Causa e Efeito | 20.11.2021

Causa e Efeito | 20.11.2021

(Tempo de leitura: 3 mins)

Família Portofino,

Vocês estão gostando das cartas semanais? Por favor, nos enviem opiniões nos comentários ao final da página.

Temos sido repetitivos no alerta para a importância da aprovação da PEC dos Precatórios. Temos reforçado que uma solução, mesmo que ruim, que equacione o aumento dos gastos com o novo benefício social e parcelamento do pagamento dos precatórios em 2022, será infinitamente melhor que a completa indefinição. Para que o mercado passe a operar mais pautado aos fundamentos de fato, é absolutamente necessário virarmos essa página.

Já era sabido que a tramitação no Senado imporia uma negociação mais complexa. A semana terminou com algum avanço nas discussões e parece surgir um caminho de consenso entre as duas casas. Entretanto, esse avanço marginal não foi suficiente para reverter por completo a piora dos ativos domésticos. Pesam sobre os preços, principalmente da bolsa, a constatação da já presente desaceleração atividade. Observa-se a redução da produção industrial e, mais recentemente, temos evidências de redução da demanda por bens, o que corrobora com a queda de vendas no varejo constatada em agosto e setembro.

E por falar em varejo, a divulgação dos resultados das empresas do Bovespa continuou nessa semana e esse setor em particular parece já estar sendo impactado pelas condições financeiras mais apertadas da economia. Inflação mais alta e projeção de Selic ainda mais elevadas parecem pressionar o consumo. Isso reforça ainda mais a importância da responsabilidade fiscal. O banco central precisa da ajuda do governo na busca de uma solução rápida e minimamente aceitável para a crise de confiança gerada pela decisão de se desrespeitar o teto de gastos. Pisar no acelerador dos gastos implica em forçar a autoridade monetária a pisar ainda mais forte no freio, subindo os juros mais do que seria necessário, caso os gastos futuros permaneçam contidos.

Além de continuarmos a acompanhar de perto as discussões para a aprovação da PEC, na próxima semana teremos a divulgação de dados econômicos domésticos relevantes. Teremos ainda mais subsídios para avaliar o impacto na economia dessa crise recente. Devemos continuar a observar piora nas projeções de crescimento e inflação para 2022 na divulgação do Relatório Focus do Banco Central. Confiança do consumidor, contas externas e principalmente o IPCA-15 fecham a lista.

Não alteramos nossa estratégia. Permanecemos mais defensivos em nossa posição de renda variável e mais construtivos com posições prefixadas implementadas através de ativos isentos de imposto de renda. A volatilidade deverá se manter elevada, mas estamos certos que a promulgação da PEC dos Precatórios será suficiente para reduzir pelo menos parte do prêmio de risco exigido pelo mercado nos ativos brasileiros. E que viremos essa página logo.

Aproveitem o seu fim de semana!

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Asset Allocation: guia prático da alocação de ativos em portfólios

Asset Allocation: guia prático da alocação de ativos em portfólios

Procurando entender mais sobre o asset allocation e suas vantagens? Está no lugar certo.

De modo geral, quem busca por melhores resultados ao fazer aplicações financeiras sabe que quanto maior o risco, maiores as chances de uma boa rentabilidade.

No entanto, dependendo do perfil do investidor e experiência no mercado financeiro, montar um portfólio apenas com ativos de renda variável pode não ser a opção ideal.

Afinal, é preciso que o processo de investimento seja consciente para que ofereça segurança e não comprometa todo o seu patrimônio.

Para equilibrar a relação risco x retorno, a alocação por classe de ativos é uma das estratégias mais utilizadas.

Se você tem dúvidas sobre como o asset allocation funciona e quer saber mais sobre suas vantagens, confira abaixo o guia completo que preparamos para você.

O conceito de Asset Allocation

O asset allocation é uma estratégia de alocação de investimentos entre ações, ativos de renda fixa e fundos de investimento.

O principal objetivo da alocação de ativos é obter o máximo de retorno enquanto os riscos são minimizados por meio da diversificação.

Apesar disso, essa estratégia não tem uma fórmula única ou oferece percentuais de aplicação pré-estabelecidos.

O primeiro passo, na verdade, deve ser sempre identificar o perfil do investidor, seu nível de exposição ao risco e objetivos.

A partir dessas informações, é possível fazer uma escolha mais adequada dos ativos que farão parte da sua carteira de investimentos.

A proporção que cada ativo terá dentro do portfólio, ou seja, a alocação de ativos, é chamada de asset mix, variando de acordo com cada indivíduo.

Por isso, se o investidor tem perfil mais arrojado, o asset mix terá peso maior em investimentos com alta volatilidade, como os de renda variável.

Já para aqueles com perfil mais conservador, a carteira seria composta, em sua maioria, de ativos de renda fixa.

alocação de ativos asset allocation

Principais classes de ativos

Classe de ativos é o termo usado para se referir a um grupo de ativos identificado por uma característica comum entre eles.

No mercado financeiro brasileiro, existem diversas classes de ativos à disposição dos investidores.

Cada uma delas possui suas particularidades, oferecendo mais ou menos oportunidades de acordo com cada estratégia de investimento.

A principal classe de ativos no Brasil é a de renda fixa, que agrupa títulos com maior previsibilidade de retorno, como:

  • Tesouro Selic;
  • Tesouro IPCA;
  • Tesouro Prefixado.

Já a segunda mais popular são as ações, títulos de valores mobiliários emitidos por sociedades anônimas que representam uma parcela do capital social de empresas.

Ao adquirir uma ação, o que você está comprando é o direito a um pedaço do negócio.

A terceira classe é a dos ativos imobiliários que, como o nome já indica, abrange os títulos e bens de natureza imobiliária.

Já a quarta é a dos ativos monetários (moedas) como: Dólar, Euro, Libra Esterlina e o Real.

Outras classes de ativos

Uma outra classe de ativos conhecida é a das commodities (ativos concretos, não papéis).

As commodities são produtos de baixo valor agregado, mas essenciais para indústrias como: agrícola, pecuária e mineral.

Por impactarem o desempenho de empresas desses mercados, eles acabam gerando efeito em outras classes de ativos, principalmente as ações.

A sexta classe de ativos é a dos derivativos, que engloba ativos derivados de outros e com desempenho atrelado ao ativo principal.

Um exemplo mais conhecido no mercado financeiro são os contratos futuros, que protegem os investidores contra imprevisto na produção de commodities.

asset allocation

Por que fazer asset allocation?

A principal finalidade da diversificação do portfólio por alocação de ativos é reduzir o risco das aplicações e, ao mesmo tempo, melhorar seu retorno.

Isso porque, na prática, nem todos os investimentos dentro de um portfólio terão resultados positivos ao mesmo tempo.

O que acontece normalmente é que, enquanto alguns ativos estão em alta por diversos fatores, outros estão em baixa.

Portanto, ter em uma mesma carteira de investimentos ativos não relacionados diminui as chances de todo o seu portfólio estar negativo ao mesmo tempo.

Consequentemente, sendo uma boa alternativa para se proteger contra variações, já que o prejuízo de uns ativos é compensado por outros mais seguros.  

Diversificação

A diversificação é a prática de investir em diferentes ativos para minimizar seus riscos, como mostramos acima.

Quando realizada corretamente, ela faz com que seja possível limitar perdas e reduzir a variação do rendimento do seu portfólio.

No entanto, é importante ressaltar que diversificação não significa sair investindo em qualquer ativo de diferentes classes aleatoriamente.

Como regra, a estratégia do asset allocation deve ser definida de acordo com os objetivos e perfil do investidor.

Maximizar retorno e reduzir riscos

A estratégia de asset allocation tem como principal objetivo maximizar retornos e reduzir riscos.

Dependendo da estratégia, é possível incluir ativos mais arriscados, como as ações, e potencializar o resultado que seria obtido apenas com títulos da renda fixa, por exemplo.

Em contrapartida, para aqueles que dão mais importância à segurança das aplicações, os títulos de renda fixa acabam sendo maioria no portfólio.

De todo modo, uma boa alocação em diferentes classes de ativos faz com que cada investimento se equilibre. 

Afinal, se um estiver em baixa, outro estará compensando a queda e mantendo a rentabilidade geral mais estável e positiva.

Outro ponto relevante é que, ao ter uma parte dos investimentos em renda física, é possível resgatar o dinheiro em caso de imprevistos sem grandes perdas.

Menor custo com taxas

Em geral, a alocação de ativos é uma estratégia voltada para o longo prazo

Por conta disso, o número de operações acaba diminuindo em relação às alternativas mais agressivas.

No mercado financeiro, quanto mais alta a rotatividade, maiores as taxas e impostos a serem pagos ao final de cada operação.

O resultado disso para quem não é especialista é, na maioria das vezes, um forte impacto na rentabilidade final do investimento.

Sendo assim, quanto mais paciente e focado no futuro for o investidor, menor é o custo com operações e melhor o seu retorno.

alocação de ativos

Como o perfil de investidor impacta a alocação do portfólio?

Como já indicamos, o perfil dos investidores é um dos fatores mais levados em conta na hora do planejamento de um asset allocation.

Afinal de contas, é o nível de disposição a correr riscos que vai determinar o peso de ativos mais ou menos voláteis na carteira.

Confira abaixo as principais características de cada perfil de investidor:

Perfil Conservador

O perfil de investidor conservador é aquele que busca ter mais segurança em sua carteira de investimentos.

Por não ser tolerante ao risco, ele sempre busca aplicações com menos volatilidade (flutuação de cotação) e mais previsibilidade de resultados.

Além disso, o perfil conservador também dá preferência a investimentos com maior liquidez, que tornam o acesso aos recursos mais facilitado.

A consequência disso, no entanto, é que os ativos escolhidos por este perfil geralmente apresentam um menor potencial de rendimentos.

No asset allocation, o resultado disso é um portfólio diversificado entre opções de renda fixa ou com percentual mínimo de renda variável.

Perfil Moderado

O perfil de investidor moderado representa os indivíduos que têm uma razoável tolerância ao risco em busca de melhores ganhos.

É comum que investidores moderados também aceitem ativos com maior nível de volatilidade e menor liquidez.

Apesar disso, o asset allocation para o perfil moderado sempre mantém parte relevante da carteira preenchida com ativos mais seguros e estáveis.

Perfil Arrojado

O perfil de investidor arrojado é aquele que está disposto a correr altos riscos em busca de retornos financeiros mais altos.

Portanto, são pessoas que não têm problema em investir em ativos com alto nível de volatilidade e baixa liquidez.

Isso não significa que esse tipo de investidor aplica seu dinheiro de modo inconsequente, uma vez que as aplicações são realizadas estrategicamente.

O asset allocation para o perfil arrojado, ainda assim, envolve aplicações pensadas para manejar o risco total do portfólio.

Estratégias de alocação de ativos

Existem diversas formas de executar a alocação de ativos.

Cada uma delas é alinhada aos objetivos e ao perfil dos seus respectivos investidores a fim de oferecer os melhores resultados.

Uma vez que oferecem vantagens e desvantagens de acordo com cada tipo de investidor, é difícil indicar qual a melhor entre as opções existentes.

Para te ajudar a fazer uma boa escolha, explicamos abaixo como funcionam as principais estratégias de alocação de ativos. Confira!

Alocação Tática de Ativos

A alocação tática de ativos é uma forma de asset allocation que divide o patrimônio em investimentos de curto, médio e longo prazo.

Recomendada para investidores mais experientes ou que contam com auxílio de especialistas, ela se utiliza do cenário econômico na elaboração das suas estratégias.

O objetivo é permitir que investidores aproveitem novas oportunidades do mercado que possam influenciar positivamente na sua rentabilidade.

No entanto, esse modelo de alocação flexível exige um acompanhamento mais próximo ao mercado.

Assim, permitindo que a venda de ativos ou novas aplicações sejam feitas no momento certo e ofereçam o resultado esperado.

Constant Proportion Portfolio Insurance (CPPI)

A Constant Proportion Portfolio Insurance é um tipo de alocação de ativos baseado em um portfólio com valor máximo de perda aceitável.

Na prática, o investidor precisa definir, a partir do valor total do seu portfólio, qual seria o valor mínimo que ele poderia atingir em caso de prejuízo, chamado de piso.

Portanto, se o seu portfólio é de R$500 mil, mas seu piso é definido em R$480 mil, a perda máxima aceitável é de R$20 mil.

Consequentemente, a alocação em ativos de risco será feita com base nesse múltiplo.

Supondo que a possibilidade de perda dessa parcela seja de 20%, temos como resultado numérico 1 parte de 5 (⅕).

Invertendo essa fração, chega-se ao multiplicador de 5, o que faz com que o cálculo para a alocação de ativos seja:

Alocação de risco = multiplicador x perda máxima aceitável

Alocação de risco = 5 x R$20.000

Alocação de risco = R$100.000

Sendo assim, R$100 mil do patrimônio total serão investidos em ativos de risco, enquanto o restante fica alocado em ativos mais conservadores.

Se o investidor sofrer o prejuízo máximo de 20%, terá perdido apenas os R$20 mil, enquanto os R$480 mil restantes se manterão preservados.

Por ser mais complexo, o CPPI costuma ser mais arriscado, exigindo o auxílio de especialistas no mercado financeiro e em assessoria patrimonial, como a Portofino Multi Family Office.

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Alocação dinâmica

A alocação dinâmica de ativos é um tipo de gestão de investimentos mais ativa, realocando as aplicações constantemente.

Os investidores que seguem essa estratégia precisam comprar e vender títulos com mais agilidade, conforme sua percepção sobre as perspectivas do mercado.

Desse modo, sendo um tipo de alocação mais centrada no curto prazo e que exige alto conhecimento do mercado financeiro e suas regras.

Ponderação constante

A alocação de ativos de ponderação constante também é um tipo de gestão ativa de carteira.

Nesse caso, entretanto, as movimentações são realizadas com o objetivo de equilibrar o portfólio de acordo com as oscilações do mercado.

Assim como o Buy and Hold, a ponderação constante indica a compra de ativos sólidos quando há percepção de potencial de crescimento no futuro.

Apesar das mudanças de alocação, a composição do portfólio se mantém similar à do início para preservar o objetivo e perfil do investidor.

Alocação estratégica

A alocação estratégica de ativos é a forma mais simples de asset allocation.

Esse tipo de análise utiliza o histórico de rentabilidade para elaborar o planejamento de carteira de investimentos.

Portanto, se um investidor tem retorno médio de 20% em renda fixa e 30% em renda variável, deve dividir igualmente seus ativos nas duas modalidades.

Assim, obtendo uma taxa média de 25% ao ano.

Por suas características, esse tipo de alocação é voltada para o longo prazo, já que não existe realocação constante de ativos.

asset allocation

Qual a importância da gestão profissional nos investimentos?

Neste artigo, você percebeu que contar com uma estratégia elaborada para compor sua carteira de investimentos pode oferecer diversas vantagens.

Seja qual for o seu perfil de investidor e objetivos financeiros, fazer um bom asset allocation gera maiores retornos enquanto equilibra o risco das aplicações.

Para isso, no entanto, é preciso que haja uma gestão profissional desses investimentos, principalmente no caso de grandes patrimônios.

Afinal, dependendo do tamanho do seu portfólio, um único erro na sua estratégia pode comprometer uma alta quantia financeira.

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A Portofino Multi Family Office é uma empresa especializada em assessoria patrimonial sob medida para pessoas, famílias e empresas com elevado patrimônio.

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Atualmente, são mais de R$10 bilhões em ativos sob a gestão de 45 especialistas.

Estamos comprometidos com a segurança dos seus recursos e com a pessoalidade e descrição no atendimento.

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Conclusão

Sem dúvidas, a alocação de ativos é uma estratégia bastante eficiente para diluir riscos e aumentar a rentabilidade de investimentos.

Entretanto, para obter um melhor resultado, não deixe de levar em conta objetivos pessoais, prazo e rendimento esperado ao elaborar seu asset allocation.

Causa e Efeito | 20.11.2021

Causa e Efeito | 13.11.2021

Tempo de Leitura (5 mins)

Família Portofino,

Terminamos a carta da semana passada nos colocando cautelosamente mais otimistas com o mercado local. Nossa expectativa se confirmou! Diferentemente do que observamos nos últimos meses, os ativos brasileiros se destacaram nesta semana. Depois de flertar com os 103 mil pontos, o Ibovespa termina a semana mais próximo dos 106 mil, com melhor desempenho comparado a outras bolsas pelo mundo. O real foi uma das moedas que mais se valorizou na semana contra o dólar, quando comparado às moedas dos países desenvolvidos e às dos nossos pares emergentes. As taxas dos títulos prefixados cederam por volta de 1% dos máximos observados no início do mês.

Não que tenhamos tido melhoras importantes do lado macroeconômico, pelo contrário. A inflação de outubro voltou a surpreender o mercado. Esperava-se 1,06%, veio 1,25%! Para termos a correta dimensão do tamanho do problema que nosso banco central está tendo que lidar, a inflação observada foi a mais alta para o mês de outubro desde 2002.

Do lado da atividade, as notícias também não têm sido positivas. O resultado do setor de serviços e vendas no varejo também decepcionaram e vieram bem piores do que os analistas projetaram. Tudo leva a crer que as condições financeiras mais apertadas já começam a afetar negativamente o crescimento do PIB.

O que explica então a melhora dos nossos ativos? A combinação de um cenário externo, onde a despeito de pressões inflacionárias, os bancos centrais ainda mantêm a estratégia de maior parcimônia na retirada dos estímulos monetários, com um ambiente político doméstico menos incerto quanto à condução da nossa política fiscal.

Tivemos essa semana a aprovação em segundo turno da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados. A partir de agora, o projeto passa a ser discutido no Senado Federal. O prognóstico é de aprovação, mas ainda não se tem a certeza se potenciais alterações no texto da emenda constitucional forçariam a recondução do projeto à Câmara. A conferir e acompanhar.

Os investidores institucionais ajustaram suas posições ao longo destas últimas semanas. Fundos multimercados e mesmo pessoas físicas se viram obrigados a reduzir os riscos de suas carteiras em ativos locais, juros e bolsa, principalmente. Mesmo aqueles que se posicionaram para ganhar com a piora também aliviaram suas posições. Hoje, podemos afirmar sem receio de errar que o risco da indústria de multimercados em ativos brasileiros é o menor dos últimos anos.

A participação do Brasil nos portfólios dos investidores internacionais também é a menor em décadas. Investidores não-residentes detêm por volta de 10% apenas da nossa dívida interna e essa participação vem diminuindo constantemente ao longo do tempo. Esses ajustes de posição tanto dos investidores locais quanto dos estrangeiros reduzem a pressão por mais vendas forçadas. No linguajar do mercado, o equilíbrio técnico do mercado melhorou significativamente.

Estamos longe de ficarmos otimistas o suficiente para, neste momento, recomendarmos um aumento generalizado do risco das nossas carteiras. Isso não significa que já não tenhamos começado a aproveitar dos excessos. Nossa recomendação de alocação em ativos prefixados, isentos de imposto de renda emitidos por bancos de primeira linha, se mostrou acertada.

A próxima semana vai ser menos intensa do ponto de vista da divulgação de dados econômicos domésticos. Nosso foco continuará no acompanhamento da aprovação da PEC. Temos sido vocais em afirmar que um acordo em bases ruins é melhor que a persistência da indefinição. Virada essa página, os mercados terão condições de precificar mais corretamente o risco de solvência da nossa dívida e alguns poderão retornar às compras. Nesse nível de juros e câmbio, institucionais estrangeiros pelo menos voltaram a cotar as tesourarias e corretoras para compra de títulos do Tesouro.   Ainda nos mantemos cautelosamente otimistas e continuamos atentos às oportunidades que o exagero porventura provoque.

Aproveitem o feriado com suas famílias.

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

 

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

 

Causa e Efeito | 20.11.2021

Causa e Efeito | 05.11.2021

(Tempo de Leitura: 4 mins)

 

Família Portofino,

 

Permanece a dinâmica de cenários doméstico e externo quase que antagônicos. Do lado doméstico, tivemos nessa semana, a aprovação em primeiro turno na Câmara dos Deputados da PEC dos Precatórios por placar apertado de 312 votos a favor. Lembrando que para a aprovação de proposta de emenda constitucional são necessários no mínimo 308 votos favoráveis ao pleito.

A solução de todo esse imbróglio via a PEC dos Precatórios está longe de ser uma solução que não impacte a credibilidade da nossa política fiscal e tranquilize por completo os mercados. Permanecerá a percepção do início de um novo regime, digamos, menos responsável. E, por outro lado, até mesmo uma solução ruim, será entendida como melhor que nenhuma solução. Para estancar a crise de confiança instaurada, o mercado demanda alguma visibilidade dos futuros gastos com o novo Bolsa Família e com a solução para o parcelamento dos pagamentos dos precatórios.

O reflexo de toda essa confusão nos ativos brasileiros é enorme. Pode passar despercebido, por exemplo, o aumento das taxas futuras de juros e seu impacto negativo sobre as condições financeiras, custo do crédito e o aumento do serviço da dívida pública. No mês de outubro, nossa curva de juros, a depender do vencimento, subiu até 2,7% ao ano. Movimento equivalente a esse, foi por último observado no primeiro trimestre de 2001.

As votações continuam na semana que vem. De um lado, com um possível maior quórum facilitando a cooptação de novos votos favoráveis  e do outro, possíveis reversões de votos vindos de deputados principalmente do PDT e PSB.

A aprovação em segundo turno na Câmara e posteriormente em dois turnos no Senado pode ser o gatilho para uma certa descompressão dos preços dos ativos brasileiros, principalmente juros e bolsa.

Parece existir uma certa assimetria nos preços favorecendo a melhora. Entretanto, a imprevisibilidade política desse processo faz com que aguardemos um pouco mais para só então, rebalancearmos os portfólios, mesmo que a preços menos atrativos.

Nossa decisão de diversificarmos o risco em renda variável no S&P500 vem se comprovando acertada. Cerca de 90% das 500 empresas que compõem o índice já tiveram seus resultados do terceiro trimestre divulgados e desses, mais de 81% superaram as expectativas dos analistas.

Decidimos também implementar nossa decisão pelo instrumento mais eficiente do ponto de vista de custos, fundo passivo. É antiga a discussão acadêmica entre vantagens e desvantagens da gestão ativa e passiva de carteiras de empresas americanas. Um estudo da Morningstar, divulgado agora em outubro, demonstrou que entre julho de 2020 e junho de 2021, de um universo de 3.500 fundos de gestão ativa analisados, apenas 49% performaram melhor que suas versões indexadas. Estendendo a análise para 10 anos, o percentual de fundos ativos que superam o índice cai para apenas 25%.

Daí a importância de uma curadoria profissional na seleção principalmente dos fundos locais. No Brasil, a maior concentração de setores e empresas no índice Bovespa e menor eficiência do mercado possibilitam que uma carteira bem selecionada de fundos ativos tenha maior probabilidade de superar fundos indexados. O resultado favorável do nosso FoF de ações tem comprovado essa observação.

Como o banco central americano reiterou essa semana se manter paciente em relação à retirada de estímulos da economia, voltamos nossa atenção para dentro de casa. Torcemos para que o desenrolar da votação da PEC na Câmara e Senado se dê sem sustos ou surpresas. É o que o mercado precisa para, pelo menos, interromper esse processo de realização. Estamos cautelosamente mais otimistas.

Tenham um ótimo fim de semana!

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

 

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

 

 

Causa e Efeito | 20.11.2021

Causa e Efeito | 29.10.2021

(Tempo de Leitura: 5 min)

Família Portofino,

É difícil esconder a frustração com a piora recente dos mercados brasileiros. Em um momento que observamos o mundo se recuperando do impacto da pandemia na economia mundial, o Brasil destoa e não se permite surfar essa onda, única e exclusivamente devido às escolhas equivocadas da nossa classe política. A discussão entre os analistas já flerta com comparações aos piores momentos do governo Dilma Rousseff.

Avaliamos como sendo precipitadas algumas comparações, entretanto parecem inequívocas algumas semelhanças. Avançamos em reformas estruturantes. Há de se reconhecer que a Reforma da Previdência aprovada neste governo foi ainda mais agressiva que a anteriormente tentada pelo governo Temer. Projeta-se uma economia de mais de R$ trilhão em 10 anos. Aquém do que se pretendia, é verdade, há avanços nos processos de privatização da Eletrobras e a dos Correios, ainda em um estágio inicial.

Temos também um cenário externo mais benigno favorecendo nossas contas externas com aumento da nossa exportação de commodities tanto no “quantum” como no preço. A alavancagem do setor público e privado é menor e o balanço das empresas e das famílias encontram-se mais saudáveis. Semelhanças? A potencial desancoragem inflacionária e fiscal.

Temos constantemente questionado o quanto desse cenário ainda incerto já foi incorporado nos preços dos ativos. Particularmente na Bolsa, permanecemos mais cautelosos dado que continua complicado prever o impacto dos juros mais altos e da piora das condições financeiras de forma geral sobre o crescimento econômico e sobre o resultado das empresas. Mantemos nosso posicionamento mais cauteloso com uma carteira de renda variável bem mais defensiva quando comparada ao início do ano. Relembrando que aumentamos nossa exposição em bolsas internacionais, Estados Unidos e China principalmente, zeramos posicionamentos direcionais em índices de bolsas locais, Ibovespa e “Small Caps”, e privilegiamos a alocação em gestores de fundos “long biased”. Esses gestores mantêm estruturalmente maior exposição em caixa além de trabalharem com parte dos seus portfólios vendida.

Na renda fixa pós-fixada, mantemos nossa saga em procurar bons créditos privados indexados em CDI + taxa, mas reconhecemos a dificuldade de escalar essa estratégia sem termos que renunciar a retorno ou elevar imprudentemente o risco de crédito. A própria disfuncionalidade do mercado de juros observada recentemente e o receio quanto à materialização de um cenário de estagflação pouco contribuem para que boas empresas acessem o mercado de capitais nesse momento. Como alternativa, temos aumentado nossas alocações em fundos de crédito estruturado que, a despeito do cenário, mantêm suas carteiras com posições bem equilibradas do ponto de vista do risco e retorno. Isso também vale para os ativos indexados em IPCA + taxa.

A novidade está na nossa decisão de iniciar gradativamente um aumento do risco das nossas carteiras em ativos prefixados. Quando analisamos nossa curva futura de taxa de juros já podemos verificar a precificação de aumentos da Selic em adicionais 6%. Confirmada a projeção do mercado, o ciclo de juros só seria interrompido pelo Banco Central por volta de 13,75%. Parece exagerado visto que comungamos com a visão de parte dos analistas que julgam ser suficiente a elevação da Selic para 12% de modo a estabilizar as expectativas da inflação. Esse prêmio adicional de 1,75% aguenta certo desaforo e nos deixa relativamente mais otimistas com a posição. Podemos verificar também poucos fundos multimercados posicionados acreditando na continuidade da abertura da curva corroborado pelo anúncio do Tesouro Nacional de que, em coordenação com o Banco Central, atuará na compra de títulos do mercado caso avalie ser necessário. A assimetria de preços nos parece favorável.

Implementaremos essa estratégia de forma paulatina até porque ainda existem incertezas a serem monitoradas. A votação da PEC dos Precatórios foi mais uma vez adiada para a quarta-feira da próxima semana e sua aprovação se faz necessária para garantir a limitação dos gastos com verbas adicionais para emendas dos parlamentares e com o novo Bolsa Família limitados a cerca de R$ 100 bilhões. A desistência desse caminho poderá suscitar volatilidade adicional nos mercados o que justifica nossa prudência na implementação da estratégia. Do ponto de vista dos ativos, daremos preferência aos ativos isentos de imposto de renda emitidos pelos grandes bancos de modo a adicionar uma proteção extra, contra eventuais pioras do mercado.

Como sempre diz um grande amigo do mercado — “Esse é o nosso Brasil, às vezes enverga, mas não quebra!”. Mesmo com todas as incertezas geradas pela decisão de se flertar com a imprudência nos gastos públicos e macular o guardião do arcabouço fiscal, o teto de gastos, não aventamos a possibilidade de mudança estrutural do regime ou de um estado de dominância fiscal.

Aproveitem o feriado com suas famílias. Descansem, porque semana que vem tem mais!

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

#Portofinonamídia | Inauguração Recife

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