Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 05.02.2022

Tempo de Leitura: 4 minutos

Olá, Família Portofino.

Difícil fugir do assunto, visto que este tema vem ditando o comportamento dos mercados nas últimas semanas.

A mudança do tom dos bancos centrais quanto à dinâmica da inflação disseminada e a consequente necessidade de se acelerar e intensificar a retirada de estímulos vem causando extrema volatilidade. O último a capitular foi o Banco Central Europeu e sua presidente, Christine Lagarde, não descartou subir os juros ainda este ano.

A relevância do tema é tão grande que outras preocupações têm sido colocadas de lado. O reconhecimento da menor letalidade e baixa hospitalização dos infectados pela variante Ômicron, principalmente aqueles já vacinados, fez com que os mercados já atribuíssem um caráter endêmico para a pandemia. Para os mercados, é limitado o risco de impacto adicional ao processo de reabertura e a normalização da economia mundial. Isso sem falar do aumento significativo da tensão entre a Rússia e Ucrânia. Uma invasão russa ao território ucraniano teria impacto importante sobre os preços dos ativos. Espera-se consequentes sanções impostas pelos Estados Unidos e aliados à Rússia com reflexos sobre o preço do petróleo, agravando o problema da inflação.

A queda de braço entre as narrativas a respeito do impacto do aumento de juros sobre o crescimento continua. Ora o mercado embarca na tese de que a retirada dos estímulos apenas desacelerá a taxa de crescimento da economia global, ora o pêndulo se move para o temor de que a dose necessária para arrefecer o processo inflacionário terá um efeito recessivo sobre a atividade. Continuamos acreditando na redução do crescimento na margem, mas reconhecemos que essa incerteza continuará.

Esta última semana foi didática para descrever o momento em que vivemos. Nesse ambiente incerto quanto à condução da política monetária e com as empresas precificadas à perfeição, o escrutínio dos analistas nos resultados e no guidance de crescimento das mega techs americanas tem sido enorme. A constatação da queda de usuários ativos do Facebook fez com que o preço das ações da sua holding, Meta Plataforms, Inc., caísse incríveis 26%. Estamos falando de uma destruição de valor de mais de R$ 1,3 trilhões. Colocando em perspectiva, é como se o valor de mercado da Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco somados, evaporasse em um único pregão.

Do outro lado da moeda, a Amazon foi reconhecida por diversificar suas receitas em outros negócios além do tradicional marketplace. Recuperando parte do impacto do Facebook do dia anterior e valorizando adicionalmente, a Amazon subiu 14% acrescentando cerca de 1 trilhão ao seu valor de mercado. E como se não fosse suficiente volatilidade para uma única semana, na sexta também foi divulgado o número de criação de empregos nos Estados Unidos, número esse que superou em mais de três vezes a projeção dos analistas. Os títulos americanos de 10 anos tiveram suas taxas superando os 1,92%, valor observado antes só no final de 2019 e hoje a curva precifica probabilidades iguais de um aumento de 0,25% ou 0,50% na próxima reunião de março. A despeito de toda essa volatilidade, o S&P 500 terminou a semana subindo 1,5%, ufa! 

A guerra de narrativas certamente continuará pelo menos até março, quando o banco central americano deverá iniciar o ciclo de elevação de juros. O comportamento da inflação será crucial para a definição de um cenário mais consensual. Enquanto isso, o pêndulo do mercado continuará a oscilar entre o otimismo e o desespero. Estamos do lado dos que acreditam na continuidade de um ambiente positivo para os ativos de risco, mas sem qualquer pudor em mudar de ideia e adaptar nossos portfólios para um cenário estruturalmente adverso. É como dizem popularmente: só não muda de ideias quem não as tem.

Um ótimo final de semana para você e sua família.

Eduardo Castro

“Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino, que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Por Eduardo Castro, CIO (Chief Investment Officer) Portofino Multi Family Office ®.

Acesse as cartas anteriores clicando aqui.

Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 29.01.2022

Leitura 5 mins.

Família Portofino,

Se os mercados tinham dúvida quanto ao tamanho da preocupação do banco central americano com a desancoragem da inflação também pelos lados de lá, agora não têm mais. Na quarta-feira passada, o presidente Jerome Powell foi explícito em afirmar que a economia americana está crescendo de forma robusta, porém, com a inflação bem acima do objetivo de 2% e a situação atual é bem mais desafiadora quando comparado ao ciclo anterior de aumento de juros de 2015.

Naquela época a inflação rondava a casa dos 2% e o FED foi bem parcimonioso no processo de aperto monetário. Iniciou o ciclo de aumentos em dezembro de 2015 elevando a taxa básica de desconto de 0,75% a.a. para 1%. E o gradualismo pautou a estratégia; mais um aumento de 0,25% foi realizado em 2016, três em 2017 e, finalmente, quatro aumentos, sempre de 0,25%, em 2018. Interrompeu o ciclo de altas em 2,5% a.a.

Dessa vez, tudo indica que será diferente. O FED definitivamente não quis se comprometer com nenhum orçamento ou estratégia e foi claro em sinalizar aos mercados que agirá pautando-se nos dados de inflação a serem observados. Adiantou a intenção de iniciar o movimento já em março, porém, não descartou a possibilidade de elevar os juros nas sete reuniões desse ano, tampouco iniciar o ciclo em um passo mais agressivo de 0,50% a.a. A era do FED condescendente e preocupado com a reação dos mercados parece ter ficado no passado.

Não é por menos que os preços dos ativos vêm se ajustando a essa nova realidade. O S&P 500, por exemplo, amarga uma queda de 7%. No setor de tecnologia o impacto é ainda maior. A NASDAQ cai neste mês incríveis 12%! O que esperar então da bolsa brasileira, uma queda equivalente? Na verdade, não, nossa bolsa sobe este ano, 6,8%, abrimos um hiato para o S&P de quase 14%, isso sem considerar a valorização do Real! E o que explica tamanha diferença?

Muitas teorias foram ventiladas para se tentar explicar essa quebra inusitada de correlação. Possivelmente, a resposta mais intelectualmente honesta seja uma combinação de fatores explicativos. O preço das commodities vêm recentemente se apreciando, o que para o Brasil é sempre positivo. Dado o peso desse setor no Ibovespa, é bom também para o desempenho da nossa bolsa. Mas não foram só as empresas exportadoras de commodities que subiram. Bancos, empresas do setor imobiliário e até aquelas ligadas ao consumo doméstico, que dada as perspectivas para crescimento, juros e crédito não deveriam se beneficiar tanto, também se apreciaram. As commodities explicam em parte, mas não o suficiente.

Outro argumento que também circulou foi a dita percepção de que o ex-presidente Lula, líder absoluto nas recentes pesquisas eleitorais, havia acenado para uma composição mais ao centro do espectro político.  Ratificou, por exemplo, o modelo de independência do Banco Central e sua missão primeira de servir ao país e não àquele que assumir a presidência da república. Adicionalmente, ainda flerta com a possibilidade de ter o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, compondo sua chapa como vice. Acreditamos bem menos nessa teoria, dado que, é de se esperar que todos os candidatos, ora discursarão para a Faria Lima, ora para suas bases e militância. Nesta última sexta, por exemplo, Lula afirmou não ter compromisso com os acionistas da Petrobras e que não vê sentido em se atrelar os preços dos combustíveis aos preços internacionais do petróleo. A PETR4 chegou a realizar quase 5% depois desses comentários.

Por último, há que se reconhecer o aumento expressivo da participação de investidores estrangeiros na bolsa brasileira. Pelos dados fornecidos pela B3, investidores estrangeiros respondem esse ano por quase R$ 25 bilhões em compras líquidas até o dia 26, quase 25% do total de ingressos estrangeiros líquidos de todo ano passado.

Eles perceberam melhoras dos nossos fundamentos? Na verdade, não. Até porque não tivemos melhora alguma, no cenário macroeconômico local e estes investimentos não foram um privilégio tupiniquim. De forma geral, países que se apresentavam com câmbio desvalorizado, simultaneamente com queda importante de seus mercados de renda variável nos últimos 12 meses, que já haviam se adiantado no processo de elevação dos juros domésticos e preferencialmente exportadores de commodities, todos esses se aproveitaram desse fluxo. Já faz algum tempo, investidores estrangeiros iniciaram a rotação de seus portfólios vendendo empresas de crescimento e comprando empresas de valor. Aquelas que satisfizeram as condições descritas anteriormente, foram favorecidas. Além do Brasil, os mercados chileno e peruanos, por exemplo, se enquadram nesse perfil e apresentam comportamento semelhante.

Na busca por barganhas, fugindo do ambiente de política monetária de baixa previsibilidade, principalmente nos Estados Unidos e na contramão dos investidores locais, os estrangeiros são compradores. Essa surpresa era o gatilho que faltava para que parte pelo menos do nosso mau desempenho em 2021 fosse corrigida. Não esperamos que esse comportamento de performances antagônicas prevaleça por muito tempo, mas estávamos precisando dessa injeção de ânimo.

Desta vez, graças aos nossos amigos gringos. 

Aproveitem o final de semana!

Eduardo Castro.

“Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino, que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais. Por Eduardo Castro, CIO (Chief Investment Officer) Portofino Multi Family Office ®.

Somos GPTW!

Conquistar uma certificação Great Place to Work mostra que estamos no caminho certo!

É muito importante para nós garantirmos que nossos colaboradores se sintam felizes, trabalhando em um ambiente que atenda suas expectativas pessoais e profissionais, alinhados ao propósito. Por isso, todo cuidar começa aqui, em casa e se estende até cada pessoa, família e empresa que atendemos.

Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 22.01.2022

Tempo de Leitura: 4 mins.

Família Portofino,

Muitos de vocês já devem ter escutado ou lido em algum lugar a seguinte frase: “O câmbio foi criado por Deus para humilhar os economistas. Nunca se sabe para onde ele vai.” Essa pérola que parece ter sido cunhada pelo renomado economista, Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real, não poderia ser mais verdade nos dias de hoje.

Conversamos com todos os principais gestores do mercado brasileiro avaliando seus resultados do ano passado e discutindo as perspectivas e estratégias para 2022. Quando analisamos as principais explicações para os resultados mais recentes, chega-se fácil à conclusão de que a estratégia de moedas foi detratora de resultado para a grande maioria. E essa tem sida a realidade dos últimos anos, de todas as estratégias, essa é de fato a mais difícil de se operar e de se gerar resultados consistentes no longo prazo.

Em uma análise simplificada, três grandes pilares explicam o comportamento da taxa de câmbio: os fundamentos econômicos, o posicionamento dos agentes e as expectativas. Do lado dos fundamentos, analisa-se a relação entre muitas variáveis, entre elas o valor do que exportamos contra o que importamos (termos de troca), as contas externas, diferencial das taxas de juros dos países (carry), o diferencial de crescimento prospectivo, etc.

Do lado do posicionamento, temos todo o fluxo entre compradores e vendedores, sejam empresas exportadoras, investidores institucionais, indivíduos e o próprio banco central, além da sazonalidade desses fluxos. E quanto às expectativas, também simplificando, observa-se a variação de preços de ativos que expressam o risco de crédito do país. O mais comum deles é Credit Default Swap – CDS.

Reconheçamos que é de fato muitíssimo complexo e, tem sido particularmente complicado para a definição do comportamento do Real. Essa “criação divina”, faz alguns meses, vem humilhando de forma especial os economistas. Seus modelos estatísticos projetam um câmbio “justo” muito mais para US$/R$4,80, muito abaixo, portanto, do que se observa na média recente, valor esse que orbita os US$/R$ 5,60 nos últimos meses.

Na contramão dos mercados internacionais e despeito de todas as incertezas políticas, o Real foi recentemente uma das moedas que mais se valorizou frente ao dólar. De forma geral, todas as moedas de países exportadores de commodities em função da decisão do governo chinês de estimular o crescimento, vêm tendo performance diferenciada desde o início do ano. Beneficiando nossas exportações, o preço do minério de ferro subiu acima de 50% do mínimo atingido em meados de novembro passado e encontra-se hoje acima dos US$ 120 por tonelada.

Como gestores de carteiras, advogamos a favor da diversificação dos portfólios por isso recomendamos a dolarização de parte do patrimônio. Acreditamos que os níveis atuais, abaixo dos US$/R$ 5,40, são um bom ponto de entrada para parte da estratégia em dólar. É sempre difícil prever até quando os fundamentos, que corroboram de fato para continuidade do movimento de valorização do real, prevalecerão sobre as expectativas. Entretanto, nos preocupa as sinalizações recentes dadas pelo governo na direção de continuar a fragilizar as contas públicas, agora, por uma possível renúncia fiscal que poderá montar por volta de R$ 50 bilhões. O anúncio por parte do presidente de que se negocia uma nova PEC com o Congresso visando zerar o PIS/Cofins dos combustíveis, além de ter sido percebido como uma medida eleitoreira, já pressionou nossa curva de juros. Caso impacte o Real, a medida pode vir a se tornar contraproducente no intuito de se reduzir o preço dos combustíveis e impactar positivamente a inflação, isso tudo à custa de perdas importantes na arrecadação.

E como diz a música Engenho de Dentro do Jorge Ben Jor; “prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não faz mal a ninguém”!

Aproveitem o fim de semana.

Edu Castro
Chief Investment Officer
Portofino Multi Family Office

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 18.12.2021

Tempo de Leitura: 4 min

Família Portofino,

A percepção de grande parte do mercado de que o governo, leia-se Executivo Federal e Congresso, não mais demonstrará total comprometimento com a redução dos gastos públicos, precificou a piora da qualidade de crédito da nossa dívida. Aumentou o prêmio de risco exigido pelos investidores, e segue o jogo. Promulgada a PEC dos Precatórios e finalmente virada essa página, nossos mercados voltaram a se correlacionar com mercados internacionais que hoje digerem dois principais temas: a política monetária dos países desenvolvidos e a variante Ômicron. A despeito da constatação da maior transmissibilidade e das dúvidas que ainda persistem quanto à hospitalização e óbitos potenciais provocados pela nova cepa, os principais bancos centrais passaram a reconhecer a maior persistência da inflação. A adjetivação de transitoriedade não mais aparece nos seus discursos.

A inflação corrente, em níveis muito superiores às suas médias históricas, é um problema que a maioria das principais economias do mundo está tendo que lidar. Por exemplo, a inflação ao consumidor de 12 meses nos Estados Unidos encontra-se hoje em incríveis 6%. Com o número divulgado em novembro, a inflação americana ao produtor dos últimos 12 meses, comparável a uma das componentes do nosso IGP-M, foi a mais alta em quase 40 anos. Os bancos centrais inglês, americano, japonês e europeu já explicitaram suas estratégias de retirada de estímulos e aumento de juros. O Brasil já vive este processo desde março deste ano com o início do ciclo de aumento da SELIC.

Para os mercados, a condução cuidadosa desse processo de normalização da política monetária, principalmente nos Estados Unidos, é fundamental para a continuidade de um ambiente mais positivo para todos os ativos de risco. A taxa básica de juros americanas baliza a precificação de todos outros ativos financeiros no mundo. A determinação, tanto do nível quanto da velocidade, em que os aumentos serão implementados, definirão o comportamento dos mercados nos próximos meses. Apesar de continuarmos positivos com o cenário externo, essa é hoje a nossa maior preocupação.

Aqui dentro, as eleições começam a aquecer seus motores. Definidos os principais pré-candidatos, já começamos a ver as primeiras movimentações. De forma ainda tímida, observamos as primeiras conversas no sentido de se fazer alianças e balões de ensaio para se testar a aceitação de possíveis candidatos à vice-presidência. Para colocarmos em perspectiva o quão longo será esse caminho, pelo calendário eleitoral, os partidos têm até o início de agosto de 2022 para deliberar sobre as coligações e escolha dos candidatos a presidente e vice-presidente, senadores, governador e vice, deputado federal, estadual e distrital.

Novas pesquisas foram divulgadas mostrando um crescente favoritismo ao ex-presidente Lula, mas essas, pouco afetaram os mercados. Por que? O mercado tende a simplificar suas análises. A recente alteração das regras fiscais fez com que a dobradinha Bolsonaro-Guedes perdesse a alcunha de garantidores da responsabilidade fiscal. A predileção da Faria Lima se dará por aquele que maximizar a perspectiva de crescimento sustentado por reformas estruturantes e responsabilidade com os gastos públicos, simples assim. Isso se dará paulatinamente através dos discursos, mas principalmente com o anúncio das respectivas equipes econômicas.

O governador de São Paulo, João Dória, já oficializou a presença do ex-ministro Henrique Meirelles, que o acompanha em todos os eventos e encontros com o mercado financeiro. A ironia que reforça nossa descrença quanto à antecipada predileção por qualquer candidato está na constatação de que o mesmo Henrique Meirelles ocupou o cargo de presidente do Banco Central de 2003 a 2011 durante o governo Lula. Reforçando que a independência do BC só foi aprovada agora em 2021.

Os mercados locais mostraram forte recuperação nas últimas semanas e nossas carteiras se aproveitaram deste movimento. As incertezas são muitas, mas mantemos nosso viés mais otimista.

Aproveitem o seu fim de semana!

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

______________________________________________

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito | 05.02.2022

Causa e Efeito | 04.12.2021

Família Portofino,

Precisávamos de boas notícias e elas vieram. Finalmente a PEC dos Precatórios foi aprovada em duas votações na Câmara de Deputados e no Senado. Nunca o ditado “melhor um fim horroroso do que um horror sem fim” se mostrou tão apropriado. Os mercados comemoram. É verdade que ainda faltam algumas arestas a serem aparadas dado que houve alterações no texto e isso implicará em nova votação na Câmara.

Sempre existirão riscos, mas nos parece que essa página foi finalmente virada e daqui para frente poderemos nos concentrar mais nos fundamentos e menos nos sentimentos.

E por falar em fundamentos, nossa percepção de que o aperto monetário em curso impactaria a atividade em 2022 acabou por se mostrar otimista demais. O PIB do 3º trimestre veio ligeiramente negativo e o do 2º trimestre também foi revisado para baixo. Após dois trimestres negativos consecutivos, estamos em recessão técnica. E para reforçar esse cenário de desaceleração, a produção industrial de outubro, divulgada hoje, veio em -0,6% contra as expectativas do mercado de crescimento de 0,8%.

Essa combinação de uma solução ao imbróglio fiscal com dados bem piores na economia pesou sobre a nossa curva de juros. O banco central se encontrava sob enorme pressão para aumentar o ritmo de aumento da SELIC para passos de 2%. Economistas de renome ecoavam aos quatro ventos o risco de desancoragem da nossa inflação. Renderam-se aos fatos. A estratégia do Banco Central de esperar para agir, pelo menos por enquanto, se mostra acertada. Foi sepultada a possibilidade de aumento de 2% na reunião do COPOM da próxima semana e será certamente mantida a estratégia de aumento em passos de 1,5%. A curva de juros desabou reforçando o acerto na nossa recomendação de posicionamento prefixado em ativos isentos de imposto de renda.

Lá fora, a mudança do discurso do FED para uma postura mais preocupada com uma inflação potencialmente mais estrutural nos Estados Unidos preocupou os mercados. Isso foi particularmente incômodo por acontecer no ápice da incerteza quanto à ameaça da nova variante ao processo de reabertura da economia. Por outro lado, os dados de emprego divulgados hoje se mostraram mais fracos do que o esperado, o que poderá abalar a certeza do FED a respeito da necessidade de se acelerar a retirada de estímulos.

E por falar em pandemia, é verdade que a base de dados de infectados pela variante Ômicron é ainda estatisticamente pouco significativa, mas os dados observados até agora se mostram menos preocupantes.  Tudo leva a crer que a nova cepa tem uma maior transmissibilidade. Entretanto, os casos têm se mostrado mais brandos que, no final das contas, pode ser uma boa notícia. Na próxima semana teremos certamente dados mais robustos, mas esta combinação de uma transmissão maior de uma variante que provoque casos mais amenos da doença sem impacto importante em hospitalizações e com a alguma eficácia das vacinas atuais, poderá vir a ser uma boa notícia para os mercados.

Por fim, foi dada a largada oficial das eleições com a definição da candidatura à presidência do governador de SP, João Dória. Em paralelo, novas pesquisas eleitorais mostram uma surpreendente competitividade do ex-ministro Sérgio Moro. Sem qualquer juízo de valor quanto a qualidade do candidato, foi positivo observar um potencial candidato da terceira via com surpreendentes dois dígitos nas pesquisas. Os mercados ainda não tiveram tempo para digerir esta informação, mas certamente deverão incorporar essa ao rol de boas notícias do fim do ano.

É cedo para comemorar, mas não dá para descartar pelo menos uma redução da volatilidade dos mercados nas próximas semanas.

Em pouco tempo, o Congresso Nacional entra em recesso. A ausência de notícias poderá se mostrar como uma boa notícia.

Tenham todos um excelente fim de semana.

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

______________________________________________

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

 

var submitted = false; jQuery(document).ready(function(){ jQuery('.et_pb_contact').find('form').each(function(){ var jqForm = jQuery(this); var jsForm = this; jqForm.submit(function(event){ event.preventDefault(); if(!submitted){ submitted = true; window.dataLayer.push({ 'event': 'formSubmit' }); } setTimeout(function() { submitted = true; jqForm.submit(); },300); }); }); });