Esfera BR | Inflação e taxa de juros altas desafiam o sistema financeiro global

Esfera BR | Inflação e taxa de juros altas desafiam o sistema financeiro global

(Tempo de leitura: 7 minutos)

Bancos centrais implementam ferramentas distintas para cumprir seus mandatos de inflação e estabilidade financeira.

Por Mariam Dayoub, CFA charterholder e mestre em Administração Pública pela Universidade Columbia

Após um período prolongado de taxa de juros baixas mundo afora, ainda que com algum atraso por terem inicialmente caracterizado o surto inflacionário corrente como “transitório”, os bancos centrais reagiram às taxas de inflação mais altas das últimas quatro décadas com uma elevação forte e rápida dos juros. 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, subiu a taxa de juros em quase cinco pontos percentuais desde março de 2022, na campanha de aperto monetário mais intensa desde a década de 1980. Porém, a inflação, dados os impactos variáveis e cumulativos da política monetária, permanece elevada e distante da meta de 2%. 

Sempre que o Fed embarcou em um ciclo de aperto monetário, houve episódios de estresse ou crises no mercado financeiro subsequentemente. Geralmente, o maior impacto ocorre em entidades alavancadas. Alguns exemplos são: a crise de dívida externa da América Latina (1982), o estouro da bolha da internet (2000) e a crise do subprime (2007). 

Desta vez, após fortes quedas nos preços das ações de crescimento e altas nas taxas de juros de mercado em 2022, tremores foram sentidos no sistema bancário americano. Em março de 2023, ocorreram a segunda, a terceira e a quarta maiores falências bancárias da história dos EUA, concomitantes ao colapso de um grande banco suíço. 

Os problemas nesses bancos regionais americanos não ocorreram por perdas nas concessões de crédito, mas por má gestão de risco e fragilidades em seus modelos de negócio. Ademais, hoje, a tecnologia permite que correntistas saquem seus depósitos de instituições financeiras com um toque nos aplicativos, o que aumenta exponencialmente a velocidade de corridas bancárias. Nos casos desses bancos, isso foi potencializado por publicações em redes sociais. Ficou claro que a revolução tecnológica e digital transformou o mercado bancário global.

O pilar que sustenta o setor bancário é a confiança. Quando abalada, seus impactos são sentidos por toda a economia. Dadas as cicatrizes deixadas pela crise financeira global de 2008 a 2009, os reguladores do sistema financeiro, que falharam na supervisão dos bancos que quebraram em 2023, agiram rapidamente para impedir que esses eventos se tornassem sistêmicos. Nos EUA, além da janela de redesconto, o Fed criou um programa para prover liquidez aos bancos, aceitando títulos públicos no valor de face como colateral. Com essas medidas, os saques de depósitos por correntistas do sistema bancário e o uso desses programas disponibilizados pelo Fed se estabilizaram. 

O episódio de 2023 evidenciou a separação de instrumentos utilizados pelos bancos centrais para o cumprimento de seus objetivos de controle de inflação, via taxa de juros, e de estabilidade financeira, via implementação de medidas macroprudenciais. Essa separação é válida enquanto crises financeiras ou bancárias não se transmitem para a economia de forma mais intensa.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) seguiu os pares globais. Em sua comunicação recente, o Copom avaliou que “a melhor contribuição da política monetária segue sendo no combate a pressões inflacionárias e na suavização de flutuações econômicas” e ressaltou a separação de instrumentos entre os dois objetivos.

Historicamente, estresses no sistema financeiro levaram a apertos de crédito nas economias. Neste episódio contemporâneo, todavia, o pano de fundo é relativamente saudável. No agregado, tanto as famílias quanto as empresas estão com balanços mais robustos, o que limita o impacto do choque. Contudo, ele será transmitido nos trimestres à frente, com a restrição de crédito impactando a atividade, equivalente a um aperto adicional da política monetária.

Membros do Fed têm indicado que, isso posto, o banco central encerrará seu ciclo de aperto monetário com uma taxa de juros aquém do esperado antes do choque bancário, porém com manutenção de taxas de juros elevadas por um período prolongado. Esse modus operandi segue o Copom, que antecipou o ciclo de aperto monetário comparado aos pares e mantém uma postura paciente neste segundo estágio do processo de desinflação, que requer moderação da atividade para atuação dos canais de transmissão da política monetária.

Tanto lá quanto cá, para antecipar o ciclo de afrouxamento da política monetária, o impacto dos choques transmitidos pelo sistema bancário terá de ser mais profundo do que o esperado pelas autoridades monetárias, levando a uma desinflação mais intensa, simultânea ao aumento da taxa de desemprego. 

Diante dos múltiplos desafios, os bancos centrais indicam que seguirão atuando com paciência e serenidade para garantir que, nos próximos anos, a inflação retorne para níveis próximos às metas, em um ambiente com expectativas ancoradas e com reformas em prol da estabilidade financeira.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

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PEC 45 e os impactos sobre o patrimônio das pessoas físicas

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(Tempo de leitura: 6 mins)

Na madrugada da sexta-feira (7), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da 1ª Etapa da Reforma Tributária, a qual busca melhorar e simplificar o sistema tributário brasileiro, com enfoque na tributação sobre o consumo.

De forma resumida, o texto mais recente da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 45/19 unifica o ICMS, ISS, IPI, PIS, Cofins e cria o IVA (Imposto Sobre Valor Agregado), que será dividido em dois tributos: um federal (a Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS) e outro dos estados e municípios (o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS).

Além dos impostos sobre o consumo, o texto que agora segue para votação do Senado, também inclui outros temas, sobre tributação do patrimônio, que impactam diretamente as pessoas físicas:

  • ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação)

Deverá ser progressivo, em razão do valor da doação ou herança. Segundo o relator do projeto, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o objetivo é “tributar as heranças e doações de alto valor de modo mais justo”.

Alguns estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro já possuem alíquotas estaduais progressivas. Outros estados como São Paulo e Minas Gerais, que possuem alíquota fixa, precisarão ajustar as leis estaduais, se a reforma for aprovada no Senado Federal.

A alíquota máxima atual de 8% permanece a mesma e não é objeto de alteração na PEC nº 45/19. Em outras propostas paralelas, existe a possibilidade de o “teto” de 8% ser majorado.

  • ITCMD – Heranças no exterior e doações feitas por não-residentes

Enquanto não houver lei complementar específica regulamentando esse assunto, o texto da reforma prevê que os Estados poderão exigir ITCMD no estado de domicílio do herdeiro ou donatário. Na prática, essas duas hipóteses que hoje não são tributadas por ausência de previsão legal, passarão a ficar sujeitas ao recolhimento de ITCMD.

Vale lembrar que a entrada em vigor de qualquer alteração nas regras de imposto sobre doações e herança, que resulte em aumento da carga tributária, deve observar 02 condições: as novas regras só podem ser aplicadas no ano seguinte à mudança de lei e após 90 dias da data de sua publicação.

  • Isenção de ITCMD nas doações para instituições sem fins lucrativos

O ITCMD não incidirá sobre as doações destinadas a entidades e organizações que atenderem determinados requisitos e condições, que serão estabelecidos em lei complementar posteriormente.

  • IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para aeronaves e embarcações

O texto da PEC nº 45/2019 prevê que o IPVA passará a incidir sobre a propriedade de aeronaves e embarcações particulares.

  • IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)

A proposta aprovada pela Câmara prevê a possibilidade de atualização da base de cálculo do imposto pelo Município. Atualmente, não existe nenhuma permissão expressa nesse sentido.

A PEC nº 45/2019 estabelece que, após sua aprovação no Senado e promulgação, o Poder Executivo, em até 180 dias, deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei com propostas de alteração na tributação da renda.

A expectativa do mercado, com base em sinalizações do governo ao longo do primeiro semestre, é que as propostas de alterações no imposto de renda sejam endereçadas no segundo semestre, incluindo pautas como tributação de dividendos, fundos fechados e de investimentos e estruturas no exterior.

Estamos atentos e acompanhando esse assunto de perto. As mudanças na tributação do consumo são bastante relevantes e vão demandar uma reorganização geral das empresas. A boa notícia é que a PEC prevê um período de transição, o que permite que os contribuintes se reorganizem com antecedência em relação ao IVA.

Sobre as alterações na tributação do patrimônio e futuramente para as propostas que serão apresentadas sobre o imposto de renda, que impactam diretamente as pessoas físicas, a atenção será redobrada. Nesses casos, as novas regras podem valer já no início do ano seguinte à aprovação, sendo que para alguns impostos temos também o prazo de 90 dias. Em qualquer cenário, o tempo de reorganização e aproveitamento das regras antigas será mais curto, o que demandará mais agilidade dos contribuintes e advogados. Como family office, nós estamos preparados para auxiliar as famílias no que for necessário para garantir a readequação ágil dos planejamentos.

Victória Siqueira é Head de Wealth Planning na Portofino MFO, formada em Direito pela FGV, com extensão em General Business with Concentration in International Trade and Commerce pela UCLA.

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Destravando o crescimento: Private Equity como alternativa à dívida

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Destravando o crescimento: Private Equity como alternativa à dívida

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(Tempo de leitura: 5 minutos)

No cenário de negócios, muitas empresas demandam capital para financiar o crescimento, expandir operações ou desenvolver iniciativas estratégicas. Tradicionalmente, empresários recorrem à dívida como primeira fonte de financiamento. Com o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro, os fundos de investimento em equity (Private Equity) mostram-se como uma alternativa com vantagens e oportunidades importantes. Nosso objetivo é explorar melhor o conceito de captação com fundos de investimento como uma alternativa à captação de crédito de forma geral.

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Os Fundos de Private Equity alocam capital em empresas privadas de diferentes perfis, inclusive empresas familiares. Diferente do crédito, que envolve o repagamento do capital levantado em um prazo específico e com juros, o investimento de equity leva, em contrapartida, ao capital investido, uma participação societária na companhia. O capital desse fundo vem de investidores privados ou institucionais para investimento em negócios sólidos e com boas perspectivas de crescimento.

Vantagens do levantamento de capital através de Fundos de Private Equity:

  1. Não aumenta a alavancagem da companhia: os fundos fornecem acesso a capital livre de garantias e pagamento de juros. Isso pode ser benéfico em cenários, como o atual, de redução no volume de concessão de crédito por parte dos bancos e alta da taxa de juros.
  2. Visão de longo prazo: diferentemente dos bancos, que focam, principalmente, no recebimento de juros e no repagamento do capital, os fundos têm tipicamente uma visão mais de longo prazo. Isso significa que estão mais comprometidos com o crescimento e o sucesso do negócio e, muitas vezes, trabalham em conjunto com o empresário para destravar valor e maximizar o retorno.
  3. Flexibilidade: a estrutura dos investimentos dos fundos pode ser customizada conforme as necessidades do empresário. O capital pode ser usado em diferentes frentes do negócio, como, por exemplo, abertura de uma nova unidade produtiva, internacionalização, aquisições, ampliação da estrutura comercial e, eventualmente, até aporte de capital no “bolso” dos sócios para diluição de risco da pessoa física.
  4. Suporte operacional e de governança: os fundos geralmente trazem experiência operacional e de acompanhamento de negócios. Isso vai além de aspectos financeiros, como orçamento e KPIs. Eles também apoiam na estratégia de crescimento do negócio, na estruturação de governança corporativa e no networking.

Atualmente, no mercado brasileiro, existem diversos perfis de Fundos de Private Equity, nacionais e internacionais, incluindo fundos com experiências setoriais específicas (agronegócio, indústria, tecnologia, varejo, etc.). Somente em 2022, esses fundos investiram mais de R$15 bilhões em empresas brasileiras. Ao se associar a um fundo, o empresário pode obter diversos benefícios, visando maximizar a geração de valor futura. Como exemplo, a maioria das empresas que realizaram abertura de capital nos últimos 10 anos tinha um fundo de investimento como sócio, que apoiou a companhia, dentre outras coisas, no processo de crescimento e governança.

No entanto, por se tratar de uma estrutura muitas vezes complexa, pontos importantes devem ser considerados, como diluição acionária, estratégia de saída, acordo de acionistas e, principalmente, alinhamento de interesses entre as partes. De forma geral, este tipo de investimento pode ser um importante catalisador para acelerar o crescimento de empresas.

Aqui, na Portofino Multi Family Office, temos conhecimento, experiência e diferentes estratégias para apoiar empresários a encontrar a melhor maneira de captar recursos para seus negócios, de acordo com o momento e os objetivos dos sócios e da empresa. Nossa equipe especializada está preparada para oferecer soluções personalizadas, orientação financeira e acompanhamento para ajudar os empresários a aproveitar as vantagens do Private Equity e outras alternativas de financiamento, sem nenhum conflito de interesses.

Entre em contato conosco para discutir suas necessidades específicas e saber como podemos ajudá-lo a impulsionar o crescimento de sua empresa.

Luiz Guimarães é sócio Portofino MFO M&A (Fusões e Aquisições) e possui 12 anos de experiência na área, formado em Administração e Ciências Contábeis pelo IBMEC, com extensão em Private Equity e Venture Capital pela IE Business School – Madrid.  

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PIB, estímulos, desemprego, guerra comercial: a economia chinesa pós-pandemia

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(Tempo de leitura: 5 minutos)

Havia muita expectativa sobre qual seria o comportamento da economia chinesa após a reabertura econômica com o fim das restrições impostas durante a pandemia de coronavírus. A expectativa era que houvesse um boom de crescimento do gigante asiático, contudo, apesar da recuperação estar ocorrendo, o ritmo não supre as expectativas de antes.

Importantes indicadores apresentaram uma queda significativa que impacta diretamente na percepção de crescimento. Dados recentes do PIB, setor imobiliário, produção industrial, vendas no varejo, exportações e importações mostraram uma desaceleração e ficaram abaixo das previsões. Especificamente sobre o setor imobiliário, ele foi o principal impulsionador da economia chinesa por muito tempo, hoje representa quase 20% do PIB do país, mas se tornou uma grande preocupação.

A inflação ao produtor e ao consumidor seguem em patamares historicamente baixos. A primeira, em junho, caiu 5,4% em relação ao mesmo mês em 2022. Já a inflação ao consumidor, caiu 0,2% em junho em relação a maio e ficou estável (0,0%) na comparação com junho de 2022. Esses dados mostram uma recuperação que caminha muito lentamente, com a população cautelosa nos gastos, impactando diretamente no movimento de recuperação pós-pandemia.

Empurrãozinho do governo

Observando a necessidade de garantir caminhos para que a economia reaqueça, o governo adotou algumas medidas para estimular o consumo. No último mês, a política monetária foi alterada para estimular o consumo, reduzindo as taxas de juros, como de longo prazo, que influencia diretamente o financiamento imobiliário. Esse movimento deve permitir que as obras iniciadas que estavam paralisadas possam ser concluídas. 

A redução nas taxas de juros é a primeira realizada pelo Banco do Povo (Banco Central da China) desde agosto de 2022. Apesar dos recentes estímulos, o mercado ainda espera que novas medidas sejam anunciadas para fortalecer o processo de recuperação dos chineses.

Essa expectativa ficou ainda mais latente após a divulgação do PIB chinês do segundo semestre vir abaixo do esperado, ressaltando a recuperação econômica aquém do projetado por lá. O Produto Interno Bruto da China cresceu 6,3% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em relação à média de crescimento do PIB global de 3%, esperado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), os dados chineses estão bem acima. Contudo, a expectativa para o crescimento chinês era maior, dito que, há um ano, a economia do país passava por uma dura política de Covid zero que colocou inúmeras cidades em lockdowns. Neste sentido, a base de comparação era baixa, o que elevou as expectativas. Enquanto isso, a China segue crescendo, contudo em um ritmo de recuperação abaixo do esperado.

Em relação ao primeiro trimestre, a alta foi de apenas 0,8% – contra 2,2% na comparação entre 1T23 e 4T22.

Nos últimos dias, o Politburo (comitê formado pelas mais poderosas lideranças do Partido Comunista Chinês) foi marcado pelo anúncio de estímulos para a economia, apesar das autoridades não terem entrado em muitos detalhes. A agência de notícias estatal Xinhua publicou um resumo dizendo que o governo quer estimular os gastos com consumo, combater o desemprego e apoiar o fragilizado setor imobiliário.

Enviando currículos…

Outro ponto preocupante é a alta taxa de desemprego para jovens entre 16 e 24 anos, que chegou a 20,8% em maio, a maior já registrada no país. Resumidamente, está ocorrendo um aumento na base de jovens educados e o mercado de trabalho não está acompanhando o ritmo de crescimento e oferecendo vagas condizentes em termos de salários e qualificação profissional.

O governo tem tentado fazer com que as empresas contratem mais profissionais qualificados e que os recém-formados aceitem trabalhos braçais e procurem oportunidades no interior. Entretanto, essa solução não tem brilhado aos olhos dos jovens. E essa situação tende a piorar ainda mais nos próximos meses, com a expectativa de que quase 12 milhões de estudantes devem se graduar na faculdade. Mais um problema que o governo de Xi Jinping tem para resolver.

China x Ocidente

Como se pode ver, não são poucas as atenuantes que afetam a economia chinesa. Uma das principais é a guerra comercial com os americanos. Acusações de espionagem, disputas geopolíticas, restrições no setor de tecnologia e outras questões econômicas. A “Guerra dos Chips”, os semicondutores, é a principal expoente dessas tensões, principalmente com o avanço da inteligência artificial.

Sabendo dos interesses chineses, os Estados Unidos, a Holanda e o Japão se uniram para restringir o acesso da China a suas tecnologias. O mercado de chips, de extrema importância no ponto de vista econômico, tecnológico e militar, movimenta mais de US$ 500 bilhões por ano com a expectativa de dobrar esse número até o fim da década.

O posicionamento chinês em relação a Taiwan também é outro empecilho na direção de um melhor relacionamento com o Ocidente. As constantes ameaças de invasão e reinvindicação do território vizinho, assim como a neutralidade na guerra da Ucrânia, são atenuantes que dificultam a colaboração econômica global.

O sentimento ainda é de otimismo

No último mês, durante a cúpula do Fórum Econômico Mundial, Li Qiang, primeiro-ministro chinês, demonstrou confiança quanto ao crescimento chinês.

O ministro demonstrou otimismo com o PIB, ainda mostrando confiança com um crescimento anual de 5%. As falas de Qiang foram recebidas com a esperança de que o governo pode anunciar mais medidas de estímulos para impulsionar a recuperação econômica do país, que vieram durante o Politburo. Mesmo com poucos detalhes e informações de como serão essas medidas, o posicionamento do governo chinês com o intuito de impulsionar a economia é bem recebido.

A China é a segunda maior economia do mundo, representando aproximadamente 15% do cenário mundial. Os próximos meses darão respostas de como a economia reagirá e como o mercado receberá um avanço mais pujante ou mais dados fracos e seus impactos na economia global. Seguimos monitorando o mercado chinês e realizando movimentos táticos que interpretamos como apropriados para os objetivos dos nossos clientes.

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(Tempo de leitura: 3 minutos)

Um grupo mercenário liderado por um oligarca e, até então, amigo e braço direito de Vladimir Putin foi responsável pela ameaça mais grave de poder ao presidente e seu governo em 24 anos. Apesar da tensa situação ter sido resolvida com “panos quentes” de ambos os lados, a sensação é que Putin sai enfraquecido desse embate.

No último mês, o líder do Grupo Wagner, organização paramilitar com fortes ligações ao governo russo, Yevgeny Prigozhin, acusou o Ministério de Defesa russo de atacar um acampamento e matar integrantes do grupo. O Kremlin prontamente negou qualquer envolvimento e acusou o líder de motim armado. Os mercenários marcharam em direção à cidade de Rostov e rapidamente a dominaram, mas o objetivo era Moscou, chegando a 200 km da capital.

Os dois lados firmaram um acordo e a organização paramilitar recuou suas tropas para, segundo Prigozhin, “não derramar sangue russo”. Putin chegou a dizer que a rebelião foi uma “facada nas costas”.

O impacto para o mercado

A expectativa era como essa tentativa de golpe refletiria no mercado financeiro. Neste sentido, é importante destacar que não houve nenhum impacto nem mudanças relevantes a curto prazo no cenário. No entanto, como descreveu Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos, a rebelião revelou fragilidades no governo russo.

Isso é resultado de um momento de muita imprevisibilidade vivido pela Rússia. A exportação de petróleo é uma das principais atividades do país e, apesar das sanções impostas após a invasão na Ucrânia, achou em parceiros uma saída para vender seus barris da commodity. 

Desde o desempenho abaixo do esperado na guerra, a Rússia vem externando fissuras e inseguranças internas. O país enfrenta diversas sanções do Ocidente e no conflito contra a Ucrânia vê o seu exército com enormes dificuldades de conquistar território. Agora, essa rebelião ressalta ainda mais a imagem abalada do Kremlin.

Em meio a esse cenário, a grande questão é se o “motim” do Grupo Wagner ficou por isso mesmo ou se terão outros movimentos. Caso essa história tenha mais capítulos e afete a capacidade da Rússia de exportar petróleo, países parceiros, com destaque para a China, poderão passar a olhar outras alternativas, levando a um possível aumento na demanda por petróleo e consequente variação nos preços.

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(Tempo de leitura: 4 minutos)

O mercado imobiliário tem evoluído ao longo dos anos, abrindo novas oportunidades para investidores que desejam explorar esse setor literalmente sólido e também lucrativo. O avanço da tecnologia e a digitalização desempenharam um papel crucial nessa transformação, simplificando processos, ampliando o acesso à informação e gerando novas formas de negócios.

Dados estatísticos comprovam a preferência e confiança contínua dos investidores em imóveis como uma opção rentável. Segundo a Wealth-X, cerca de 30% do patrimônio líquido das famílias ultra high net worth é investido em imóveis. Além disso, o Banco Mundial revela que os preços dos imóveis residenciais têm apresentado crescimento constante, com uma taxa média de valorização anual entre 3% e 5% em diversos mercados globais. Esses números confirmam a capacidade dos imóveis de gerar valor e retornos atrativos a longo prazo, destacando o potencial desse setor tradicional.

Na Portofino, oferecemos uma área especializada para atender às diversas necessidades dos nossos clientes em relação aos seus ativos imobiliários. Do planejamento estratégico do portfólio familiar à assessoria na tomada de decisões, nosso objetivo principal é otimizar o desempenho e o retorno, sem intermediários nem conflitos de interesse.

Conheça nossos principais serviços:

  1. Análise do portfólio existente: famílias com uma extensa lista de propriedades enfrentam desafios significativos na gestão desses ativos. Nós auxiliamos na identificação de oportunidades de aquisição ou venda, apoiamos na negociação de contratos e acompanhamos o desempenho financeiro dos imóveis, garantindo o melhor para o patrimônio familiar.
  2. Análises de investimentos imobiliários: conte com nossos profissionais especializados para uma análise minuciosa, alinhada aos seus objetivos e das oportunidades de investimento no setor imobiliário. Avaliamos fatores como localização, potencial de valorização, demanda de mercado, riscos e retornos esperados.
  3. Estruturação de veículos de investimento: nossa equipe imobiliária auxilia na criação de fundos imobiliários, parcerias ou estruturas de investimento personalizadas que atendam às necessidades e objetivos dos clientes.
  4. Planejamento sucessório de imóveis: trabalhamos em conjunto com especialistas em planejamento sucessório para garantir uma transferência eficiente e estruturada de imóveis entre gerações. Elaboramos estratégias que consideram aspectos legais, fiscais e tributários, preservando a continuidade do patrimônio imobiliário.
  5. Consultoria em estratégias fiscais e tributárias: oferecemos consultoria especializada em questões fiscais e tributárias relacionadas a investimentos imobiliários. Identificamos estratégias para otimização fiscal, avaliamos implicações fiscais de diferentes estruturas de investimento e acompanhamos mudanças na legislação tributária que possam afetar seus investimentos.

Esses são apenas alguns dos serviços oferecidos pela nossa área imobiliária. Adaptamos nossas soluções às necessidades e objetivos específicos de cada cliente, fornecendo orientação especializada e suporte personalizado. Aqui, você encontrará um parceiro confiável para maximizar o potencial dos seus investimentos imobiliários, com total transparência, sem intermediários e conflitos de interesses. Para proteger e ampliar o seu patrimônio, de forma sustentável e multigeracional.

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