Carta #104: Plaid

Carta #104: Plaid

Semana curta nos mercados financeiros, com o feriado de “labor day” nos EUA, na segunda-feira, e nosso feriado nacional na terça, porém com forte carga emocional e política.

Para completar, amanhã temos o aniversário de 20 anos dos ataques de 11 de setembro (“9/11”) aos EUA. Ainda que me lembre como se fosse ontem, me dei conta que há toda uma geração de jovens para quem a data talvez tenha pouca relevância. Na época, ainda durante minha carreira corporativa, era responsável por TI em uma multinacional de telecom. Além de traumático em mais níveis do que se possa imaginar, o evento inaugurou uma nova era de foco empresarial em planejamento de contingência, e recuperação de desastres.

Na busca por fazer sentido de uma semana tão desconcertante e beligerante para nosso pais, recorro novamente à uma citação atribuída ao escritor Mark Twain: “I’ve lived through some terrible things in my life, some of which actually happened.” – numa tradução livre, “já passei por coisas terríveis em minha vida, algumas das quais realmente ocorreram”.
Mares Revoltos
Na carta passada comentei sobre os impactos da situação atual na performance recente de nossos investimentos. A temperatura aumentou depois das falas do presidente no dia 7, causando repiques expressivos nos juros futuros e no dólar, e uma queda significativa de 3,78% na bolsa. No dia seguinte (ontem), ao final da tarde, uma nota oficial interrompeu a escalada do pessimismo e, até o momento em que escrevo estas linhas, parece querer permitir um fechamento de semana mais tranquilo. Ainda que estejamos muito longe do caos instalado em Março de 2020 por conta da eclosão da Covid, há lições que podemos trazer para o momento atual. Minha recomendação é que adotemos a mesma postura daquela época, e isso quer dizer preservar a calma e manter o curso em termos de estratégias de investimento. Insisto, não é nem polianismo (positividade exagerada) nem o que os americanos chamam de efeito “deer in headlights”, quando cervos ficam petrificados pelas luzes de faróis, incapazes de sair da frente do automóvel que se aproxima. A sólida construção de portfólio, aliada à uma gestão ativa, mostra seu valor principalmente nos momentos de stress.
NFT
Desde a carta #80, quando tentei (creio que em vão), explicar o que são NFT´s (“non-fungible tokens”), tenho me cobrado uma forma mais didática de retornar ao assunto. O mercado financeiro é ambiente fértil para inovações em termos de ativos negociáveis, e NFT´s talvez sejam o expoente da vez. Esta semana, numa brincadeira com minha filha mais velha, nos lembramos do fenômeno que foi o bichinho de estimação virtual “Pou”. Uns 7 anos atrás, numa longa viagem ao interior, minhas filhas me infernizaram para deixá-las “investir” 2 reais na compra de um bichinho destes, que precisa ser virtualmente alimentado e cuidado para que cresça saudável. Qualquer semelhança com os chaveirinhos tamagotchi lançados no Japão na segunda metade dos anos 90, não é mera coincidência. Pois bem, o tal Pou não é tecnicamente um NFT, já que, por não ser único, é fungível. No entanto, o arquivo digital da imagem do Pou original poderia sim ser um ativo exclusivo, e portanto passível de negociação (e até eventual especulação) por parte de colecionadores. Deixo de dever de casa ao leitor googlar a foto do tal bichinho, já que o decoro editorial me impede de incluí-la aqui! 
Bitcoin
Um assunto que me parece passou desapercebido esta semana foi a confusão em El Salvador com a adoção do bitcoin como moeda oficial. A “Ley Bitcoin”, aprovada em junho deste ano, estabeleceu 7 de setembro como a data a partir da qual a criptomoeda seria aceita oficialmente no país. Pessoalmente, me parece uma experiência ousada. O “senhor mercado” parece concordar, já que naquele dia a moeda teve uma queda do patamar de 52 mil usd para 47 mil – ou algo como 10%. Do ponto de vista do povo daquele pais, seria como ver o dólar que hoje ronda os 5,20 reais saltar para 5,70 – de um dia para o outro! Já sob a ótica de relevância mundial para a validação desta criptomoeda, sinceramente acho que um evento mais significativo seria ver o Sr. Musk (Tesla) voltar à aceitar bitcoins pelos seus carros.
Risco, Episódio 2
Retomo o assunto da definição da palavra “risco”, no contexto de investimentos. Meu primeiro objetivo é sustentar a tese de que o grau de variação nos preços de um ativo não serve como uma boa medida de risco, ou pelo menos não de forma isolada. Para tanto, faço o uso do artifício da contraprova, buscando exemplos de ativos cuja falta de “balanço” não os torna necessariamente de baixo risco, e vice-versa. Imaginemos que meu leitor empreste 100k para seu cunhado (sempre eles!), por 12 meses, à um juros camarada de 10% ao ano. Se você é como eu, faria uma contabilidade mensal de tal ativo em sua planilha, capitalizando-o à 0,8% ao mês. Zero de variabilidade, com total expectativa de receber os 110k um ano depois. Lá pelo décimo mês, num almoço de domingo, você descobre que talvez os recursos atrasem “um pouco” para serem devolvidos – talvez até “um muito”. Aquilo que era uma rentabilidade certa, com nenhuma variação mensal, corre o risco de virar um write-off (baixa contábil). Exagero? Infelizmente, milhares de investidores na debenture de uma concessionária de rodovias sofrem atualmente do mesmo cenário. 
Riscos, Episódio 3
Adiantando as cenas dos próximos capítulos, falemos de imóveis. Imóveis são o tipo de ativo onde a gente raramente contabiliza variação em preço, especialmente naquela nossa planilha da ativos pessoais. Talvez, anualmente, façamos alguma previsão de ganho, com base nas condições de mercado, mas a maioria dos investidores que conheço prefere ser conservador e deixar o preço originalmente pago como base – aquele que consta no IR. Pois bem, podem transcorrer anos em que o valor daquele ativo permanece inalterado – de novo, zero de volatilidade. Agora, imaginemos um cenário neurótico em que, a cada dia, perguntássemos ao zelador do prédio, ao corretor de confiança, e àquele vizinho enturmado, qual o preço do metro quadrado das últimas ofertas e transações fechadas, atualizando nossa estimativa. Veríamos um preço de ativo com enorme variabilidade diária, ao sabor de descontos, benfeitorias, e oportunidades especiais, que em nada mudaria o fato de que imóveis são, em sua maioria, bens de baixo risco.



Esta semana, faço uma mudança de marchas brusca, e literal, para falar não de música ou cinema, e sim de carros. A dica da semana é pelo video de lançamento do “Tesla Model S Plaid”, disponível aqui. Os que me conhecem bem sabem que, posso até ser forçado à ter um elétrico nesta vida, mas, carro para mim tem que ter cambio manual, folga na caixa de direção e pingar óleo. Entretanto, impossível não tirar o chapéu para a incrível criação de Musk, quebrando a barreira dos 0 a 100 km/h abaixo de 2 segundos. Além do vídeo de apresentação, o youtube, na sua infinita busca por tomar um pouco mais do meu tempo livre, tem sugerido incontáveis vídeos de amadores testando a arrancada da máquina. Por falar em máquina, impossível não achar que o volante do Plaid é uma cópia do volante do K.I.T.T. do Knight Rider (“A Super Máquina”, seriado americano dos anos 80). E o nome do carro? Bem, aparentemente tanto a velocidade “ludicrous”, como o nome “plaid” são emprestados do filme Spaceballs  (“Tem um Louco Solto no Espaço”) de 1987 – uma divertida paródia ao filme Star Wars. O clip da cena em que ambos termos aparecem pode ser conferido aqui. Pelo jeito, Elon é tão fixado nos anos 80 quanto eu!

Esta carta semanal tem o objetivo de fazer um apanhado breve e bem-humorado das notícias do mercado financeiro, com foco nos temas de gestão de riqueza e planejamento financeiro. O texto não constitui nenhuma oferta de produto financeiro, ou recomendação de investimento. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem o posicionamento oficial da Portofino Multi Family Office.
Pedro Saboia é sócio da Portofino Multi-Family Office, investidor profissional, CEA (Certificação de Especialistas em Investimentos ANBIMA) e Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela CVM, conforme instrução 592. A Portofino cuida das pessoas para que alcancem um futuro financeiro equilibrado – com ética, transparência e responsabilidade. Quer conhecer mais? Agende uma conversa.

Carta #103: Balanço

Carta #103: Balanço

Semana novamente dominada pelo agravamento de temas locais recorrentes: descompasso fiscal, reformas erráticas, embates políticos, e uma crise energética que parece cada vez mais certeira.

No calendário, temos um feriado de 7 de setembro na terça que vem carregado de polarização e incerteza. E, o final da semana, mais precisamente sábado dia 11, marca o aniversário de 20 anos da tragédia de 9/11 nos EUA. 

Permito-me repetir o comentário que fiz na carta #79, em março deste ano, quando as médias diárias de óbitos devido à Covid rapidamente se aproximavam de 3000: “O mundo parou para olhar aqueles ataques às torres gêmeas, enquanto sites de notícias congelavam sob o peso da humanidade tentando entender o que acontecia. Aqueles eventos, que aterrorizaram o mundo e inauguraram uma nova era do medo, contabilizaram 2,977 mortes.

Prometo me esforçar ao máximo em buscar um olhar positivo e construtivo para os temas que selecionei.

Final de Mês
Comecemos pelo bode na sala. Sob qualquer medida, tivemos mais um final de mês de resultados pouco inspiradores para nossos investimentos. Classes de ativos de risco universalmente sofreram sob o peso de tantas notícias negativas. Na minha fatura, estamos já há 3 meses contabilizando finais de mês desapontadores. Desde aquela sexta-feira, 25 de junho, onde o powerpoint da proposta de reforma tributária começou a circular, mercados não tem tido trégua. Se o final de junho foi atrapalhado pelo balde de água fria que representou a versão inicial da proposta, o término de julho padeceu de ruídos em torno do parcelamento de precatórios, votação eletrônica, e bolsa família. Em agosto, apesar da semana passada (carta #102) ter terminado em tom positivo, a divulgação da proposta de orçamento do governo para 2022, admitidamente ainda muito crua, parece ter azedado o finalzinho do mês. “No creo en brujas … ”, mas parece haver um esforço cósmico concertado de divulgação de pautas bombas no final de mês – especialmente quando, por exemplo, bolsas americanas vivem um excelente momento. Minha recomendação? Fiquemos alertas à amplamente documentada fixação do ser humano pelas notícias ruins. Ainda que o viés da negatividade tenha nos trazido até aqui como espécie, talvez devamos ficar alertas à seus efeitos acumulados, quando somos bombardeados pelo fluxo incessante de notícias. Afinal, e sem nenhuma crítica implícita, como dizem nossos vizinhos do norte, “bad news sells”.



Reforma Tributária
Fomos surpreendidos na quarta à noite com a aprovação às pressas da reforma do IR na câmara. O famoso investidor fundamentalista Benjamin Graham (1894-1976) certa vez declarou que “In the short run, the market is a voting machine but in the long run it is a weighing machine.” Ou seja, o curto prazo estaria muito mais próximo de um concurso de popularidade, sendo que no longo prazo o real valor das ações “pesaria”, refletido no preço. Bem, ontem, quinta-feira, o “sr. mercado” votou… e votou pesado, ao tom de uma queda de 2,28% no índice Ibovespa – e com reflexos no mercado de juros. Pelo andar de hoje, as urnas continuam abertas. Claramente é um assunto para acompanharmos de perto, agora que a reforma segue para o senado. No entanto, a forma atabalhoada como o assunto foi conduzido não agradou ninguém. O brilho de uma medida estimulativa, a redução do IR das empresas, parece ofuscado pelos inúmeros efeitos de segunda ordem, e eventuais desarranjos econômicos, que assuntos como a tributação de dividendos pode trazer. Seguimos mapeando os impactos nas diversas classes de ativos que recomendamos, e nossas portas permanecem abertas para famílias que desejem explorar situações específicas.

Orwelliano
No começo da semana foi divulgada uma notícia que ganhou pouca atenção, porém que creio reforça a visão de uma China cada vez mais reguladora daquilo que o partido entende como “ópio espiritual” (carta #99). Aparentemente, a China estaria limitando o número de horas que crianças podem jogar online à 3… por semana! Não apenas isso, os horários permitidos para tais atividades também seriam restritos. Como pai de duas adolescentes plugadas, neste caso não em jogos mas em TikTok e Insta, secretamente comemorei a notícia. Mandei imediatamente para elas por nosso grupo familiar de whatsapp, ação que foi recebida com um gélido episódio de “ghosting” – em português: deram de ombros. Sinceramente não tenho a menor ideia de como o partido pretende implementar tal política. Independentemente disso, há um certo ar de “1984” (romance distópico de George Orwell) no ar, indo desde bitcoin e sistemas de pagamento, passando por educação e terminando em entretenimento. China continua sendo uma tese de investimento internacional importante, mas claramente exige que percebamos que as coisas por lá funcionam diferente do que provavelmente estamos acostumados.

Riscos, Episódio 1
Prometi iniciar uma minissérie sobre o tema risco. Já fui questionado sobre esta divisão artificial de temas mais complexos em várias cartas. Se de um lado odeio o fenômeno das cenas dos próximos capítulos, do outro, trabalho duro para fazer esta leitura semanal caber em poucos minutos do final de dia do meu leitor. Mas, vamos lá: tendo concluído a exploração sobre o que seriam retornos razoáveis esperados, e fazendo a ponderação sobre o nível de risco assumido por uma dada família, é natural que surja a dúvida: afinal, o que é risco? Como se mede? O que come, e onde habita? Comecemos por algo que o risco não é, ou pelo menos não é necessariamente. Proponho aqui que volatilidade (ou o grau de variação de preços) de um certo ativo não é necessariamente uma boa medida de risco. Peguemos emprestado um exemplo da engenharia: asas de avião não são rígidas. Olhando pela janela do avião, vê-se claramente que há intensa flexão destas enormes estruturas.  As asas de um moderno Boeing Dreamliner 787 conseguem fletir incríveis 7,6 metros antes de entrar em falha – muito acima de qualquer cenário normal de operação. Neste caso, uma estrutura rígida seria muito mais arriscada do que o projeto atual. Um certo grau de flexibilidade (volatilidade), dentro de limites, não é apenas esperado, mas faz parte integral do projeto. Pontes e edifícios altos são projetados considerando este mesmo princípio. História curiosa, para cariocas saudosistas como eu: o famoso e controverso edifício “balança mais não cai”, inaugurado em 1948, na época de Vargas, está de pé até hoje, devidamente revitalizado, e inspirou até programa humorístico na Globo dos anos ‘70 !



Sei que arrisco alienar alguns queridos leitores com a dica desta semana, mas, ainda que filmes de terror não sejam de apelo universal, minha recomendação tem uma história por trás, e vem com pedigree de ninguém menos que o famoso escritor Stephen King. Voltemos ao ano de 1980. Jack Nickolson e Shelley Duvall estrelavam em “The Shining” (“O Iluminado”) de Stanley Kubrick. As coisas demoravam para chegar no Brasil naquela época, então eu provavelmente vi o filme lá por ’83, numa fita VHS, já adolescente e relativamente interessado neste tipo de estética. “The Shining” talvez tenha sido o primeiro filme do gênero a alcançar grande projeção mainstream, provavelmente pela brilhante atuação do ensandecido Nicholson, e pela hábil direção de Kubrick (sim, o mesmo de “Laranja Mecânica”). Assistir à película era visto como um rito de passagem para os interessados no gênero, com lendas urbanas especulando que nunca mais seríamos os mesmos. Pois bem, a dica da semana fica com “Doctor Sleep” de 2019, que é justamente baseado no livro de King que é a sequência à história que inspirou o original. Ainda que não seja uma obra-prima tão chocante como a primeira, o enredo, com quase 40 anos, envelheceu bem e retoma a trama do ponto de vista do filho do casal original. Ewan McGregor, até onde me lembro, estreia no gênero. Mesmo que meu leitor não ame o estilo, Stephen King é um ícone da literatura americana, e as adaptações à telona costumam honrar a obra original. Eu só encontrei na HBO, aquela do catálogo excelente mas do app de streaming sofrível. Se precisar de companhia para assistir, como eu precisei lá no começo dos anos ’80, pode encomendar a pizza e me chamar!

Esta carta semanal tem o objetivo de fazer um apanhado breve e bem-humorado das notícias do mercado financeiro, com foco nos temas de gestão de riqueza e planejamento financeiro. O texto não constitui nenhuma oferta de produto financeiro, ou recomendação de investimento. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem o posicionamento oficial da Portofino Multi Family Office.
Pedro Saboia é sócio da Portofino Multi-Family Office, investidor profissional, CEA (Certificação de Especialistas em Investimentos ANBIMA) e Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela CVM, conforme instrução 592. A Portofino cuida das pessoas para que alcancem um futuro financeiro equilibrado – com ética, transparência e responsabilidade. Quer conhecer mais? Agende uma conversa.

Não é Banco, nem Corretora. É Multi Family Office.

Entenda o que é um Multi Family Office e quais os diferenciais entre os demais players do mercado.

Family offices, ou escritórios familiares numa tradução livre, são empresas privadas focadas na gestão dos investimentos, dos ativos e da riqueza em geral de famílias detentoras de elevado patrimônio. Seu objetivo é claro: preservar, ampliar e transmitir o patrimônio e legado familiar, para as próximas gerações.

Este conceito, tem raízes no século VI, quando mordomos cuidavam dos assuntos cotidianos e financeiros de famílias reais e da nobreza. No entanto, é apenas no século XIX que começa a se modernizar, quando, primeiro, a família de John Pierpont (J.P.) Morgan, e depois os Rockefellers, fundaram suas próprias estruturas, dando início a indústria dos escritórios dedicados aos negócios de uma única família, os chamados Single-Family Offices.

À medida em que esta indústria se desenvolvia, ficava mais claro que o custo de uma estrutura dedicada a uma família era economicamente viável apenas para aquelas com patrimônios muito elevados. Além disso, o rápido desenvolvimento dos mercados financeiros globais demandava mais sofisticação, especialização e conhecimento por parte dos profissionais que integravam um family office. Custos regulatórios, operacionais, e de compliance, acompanharam o mesmo passo.

O século XX trouxe à tona uma nova realidade em termos de possibilidades de acumulação de patrimônio, fazendo crescer o número de famílias de empresários, empreendedores e executivos que demandavam este mesmo tipo de serviço. E os avanços tecnológicos na forma de infraestrutura computacional, ferramentas, e conectividade, pavimentaram de forma definitiva o caminho para o ganho de escala destas estruturas. Surgiam então os escritórios multi-familiares, ou Multi-Family Offices (MFO).

PERSONALIZAÇÃO.

Com um olhar holístico e integrado, um Multi-Family Office atua desde o planejamento, estratégia e gestão financeira global dos seus clientes, passando pelos investimentos, controle de riscos, temas tributários, fiscais, sucessórios, até a educação financeira. Desta forma, o trabalho de um MFO exige conhecer intimamente os detalhes e particularidades de cada família e situação, utilizando seu profundo conhecimento técnico e ampla rede de parceiros especialistas, na construção de soluções alinhadas exclusivamente aos interesses de seus clientes.

INDEPENDENTES E ALINHADOS EXCLUSIVAMENTE AOS SEUS CLIENTES.

Outros fatores distinguem a atuação de um MFO, como a sua independência e modelo de remuneraçãoAqueles que atuam de forma independente, ou seja, sem bancos ou outras instituições financeiras como controladores, não se limitam ao portfólio de uma única casa, podendo explorar os mais variados tipos de ativos existentes nos mercados financeiros globais, desde que estejam alinhados aos objetivos e perfis de seus clientes. Por isso são reconhecidos como plataformas abertas.

MODELO DE REMUNERAÇÃO TRANSPARENTE, SEM CONFLITO DE INTERESSES.

Seu modelo de remuneração remete ao praticado na Inglaterra e países do hemisfério norte, e se dá por uma taxa previamente negociada com o cliente, eliminando qualquer tipo de conflito de interesses advindo de incentivos cruzados, ocultos ou comissões embutidas. Isso torna a recomendação de produtos usados na construção de carteiras fiel ao perfil, e planos, do contratante.

Um MFO celebra os mais altos padrões éticos em seus negócios, e cumpre seu dever fiduciário de zelar pelos interesses de seus clientes acima de tudo, garantindo um vínculo verdadeiro com cada família.

A FORÇA E UNIÃO DAS FAMÍLIAS GERANDO BENEFÍCIOS PARA TODOS, COMO O ACESSO À PRODUTOS RESTRITOS E EXCLUSIVOS.

Finalmente, a união e a força conjunta de diversas famílias representadas sob a mesma gestão, além de gerar sinergias e oportunidades de negócios entre as mesmas, abre portas de acesso a produtos restritos a investidores institucionais, antes reservados a empresas e grandes agentes do mercado. Este acesso institucional se traduz em custos menores para o investidor, e consequente melhora na rentabilidade.

Tradicionalmente, tamanha customização do serviço implicava que a viabilidade de um Multi-Family Office ficasse restrita a algumas poucas famílias. Mas, avanços na tecnologia e no funcionamento dos mercados de capitais, tem trazido otimização de processos e maior escalabilidade também à esta indústria. A gama de situações atendidas é hoje muito maior e, investidores mais exigentes, com patrimônios à partir de R$ 3 milhões, podem se dar a oportunidade de conhecer este modelo de gestão profissional.

A crescente globalização, e consequente sofisticação dos mercados financeiros, se apresentam como desafios progressivamente mais complexos para que famílias administrem e preservem seu patrimônio e legado. Os MFOs se apresentam como uma alternativa cada vez mais ao alcance de famílias brasileiras. Uma relação duradoura, intergeracional, de confiança e confidencialidade absoluta é construída passo a passo, projeto a projeto. E esta jornada se inicia com uma escolha criteriosa e ponderada do parceiro certo.

COMPARATIVO: BANCOS, CORRETORAS E MULTI FAMILY OFFICE.

Numa visão cronológica, veja abaixo o comparativo entre o modelo dos Bancos, Corretoras e Multi Family Offices. Apesar de já centenários, os Multi Family Offices são uma alternativa transparente e futurista para os seus investimentos.

Passado
Bancos com plataformas fechadas
Investidores com acesso restrito a investimentos no banco de relacionamento
Pouca adequação às necessidades pessoais
Falta de clareza no custo de serviço
Relação com alto conflito de interesses
Venda de produtos próprios

Presente
Corretoras com plataformas abertas e bancos em processo de abertura
Acesso ampliado a opção de investimento
Concorrência entre bancos e corretoras melhora o preço
Porém ainda baixa customização
Permanece a falta de clareza com relação aos custos
Relação permanece conflitada

Futuro
Novos modelos de negócios ampliam acesso a consultores  / gestores
Profissionais isentos de conflitos de interesses que trabalham para garantir e são remunerados de acordo com o
sucesso do cliente
Total clareza de custos
Adequação as necessidades e objetivos dos clientes
Melhor relação risco x retorno
Foco em produtos diferenciados
No caso dos Multi Family Offices, a força dos grupos familiares permite acesso à produtos restritos aos investidores institucionais.

Clique aqui e agende uma conversa com os nossos especialistas.

Portofino Multi Family Office™.

Leia o artigo também na Exame.

Carolina Giovanella (CGA – CFP ®) é fundadora da Portofino Multi Family Office. Em 2012, Carolina criou a empresa para cuidar do patrimônio da própria família e hoje, com o mesmo propósito, atende inúmeras pessoas, famílias e empresas.

Eduardo Castro é o novo CIO da Portofino Multi Family Office.

Eduardo Castro é o novo CIO da Portofino Multi Family Office.

A Portofino Multi Family Office, especializada na gestão de patrimônios, anuncia a chegada de novo sócio, Eduardo Castro.

Com extensa carreira no mercado financeiro, Eduardo foi o número um da área de investimentos do ABN Amro Asset Management para América Latina e recentemente o principal executivo da área de Gestão da Santander Asset Management coordenando as operações no Brasil, México, Chile e Argentina.

“O propósito, trabalho consistente e resultados exponenciais que a gestora tem alcançado, reforçam o sucesso deste modelo. Com a minha experiência, chego para somar a este time e contribuir no desenvolvimento de soluções que possam oferecer às famílias, produtos e serviços de investimentos nos mais altos níveis para proteger e ampliar os seus patrimônios e dar sequência neste belo trabalho totalmente focado nos clientes”, comenta Eduardo.

Na Portofino, Castro será o CIO (Chief Investment Officer), principal responsável pela área de Gestão de Investimentos, apoiando o processo de expansão do Multi Family Office que hoje atende mais de 500 pessoas, famílias, empresas e administra R$ 9 Bi em ativos no Brasil e exterior.

“Os nossos clientes são o centro de tudo, o motivo de estarmos aqui e o Eduardo chega para reforçar de forma contundente a nossa equipe e contribuir com muita experiência, internacionalidade e criatividade na construção das soluções customizadas para as famílias que cuidamos. Mais pessoas estão conhecendo e aderindo ao nosso modelo de investimentos, um modelo evoluído, transparente, conectado com o que há de melhor nos mercados globais e com uma remuneração justa para todos. Com isso, estamos crescendo ano após ano e, simultaneamente, reforçando os nossos alicerces para que esse crescimento seja sustentável e garanta os melhores resultados para as famílias e empresas que atendemos, além de uma experiência de padrão elevado. Faremos sempre o máximo para retribuir a confiança depositada em nosso trabalho”, afirma Carolina Giovanella, Sócia Fundadora da Portofino.

 

Eduardo Castro, Chief Investiment Officer da Portofino Multi Family Office.

Eduardo possui certificações CFP® e CGA, é formado em Engenharia Eletrônica pela USP e pós graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, além de MBA pela Business School São Paulo, Sustainable Business Strategy pela Harvard e Finanças Comportamentais na Universidade de Chicago.

O que são Fundos Imobiliários (FIIs), como analisar e investir?

O que são Fundos Imobiliários (FIIs), como analisar e investir?

Uma boa alternativa para quem deseja aproveitar os lucros do setor imobiliário sem precisar adquirir uma propriedade são os Fundos Imobiliários.

Esse tipo de investimento se mostra uma opção excelente e bastante viável para quem busca ter retornos nesse mercado e, consequentemente, menos dores de cabeça operacionais.

Com a queda brusca da taxa básica de juros (Selic), os investidores brasileiros foram levados a correr mais risco em busca de melhores retornos. 

Por consequência, os Fundos Imobiliários acabaram se popularizando no mercado de investimentos.

Segundo dados da B3, o segmento de FIIs, que tinha apenas 20 mil investidores há dez anos, já contava com 1,583 milhão de investidores em janeiro de 2022.

Se você tem interesse em compor sua carteira de ativos com algum dos diferentes tipos de Fundos Imobiliários, está no caminho certo.

Mas você sabe como iniciar os investimentos nos Fundos Imobiliários? Neste conteúdo, vamos tirar todas as suas dúvidas sobre os benefícios de ter os FIIs na sua carteira.

O QUE SÃO OS FUNDOS IMOBILIÁRIOS (FIIs)?

Quando se pensa em obter renda passiva com o mercado da construção civil, é natural que a compra de imóveis seja a primeira opção.

Contudo, os Fundos Imobiliários também cumprem esse papel.

Ou seja, em vez de comprar um apartamento, o investidor atuará em uma espécie de “sociedade de investidores”.

E assim, poderá ser dono de inúmeros imóveis em simultâneo, residenciais ou corporativos, nos mais importantes endereços do país.

Em termos simples, ao invés de comprar uma estrutura física, o acionista compra uma parcela de um ou mais empreendimentos. 

Esses cotistas não são donos do espaço e também não possuem poder de decisão. 

Entretanto, é possível receber os lucros proporcionais ao investimento.

Nesse cenário, há um gestor do fundo, que será o responsável por encontrar e investir nos ativos imobiliários que ofereçam maior segurança e lucratividade para o fundo.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE FUNDOS IMOBILIÁRIOS?

Os fundos imobiliários se dividem em algumas categorias. No entanto, duas merecem destaque por serem as mais usuais:

  • Fundos de aluguel;
  • Fundos de papel.

No primeiro, existe o investimento em ativos que serão alugados. Eles também são chamados fundos de tijolo. 

Nesse cenário, os investidores aplicam seu dinheiro em determinados locais físicos, como “shopping” ou hotéis, e obtêm retorno a partir da locação desses ambientes.

Já nos fundos de papel, o investimento está nos títulos. 

Ou seja, o acionista recebe a partir da valorização dos mesmo, e não dos aluguéis propriamente ditos.

Embora em ambos os casos existam o repasse regular dos rendimentos aos investidores, eles se enquadram como renda variável e não como fixa.

O motivo para isto é que os Fundos Imobiliários estão sujeitos às oscilações da Bolsa de Valores. Além disso, não há garantias de lucros periódicos.

Quais são as características do investimento em FIIs?

Na prática, o gestor do Fundo Imobiliário deve selecionar e realizar investimentos seguindo regras estabelecidas em regulamento, relacionadas ao nível de risco e liquidez de cada ativo.

Essa atividade pode ser exercida através de uma gestão passiva, quando há limitação de desempenho por um benchmark, ou de gestão ativa.

No último caso, quando há liberdade na seleção de ativos e operações em busca de melhores resultados.

Em um Fundo Imobiliário, os ganhos obtidos com os investimentos são divididos mensal ou semestralmente entre os investidores, de forma proporcional à quantidade de cotas de cada um.

No entanto, quem investe em FIIs também está sujeito a alguns custos, como a taxa de administração (remuneração do gestor) e taxa de performance (no caso de fundos com resultado atrelado a indicadores).

De acordo com a Lei 11.196, de 2005, algumas das principais regras dos Fundos Imobiliários são:

  • Mínimo de 50 cotistas em sua composição;
  • Limite de 10% do fundo por cotista;
  • Distribuição obrigatória de 95% do resultado semestral;
  • Ser listado na bolsa de valores brasileira, a B3.

Na B3, assim como as units, os FIIs são identificados pelo número 11 ao final do ticker, um código com quatro letras maiúsculas. 

Apesar de estarem sujeitas à influência da oferta e demanda, as cotas dos fundos possuem uma volatilidade menor do que a das ações.

Agora que você já entende como os Fundos Imobiliários funcionam, chegou a hora de entender a diferença entre os diversos tipos existentes no mercado brasileiro.

QUEM DEVE INVESTIR EM FUNDOS IMOBILIÁRIOS?

Os Fundos Imobiliários podem ser classificados como um dos formatos de investimentos preferidos por quem está se familiarizando com o mercado financeiro.

Principalmente para quem possui horizontes mais longos e não está preocupado com rendimentos imediatos.

Eles se destacam por terem uma barreira de entrada relativamente baixa. É possível, por exemplo, encontrar cotas de FIIs por R$100.

Entretanto, isso não significa que quem dispõe de valores mais altos para investir não deve olhar com atenção para eles.

É importante destacar que os Fundos Imobiliários conseguem produzir rendimentos periódicos. 

Esses, consequentemente, são proporcionais a quantidade de cotas adquiridas.

Além disso, eles são uma ótima opção para quem busca ter uma carteira de investimentos mais diversificada

Assim, os Fundos Imobiliários se apresentam para quem vê o potencial de mercado de imóveis, mas não pode ou quer adquirir um.

É sempre importante ressaltar que ter uma estrutura física traz consigo vários custos, especialmente com manutenção. Isso pode se converter em grandes preocupações e prejuízos no futuro.

QUAIS AS VANTAGENS DE INVESTIR EM FUNDOS IMOBILIÁRIOS?

Os FIIs possuem ótimos benefícios. O principal deles está, justamente, na possibilidade de conseguir rendimentos com regularidade e diversificar em diversos imóveis.

O melhor de tudo: sem precisar se tornar dono de apenas um ou vários, e ter que arcar com todas as responsabilidades de sua gestão ou manutenção.

Além disso, quem compra FIIs não passa pelas mesmas dores que o dono de um condomínio, por exemplo. 

Toda a preocupação com manutenção e outras papeladas referentes aos imóveis ficam na responsabilidade dos administradores e gestores do local.

Ademais, outro ponto que merece destaque é que, caso você opte por retirar o dinheiro que aplicou, é possível resgatar só uma porcentagem. 

Algo que seria impensável em um imóvel de fato, percebe?

Assim, os Fundos Imobiliários são ideais para quem busca:

  • uma opção acessível para investir no mercado de imóveis
  • diversificar sua carteira de ativos
  • garantir uma renda passiva a partir de “aluguéis”

Como analisar um FII? Entenda 3 dos principais aspectos 

Analisar um Fundo Imobiliário para investir envolve uma série de ações, como checar a localização dos imóveis e identificar quem é o administrador do fundo.

Outros pontos importantes na hora de analisar um FII é entender quais são as taxas cobradas pelo fundo e avaliar o número e liquidez das cotas emitidas.

Além desses aspectos, existem outros 3 fatores que são fundamentais na hora de analisar um Fundo Imobiliário para investir. São eles: 

Dividend Yield

O Dividend Yield (DY) é uma métrica usada para averiguar a performance de retorno do fundo de acordo com os proventos pagos aos cotistas.

Seu cálculo leva em conta os rendimentos distribuídos em relação ao valor da cota. 

De modo geral, essa avaliação leva em conta os últimos 12 meses do Fundo de Investimento, podendo se estender para períodos maiores, como 24, 36 e 48 meses, por exemplo.

Se o Dividend Yield se mantém em uma taxa constante ou crescente, eis um bom sinal de gestão do fundo.

Como não existe um DY ideal, faz sentido comparar o resultado com o de outros fundos do seu interesse.

Vacância

Se o ganho dos FIIs está atrelado ao rendimento dos aluguéis, é importante entender se eles estão ocupados ou ficam vagos, não é mesmo?

E isso é possível através da análise da Vacância.

A Taxa de Vacância representa o percentual de um imóvel que se encontra desocupado, sendo uma métrica bastante importante para escolher um Fundo Imobiliário.

Por meio dela, é possível entender por quanto tempo um imóvel está vago e alguns sinais sobre sua qualidade e localização. 

Afinal de contas, os melhores imóveis são os que tendem a ficar menos tempo vazios.

Na prática, quando os empreendimentos possuem uma menor Taxa de Vacância, eles conseguem entregar uma melhor rentabilidade aos cotistas.

Vale ressaltar, no entanto, que períodos com Vacância elevada podem gerar oportunidades de compra de ativos mais baratos.

Para chegar a essa métrica, é importante considerar o cenário atual e a vacância histórica do imóvel.

Setor de atuação

O setor de atuação de um Fundo Imobiliário é outro fator essencial a ser analisado no momento de decisão.

Isso porque, dependendo do setor, ele pode se distanciar ou estar alinhado ao seu perfil de investidor e objetivo financeiro.

De modo geral, os principais tipos de fundos são os fundos de tijolo (com imóveis reais e lucros através dos aluguéis e vendas) e os fundos de papel (investem em outros ativos financeiros do mercado imobiliário, incluindo outros fundos).

Dentro destes, a partir de subdivisões baseadas no tipo de imóvel investido, você poderá escolher entre diversos setores, como por exemplo:

  • Shoppings;
  • Lajes Corporativas;
  • Hotéis;
  • Galpões industriais;
  • Galpões logísticos;
  • Hospitais;
  • Fundos de Desenvolvimento Imobiliário;
  • Fundos de Fundos (FOFs);
  • Agências bancárias;
  • Imóveis educacionais.

Como investir em FIIs com auxílio profissional?

Existem uma série de Fundos Imobiliários listados na Bolsa de Valores, mas para determinar quais são os melhores, alinhados aos seus objetivos, contar com profissionais aumentará as chances de sucesso da sua carteira.

Aqui na Portofino temos uma área específica responsável por Fundos Imobiliários. 

São profissionais do segmento, especialistas que, além de conhecer profundamente o processo de gestão dos FIIs, estão antenados com o mercado para ver quais as melhores alternativas para as carteiras dos nossos clientes.

Se quiser entender mais sobre isso ou deseja começar um investimento neste tipo de produto, vamos agendar uma conversa, clique aqui.

Gostou de saber mais sobre os Fundos Imobiliários? Aproveite para indicar essa leitura para um amigo que se interessa sobre o assunto.Quer saber mais sobre fundos? Conheça nossos serviços de fundos exclusivos.

Internacionalização de investimentos

Artigo Publicado no Valor Econômico | Valor Investe em 09.06.2021 – Por Carolina Giovanella.

Clique aqui para ler diretamente no Valor Econômico. (matéria para assinantes)

Durante muito tempo, investir fora do Brasil era visto com um ar de desconfiança. Infelizmente, o país tem um histórico bastante conhecido e evidente de que a manutenção de contas no exterior foi amplamente usada para ocultação de patrimônio, muitas vezes de origem duvidosa. Mas isso não foi exclusividade nossa. As famosas contas numeradas na Suíça foram tema de múltiplos sucessos de Hollywood.

O fato é que, a partir de pelo menos 1986, possuir depósitos além das nossas fronteiras é absolutamente legal, desde que, claro, sejam devidamente declarados. No entanto, flutuações cambiais e um generoso prêmio para investimento em títulos públicos no Brasil fizeram com que o assunto permanecesse dormente e pouco difundido por décadas.

Dois grandes marcos mudaram a história desta categoria de investimento. Em 2014, a CVM editou a instrução 555, que modernizou o mercado e a indústria defundos de investimento, explicitamente autorizando esta modalidade de alocação. Em 2016, nosso governo seguiu o exemplo de outros países promovendo um amplo programa de anistia e regularização de ativos não declarados mantidos no exterior.

Desde então, paralelamente, assistimos a um sadio movimento de redução de taxas de juros. Em meados de 2017, nossa Selic finalmente deixou o território dos dois dígitos e iniciou sua trajetória de queda. Estava, portanto, construído o ambiente fértil para que o assunto florescesse.

Se o velho adágio do mercado financeiro nos ensina a não colocar todos os ovos na mesma cesta, investir fora dos mercados locais nos provoca a ampliar o conceito de diversificação e pensar em variar o próprio galinheiro. Do ponto devista estratégico e de gerenciamento de riscos, faz um enorme sentido.

Nossa bolsa, por exemplo, cuja capitalização total no final de 2020, em dólares, rondava a marca de 1 trilhão, é uma pequena fração dos mercados de capitais globais. Uma única empresa americana, a Apple, vale o dobro disso. Outro bom exemplo é a Microsoft, que também se aproxima rapidamente do clube dos US$ 2 trilhões. Mundialmente, estamos falando de US$ 95 trilhões, e vai muito além disso. Quando comemoramos em 2020 termos passado a marca de 3 milhões de contas cadastradas na B3, o número de investidores de varejo na China já ultrapassava 160 milhões.

Outros mercados não ficam atrás. Se localmente o mercado de renda fixa se resume a títulos públicos e a um mercado de crédito privado que ainda se desenvolve, mundialmente estima-se que o mercado de títulos de dívida soberana e corporativa seja ainda maior que o de ações, acima de US$ 120 trilhões. De forma prática, o investidor que acessa somente ativos locais deixa de participar de mais de 97% das oportunidades globais de investimentos.

A preferência pelo investimento local tem nome: “home bias”, ou viés local. O estudo das finanças comportamentais nos mostra ser da natureza humana investir naquilo que nos é mais familiar. Este desejo por proximidade, no entanto, pode custar caro.

Um investidor que tivesse aderido ao programa de regularização de 2016, conhecido como RERCT, mas não tivesse repatriado os recursos e adotasse a mais simples e passiva das alocações no mercado americano teria se saído bastante bem. Um portfólio composto de 60% do maior ETF (fundo de índice) que replica o S&P 500 e os 40% restantes em caixa teria rendido do começo de 2017 ao final de 2020 respeitáveis 39% em dólar – isso com a pandemia incluída! Já localmente, o CDI acumulado do mesmo período, campeão das alocações sugeridas durante boa parte destes anos, foi de 27,36%. No entanto, neste mesmo período, o dólar se apreciou 58%, levando o rendimento da carteira “offshore” para impressionantes 120% em moeda local.

Rendimentos passados, claro, devem ser olhados com atenção. Mas o exemplo sugere o tamanho da oportunidade que a diversificação geográfica e de moedas oferece.

Se há uma crítica recorrente quanto ao investimento no exterior é aquela relativa à complexidade operacional. Mercados globais podem parecer desesperadamente vastos e incompreensíveis. O desafio tributário de se manter em dia com o fisco é igualmente grande, assim como é negociar em outro idioma, com outros costumes e em distantes fusos horários.

Uma boa notícia recente do ponto de vista tributário foi a revisão do piso da Declaração de Capitais e Bens no Exterior (DCBE). A obrigatorieda de a partir de 2021 se dá apenas para patrimônios no exterior acima de US$ 1 milhão (ou o equivalente em outras moedas), facilitando assim a vida do contribuinte que anteriormente precisava preencher esta obrigação acessória do Banco Central já a partir de US$100 mil.

Cabe também lembrar que remessas ao exterior têm incidência tributária apenas de IOF e, se não são tão imediatas como o nosso bem-sucedido projeto do Pix, são hoje seguras, ágeis e totalmente globalizadas.

O parceiro de investimentos certo é aquele que ajudará o investidor a navegar por esta complexidade, selecionando e dimensionando os ativos que melhor se adequam aos objetivos de longo prazo, buscando os menores custos transacionais, jogando luz naquilo que é opaco e oferecendo uma visão verdadeiramente integrada da carteira global de investimentos. Em um mundo globalizado, onde riscos e dinâmicas apresentam escala mundial, não faz sentido pensar no dinheiro “daqui” e no dinheiro “de lá”. A visão precisa ser holística.

CAROLINA GIOVANELLA (CGA – CFP ®) é Diretora Geral e Sócia fundadora da Portofino Multi Family Office.
Em 2012, Carolina criou o Family office para cuidar do patrimônio da própria família e hoje atende mais de 400 famílias e empresas com o mesmo propósito.

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