O ano em que a Casa Branca voltou ao estilo Trump

dez 17, 2025 | Family Office, Investimentos Internacionais

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:

  • A política de tarifas e imigração do governo Trump dominou o noticiário
  • O relacionamento entre Donald Trump e Jerome Powell também foi destaque no ano
  • A preocupação com as empresas de IA cresceu

Ufa — que ano foi 2025. De uma política comercial inédita nos Estados Unidos a um embate institucional com o banco central, o ano foi marcado por fortes reviravoltas. As medidas protecionistas e a postura firme de Donald Trump em temas como imigração e comércio internacional definiram o tom de uma montanha-russa que impactou diretamente os mercados globais.

Ao revisitar os principais capítulos da economia norte-americana, é inevitável não começar pelo binômio que dominou o noticiário: tarifas e imigração.

No início do ano, a nova política tarifária de Trump surpreendeu ao incluir não apenas adversários, mas também países aliados. O confronto mais intenso, porém, ocorreu com a China. De um lado, os Estados Unidos elevaram tarifas de importação; do outro, Pequim respondeu na mesma medida. Em poucas semanas, as alíquotas ultrapassaram 100%, reacendendo a tensão entre as duas maiores economias do mundo.

Essas medidas geraram alta volatilidade nos mercados de renda fixa e variável, refletindo a incerteza sobre o impacto nas cadeias globais de produção e no comércio internacional.

Em paralelo, os EUA endureciam a política imigratória, com deportações e operações em larga escala. O tema, inclusive, permeou os comunicados do Federal Reserve ao longo do ano. O ambiente de incerteza aumentou a cautela da autoridade monetária, que passou a destacar a necessidade de monitorar atentamente os dados econômicos antes de qualquer mudança significativa na política de juros.

A situação expôs a insatisfação de Trump com o chair Jerome Powell em relação à condução da política monetária. O presidente norte-americano defendia cortes mais agressivos nas taxas de juros, mas Powell se manteve firme em suas convicções apesar das pressões externas.  Na última reunião do ano, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 3,5% a 3,75%, em decisão dividida: Stephan Miran — recém-indicado por Trump — defendeu um corte maior, de 0,5 ponto, enquanto outros dois membros, Jeffrey Schmid e Austan Goolsbee, votaram pela manutenção. O comitê sinalizou apenas um corte adicional para 2026, ressaltando a incerteza quanto às perspectivas econômicas.

Em tempo, a mudança no comando do Fed é um tema para acompanhar de perto. Trump já comunicou sua preferência por um nome mais alinhado às suas preferências, e a decisão deve ser anunciada no início do próximo ano.

Do lado dos mercados, o segundo semestre foi marcado por maior seletividade e cautela. Além dos sinais mistos sobre atividade e inflação, cresceu a preocupação com a precificação de empresas de inteligência artificial, cujo desempenho extraordinário elevou questionamentos sobre sustentabilidade de lucros e valuations.

Fora do eixo norte-americano, 2025 também foi um ano desafiador no cenário geopolítico. Em Gaza, um cessar-fogo trouxe algum respiro, embora as incertezas sobre o futuro da região permaneçam altas. No Leste Europeu, as negociações por um acordo de paz seguem em curso, ainda distantes de um desfecho.

E assim encerramos 2025, com uma visão cautelosamente otimista. Apesar dos desafios políticos, econômicos e geopolíticos, os resultados corporativos seguem positivos, o volume de investimentos permanece robusto e há sinais de maior disposição ao diálogo entre países. Ao mesmo tempo, os riscos ainda são significativos e o cenário global continua indefinido.

Engana-se quem imagina que o ciclo se fecha no dia 31. Como de costume, 2026 tende a ser um ano de volatilidade, ajustes e oportunidades — terreno fértil para quem souber manter disciplina, paciência e visão de longo prazo.

(Imagem destaque: The White House)  

 

Fernando Godoy cursou Administração de Empresas na FGV com foco em Gestão Estratégica, atuou por 2 anos em empresa de capital aberto e possui 8 anos de experiência no mercado financeiro, com ênfase em investimentos internacionais. Está no time da Portofino MFO há 6 anos, 4 deles como sócio.

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