Carta #104: Plaid

Carta #104: Plaid

Semana curta nos mercados financeiros, com o feriado de “labor day” nos EUA, na segunda-feira, e nosso feriado nacional na terça, porém com forte carga emocional e política.

Para completar, amanhã temos o aniversário de 20 anos dos ataques de 11 de setembro (“9/11”) aos EUA. Ainda que me lembre como se fosse ontem, me dei conta que há toda uma geração de jovens para quem a data talvez tenha pouca relevância. Na época, ainda durante minha carreira corporativa, era responsável por TI em uma multinacional de telecom. Além de traumático em mais níveis do que se possa imaginar, o evento inaugurou uma nova era de foco empresarial em planejamento de contingência, e recuperação de desastres.

Na busca por fazer sentido de uma semana tão desconcertante e beligerante para nosso pais, recorro novamente à uma citação atribuída ao escritor Mark Twain: “I’ve lived through some terrible things in my life, some of which actually happened.” – numa tradução livre, “já passei por coisas terríveis em minha vida, algumas das quais realmente ocorreram”.
Mares Revoltos
Na carta passada comentei sobre os impactos da situação atual na performance recente de nossos investimentos. A temperatura aumentou depois das falas do presidente no dia 7, causando repiques expressivos nos juros futuros e no dólar, e uma queda significativa de 3,78% na bolsa. No dia seguinte (ontem), ao final da tarde, uma nota oficial interrompeu a escalada do pessimismo e, até o momento em que escrevo estas linhas, parece querer permitir um fechamento de semana mais tranquilo. Ainda que estejamos muito longe do caos instalado em Março de 2020 por conta da eclosão da Covid, há lições que podemos trazer para o momento atual. Minha recomendação é que adotemos a mesma postura daquela época, e isso quer dizer preservar a calma e manter o curso em termos de estratégias de investimento. Insisto, não é nem polianismo (positividade exagerada) nem o que os americanos chamam de efeito “deer in headlights”, quando cervos ficam petrificados pelas luzes de faróis, incapazes de sair da frente do automóvel que se aproxima. A sólida construção de portfólio, aliada à uma gestão ativa, mostra seu valor principalmente nos momentos de stress.
NFT
Desde a carta #80, quando tentei (creio que em vão), explicar o que são NFT´s (“non-fungible tokens”), tenho me cobrado uma forma mais didática de retornar ao assunto. O mercado financeiro é ambiente fértil para inovações em termos de ativos negociáveis, e NFT´s talvez sejam o expoente da vez. Esta semana, numa brincadeira com minha filha mais velha, nos lembramos do fenômeno que foi o bichinho de estimação virtual “Pou”. Uns 7 anos atrás, numa longa viagem ao interior, minhas filhas me infernizaram para deixá-las “investir” 2 reais na compra de um bichinho destes, que precisa ser virtualmente alimentado e cuidado para que cresça saudável. Qualquer semelhança com os chaveirinhos tamagotchi lançados no Japão na segunda metade dos anos 90, não é mera coincidência. Pois bem, o tal Pou não é tecnicamente um NFT, já que, por não ser único, é fungível. No entanto, o arquivo digital da imagem do Pou original poderia sim ser um ativo exclusivo, e portanto passível de negociação (e até eventual especulação) por parte de colecionadores. Deixo de dever de casa ao leitor googlar a foto do tal bichinho, já que o decoro editorial me impede de incluí-la aqui! 
Bitcoin
Um assunto que me parece passou desapercebido esta semana foi a confusão em El Salvador com a adoção do bitcoin como moeda oficial. A “Ley Bitcoin”, aprovada em junho deste ano, estabeleceu 7 de setembro como a data a partir da qual a criptomoeda seria aceita oficialmente no país. Pessoalmente, me parece uma experiência ousada. O “senhor mercado” parece concordar, já que naquele dia a moeda teve uma queda do patamar de 52 mil usd para 47 mil – ou algo como 10%. Do ponto de vista do povo daquele pais, seria como ver o dólar que hoje ronda os 5,20 reais saltar para 5,70 – de um dia para o outro! Já sob a ótica de relevância mundial para a validação desta criptomoeda, sinceramente acho que um evento mais significativo seria ver o Sr. Musk (Tesla) voltar à aceitar bitcoins pelos seus carros.
Risco, Episódio 2
Retomo o assunto da definição da palavra “risco”, no contexto de investimentos. Meu primeiro objetivo é sustentar a tese de que o grau de variação nos preços de um ativo não serve como uma boa medida de risco, ou pelo menos não de forma isolada. Para tanto, faço o uso do artifício da contraprova, buscando exemplos de ativos cuja falta de “balanço” não os torna necessariamente de baixo risco, e vice-versa. Imaginemos que meu leitor empreste 100k para seu cunhado (sempre eles!), por 12 meses, à um juros camarada de 10% ao ano. Se você é como eu, faria uma contabilidade mensal de tal ativo em sua planilha, capitalizando-o à 0,8% ao mês. Zero de variabilidade, com total expectativa de receber os 110k um ano depois. Lá pelo décimo mês, num almoço de domingo, você descobre que talvez os recursos atrasem “um pouco” para serem devolvidos – talvez até “um muito”. Aquilo que era uma rentabilidade certa, com nenhuma variação mensal, corre o risco de virar um write-off (baixa contábil). Exagero? Infelizmente, milhares de investidores na debenture de uma concessionária de rodovias sofrem atualmente do mesmo cenário. 
Riscos, Episódio 3
Adiantando as cenas dos próximos capítulos, falemos de imóveis. Imóveis são o tipo de ativo onde a gente raramente contabiliza variação em preço, especialmente naquela nossa planilha da ativos pessoais. Talvez, anualmente, façamos alguma previsão de ganho, com base nas condições de mercado, mas a maioria dos investidores que conheço prefere ser conservador e deixar o preço originalmente pago como base – aquele que consta no IR. Pois bem, podem transcorrer anos em que o valor daquele ativo permanece inalterado – de novo, zero de volatilidade. Agora, imaginemos um cenário neurótico em que, a cada dia, perguntássemos ao zelador do prédio, ao corretor de confiança, e àquele vizinho enturmado, qual o preço do metro quadrado das últimas ofertas e transações fechadas, atualizando nossa estimativa. Veríamos um preço de ativo com enorme variabilidade diária, ao sabor de descontos, benfeitorias, e oportunidades especiais, que em nada mudaria o fato de que imóveis são, em sua maioria, bens de baixo risco.



Esta semana, faço uma mudança de marchas brusca, e literal, para falar não de música ou cinema, e sim de carros. A dica da semana é pelo video de lançamento do “Tesla Model S Plaid”, disponível aqui. Os que me conhecem bem sabem que, posso até ser forçado à ter um elétrico nesta vida, mas, carro para mim tem que ter cambio manual, folga na caixa de direção e pingar óleo. Entretanto, impossível não tirar o chapéu para a incrível criação de Musk, quebrando a barreira dos 0 a 100 km/h abaixo de 2 segundos. Além do vídeo de apresentação, o youtube, na sua infinita busca por tomar um pouco mais do meu tempo livre, tem sugerido incontáveis vídeos de amadores testando a arrancada da máquina. Por falar em máquina, impossível não achar que o volante do Plaid é uma cópia do volante do K.I.T.T. do Knight Rider (“A Super Máquina”, seriado americano dos anos 80). E o nome do carro? Bem, aparentemente tanto a velocidade “ludicrous”, como o nome “plaid” são emprestados do filme Spaceballs  (“Tem um Louco Solto no Espaço”) de 1987 – uma divertida paródia ao filme Star Wars. O clip da cena em que ambos termos aparecem pode ser conferido aqui. Pelo jeito, Elon é tão fixado nos anos 80 quanto eu!

Esta carta semanal tem o objetivo de fazer um apanhado breve e bem-humorado das notícias do mercado financeiro, com foco nos temas de gestão de riqueza e planejamento financeiro. O texto não constitui nenhuma oferta de produto financeiro, ou recomendação de investimento. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem o posicionamento oficial da Portofino Multi Family Office.
Pedro Saboia é sócio da Portofino Multi-Family Office, investidor profissional, CEA (Certificação de Especialistas em Investimentos ANBIMA) e Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela CVM, conforme instrução 592. A Portofino cuida das pessoas para que alcancem um futuro financeiro equilibrado – com ética, transparência e responsabilidade. Quer conhecer mais? Agende uma conversa.

Carta #103: Balanço

Carta #103: Balanço

Semana novamente dominada pelo agravamento de temas locais recorrentes: descompasso fiscal, reformas erráticas, embates políticos, e uma crise energética que parece cada vez mais certeira.

No calendário, temos um feriado de 7 de setembro na terça que vem carregado de polarização e incerteza. E, o final da semana, mais precisamente sábado dia 11, marca o aniversário de 20 anos da tragédia de 9/11 nos EUA. 

Permito-me repetir o comentário que fiz na carta #79, em março deste ano, quando as médias diárias de óbitos devido à Covid rapidamente se aproximavam de 3000: “O mundo parou para olhar aqueles ataques às torres gêmeas, enquanto sites de notícias congelavam sob o peso da humanidade tentando entender o que acontecia. Aqueles eventos, que aterrorizaram o mundo e inauguraram uma nova era do medo, contabilizaram 2,977 mortes.

Prometo me esforçar ao máximo em buscar um olhar positivo e construtivo para os temas que selecionei.

Final de Mês
Comecemos pelo bode na sala. Sob qualquer medida, tivemos mais um final de mês de resultados pouco inspiradores para nossos investimentos. Classes de ativos de risco universalmente sofreram sob o peso de tantas notícias negativas. Na minha fatura, estamos já há 3 meses contabilizando finais de mês desapontadores. Desde aquela sexta-feira, 25 de junho, onde o powerpoint da proposta de reforma tributária começou a circular, mercados não tem tido trégua. Se o final de junho foi atrapalhado pelo balde de água fria que representou a versão inicial da proposta, o término de julho padeceu de ruídos em torno do parcelamento de precatórios, votação eletrônica, e bolsa família. Em agosto, apesar da semana passada (carta #102) ter terminado em tom positivo, a divulgação da proposta de orçamento do governo para 2022, admitidamente ainda muito crua, parece ter azedado o finalzinho do mês. “No creo en brujas … ”, mas parece haver um esforço cósmico concertado de divulgação de pautas bombas no final de mês – especialmente quando, por exemplo, bolsas americanas vivem um excelente momento. Minha recomendação? Fiquemos alertas à amplamente documentada fixação do ser humano pelas notícias ruins. Ainda que o viés da negatividade tenha nos trazido até aqui como espécie, talvez devamos ficar alertas à seus efeitos acumulados, quando somos bombardeados pelo fluxo incessante de notícias. Afinal, e sem nenhuma crítica implícita, como dizem nossos vizinhos do norte, “bad news sells”.



Reforma Tributária
Fomos surpreendidos na quarta à noite com a aprovação às pressas da reforma do IR na câmara. O famoso investidor fundamentalista Benjamin Graham (1894-1976) certa vez declarou que “In the short run, the market is a voting machine but in the long run it is a weighing machine.” Ou seja, o curto prazo estaria muito mais próximo de um concurso de popularidade, sendo que no longo prazo o real valor das ações “pesaria”, refletido no preço. Bem, ontem, quinta-feira, o “sr. mercado” votou… e votou pesado, ao tom de uma queda de 2,28% no índice Ibovespa – e com reflexos no mercado de juros. Pelo andar de hoje, as urnas continuam abertas. Claramente é um assunto para acompanharmos de perto, agora que a reforma segue para o senado. No entanto, a forma atabalhoada como o assunto foi conduzido não agradou ninguém. O brilho de uma medida estimulativa, a redução do IR das empresas, parece ofuscado pelos inúmeros efeitos de segunda ordem, e eventuais desarranjos econômicos, que assuntos como a tributação de dividendos pode trazer. Seguimos mapeando os impactos nas diversas classes de ativos que recomendamos, e nossas portas permanecem abertas para famílias que desejem explorar situações específicas.

Orwelliano
No começo da semana foi divulgada uma notícia que ganhou pouca atenção, porém que creio reforça a visão de uma China cada vez mais reguladora daquilo que o partido entende como “ópio espiritual” (carta #99). Aparentemente, a China estaria limitando o número de horas que crianças podem jogar online à 3… por semana! Não apenas isso, os horários permitidos para tais atividades também seriam restritos. Como pai de duas adolescentes plugadas, neste caso não em jogos mas em TikTok e Insta, secretamente comemorei a notícia. Mandei imediatamente para elas por nosso grupo familiar de whatsapp, ação que foi recebida com um gélido episódio de “ghosting” – em português: deram de ombros. Sinceramente não tenho a menor ideia de como o partido pretende implementar tal política. Independentemente disso, há um certo ar de “1984” (romance distópico de George Orwell) no ar, indo desde bitcoin e sistemas de pagamento, passando por educação e terminando em entretenimento. China continua sendo uma tese de investimento internacional importante, mas claramente exige que percebamos que as coisas por lá funcionam diferente do que provavelmente estamos acostumados.

Riscos, Episódio 1
Prometi iniciar uma minissérie sobre o tema risco. Já fui questionado sobre esta divisão artificial de temas mais complexos em várias cartas. Se de um lado odeio o fenômeno das cenas dos próximos capítulos, do outro, trabalho duro para fazer esta leitura semanal caber em poucos minutos do final de dia do meu leitor. Mas, vamos lá: tendo concluído a exploração sobre o que seriam retornos razoáveis esperados, e fazendo a ponderação sobre o nível de risco assumido por uma dada família, é natural que surja a dúvida: afinal, o que é risco? Como se mede? O que come, e onde habita? Comecemos por algo que o risco não é, ou pelo menos não é necessariamente. Proponho aqui que volatilidade (ou o grau de variação de preços) de um certo ativo não é necessariamente uma boa medida de risco. Peguemos emprestado um exemplo da engenharia: asas de avião não são rígidas. Olhando pela janela do avião, vê-se claramente que há intensa flexão destas enormes estruturas.  As asas de um moderno Boeing Dreamliner 787 conseguem fletir incríveis 7,6 metros antes de entrar em falha – muito acima de qualquer cenário normal de operação. Neste caso, uma estrutura rígida seria muito mais arriscada do que o projeto atual. Um certo grau de flexibilidade (volatilidade), dentro de limites, não é apenas esperado, mas faz parte integral do projeto. Pontes e edifícios altos são projetados considerando este mesmo princípio. História curiosa, para cariocas saudosistas como eu: o famoso e controverso edifício “balança mais não cai”, inaugurado em 1948, na época de Vargas, está de pé até hoje, devidamente revitalizado, e inspirou até programa humorístico na Globo dos anos ‘70 !



Sei que arrisco alienar alguns queridos leitores com a dica desta semana, mas, ainda que filmes de terror não sejam de apelo universal, minha recomendação tem uma história por trás, e vem com pedigree de ninguém menos que o famoso escritor Stephen King. Voltemos ao ano de 1980. Jack Nickolson e Shelley Duvall estrelavam em “The Shining” (“O Iluminado”) de Stanley Kubrick. As coisas demoravam para chegar no Brasil naquela época, então eu provavelmente vi o filme lá por ’83, numa fita VHS, já adolescente e relativamente interessado neste tipo de estética. “The Shining” talvez tenha sido o primeiro filme do gênero a alcançar grande projeção mainstream, provavelmente pela brilhante atuação do ensandecido Nicholson, e pela hábil direção de Kubrick (sim, o mesmo de “Laranja Mecânica”). Assistir à película era visto como um rito de passagem para os interessados no gênero, com lendas urbanas especulando que nunca mais seríamos os mesmos. Pois bem, a dica da semana fica com “Doctor Sleep” de 2019, que é justamente baseado no livro de King que é a sequência à história que inspirou o original. Ainda que não seja uma obra-prima tão chocante como a primeira, o enredo, com quase 40 anos, envelheceu bem e retoma a trama do ponto de vista do filho do casal original. Ewan McGregor, até onde me lembro, estreia no gênero. Mesmo que meu leitor não ame o estilo, Stephen King é um ícone da literatura americana, e as adaptações à telona costumam honrar a obra original. Eu só encontrei na HBO, aquela do catálogo excelente mas do app de streaming sofrível. Se precisar de companhia para assistir, como eu precisei lá no começo dos anos ’80, pode encomendar a pizza e me chamar!

Esta carta semanal tem o objetivo de fazer um apanhado breve e bem-humorado das notícias do mercado financeiro, com foco nos temas de gestão de riqueza e planejamento financeiro. O texto não constitui nenhuma oferta de produto financeiro, ou recomendação de investimento. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem o posicionamento oficial da Portofino Multi Family Office.
Pedro Saboia é sócio da Portofino Multi-Family Office, investidor profissional, CEA (Certificação de Especialistas em Investimentos ANBIMA) e Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela CVM, conforme instrução 592. A Portofino cuida das pessoas para que alcancem um futuro financeiro equilibrado – com ética, transparência e responsabilidade. Quer conhecer mais? Agende uma conversa.

Manifesto | Portofino Multi Family Office

CICLOS
A vida não corre em uma só direção.
Não se trata de uma linha reta a ser seguida do início ao fim.
Mas, de inúmeras possibilidades.
A vida vai se desenhando em ciclos.
Ciclos que nos trouxeram até aqui e muitos outros que virão.
Estamos em constante movimento, aprendendo, evoluindo e construindo.
Cada momento tem seu tempo.
E com o tempo construímos um patrimônio.
Patrimônios não surgem num piscar de olhos.
Quando falamos de gestão de patrimônio, podemos falar muito de números, dinheiro, performance.
Mas, acreditamos que para oferecer uma gestão financeira completa e personalizada é preciso entender não apenas o que você tem, mas quem você é.
O seu crescimento é o nosso crescimento.
Nosso compromisso é o de proteger e ampliar o patrimônio de nossos clientes.
Fazer com que cada família, sob a nossa responsabilidade, possa usufruir e alcançar um futuro financeiro equilibrado.
Somos do mundo dos negócios, e não importa quantas voltas esse mundo dê, nossos valores serão os mesmos e inegociáveis: ética, responsabilidade e transparência.
Patrimônios se perpetuam, reverberam por gerações.
Ciclos se transformam em legados.
Estamos prontos para embarcar ao seu lado nessa grande jornada.

Portofino Multi Family Office

 

Não é Banco, nem Corretora. É Multi Family Office.

Entenda o que é um Multi Family Office e quais os diferenciais entre os demais players do mercado.

Family offices, ou escritórios familiares numa tradução livre, são empresas privadas focadas na gestão dos investimentos, dos ativos e da riqueza em geral de famílias detentoras de elevado patrimônio. Seu objetivo é claro: preservar, ampliar e transmitir o patrimônio e legado familiar, para as próximas gerações.

Este conceito, tem raízes no século VI, quando mordomos cuidavam dos assuntos cotidianos e financeiros de famílias reais e da nobreza. No entanto, é apenas no século XIX que começa a se modernizar, quando, primeiro, a família de John Pierpont (J.P.) Morgan, e depois os Rockefellers, fundaram suas próprias estruturas, dando início a indústria dos escritórios dedicados aos negócios de uma única família, os chamados Single-Family Offices.

À medida em que esta indústria se desenvolvia, ficava mais claro que o custo de uma estrutura dedicada a uma família era economicamente viável apenas para aquelas com patrimônios muito elevados. Além disso, o rápido desenvolvimento dos mercados financeiros globais demandava mais sofisticação, especialização e conhecimento por parte dos profissionais que integravam um family office. Custos regulatórios, operacionais, e de compliance, acompanharam o mesmo passo.

O século XX trouxe à tona uma nova realidade em termos de possibilidades de acumulação de patrimônio, fazendo crescer o número de famílias de empresários, empreendedores e executivos que demandavam este mesmo tipo de serviço. E os avanços tecnológicos na forma de infraestrutura computacional, ferramentas, e conectividade, pavimentaram de forma definitiva o caminho para o ganho de escala destas estruturas. Surgiam então os escritórios multi-familiares, ou Multi-Family Offices (MFO).

PERSONALIZAÇÃO.

Com um olhar holístico e integrado, um Multi-Family Office atua desde o planejamento, estratégia e gestão financeira global dos seus clientes, passando pelos investimentos, controle de riscos, temas tributários, fiscais, sucessórios, até a educação financeira. Desta forma, o trabalho de um MFO exige conhecer intimamente os detalhes e particularidades de cada família e situação, utilizando seu profundo conhecimento técnico e ampla rede de parceiros especialistas, na construção de soluções alinhadas exclusivamente aos interesses de seus clientes.

INDEPENDENTES E ALINHADOS EXCLUSIVAMENTE AOS SEUS CLIENTES.

Outros fatores distinguem a atuação de um MFO, como a sua independência e modelo de remuneraçãoAqueles que atuam de forma independente, ou seja, sem bancos ou outras instituições financeiras como controladores, não se limitam ao portfólio de uma única casa, podendo explorar os mais variados tipos de ativos existentes nos mercados financeiros globais, desde que estejam alinhados aos objetivos e perfis de seus clientes. Por isso são reconhecidos como plataformas abertas.

MODELO DE REMUNERAÇÃO TRANSPARENTE, SEM CONFLITO DE INTERESSES.

Seu modelo de remuneração remete ao praticado na Inglaterra e países do hemisfério norte, e se dá por uma taxa previamente negociada com o cliente, eliminando qualquer tipo de conflito de interesses advindo de incentivos cruzados, ocultos ou comissões embutidas. Isso torna a recomendação de produtos usados na construção de carteiras fiel ao perfil, e planos, do contratante.

Um MFO celebra os mais altos padrões éticos em seus negócios, e cumpre seu dever fiduciário de zelar pelos interesses de seus clientes acima de tudo, garantindo um vínculo verdadeiro com cada família.

A FORÇA E UNIÃO DAS FAMÍLIAS GERANDO BENEFÍCIOS PARA TODOS, COMO O ACESSO À PRODUTOS RESTRITOS E EXCLUSIVOS.

Finalmente, a união e a força conjunta de diversas famílias representadas sob a mesma gestão, além de gerar sinergias e oportunidades de negócios entre as mesmas, abre portas de acesso a produtos restritos a investidores institucionais, antes reservados a empresas e grandes agentes do mercado. Este acesso institucional se traduz em custos menores para o investidor, e consequente melhora na rentabilidade.

Tradicionalmente, tamanha customização do serviço implicava que a viabilidade de um Multi-Family Office ficasse restrita a algumas poucas famílias. Mas, avanços na tecnologia e no funcionamento dos mercados de capitais, tem trazido otimização de processos e maior escalabilidade também à esta indústria. A gama de situações atendidas é hoje muito maior e, investidores mais exigentes, com patrimônios à partir de R$ 3 milhões, podem se dar a oportunidade de conhecer este modelo de gestão profissional.

A crescente globalização, e consequente sofisticação dos mercados financeiros, se apresentam como desafios progressivamente mais complexos para que famílias administrem e preservem seu patrimônio e legado. Os MFOs se apresentam como uma alternativa cada vez mais ao alcance de famílias brasileiras. Uma relação duradoura, intergeracional, de confiança e confidencialidade absoluta é construída passo a passo, projeto a projeto. E esta jornada se inicia com uma escolha criteriosa e ponderada do parceiro certo.

COMPARATIVO: BANCOS, CORRETORAS E MULTI FAMILY OFFICE.

Numa visão cronológica, veja abaixo o comparativo entre o modelo dos Bancos, Corretoras e Multi Family Offices. Apesar de já centenários, os Multi Family Offices são uma alternativa transparente e futurista para os seus investimentos.

Passado
Bancos com plataformas fechadas
Investidores com acesso restrito a investimentos no banco de relacionamento
Pouca adequação às necessidades pessoais
Falta de clareza no custo de serviço
Relação com alto conflito de interesses
Venda de produtos próprios

Presente
Corretoras com plataformas abertas e bancos em processo de abertura
Acesso ampliado a opção de investimento
Concorrência entre bancos e corretoras melhora o preço
Porém ainda baixa customização
Permanece a falta de clareza com relação aos custos
Relação permanece conflitada

Futuro
Novos modelos de negócios ampliam acesso a consultores  / gestores
Profissionais isentos de conflitos de interesses que trabalham para garantir e são remunerados de acordo com o
sucesso do cliente
Total clareza de custos
Adequação as necessidades e objetivos dos clientes
Melhor relação risco x retorno
Foco em produtos diferenciados
No caso dos Multi Family Offices, a força dos grupos familiares permite acesso à produtos restritos aos investidores institucionais.

Clique aqui e agende uma conversa com os nossos especialistas.

Portofino Multi Family Office™.

Leia o artigo também na Exame.

Carolina Giovanella (CGA – CFP ®) é fundadora da Portofino Multi Family Office. Em 2012, Carolina criou a empresa para cuidar do patrimônio da própria família e hoje, com o mesmo propósito, atende inúmeras pessoas, famílias e empresas.

Eduardo Castro é o novo CIO da Portofino Multi Family Office.

Eduardo Castro é o novo CIO da Portofino Multi Family Office.

A Portofino Multi Family Office, especializada na gestão de patrimônios, anuncia a chegada de novo sócio, Eduardo Castro.

Com extensa carreira no mercado financeiro, Eduardo foi o número um da área de investimentos do ABN Amro Asset Management para América Latina e recentemente o principal executivo da área de Gestão da Santander Asset Management coordenando as operações no Brasil, México, Chile e Argentina.

“O propósito, trabalho consistente e resultados exponenciais que a gestora tem alcançado, reforçam o sucesso deste modelo. Com a minha experiência, chego para somar a este time e contribuir no desenvolvimento de soluções que possam oferecer às famílias, produtos e serviços de investimentos nos mais altos níveis para proteger e ampliar os seus patrimônios e dar sequência neste belo trabalho totalmente focado nos clientes”, comenta Eduardo.

Na Portofino, Castro será o CIO (Chief Investment Officer), principal responsável pela área de Gestão de Investimentos, apoiando o processo de expansão do Multi Family Office que hoje atende mais de 500 pessoas, famílias, empresas e administra R$ 9 Bi em ativos no Brasil e exterior.

“Os nossos clientes são o centro de tudo, o motivo de estarmos aqui e o Eduardo chega para reforçar de forma contundente a nossa equipe e contribuir com muita experiência, internacionalidade e criatividade na construção das soluções customizadas para as famílias que cuidamos. Mais pessoas estão conhecendo e aderindo ao nosso modelo de investimentos, um modelo evoluído, transparente, conectado com o que há de melhor nos mercados globais e com uma remuneração justa para todos. Com isso, estamos crescendo ano após ano e, simultaneamente, reforçando os nossos alicerces para que esse crescimento seja sustentável e garanta os melhores resultados para as famílias e empresas que atendemos, além de uma experiência de padrão elevado. Faremos sempre o máximo para retribuir a confiança depositada em nosso trabalho”, afirma Carolina Giovanella, Sócia Fundadora da Portofino.

 

Eduardo Castro, Chief Investiment Officer da Portofino Multi Family Office.

Eduardo possui certificações CFP® e CGA, é formado em Engenharia Eletrônica pela USP e pós graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, além de MBA pela Business School São Paulo, Sustainable Business Strategy pela Harvard e Finanças Comportamentais na Universidade de Chicago.

Carta #100 | Comemorações

Carta #100 | Comemorações

Suponho que a centésima carta mereça comemoração. Afinal, são cem semanas ininterruptas buscando mesclar o resumo dos acontecimentos da semana, com uma visão de longo prazo dos temas que realmente importam na gestão do nosso patrimônio – ao mesmo tempo que busco ponderar pontos de vista distintos, e manter meus próprios vieses sob controle. 

Numerar as cartas não foi algo que fiz desde o princípio. Na verdade, acatei a sugestão de um grande amigo meu, e dos primeiros leitores destas linhas, que argumentou que eu poderia comemorar marcos exatamente como o de hoje. Fui uma bela sacada! Na verdade, muito do estilo e conteúdo destas cartas é justamente moldado pelo feedback que recebo, e pelos quais sou muito grato!

 “Se tivesse mais tempo, teria escrito uma carta mais curta”. 

A frase é atribuída à variados pensadores, desde o matemático francês Blaise Pascal até o escritor americano, e campeão nas citações que uso, Mark Twain. Se sou contido ao falar, o mesmo não pode ser dito da minha prolixidade ao escrever. Portanto, é com enorme esforço que toda semana faço caber as ideias no limite daquilo que considero ser uma leitura rápida. Muitos já me perguntaram quanto trabalho dá escrever esta carta semanal. A resposta sincera é que o grande trabalho, no fundo, é escrever pouco – sintetizar sem perder a essência!

Confesso que esperava um dia mais iluminado para esta #100. Mas, a combinação de uma sexta-feira 13, o retorno das temperaturas árticas, a fina garoa paulistana, o temor com novas variantes do vírus, e os desarranjos no mercado financeiro local, parecem todos jogar contra uma comemoração ao ar livre. Ainda bem que contratei aquela cobertura para chuva!
Reflexividade

O mau desempenho do mercado financeiro brasileiro, afetando praticamente todas as classes de ativos que investimos (bolsa, renda fixa, moedas, …), parece ter instalado um clima de pessimismo e mau humor. Ou seria ao contrário? A tentação por buscar explicações lógicas, e narrativas aconchegantes, parece inescapável. Os jornais estão cheias delas. Seria o culpado o vai-e-vem da reforma tributária, onde as emendas parecem pior que o soneto inicial? A escalada da tensão política? Porque estamos tão descolados, por exemplo, dos EUA? Acordei com um pensamento: estaríamos diante de um caso claro da teoria da reflexividade, cujo expoente mais famoso é George Soros? Esta teoria econômica prega que existe um tipo de “microfonia”, um loop de feedback, em que as percepções de investidores afetariam fundamentos econômicos, que por sua vez mudariam os sentimentos dos investidores. Este processo, ao se retroalimentar, acaba tendendo ao desequilíbrio, forçando preços a ficarem cada vez mais descolados da realidade. Meu ponto? Talvez estejamos no meio de uma tempestade cuja intensidade está sendo exageradamente aumentada pelo comportamento dos participantes, e não necessariamente por fundamentos. Soros, cujo grande feito foi ter ficado bilionário ao apostar contra, e quase ter quebrado, o banco central Inglês em 1992, tem como segunda carreira a de filósofo. Discípulo do influente Karl Popper, esta intrigante ideia pode ser conferida aqui.

Roubo

Esta semana circulou mais uma notícia de roubo de cripto-moedas de uma corretora/custodiante, desta vez a Poly Network. Hackers teriam explorado vulnerabilidades técnicas, e extraído 600 milhões (de usd). Notícias começam a chegar de que o hacker, num ato inesperado de penitência e arrependimento, estaria já devolvendo parte destes valores. Foi provavelmente a maior operação deste tipo, deixando para trás até o icônico caso da Mt. Gox, baseada no Japão, que faliu após ter aproximadamente 450 milhões (de usd) roubados em 2014. Penso que talvez o grande atributo dos cripto-ativos, sua descentralização e independência de um agente regulador, é justamente o calcanhar de Aquiles que estes hackers exploram. O tema bitcoin surge com frequência nas discussões que temos com clientes. Por hora, e sempre respeitando preferências pessoais e pontos de vista divergentes, penso que o Bitcoin precisa ser comparado a outros investimentos sob a rubrica de “alternativos”, avaliando quesitos como facilidade de precificação e quantificação da relação risco x retorno. Investimentos alternativos são um componente importante de como construímos portfolios, mas sempre adequadamente compreendidos e dimensionados.
Retornos Razoáveis, Conclusão

Fecho esta edição comemorativa concluindo a minissérie sobre retornos esperados, iniciada na carta #97. Relembro o objetivo: estamos aqui em busca de qual retorno anual podemos esperar de nossas carteiras de investimento, no longo prazo. Sim, refiro-me ao percentual que colocamos naquele Excel lotado de macros, que serve de base para todo tipo de planejamento de aposentadoria, longevidade e sucessão. Os principais dois pontos até aqui: em primeiro lugar, que a estimativa seja baseada no retorno real, acima da inflação. Não corrigir pela inflação pode fazer com que em apenas uma década o patrimônio pareça ter dobrado, sem que o real poder de compra tenha se alterado (considerando uma inflação de 7%). O segundo ponto é igualmente crítico: usar um valor alto demais, composto ao longo de décadas, pode gerar distorções relevantes no resultado final. Então qual seria este número mágico? A primeira resposta é de que não há um único número. Estamos aqui necessariamente fazendo exercícios com horizontes temporais alargados, às vezes abrangendo múltiplas gerações. O futuro não é conhecível, e muito menos exprimível por um único número. O que sim podemos fazer é explorar vários cenários. A boa prática de administração sugere que façamos a simulação considerando, pelo menos: um cenário otimista, um pessimista, e um intermediário (ou provável). Reconheço aqui, de forma ampla, meu viés conservador: prefiro me apegar ao cenário pessimista, e trabalhar duro para ser positivamente surpreendido no futuro. Em termos práticos: se 6% (retorno real) é uma tradicional meta atuarial do mercado de previdência no Brasil, como falamos na carta passada, então este número poderia ser a base do cenário otimista. O pessimista? Proponho metade disso, ou 3%. O intermediário, por imposição matemática, ficaria em 4,5%. Penso serem bons pontos de partida para este exercício, para o qual, insisto, estamos aqui sempre prontos para ajudar!


Depois de um breve hiato, retorno ao tema musical. Quero recomendar a banda americana Vulfpeck. Fundada em 2011 por músicos formados na universidade de Michigan, esta banda com pegada funk e raízes no jazz, só de verdade entrou no meu radar lá por 2019, quando do seu antológico show no Madison Square Garden – naquele tempo em que seres humanos desmascarados lotavam estádios. O vídeo que recomendo é do sucesso “Dean Town”, gravado na ocasião. Como se o visual inusitado e descolado da banda, o virtuosismo dos integrantes, e a plateia empolgada cantarolando uma linha melódica complexa, não fossem suficientes, há a performance do excepcional baixista Joe Dart. Recomendo fortemente que seja escutado com headphones, já que os auto-falantes de celulares e notebooks não costumam ter boa resposta para frequências mais graves. Já fui perguntado várias vezes sobre minha obsessão pelo baixo, como instrumento. A razão é simples: meu primeiro “emprego” numa banda foi de baixista. O ano era 1985, e Eu um guitarrista iniciante, que sonhava com o estrelato das bandas de rock da época. O destino pregou uma peça: a banda que me aceitou precisava mesmo era de um baixista, posição que ocupei por algum tempo, usando um baixo emprestado – que por sinal está com a devolução atrasada em pelo 35 anos!

Esta carta semanal tem o objetivo de fazer um apanhado breve e bem-humorado das notícias do mercado financeiro, com foco nos temas de gestão de riqueza e planejamento financeiro. O texto não constitui nenhuma oferta de produto financeiro, ou recomendação de investimento. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem o posicionamento oficial da Portofino Multi Family Office. Pedro Saboia é sócio da Portofino Multi-Family Office, investidor profissional, CEA (Certificação de Especialistas em Investimentos ANBIMA) e Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela CVM, conforme instrução 592.
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