Recebemos na segunda-feira (11), em nosso escritório em São Paulo, André Portilho, Head de Digital Assets do BTG, para uma oficina com nossos colaboradores sobre criptoativos.
Devido a um uso cada vez maior e ao avanço da tecnologia, principalmente no mercado financeiro, é de suma importância estar atualizado sobre como essa tendência tem afetado e mudado os investimentos. Neste sentido, Portilho deu um overview sobre os modelos de ativos digitais, falando desde criptomoedas e NFTs, até Web 3.0 e multiverso.
Durante o papo, André destacou bastante a importância da tecnologia, explicando que se não tivermos cabeça aberta para entender o processo tecnológico, não conseguiremos compreender que cripto é algo que vai muito além do Bitcoin. “Cripto não é uma moeda. Se criou uma tecnologia para resolver outros problemas”, disse ele.
Por falar na principal criptomoeda do mercado, no Bitcoin, Portilho comentou que ela foi a primeira a ir para o mainstream e a atrair a atenção das pessoas. Na época, ele explicou que tinham os grupos que acreditavam que a criação de Satoshi Nakamoto iria resolver todos os problemas e, do outro lado, os mais céticos.
Além disso, o especialista comentou a respeito do caráter de descentralização dos criptoativos, que possibilita que qualquer pessoa com uma ideia possa programar um token, contribuindo com o processo de inovação. Contudo, ele ponderou que 98% desses projetos não dão em nada, mas os 2% que vingam podem fazer a diferença.
Por fim, o encontro proporcionou diversos insights e aprendizados para a equipe da Portofino, que está sempre em busca de conhecimento para oferecer as melhores soluções aos nossos clientes.
Na manhã desta quinta-feira (30), na nossa sede em São Paulo, realizamos um evento com a presença de Eric Archer, sócio e fundador da Monashees, uma das mais relevantes gestoras de venture capital brasileira, além da presença de 20 clientes e colaboradores da Portofino.
No encontro, Archer apresentou uma análise sobre o mercado de Private Equity e Venture Capital, falou a respeito das teses que mais gosta na atual conjuntura e também comentou os números e atividades que a gestora desempenha desde a fundação, em 2005.
Em sua participação no evento, o fundador da Monashees expôs sobre a disponibilidade de capital internacional. Segundo ele, “a disponibilidade de capital vai diminuir, mas não vai sumir ou desaparecer”. “As melhores empresas daqui vão continuar tendo acesso a esse capital internacional. O capital vai ficar mais escasso para aquelas que ainda estão se provando. Vai ser um período mais difícil para algumas empresas”, completou.
Além disso, ao falar especialmente sobre a América Latina, Archer se mostrou otimista. Apesar desse momento mais complexo e de não ter havido tempo de criar investidores locais, ele “acredita que a América Latina entrou no mapa”.
Os clientes da Portofino Multi Family Office possuem acesso a fundos exclusivos que dão acesso às melhores e mais promissoras startups do mercado. Entre em contato conosco, teremos muito prazer em atendê-los. Acesse: www.pmfo.com.br
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Ser capaz de ver oportunidades nas crises, saber o momento exato de comprar, vender ou segurar suas ações, ter sangue frio, paciência e visão estratégica de longo prazo são algumas das características comuns entre grandes investidores que conseguiram trilhar uma trajetória de sucesso no mercado de capitais ao longo das últimas décadas.
No Brasil, uma das maiores referências quando o assunto é investimento é Luiz Barsi Filho. Aos 83 anos, ele ostenta o título de maior investidor individual da bolsa de valores brasileira, a B3. Dono de um patrimônio avaliado em R$ 2 bilhões somente em ações, o filho de imigrantes espanhóis que teve uma infância humilde no bairro paulistano do Brás e foi engraxate antes de entrar no mercado acionário acredita que a disciplina e a aposta em investimentos de longo prazo são os principais ingredientes de sua receita de sucesso.
O primeiro contato de Barsi com o mundo dos investimentos ocorreu cedo, aos 14 anos, quando ele começou a trabalhar em uma corretora de valores – e logo decidiu investir o que sobrava do salário. Antes de completar 30 anos, preocupado com o futuro da sua aposentadoria, já que avaliava que a previdência pública era insustentável, resolveu desenvolver sua própria estratégia de investimento, uma espécie de “carteira de ações previdenciária”.
O método consiste em comprar papéis de empresas que tenham excelentes projetos e que sejam boas pagadoras de dividendos. Além disso, tem foco em uma carteira menos diversificada em um primeiro momento, concentrando capital em poucas, mas boas companhias. Para Barsi, um dos segredos de investir bem é conhecer a fundo as empresas.
Em uma década, a estratégia garantiu rendimentos suficientes para que ele não precisasse mais trabalhar. E logo ganhou o apelido de “rei dos dividendos”.
Análise fundamentalista
A filosofia adotada por Barsi consiste em uma análise fundamentalista de cada empresa, avaliando o setor de atividade e seu grau de perenidade. O método, que tem como “pai” o inglês Benjamin Graham e é utilizado por muitos investidores de sucesso, consiste em observar a capacidade de geração de caixa da empresa, suas vantagens competitivas e saúde financeira para identificar boas opções de investimento no longo prazo. Graham também foi pioneiro no desenvolvimento da ideia de “value investing”, estratégia de investimento que consiste em encontrar boas ações que estejam subvalorizadas no mercado.
O lendário investidor norte-americano Warren Buffett, um dos homens mais ricos do planeta, com uma fortuna estimada em US$ 111 bilhões de dólares, foi aluno de Benjamin Graham – e também é famoso por utilizar a análise fundamentalista para montar sua carteira de investimentos. Ele é um dos adeptos da técnica “buy and hold”, segundo a qual o investidor permanece por um longo prazo com as ações na carteira. Nas palavras de Bufett, “um investidor não precisa ser esperto, só precisa ser paciente”. Ele também gosta de comprar na baixa e vender na alta.
Por ter utilizado a mesma filosofia que o americano e por também adotar um estilo de vida simples, Barsi também passou a ser chamado de “Warren Buffett brasileiro”. Até hoje, seu portfólio é formado por poucas empresas, todas de setores considerados perenes, como o bancário, o de transmissão e distribuição de energia elétrica e de papel e celulose. São companhias como Banco do Brasil, Klabin e Unipar, algumas na carteira do megainvestidor há mais de três décadas.
Pai de cinco filhos, Barsi, que também trabalha em uma corretora, inspirou pelo menos dois deles a seguir seus passos no mercado financeiro. A mais nova, Louise, de 26 anos, assumiu a missão de ensinar a metodologia de sucesso do pai e é uma das fundadoras da empresa de educação financeira digital Ações Garantem o Futuro. Além de atuar como analista, ela ajuda na gestão do patrimônio familiar. No Instagram, compartilha dicas de investimentos e mostra um pouco da sua vida de sucesso. Assim como o pai, seu primeiro investimento foi aos 14 anos, quando recebeu uma mesada de R$ 300 em ações da Ultrapar. Desde lá, não parou mais de investir.
“A gente se considera empreendedor de negócios que já são maduros”, diz Louise à Forbes. “Mas, em vez de ter nosso capital, ir lá trabalhar, contratar gente, pagar impostos, eu pego meu capital e invisto em empresas que me dão essa oportunidade na bolsa de valores. É praticamente a mesma coisa, mas tenho um décimo do trabalho”, completa. Formada em economia e contabilidade, ela afirma que trabalha duro uma ou duas vezes por ano, quando precisa estudar as novas empresas.
Na avaliação de Louise, o segredo para ver resultado nos investimentos é ter constância nas aplicações. “É preciso ter muitas ações da mesma companhia para poder ganhar musculatura na renda e ver o efeito dos juros compostos. Eu mesma só fui diversificando os papéis ao longo do tempo”, explica. A jovem concentra sua carteira no que chama de BESST: bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações, que, para ela, são os melhores setores que conseguem pagar dividendos de forma sustentável no longo prazo.
“Uma das grandes lições que meu pai me deu durante todos esses anos foi que só existem dois tipos de empresas que não pagam dividendos. As que não podem e as que não querem naquele momento”, diz. Nesse último grupo ela tem cerca de 10% de sua carteira. “Essas empresas não podem pagar o dividendo agora porque estão investindo, por exemplo, mas no futuro pagarão. Isso aconteceu lá atrás com a Taurus e com a Unipar (que já está há 15 anos na carteira do meu pai) e que são bem-sucedidas.”
Amante da renda variável, Louise confessa ter algo do seu patrimônio em renda fixa, mas não considera isso como um investimento. “Ela serve para pelo menos preservar o valor, te dar uma liquidez de curtíssimo prazo e previsibilidade. Caíram os dividendos e não há nenhuma oportunidade para colocar no mercado? Põe na renda fixa e faz essa reserva de oportunidade, de emergência”, ensina a jovem professora.
Outro filho do megainvestidor, Luiz Barsi Neto é assessor de investimentos e chegou a gerir a carteira do pai entre 2004 e 2009. Hoje ele assessora clientes usando a estratégia do pai, mas enfatiza que é preciso aperfeiçoar sempre as técnicas de investimento focado em dividendos.
Quando a pandemia de Covid-19 começou, muitos clientes de renda variável, vendo os papéis derretendo dia a dia, ligaram pedindo para vender tudo. “Mostramos que era preciso ter a visão de longo prazo, que as crises são passageiras e têm hora para acabar – assim como aconteceu em 2008”, lembra.
A estratégia foi proteger a carteira e comprar mais, já que muitas ações de boas empresas estavam em queda. “A maioria dos clientes conseguiu seguir essa avaliação, comprando bons projetos de investimentos, em “small caps” [ações das empresas com menor capitalização na bolsa]. Mas não foi fácil, afinal alguns papéis desvalorizaram 50% a 70% e os clientes estavam com medo de que tudo desmoronasse”, conta Barsi Neto.
A queda generalizada nas bolsas de todo o mundo diante da emergência sanitária foi um verdadeiro teste para investidores que pensavam suportar riscos e perdas. “Muitos se apavoraram. No fim, o perfil para renda variável é aquilo que você investe e consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir. Não é conservador, moderado ou agressivo”, explica.
Apesar de ter seus investimentos todos na bolsa, como o pai, Barsi Neto avalia que a diversificação também é um caminho interessante. “Nesse contexto de pandemia, guerra na Ucrânia e os juros aumentando em todos os países, a renda fixa passa a ser atrativa para o investidor que não suporta o risco. Para os que suportam, a renda variável sempre vai ter muita oportunidade para o médio e o longo prazo. Só exige paciência”, reforça.
Há mais de 50 anos no mercado de capitais, o megainvestidor gaúcho Lírio Parisotto, dono de uma fortuna estimada atualmente em R$11,2 bilhões, diz já estar acostumado com turbulências e crises. “O mercado tem momentos de estresse e euforia. O tal do senhor mercado precisaria fazer um pouco de terapia, porque ele é bem descompensado. Mas, no final desses ciclos de altas e baixas, o que sobra são as empresas com os seus fundamentos”, explica ele à Forbes.
Parisotto, que construiu sua fortuna ao investir os lucros de uma empresa de fitas de vídeo e áudio na bolsa de valores, também possui um perfil parecido com o do amigo Barsi. Seu portfólio abrange bancos, empresas de eletricidade e mineração e siderúrgicas. O megainvestidor evita setores que possuem menos proteção, como aviação e comércio.
Para quem está começando a investir, ele dá quatro conselhos. O primeiro é não ter medo das oscilações do mercado. “Tampouco se deve ficar muito eufórico. Faça o dever de casa e avalie bem a empresa de que você vai ser sócio”, diz. O segundo é não investir o dinheiro que você tem data para usar. Terceiro: não se estressar. “Se a renda variável perturba a pessoa, é melhor deixar o dinheiro em qualquer outro investimento.” E, por fim, nunca comprar uma ação com base em “dicas”.
Parisotto lamenta que no Brasil os investidores sejam tão focados no curto prazo. Uma prática que, segundo ele, só é vantajosa para a B3 e as corretoras. “A B3 movimenta, em média, R$ 30 bilhões por dia. Em 20 dias úteis do mês, a bolsa negocia R$ 600 bilhões. Em dois meses, R$ 1,2 trilhão. O mercado inteiro vale R$4 trilhões, e 30% equivalem a cerca de R$ 1,2 trilhão, que é o ‘free float’ das empresas. Quem é que sempre ganha? A B3, com as taxas, e as corretoras”, explica. “Infelizmente, a cada dois meses, em média, todas as ações trocam de mão. Você não pode ser feliz com essa necessidade de trocar de posição. Quem está investindo não está fazendo isso com segurança”, completa.
Preço x valor
Investidores fundamentalistas como Buffett, Barsi e Parisotto fazem uma distinção muito forte entre o preço e o valor da empresa. Para eles, o preço é o que você compra, quanto você paga numa ação. Mas o que você leva para casa, no final das contas, é o valor. “O foco deles é encontrar empresas que têm uma distorção grande entre o que é preço e o que é valor, sempre buscando uma empresa que tem o valor bem maior que o preço. Buffett segue bem focado nas de ‘value’, que geralmente são empresas consolidadas no setor em que atuam, que já entregam resultado há tempos, como a Coca-Cola e Apple, por exemplo”, avalia Lucas Serra. analista da Toro Investimentos.
“Ele realiza os movimentos através de sua empresa de participações Berkshire Hathaway, que controla um valor muito grande. Então não pode se dar ao luxo de entrar em papéis que sejam menores. Se a Berkshire entrar num papel menor, ela desperta muita atenção – e é exatamente o que ele não quer”, completa Serra.
Growth investor
Dentro da análise fundamentalista que norteia grande parte dos investidores também há o “growth investing”, que consiste em analisar as companhias, geralmente menores, mas com potencial de crescimento – e não aquelas que já estão ou estiveram consolidadas em algum momento. Peter Lynch, o principal expoente dessa filosofia, define a estratégia como GARP (“growth at a reasonable price” ou crescimento a um preço razoável em tradução livre). O “growth investor” busca empresas capazes de apresentar grandes multiplicações nos seus resultados ao longo dos anos, já que as ações acompanham os lucros dessas empresas.
A própria Berkshire, gerida por Buffett, resolveu aportar US$ 500 milhões no Nubank, o maior banco digital da América Latina, antes da realização do IPO da instituição financeira. “O que decerta forma pode ser considerado um investimento em ‘growth’. Mas foi apenas uma pequena porcentagem do capital deles para dar aquela turbinada na rentabilidade da empresa, sempre com o pensamento no longo prazo”, afirma Serra.
Especular e antecipar
Mas nem só de análise fundamentalista vive o mercado. George Soros, um dos mais renomados investidores do mundo, atua de forma oposta à de Buffett e opta por assumir grandes riscos com aplicações utilizando grande volume de alavancagem. Soros ficou conhecido como “o homem que quebrou o Banco da Inglaterra” quando ganhou cerca de 1 bilhão de libras esterlinas apostando contra a moeda corrente do Reino Unido.
Nascido em Budapeste, ele se mudou para a Inglaterra aos 17 anos, onde fez faculdade e pós-graduação na London School of Economics. Em 1956, emigrou para os EUA, onde fundou seu próprio fundo de investimentos, o Soros Management – que depois se tornaria o Fundo Quantum, reconhecido por investimentos agressivos e por seu alto retorno financeiro. Mesmo tendo um perfil bastante ousado, George Soros mantém uma carteira de investimentos diversificada e evita apostas únicas e concentradas em um negócio apenas.
O método Soros de investir também é focado no processo de especular no longo prazo e antecipar tendências. Essas apostas nem sempre são bem-sucedidas. Em 1994, ele perdeu mais de US$ 400 milhões ao apostar na queda do iene japonês.
Arbitragem
Há também os investidores que focam na operação de arbitragem. O método consiste em saber aproveitar a discrepância de valores entre ativos idênticos negociados em mercados diferentes. Essas diferenças tendem a durar pouco tempo, sendo a velocidade fundamental para ganhar nesse tipo de operação. A maioria é conduzida com ajuda de robôs.
Eduardo Castro, CIO da Portofino Multi Family Office, gestora de patrimônio com R$12,5 bilhões de ativos sob gestão no Brasil e no exterior, avalia que, de forma geral, os megainvestidores são fundamentalistas. Ele opina que, em tempos turbulentos de crises, guerra e crise sanitária, os investidores procuram diversificar, evitando colocar todos os ovos na mesma cesta. “A Bolsa dos EUA, por exemplo, deve ter crescido cerca de 25% ao ano nos últimos dois anos, e, em 2022, está caindo quase 10%. A previsibilidade dessa queda era baixa. E está acontecendo pelo processo inflacionário que começou na pandemia e foi exacerbado pela guerra na Ucrânia”, afirma Castro. Outro subitem da diversificação é a geografia. “O grande investidor tem a possibilidade de separar o portfólio doméstico do offshore, diversificando a moeda”.
Para ter êxito nos investimentos, explica o especialista, primeiro é preciso determinar o que o investidor precisa de liquidez imediata e aquilo que não. “Se você consegue colocar parte do seu portfólio no longo prazo, você consegue acessar determinadas classes de ativos que os grandes investidores acessam. Para além das ações da bolsa, você consegue alocar recursos em venture capital, private equity, crédito estruturado, participando indiretamente como sócio de uma determinada empresa e ajudando a estruturá-la.”
Afinal, onde investir?
Não há fórmula mágica para descobrir o melhor investimento para o seu perfil nem para calcular o potencial das empresas, mas algumas lições de grandes lendas do mercado podem ajudar a trilhar um caminho de êxito: focar no longo prazo, desenhar uma meta clara, estudar bem a empresa na qual está investindo seu dinheiro e controlar as emoções nos vários momentos de turbulência que certamente virão.
Assim, quem sabe, daqui a alguns anos esta reportagem pode ser sobre você.
No jantar realizado na quinta-feira (9), em evento promovido pela Esfera Brasil, Alexandre Padilha, Deputado Federal (PT-SP) e ex-ministro da saúde da Dilma e Ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil do Lula, debateu com empresários sua visão sobre as eleições deste ano, teto de gastos, privatização da Eletrobras e mais.
Um novo governo Lula
Padilha começou o jantar falando muito sobre como seria caso Lula fosse eleito e disse que o diálogo é a principal ferramenta, que, inclusive, precisa ser retomada. Neste sentido, ele comentou que está procurando união no nosso país e acredita que o Brasil pode ser a plataforma para o futuro.
Mais especificamente a respeito de uma possível volta de Lula à presidência, Padilha brincou ao dizer que o candidato “não é um ET”, ou seja, todos já o conhecem. Ele destacou que o ex-presidente governou o país por oito anos e durante esse período, segundo o deputado, houve crescimento econômico, diminuição da desigualdade e responsabilidade fiscal.
União Lula-Alckmin
O político opinou que os dois têm histórias divergentes, mas perceberam a importância de se unirem para ajudar o Brasil. “Grande oportunidade de juntar o que o PSDB e o PT têm de melhor. Vamos reerguer o Brasil juntando todo mundo”, afirmou.
Quando perguntado sobre o que poderia ser feito de diferente em relação ao governo da Dilma, Padilha foi sucinto ao dizer que a chapa é o Lula, não a ex-presidente.
O ex-ministro elogiou os empresários e empresas que ganharam desempenho e governança, alinhados com a capacidade de inovar nos últimos anos. Ele disse ser muito importante reduzir encargos para os mais necessitados e empresários que geram empregos. Ademais, justificou que para grandes fortunas que não têm geração de empregos, é necessário compensar para ajudar no desenvolvimento e crescimento do Brasil.
Para mostrar como funcionaria o sistema, Padilha tomou como exemplo a Alemanha, onde todos têm o direito de gerar fortunas, mas, quando morrem, mais de 40% fica para o Estado. O motivo, conforme ele explicou, é que a pessoa cresceu com a ajuda do Estado, por isso tem que devolver uma parte para auxiliar na divisão das pessoas que mais precisam.
Privatização da Eletrobras
Em um dos assuntos mais debatidos atualmente, o deputado demonstrou que não concorda com o processo de privatização e que os investidores da empresa estão dando um tiro no escuro.
Ele ressaltou que sem a estatal não haveria luz para todos, sendo esse o maior medo dele. Para ele, é preciso que existam mecanismos que possam dar garantias de acesso básico à energia no Brasil. Ele também citou a questão da desestatização da Petrobras, que não vai ter proposta e que, para ele, a ideia seria criar fundos garantidores da mesma forma que todo mundo está fazendo para ter subsídios em épocas como essa.
Teto de gastos
Outro tema que também está em muita discussão é o teto de gastos, e, novamente, Padilha voltou a destacar a importância do diálogo. Ele relembrou que o Henrique Meirelles, na época em que mandou o teto de gastos para aprovação, colocou uma previsão de revisão em 2026.
Apesar de concordar que após a pandemia e a guerra o teto pode ser revisto em 2023, ele destacou ser muito importante o país ter alguma âncora fiscal. Contudo, o deputado não deixou passar a oportunidade para criticar o atual governo nessa questão, dizendo que nos últimos quatro anos o teto não foi respeitado.
Reforma trabalhista e administrativa
Ele falou que o Lula nunca disse em revogar a reforma trabalhista, mas, sim, revisar. “Eu quero abrir uma mesa de negociação de governo, empresários e trabalhadores”, disse ele justificando que a pandemia mudou muitas coisas, como, por exemplo, o trabalho home office.
“Vincular orçamentos em órgãos públicos pode ser errado, temos que vincular metas numa possível reforma administrativa, mas precisamos de reforma tributária simplificada”, explicou Padilha.
Banco central, salário mínimo e pobreza
O deputado abordou que o aumento real do salário mínimo “com certeza” vai acontecer e disse que o governo atual foi o primeiro da história recente que não teve um aumento real (PIB+Inflação).
No que diz respeito à autonomia do Banco Central, ele afirmou que ninguém vai mexer nessa questão. Relembrou que em 2002 uma das principais perguntas era sobre quem seria o presidente do Banco Central, porém, neste ano, essa questão já está respondida.
Por fim, Padilha mencionou que o principal fiador da credibilidade do governo do PT é o próprio Lula. “Ele não vai dormir até os 33 milhões de pessoas passando fome diminuir”, finalizou.
Clique aqui para ler sobre outras personalidades e eventos promovidos pela EsferaBR e Portofino MFO.
Esta é uma iniciativa Portofino Multi Family Office e EsferaBR com o propósito de fomentar o diálogo entre políticos e empresários brasileiros. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.
No jantar realizado na terça-feira (31), em evento promovido pela Esfera Brasil, Rodrigo Garcia, governador e pré-candidato ao governo de São Paulo, compartilhou com empresários sua trajetória na política, sua candidatura e a visão dele sobre questões de interesse público, como a Cracolândia e saúde.
Currículo político
Rodrigo Garcia iniciou sua fala reforçando seu histórico na política. Ele contou que está envolvido nesse mundo desde os 24 anos e trabalhou em múltiplos setores, como secretário de algumas pastas, deputado e vice-governador, ressaltando que conhece bastante de gestão política. Humildemente, destacou que entre erros e acertos considera que tem uma trajetória boa e acredita que tem mais erros do que acertos.
Ademais, ele ainda alertou que faz alguns anos que o Brasil, de forma geral, vem deixando a desejar. O governador analisou que quem ocupar as cadeiras do governo de SP e da presidência em 2023 terá muito trabalho para reorganizar o Brasil.
Candidatura a São Paulo
Garcia comentou em sua fala que não quer que o Estado seja lugar para polarização nacional e vai batalhar para que as propostas e feitos sejam analisados antes de qualquer idealização extrema. Ele disse que os adversários dele possuem boas condições para o cargo, mas acredita que ele tem melhores e que vai provar isso a partir do dia 15 de agosto nos debates. Em relação à questão da polarização, o governador comentou que não quer governar nem para esquerda e nem para direita, mas sim para o progresso.
Sobre São Paulo, na visão do candidato, o maior problema do Estado para ser resolvido caso seja eleito está na economia, principalmente com a inflação, algo sentido em todas as classes.
Por outro lado, ressaltou que, apesar de todas as dificuldades, São Paulo é um Estado que funciona. Neste sentido, ele aproveitou para falar que o estado respeita o teto de gastos, mostrou a relevância da região para o governo federal, pois, segundo Garcia, representa 40% dos impostos que vão à Brasília e que há 4-5 anos esse número ficava em cerca de 32%. Anualmente 400 bilhões são enviados para o governo federal e apenas 47% volta para São Paulo.
Além disso, fechou esse tópico mostrando que um grande problema que enfrentamos é a concentração de renda. Ele explicou que isso é perigoso para o Brasil porque as coisas andam para alguns, contudo é nítido que há mais moradores de rua, por exemplo, e a conta desse desequilíbrio chega para todos, como em termos de segurança.
Com o marco regulatório e municípios estratégicos adquiridos em três anos, adicionando três milhões de clientes, como, por exemplo, a cidade de Guarulhos, a Sabesp dobrou de valor. Garcia disse que se as tarifas forem melhores para São Paulo com a empresa sendo estatal ou de capital aberto, ele dará preferência para o que for melhor para a cidade.
Infraestrutura
Neste certame, o governador afirmou que compra três vezes mais asfalto do que o governo federal no Brasil todo e tem o maior programa de infraestrutura do país. Em adição, ele mencionou que receberam 200 obras paradas acima de 50 milhões e todas estão reiniciadas, com exceção para o Rodoanel.
Segurança e Cracolândia
Sobre o assunto, Garcia falou que quem promete dobrar ou triplicar o salário de policial é mentira, pois é muito cara a máquina pública. Ademais, disse que ao promover um capitão renovou a diretoria e mostrou a quem está na ativa que um podia chegar a vez deles.
Ao ser questionado sobre a questão da Cracolândia, ele citou que a procura por reabilitação voluntária aumentou em 25%, além das operações que a segurança vem fazendo para repressão ao tráfico de drogas.
Saúde
Por fim, Rodrigo Garcia explicou que o Centro de Controle de Doenças foi criado para cuidar das próximas doenças, novas ou antigas, que podem chegar a qualquer momento.
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Faz algum tempo desde que nos falamos pela última vez. A grande verdade é que, pelo menos do lado macroeconômico, pouco se alterou desde então. Nós, investidores, continuamos debatendo sobre a capacidade dos bancos centrais em lidar com o recente surto inflacionário pós-pandêmico sem que suas ações provoquem um choque recessivo sobre as economias. Esse desafio não se cansa de surpreender a todos dados os sucessivos impactos sobre preços de forma geral.
Já elaboramos neste mesmo fórum, a respeito dos efeitos do crescimento abrupto da demanda por bens durante a pandemia e posterior impacto sobre serviços com a retomada da mobilidade. Falamos também das consequências, além das questões humanitárias, do conflito Rússia-Ucrânia sobre principalmente alimentos e energia. Isso sem deixar de mencionar o custo da desglobalização, da transição energética para uma matriz mais limpa e da nova interrupção das cadeias de produção na China em função de sua política de tolerância zero à propagação de novos casos da COVID-19 e consequentes lockdowns.
Desde então, os analistas vêm alterando suas projeções de crescimento e inflação para, sem exceção, todas as regiões do mundo. Considerando os Estados Unidos e Europa como exemplos, em meados do ano passado projetava-se uma inflação para 2022 não superior a 3%. Nos dias atuais, com todas as surpresas que mencionamos acima, não se espera nada abaixo de 7%. Com o crescimento, aconteceu exatamente o contrário. No início do segundo semestre de 2021 os analistas previam, em média, que as economias americana e europeia cresceriam acima de 4%. Hoje, falar em 2,5% ou menos, passou a ser absolutamente corriqueiro.
Em estágios diferentes, bancos centrais das nações desenvolvidas e emergentes já iniciaram o processo de aperto monetário, mas a tarefa não cansa de se mostrar cada vez mais desafiadora. Mas, se por um lado, o cenário macroeconômico continua nebuloso e com baixa visibilidade, já para os preços dos ativos, a estória começa a parecer diferente. O mercado global de renda fixa, considerando predominantemente os mercados mais desenvolvidos, está tendo em 2022 seu pior desempenho dos últimos 30 anos! De forma agregada, esse mercado cai no ano mais de 10%. Sim, renda fixa, internacional, mercados desenvolvidos e em dólares com rentabilidade negativa.
Nas ações americanas, leia-se S&P500, a queda nominal esse ano se mostra importante, por volta de 15%. Quando olhamos do ponto de vista de valuation, os preços das ações hoje contra suas projeções de lucro para os próximos 12 meses, mostram um múltiplo próximo da média dos últimos 10 anos. Não há que se falar em barganha, mas longe de se afirmar que os preços se encontram ainda em níveis exagerados. Se analisarmos somente o setor de tecnologia, o impacto é ainda maior. O índice NASDAQ, que concentra apenas ações desse segmento, cai quase 25%. Estratificando ainda mais essa amostra, o ETF ARKK, que agrega apenas companhias relacionadas a tecnologias ditas disruptivas, perde cerca de 2/3 do seu valor desde sua máxima atingida em meados do ano passado.
Isso tudo para dizer que, na linguagem do mercado financeiro, nos parece que já se tem muita coisa no preço. Temos observado alguma recuperação nos mercados nas últimas semanas, mas aqueles investidores mais pessimistas alertam para o que se convencionou chamar bear market rally. Em livre tradução, isso seria uma recuperação acentuada dos preços dos ativos no curto prazo em meio a uma queda mais estrutural no longo prazo. E por falar em pessimismo, índices qualitativos que medem o pessimismo dos investidores mostram-se próximos de seus piores níveis dos últimos 30 anos. Estes indicadores costumam ser ótimos previsores de reversão dos mercados.
Faz alguns meses, nossas carteiras já vinham carregando menor risco de forma geral. Nossa estratégia de renda variável tem sido mais defensiva tanto do ponto de vista do tamanho quanto da composição dos ativos. Privilegiamos o carregamento de ativos pós-fixados, indexados à inflação e de prazos (duration) mais curtos. Não vamos queimar a largada, mas o nosso desconforto hoje está mais em identificar oportunidades que, no longo prazo, se mostrarão certamente rentáveis, do que continuar reduzindo risco. São nesses momentos, com cautela sempre, é verdade, que se ganha dinheiro.
Uma ótima sexta-feira e final de semana para você.
Eduardo Castro
Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.
”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que acontece no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.