O que você precisa saber: O IBGE divulgou os dados mais recentes de inflação. Neste texto, o nosso sócio e Portfolio Manager, Thomás Gibertoni, analisou o resultado apresentado.
O IPCA (índice oficial de inflação) de abril ficou em 0,43%, um pouco acima do esperado pelo mercado (0,42%) e um pouco menor que o registrado em março (0,56%). No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, a inflação subiu para 5,53%, ante 5,48% no mês anterior.
O que ajudou a segurar a inflação
Queda no preço de passagens aéreas (-14,15%) e combustíveis (-0,45%).
Alimentos em casa subiram menos (0,83%), com destaque para itens como ovos e café, que caíram (-1,29%) ou subiram menos (4,48%) após altas recentes.
O que pressionou a inflação
Bens industriais (como roupas e eletrônicos) subiram 0,62%, influenciados pelo fim de promoções e trocas de coleção (vestuário: +1,02%).
Medicamentos tiveram reajuste (2,32%), algo comum em abril.
Preocupação com serviços e núcleo da inflação
Os preços de serviços essenciais e a média dos núcleos de inflação (que excluem itens voláteis) praticamente não recuaram (0,61% e 0,51%, respectivamente), indicando que a inflação mais persistente segue alta. Em termos anualizados, alguns indicadores até aceleraram (7,8%), enquanto outros se mantiveram em patamares elevados (6,2%).
Surpresas no resultado
Alimentos em casa ficaram um pouco mais baratos do que o esperado, principalmente legumes e verduras.
Serviços pessoais (como educação e saúde) ficaram mais caros (+2 bps), piorando a qualidade geral do resultado.
Conclusão
A inflação de abril manteve-se em níveis preocupantes, especialmente nos setores mais resistentes a quedas (como serviços). Apesar de o Banco Central ter sinalizado uma possível pausa nos aumentos de juros, o cenário atual—com inflação alta e sem sinais claros de melhora—reforça a necessidade de manter os juros elevados por enquanto. Não há condições para discutir cortes na taxa de juros em 2025.
Thomás Gibertoni Sócio | Portfolio Manager
É formado em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e possui certificações CGA e CGE. Thomás passou pelo Banco Santander e antes de chegar a Portofino foi Portfolio Manager na Clarita Investimentos.
O que você precisa saber: O mercado de M&A no Brasil começa a dar sinais de retomada, com foco em setores como tecnologia e energia. Em um cenário ainda cauteloso, investidores buscam negócios mais sólidos e sustentáveis, deixando de lado o crescimento a qualquer custo.
Depois de um período mais tímido, o mercado de fusões e aquisições começa a mostrar sinais de que está, pouco a pouco, voltando ao jogo. Ainda sem atingir os volumes pré-2022, é verdade, mas o sentimento é de que a maré está mudando.
Em 2024, o Brasil registrou mais de 1,5 mil operações – uma clara recuperação após dois anos de desempenho mais fraco. As negociações entre empresas brasileiras lideraram o movimento, com 981 casos, seguidas por transações com capital estrangeiro adquirindo companhias nacionais, que somaram 394. O retrato é de um mercado que segue amadurecendo e se consolidando como um dos mais dinâmicos da América Latina.
Apesar dos números positivos para o mercado, o aumento da taxa de juros e as questões fiscais e políticas que pairam sobre Brasília foram desafios para o ritmo das transações — especialmente nos setores mais sensíveis às mudanças macroeconômicas.
A perspectiva para 2025, entretanto, é a de que os investidores estratégicos e os fundos de private equity, que haviam pisado no freio, voltem a demonstrar interesse. E não de forma indiscriminada: tecnologia e energia seguem no centro das atenções, mas com uma postura mais criteriosa.
“A palavra de ordem, no entanto, é seletividade”, analisa Luiz Guimarães, sócio Portofino da área de M&A (Fusões e Aquisições, em português). “O apetite está mais exigente. Se antes o mercado parecia hipnotizado por promessas de crescimento acelerado, hoje os olhos se voltam para empresas resilientes, com boa geração de caixa e fundamentos sólidos. O ‘crescer a qualquer custo’ perdeu brilho — o que importa agora é o quanto esse crescimento se sustenta de pé. O sentimento geral? Cautela com viés positivo”, conclui.
O que você precisa saber: O nosso time analisou as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, a equipe do Copom optou por elevar a Selic para 14,75%, o maior patamar em 20 anos. Por outro lado, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada.
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu aumentar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, elevando de 14,25% para 14,75% ao ano. A medida reflete um cenário de elevada incerteza, tanto no cenário externo — com destaque para as políticas comerciais dos Estados Unidos — quanto no doméstico, especialmente em relação aos rumos da política fiscal.
Diante desse contexto, o Copom adotou um tom cauteloso, optando por aguardar os efeitos cumulativos do atual ciclo de alta de juros, a divulgação de novos indicadores econômicos e os desdobramentos das medidas comerciais internacionais antes de definir os próximos passos.
O Comitê não descarta novas altas, mas também não assume compromisso com elevações imediatas. Se novos ajustes forem necessários, a próxima reunião (em junho) deve ser pulada, com eventuais movimentos ficando para julho em diante, dependendo da evolução dos dados.
Thomas Gibertoni Sócio e Portfolio Manager
Mesmo após pressões para corte de juros de Trump, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros dos EUA entre 4,25% e 4,5% pela terceira vez seguida, adotando cautela diante da desaceleração econômica e das incertezas provocadas pela guerra tarifária. Tal decisão era amplamente prevista pelo mercado e não afetou significativamente o preço das ações ou do tesouro de 10 anos.
O presidente do Fed, Jerome Powell – criticado por Trump – enfatizou que as decisões da instituição são baseadas em análises de dados econômicos e que a atual postura é de cautela, aguardando mais informações sobre os impactos reais das tarifas na economia real.
O que você precisa saber: Mais do que um recipiente, o barril é um personagem essencial na jornada do whisky — moldando aromas, cores e sabores com a sabedoria do tempo e da madeira.
Você pode até pensar que o segredo de um bom whisky está só nos grãos escolhidos a dedo ou no tempo em que ele fica envelhecendo pacientemente. Mas tem um personagem nessa história que, embora muitas vezes fique nos bastidores, rouba a cena quando o assunto é sabor: o barril. É dentro dele que o destilado descansa, respira e, como num ritual silencioso, vai se transformando. A madeira não é só uma casca bonita — ela pinta o líquido com cor, perfume e personalidade.
E não pense que todo barril é igual, não. O tipo de carvalho, o tempo de uso, o que já foi guardado ali antes — como vinho, bourbon ou xerez — e até o clima do lugar onde ele fica guardado, tudo isso influencia o resultado final. Dependendo da combinação, o whisky pode ganhar notas de baunilha, frutas secas, especiarias e até aquele toque defumado que dá um ar misterioso ao gole.
A maioria dos barris usados na produção vem do carvalho, e aqui temos dois protagonistas: o americano e o europeu. O primeiro costuma entregar sabores mais doces, como baunilha e coco. Já o europeu chega chegando, com um perfil mais encorpado, picante e complexo. E o que acontece antes do whisky entrar no barril também conta muito. A madeira passa por um processo de tostagem ou carbonização — uma espécie de “cozinha” da madeira, onde os sabores adormecidos começam a despertar. A tostagem libera açúcares e óleos naturais, resultando em notas mais suaves e caramelizadas. Já a carbonização vai fundo, criando uma camada mais queimada que traz aquele defumado gostoso e marcante.
É curioso pensar que um simples barril pode ter tanto poder de transformação. Mas a verdade é que cada um carrega suas próprias marcas do tempo. Se ele já abrigou bourbon, por exemplo, vai deixar traços de doçura e baunilha no whisky que vier depois. É como se o barril tivesse memória — e essa memória acaba indo parar direto no seu copo, em forma de sabor, aroma e história.
Se você quer se aprofundar nessa história e saber mais sobre como os barris definem o sabor e o aroma do Whisky, clique aqui.
O que você precisa saber: A compra da Versace pela Prada movimentou o mercado de luxo, mas não somente pelos valores. A aquisição mostra a força do Grupo Prada para manter sua independência e competir com outros grandes conglomerados do mundo.
“Eu, que trabalho com isso, não consigo acompanhar.”
Foi nesse tom descontraído que uma jornalista especializada na cobertura do mercado de moda comentou sobre o nível de loucura que anda rolando nos últimos meses. E, ao que tudo indica, talvez essa seja só a ponta do iceberg. Mas calma: se você está perdido sobre o que estamos falando, respira — eu te guio.
No meio da dança das cadeiras dos cargos de liderança das principais marcas, não é preciso ser estilista ou designer para ter ouvido falar da compra da Versace pela Prada por cerca de US$ 1,38 bilhão — a maior aquisição em 112 anos de história da empresa. Mas o que talvez nem todo mundo saiba é o que está por trás dessa negociação.
Um dos principais motivos? O conceito que dominou as passarelas (e os closets mais exclusivos) nos últimos anos: o quiet luxury. Ou, na tradução literal, o “luxo silencioso”. Aquele estilo de quem não precisa estampar um logo para mostrar que está usando algo caro — porque a verdadeira sofisticação está nos detalhes que só os insiders reconhecem. Um corte impecável, uma textura rara, uma alfaiataria que conversa baixo, mas diz muito. A tendência nasceu logo após a pandemia de Covid-19, onde poderia ser considerado moralmente inaceitável ostentar um estilo de vida que fosse contrário ao período que vivíamos.
A ascensão dessa tendência foi uma das razões para a crise enfrentada pela Versace — marca conhecida pelas estampas exuberantes, cores vibrantes e por navegar, muitas vezes, entre o exagero e a elegância. Nos últimos tempos, o maximalismo que a consagrou nos anos 80 e 90 andava desalinhado com o desejo de discrição do público de alta renda.
Mas como tudo na moda (e nos investimentos também), o ciclo gira. Especialistas apontam que o loud luxury está ressurgindo — com força. Estamos falando de estampa animal, brilho, acessórios maximalistas e muita ousadia. É o glamour dos anos 80 e 2000 batendo à porta. E não adianta torcer o nariz: basta abrir o Instagram para ver o que está voltando com tudo.
Esse movimento também reacende os holofotes sobre os grandes conglomerados de moda. Se LVMH não te soa familiar, talvez Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co. resolvam o mistério. A holding de Bernard Arnault é um império. Assim como a Kering, dona de Gucci, Bottega Veneta, Balenciaga… nomes que não saem da boca — nem do corpo — do público do mercado de luxo. São essas estruturas que ditam não apenas tendências estéticas, mas também estratégias empresariais.
E aí entra a jogada da Prada: ao adquirir a Versace, o grupo ganha musculatura para competir com esses gigantes e, ao mesmo tempo, reforça seu plano de sucessão. A operação dá fôlego para Lorenzo Bertelli, filho de Miuccia Prada e Patrizio Bertelli, assumir o comando com a missão de manter a independência e o DNA da marca. É uma jogada estratégica com raízes sentimentais e olhos bem abertos para o mercado.
É interessante ainda mencionar como as duas marcas vivem momentos distintos. Enquanto a Prada vem de resultados recordes em 2024, com receitas de 5,4 bilhões de euros, um aumento de 17%, a Versace teve uma queda de 15% no faturamento do último trimestre do ano passado, além de recuo nas vendas nas Américas e Ásia.
Nos anos 90, a Prada também tentou assumir o papel de compradora — sem muito sucesso. As dívidas da época deixaram cicatrizes. Mas 30 anos depois, com um novo cenário e aprendizados na bagagem, a expectativa da família é de que agora o desfecho seja diferente.
Enquanto isso, a Versace — que viu sua identidade estremecer na era do quiet — abraça a chance de um recomeço, agora ao lado de uma casa que sabe unir tradição e reinvenção. Até Donatella entrou no clima e declarou: “Estou absolutamente encantada com o fato de a Versace se tornar parte da família Prada”.
No fim das contas, o que está em jogo aqui vai muito além de cifras bilionárias. A união entre Prada e Versace carrega uma expectativa quase cinematográfica. De um lado, uma casa que sempre equilibrou vanguarda e tradição. Do outro, uma marca que é sinônimo de ousadia e personalidade. Juntas, elas prometem um novo capítulo — e o mercado está de olhos bem abertos.
Ainda não sabemos se o resultado será um desfile de acertos ou se haverá tropeços pelo caminho. Mas uma coisa é certa: quando duas potências italianas se unem, o mundo da moda — e também o dos negócios — param para assistir.
O que você precisa saber: O senador Ciro Nogueira participou de evento da Esfera Brasil, e, entre outras coisas, comentou sobre as eleições de 2026 e a baixa popularidade do governo Lula.
Por Esfera Brasil
Para o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP), o governo federal não vai conseguir reverter o atual quadro de baixa popularidade sem encarar de frente a pauta econômica.
“Desde o início da atual gestão desse governo, não teve uma medida de corte de gastos, de gestão, de eficiência. Só excessos e aumento da arrecadação”, ponderou. “Nós temos um problema sério esse ano, nessa questão da regulamentação da reforma tributária, que foi um avanço no que diz respeito à simplificação, mas não no que diz respeito ao tamanho da carga tributária, que era o ideal para o País.”
Nogueira reiterou sua visão sobre a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, e classificou como um “erro” o retorno do presidente para o terceiro mandato. Para ele, o líder do Executivo é “um homem analógico no período digital”. “O excesso de exposição do Lula está destruindo muito a sua imagem. Então se ele não for candidato, não tem alternativa, vai ser uma disputa apenas pelo espólio político dele”, analisou.
O presidente do PP foi taxativo ao afirmar que caso Jair Bolsonaro não seja candidato em 2026 e decida apoiar o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, “não tem mais eleição”. “Tarcísio ganha até no Nordeste. Não tenho dúvida de que o Lula não tem coragem de disputar com ele. E ele não vai encerrar um legado de vitórias com uma derrota que será lembrada pelo resto da vida.”
O senador garantiu que não deseja transformar sua oposição ao governo em uma “oposição ao Brasil”, e que tem procurado encarar o Congresso Nacional como um tipo de contenção para os erros na maneira como o Executivo enxerga o País. “Eles pensam que quem gera riqueza é o governo, com mais gastos, mais despesas, e isso não deu certo em nenhum país do mundo. Não existe nenhum exemplo de sucesso econômico no mundo com essa visão”, avaliou.
Guerra tarifária
Nogueira replicou uma fala do presidente da Câmara, Hugo Motta, que comparou as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ao atentado de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas – afirmando que ambos representam um marco para a mudança de parâmetro e comportamento entre países. “O mundo não vai ser mais o mesmo depois dessa guerra tarifária, mas podemos aproveitar esse momento que o mundo está atravessando. Porém, se nós estivermos colocando as questões ideológicas acima dos interesses da nação, isso não vai dar certo”, disse.
Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.
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