio que nossos fundamentos não explicam essa performance. A complexidade do cenário externo que discorremos acima forçaram os investidores globais a rebalancearem seus portfólios reduzindo suas exposições em mercados desenvolvidos, buscando alternativas que atendessem a algumas condições. Países que já se encontravam em estágio avançado no processo de aumento de juros proporcionando, portanto, um carregamento favorável, que tivessem sua moeda depreciada e seus mercados de ações apresentassem companhias com preços historicamente atrativos, preferencialmente nos setores de commodities, foram os escolhidos da vez. Brasil, Chile, Peru, Colômbia e África do Sul foram alguns dos beneficiados por essa rotação.

Isso tudo para colocar em perspectiva a enorme complexidade do atual momento que vivemos e da necessidade de nos mantermos cautelosos, porém atentos às oportunidades.

Nas nossas carteiras continuamos a privilegiar ativos de renda fixa de crédito privado, premiados de um lado, mas com sólida estrutura de garantias ou protegidos por robusta subordinação do outro. Continuamos com o nosso portfólio de ações mais defensivo. Recentemente, iniciamos a elevação da nossa exposição em fundos multimercados, pois estes têm se provado mais aparelhados para rapidamente adequar suas posições à volatilidade dos mercados que certamente permanecerá em níveis elevados.

E muitos diziam, no fim do ano passado, que o nosso grande desafio seria navegar um ano de eleições majoritárias.

Ainda nem mencionamos os impactos sobre a economia global, caso se chegasse às vias de fato, o conflito entre Rússia e Ucrânia. 

Tempos estranhos esses…

Aproveite seu fim de semana!

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 05.02.2022

Tempo de Leitura: 4 minutos

Olá, Família Portofino.

Difícil fugir do assunto, visto que este tema vem ditando o comportamento dos mercados nas últimas semanas.

A mudança do tom dos bancos centrais quanto à dinâmica da inflação disseminada e a consequente necessidade de se acelerar e intensificar a retirada de estímulos vem causando extrema volatilidade. O último a capitular foi o Banco Central Europeu e sua presidente, Christine Lagarde, não descartou subir os juros ainda este ano.

A relevância do tema é tão grande que outras preocupações têm sido colocadas de lado. O reconhecimento da menor letalidade e baixa hospitalização dos infectados pela variante Ômicron, principalmente aqueles já vacinados, fez com que os mercados já atribuíssem um caráter endêmico para a pandemia. Para os mercados, é limitado o risco de impacto adicional ao processo de reabertura e a normalização da economia mundial. Isso sem falar do aumento significativo da tensão entre a Rússia e Ucrânia. Uma invasão russa ao território ucraniano teria impacto importante sobre os preços dos ativos. Espera-se consequentes sanções impostas pelos Estados Unidos e aliados à Rússia com reflexos sobre o preço do petróleo, agravando o problema da inflação.

A queda de braço entre as narrativas a respeito do impacto do aumento de juros sobre o crescimento continua. Ora o mercado embarca na tese de que a retirada dos estímulos apenas desacelerá a taxa de crescimento da economia global, ora o pêndulo se move para o temor de que a dose necessária para arrefecer o processo inflacionário terá um efeito recessivo sobre a atividade. Continuamos acreditando na redução do crescimento na margem, mas reconhecemos que essa incerteza continuará.

Esta última semana foi didática para descrever o momento em que vivemos. Nesse ambiente incerto quanto à condução da política monetária e com as empresas precificadas à perfeição, o escrutínio dos analistas nos resultados e no guidance de crescimento das mega techs americanas tem sido enorme. A constatação da queda de usuários ativos do Facebook fez com que o preço das ações da sua holding, Meta Plataforms, Inc., caísse incríveis 26%. Estamos falando de uma destruição de valor de mais de R$ 1,3 trilhões. Colocando em perspectiva, é como se o valor de mercado da Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco somados, evaporasse em um único pregão.

Do outro lado da moeda, a Amazon foi reconhecida por diversificar suas receitas em outros negócios além do tradicional marketplace. Recuperando parte do impacto do Facebook do dia anterior e valorizando adicionalmente, a Amazon subiu 14% acrescentando cerca de 1 trilhão ao seu valor de mercado. E como se não fosse suficiente volatilidade para uma única semana, na sexta também foi divulgado o número de criação de empregos nos Estados Unidos, número esse que superou em mais de três vezes a projeção dos analistas. Os títulos americanos de 10 anos tiveram suas taxas superando os 1,92%, valor observado antes só no final de 2019 e hoje a curva precifica probabilidades iguais de um aumento de 0,25% ou 0,50% na próxima reunião de março. A despeito de toda essa volatilidade, o S&P 500 terminou a semana subindo 1,5%, ufa! 

A guerra de narrativas certamente continuará pelo menos até março, quando o banco central americano deverá iniciar o ciclo de elevação de juros. O comportamento da inflação será crucial para a definição de um cenário mais consensual. Enquanto isso, o pêndulo do mercado continuará a oscilar entre o otimismo e o desespero. Estamos do lado dos que acreditam na continuidade de um ambiente positivo para os ativos de risco, mas sem qualquer pudor em mudar de ideia e adaptar nossos portfólios para um cenário estruturalmente adverso. É como dizem popularmente: só não muda de ideias quem não as tem.

Um ótimo final de semana para você e sua família.

Eduardo Castro

“Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino, que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Por Eduardo Castro, CIO (Chief Investment Officer) Portofino Multi Family Office ®.

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Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 22.01.2022

Tempo de Leitura: 4 mins.

Família Portofino,

Muitos de vocês já devem ter escutado ou lido em algum lugar a seguinte frase: “O câmbio foi criado por Deus para humilhar os economistas. Nunca se sabe para onde ele vai.” Essa pérola que parece ter sido cunhada pelo renomado economista, Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real, não poderia ser mais verdade nos dias de hoje.

Conversamos com todos os principais gestores do mercado brasileiro avaliando seus resultados do ano passado e discutindo as perspectivas e estratégias para 2022. Quando analisamos as principais explicações para os resultados mais recentes, chega-se fácil à conclusão de que a estratégia de moedas foi detratora de resultado para a grande maioria. E essa tem sida a realidade dos últimos anos, de todas as estratégias, essa é de fato a mais difícil de se operar e de se gerar resultados consistentes no longo prazo.

Em uma análise simplificada, três grandes pilares explicam o comportamento da taxa de câmbio: os fundamentos econômicos, o posicionamento dos agentes e as expectativas. Do lado dos fundamentos, analisa-se a relação entre muitas variáveis, entre elas o valor do que exportamos contra o que importamos (termos de troca), as contas externas, diferencial das taxas de juros dos países (carry), o diferencial de crescimento prospectivo, etc.

Do lado do posicionamento, temos todo o fluxo entre compradores e vendedores, sejam empresas exportadoras, investidores institucionais, indivíduos e o próprio banco central, além da sazonalidade desses fluxos. E quanto às expectativas, também simplificando, observa-se a variação de preços de ativos que expressam o risco de crédito do país. O mais comum deles é Credit Default Swap – CDS.

Reconheçamos que é de fato muitíssimo complexo e, tem sido particularmente complicado para a definição do comportamento do Real. Essa “criação divina”, faz alguns meses, vem humilhando de forma especial os economistas. Seus modelos estatísticos projetam um câmbio “justo” muito mais para US$/R$4,80, muito abaixo, portanto, do que se observa na média recente, valor esse que orbita os US$/R$ 5,60 nos últimos meses.

Na contramão dos mercados internacionais e despeito de todas as incertezas políticas, o Real foi recentemente uma das moedas que mais se valorizou frente ao dólar. De forma geral, todas as moedas de países exportadores de commodities em função da decisão do governo chinês de estimular o crescimento, vêm tendo performance diferenciada desde o início do ano. Beneficiando nossas exportações, o preço do minério de ferro subiu acima de 50% do mínimo atingido em meados de novembro passado e encontra-se hoje acima dos US$ 120 por tonelada.

Como gestores de carteiras, advogamos a favor da diversificação dos portfólios por isso recomendamos a dolarização de parte do patrimônio. Acreditamos que os níveis atuais, abaixo dos US$/R$ 5,40, são um bom ponto de entrada para parte da estratégia em dólar. É sempre difícil prever até quando os fundamentos, que corroboram de fato para continuidade do movimento de valorização do real, prevalecerão sobre as expectativas. Entretanto, nos preocupa as sinalizações recentes dadas pelo governo na direção de continuar a fragilizar as contas públicas, agora, por uma possível renúncia fiscal que poderá montar por volta de R$ 50 bilhões. O anúncio por parte do presidente de que se negocia uma nova PEC com o Congresso visando zerar o PIS/Cofins dos combustíveis, além de ter sido percebido como uma medida eleitoreira, já pressionou nossa curva de juros. Caso impacte o Real, a medida pode vir a se tornar contraproducente no intuito de se reduzir o preço dos combustíveis e impactar positivamente a inflação, isso tudo à custa de perdas importantes na arrecadação.

E como diz a música Engenho de Dentro do Jorge Ben Jor; “prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não faz mal a ninguém”!

Aproveitem o fim de semana.

Edu Castro
Chief Investment Officer
Portofino Multi Family Office

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

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