CEO Conference 2025 | BTG Pactual – Dia 1

CEO Conference 2025 | BTG Pactual – Dia 1

(Tempo de leitura: 13 minutos)

O que você precisa saber:
Nesta terça-feira (25), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2025, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energias do Brasil, entre outros.


Cenário Econômico 2025

O evento começou com a presença mais esperada: Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Haddad começou falando sobre como o contexto geopolítico está desafiador, com a falta de previsibilidade com a economia americana. Ele explicou que essa tensão econômica é global e citou que “há maior tensão na Colômbia, no México e no Chile, que são países relativamente organizados”.

O ministro também falou que o mercado financeiro está “muito mais tenso” do que antigamente. Ao ser perguntado sobre as incertezas do final do ano passado, ele afirmou que “as pessoas estão com mais dedo no gatilho, esperando uma notícia para agir, para se proteger ou especular”.

No que diz respeito ao Brasil, segundo Haddad, o Brasil é visto positivamente pelo cenário externo. Ele mencionou que as agências de classificação de risco, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os fundos de investimento soberanos têm uma visão diferente em relação à avaliação dos investidores locais.

As contas públicas também foram pauta do debate. O ministro ressaltou a colaboração dos parlamentares para a elevação das receitas, contudo disse que o Congresso Nacional impediu o governo de zerar o déficit fiscal. Além disso, também destacou o compromisso do presidente Lula com o ajuste fiscal.

Haddad, ainda em sua fala, disse que, com a vitória de Lula nas eleições de 2022, a “democracia foi salva”, assim como também disse que não será candidato nas eleições de 2026. O nome do ministro é sempre muito ventilado caso Lula decida não tentar uma nova reeleição. Outro assunto em alta nos corredores do Planalto é a reforma ministerial, a qual Haddad reforçou que nunca conversou com o presidente sobre o assunto.

Estratégias para Segurança Energética no Brasil

O segundo painel do dia debateu sobre segurança e transição energética. Entre os convidados estava Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energias do Brasil, que afirmou que o gás natural é sem dúvida visto no mundo inteiro como combustível de transição e completou dizendo que o nosso país precisa ampliar a nossa oferta desse recurso. 

Para ele, o Brasil já faz a sua parte na questão da sustentabilidade, vendo-o como muito promissor nessa área. Ele completou ao afirmar que as políticas públicas estão sendo feitas de formas vigorosas para essa transição energética. Segundo Silveira, o Brasil “o líder da transição energética global”.

O ministro ainda comentou um tema espinhoso que divide opiniões dentro do governo e atrai críticas de ambientalistas: a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Assunto muito debatido recentemente, Silveira defendeu a exploração na região “dentro de uma legislação ambiental que já é extremamente moderna e segura” e justificou que, enquanto o mundo demandar [petróleo], “não seremos nós que poderemos deixar de ofertar”.

Aprofunde mais: a Margem Equatorial é uma região na costa do Brasil entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, vista como uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás.

Navegando Mercados em 2025: Macro Views

Encerrando os painéis da parte da manhã, os painelistas comentaram sobre o cenário macroeconômico atual. Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, apresentou uma visão bastante otimista com o cenário americano e global. Ele, assim como Fabiano Rios, CIO da Absolute Investimentos, elogiaram a equipe econômica do governo Trump.

Já no que diz respeito ao Brasil, Carlos Woelz, sócio-fundador da Kapitalo Investimentos, foi crítico ao dizer que o Brasil continua tão ruim quanto era em dezembro e “tão ruim quanto era em agosto antes de piorar”. Woelz também criticou o arcabouço fiscal, que começou com uma base não sustentável e com uma regra toda complicada, “como a de campeonatos estaduais”, brincou. Ele ainda creditou a piora do cenário entre agosto e dezembro ao fato da percepção de que iria precisar de uma política monetária muito mais alta.

Por outro lado, Rodrigo Carvalho, sócio-fundador da Clave Capital, viu a melhora por parte dos ativos brasileiros a partir de um começo mais suave da política de tarifas de Trump do que o mercado esperava.

O Mundo com Trump 2.0

Mike Pompeo, ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos, abriu os painéis da tarde e discorreu sobre os recentes acontecimentos envolvendo Estados Unidos, Rússia e Europa. Para ele, os europeus sentiram que estavam sendo cortados, mas a voz deles ainda é muito grande nesse cenário. “Nós ouvimos que os EUA vão abandonar a Ucrânia, mas eu não posso imaginar que algo como isso aconteça”, disse Pompeo.

Quando perguntado qual seria um possível resultado para todo esse cenário, ele respondeu que a percepção tem que ser a de que o presidente Putin não venceu.

O ex-secretário também falou sobre o momento da China e foi enfático ao dizer que o presidente Xi Jinping está muito focado no poder. Ele explicou que vê a China em um momento de ação, em que o país vai demonstrar seu poder econômico, militar e tecnológico para colocar pressão em outras nações. Neste sentido, ele criticou o fato de, na sua opinião, ver que o líder chinês vê a economia como um suporte para os seus objetivos ao invés de usar a economia para alcançá-los.

E por falar em tecnologia, a inteligência artificial foi pauta. Pompeo explicou que especialistas já percebiam que a China estava diminuindo a distância para os Estados Unidos antes mesmo da DeepSeek. “DeepSeek foi uma surpresa para todo mundo, mas quando damos um passo atrás e analisamos, não chega a ser uma surpresa”.

O Que Esperar do Cenário Macroeconômico em 2025

Na sequência, o cenário americano continuou sendo tema de debate, mas dessa vez com Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, e Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe. Mansueto citou que o desafio fiscal dos Estados Unidos é bem grande, e não acredita que a equipe do governo vai conseguir reduzir os gastos para levar a dívida pública ao patamar anterior ao da pandemia. Berriel abordou a questão das tarifas, comentou que o presidente e o seu entorno parecem estar bastante comprados em relação a essa questão e à política de imigração, sendo úteis para a economia e negociações. 

Ao falar sobre o Brasil, Mansueto analisou o governo e o momento da economia. “O governo vai aceitar uma desaceleração da economia com o juro tão alto?”, questionou, e continuou explicando que “estamos vendo desde o início do ano o anúncio de medidas de estímulo da economia. No ponto de vista de expectativa, acaba machucando a crença de que a política monetária vai funcionar”.

Também presente no painel, Eduardo Loyo, sócio do BTG, disse que seria importante que as pessoas vissem que a política monetária está tendo um efeito e fazendo a economia desacelerar para levar a inflação a uma trajetória de convergência. “Eu acho que, se você anuncia uma série de programas para compensar no futuro o juro alto e que evitem que tenha qualquer efeito, você está trabalhando contra a política monetária e a credibilidade da mesma”, finalizou.

Visões de Brasil e Mundo

André Esteves, Chairman & Sócio Sênior do BTG, foi entrevistado por William Waack. Assim como aconteceu ao longo de todo o dia, os Estados Unidos e o cenário geopolítico foram temas centrais. 

Esteves caracterizou Trump como um “pacote complexo”, no qual a sua vitória indiscutível mostrou que a sociedade americana queria algo a mais que o presidente simboliza. Além disso, o sócio também falou sobre a personalidade do presidente, que costuma trazer “verdades duras” para o debate, apesar de não concordar com a tática que ele usa.

Questionado sobre a possível resolução na guerra da Ucrânia, ele demonstrou preocupação sobre o movimento americano em direção à Rússia, “pois abala uma aliança que está no centro do mundo ocidental, entre Estados Unidos e Europa”.

Por fim, ele falou como o Brasil se posiciona nesse cenário. Na visão de Esteves, o Brasil está à margem da briga entre China e Estados Unidos. “Em mundo mais dividido ou mais unido, acho que a gente consegue navegar ‘numa boa’. No lado tarifário, a gente ainda tem um adicional, já que somos um dos poucos países que têm déficit com os EUA, eles são superavitários com o Brasil. Nós estamos fora do radar do ponto de vista tarifário, podemos pegar só um efeito colateral como o aço”.

Outlook de Grandes Gestores

Por fim, o primeiro dia de evento acabou com um debate que já começou a fazer análises sobre as eleições do ano que vem. Antes disso, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, se mostrou pessimista com a inflação brasileira: “Eu acho que a inflação nunca mais cai se a gente não encarar definitivamente a questão do déficit”. Ele ponderou que essa não é uma questão exclusiva desse governo, mas que “o grande problema do Brasil é o Congresso Nacional”.

Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, também estava presente e deu início aos comentários sobre eleição ao dizer que a queda de aprovação do governo foi surpreendente.

Para finalizar, as eleições de 2026, na visão de Xavier, terão uma grande influência de Jair Bolsonaro, em um cenário no qual muitos acreditam que ele possa apoiar Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ou algum membro familiar, como um filho ou a esposa.

O CEO Conference Brasil 2025 retorna nesta quarta-feira (26) com outros nomes importantes.

Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.

Imigração, tarifas, diplomacia: um mês da volta de Donald Trump

Imigração, tarifas, diplomacia: um mês da volta de Donald Trump

(Tempo de leitura: 8 minutos)

O que você precisa saber:
O primeiro mês do segundo governo Trump trouxe à tona promessas de campanha como deportações em massa e a imposição de tarifas comerciais, que geraram repercussões internacionais e tensões diplomáticas. No Oriente Médio e no leste europeu, Trump busca acordos de paz, embora suas negociações levantem preocupações.


Assim como no começo de um livro, onde o primeiro capítulo define o tom e o ritmo da narrativa, o primeiro mês do segundo governo Trump dá os primeiros sinais sobre como será este novo mandato. As promessas de campanha, que antes soavam como ideias ainda em rascunho, agora ganham contornos mais definidos, revelando as direções que o governo pretende tomar em temas centrais como economia, imigração e relações internacionais.

Política de imigração

O primeiro plano que Donald Trump colocou em ação foi de deportação em massa dos imigrantes ilegais. A medida não repercutiu apenas nos Estados Unidos, mas em vários outros países, inclusive o Brasil. O processo gerou um desconforto diplomático entre os dois países quando os brasileiros que retornavam criticaram as condições em que foram transportados de volta.

O desconforto não foi apenas com o Brasil. A nossa vizinha Colômbia e uma das principais parceiras dos Estados Unidos na região também mostrou descontentamento com a forma que estava sendo conduzida a deportação de seus cidadãos. O rápido imbróglio foi o suficiente para que Trump colocasse outra carta na mesa: as tarifas.

Tarifas

Entretanto, ali era o início do próximo grande passo do governo americano. Dias após, Trump anunciou tarifas de 25% para produtos do México e Canadá, além da taxação de 10% sobre os produtos chineses importados para os EUA. Em resposta, a China impôs tarifas de 10% e 15% sobre importações dos Estados Unidos, medida que pode afetar cerca de US$ 14 bilhões em produtos.

Apesar da imposição das tarifas, os países fronteiriços viram o congelamento da medida por um mês, após os governos anunciarem reforços nas fronteiras. O presidente americano havia dito que usaria as tarifas para pressionar os vizinhos a reforçarem suas políticas para controlar o fluxo de drogas aos EUA, principalmente o fentanil, a droga que mais mata no país, e a entrada de imigrantes ilegais.

O tarifaço também chegou ao Brasil, com as medidas sobre a importação de aço e alumínio em 25%. Os EUA, segundo dados da Comexstat, compram quase a metade do aço que produzimos, cerca de 48%, e com as novas tarifas é possível que os americanos comprem menos. Com isso, Trump espera fortalecer o setor metalúrgico interno do país, fazendo com que a indústria compre mais metais produzidos em solo americano em vez de importar.

E as medidas não param por aí. Trump ainda anunciou uma série de tarifas recíprocas, para países que impõem impostos sobre importações americanas e que são consideradas “injustas” por ele. E novamente o Brasil foi citado, dessa vez com o etanol. Segundo o presidente americano, as taxas dos EUA sobre o etanol são de 2,5%, enquanto o Brasil impõe uma tarifa de 18%. As novas regras não entraram em vigor imediatamente, buscando dar tempo aos países que devem ser impactados negociar novos termos comerciais com o governo americano, afirmou um funcionário da Casa Branca.

Guerra no Oriente Médio e leste europeu

O primeiro mês também marcou o envolvimento americano nas guerras do Oriente Médio e do Leste Europeu. Em relação à primeira, o governo Trump começou estabelecendo um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas – entretanto, o governo Biden reivindica para si as negociações que levaram a esse acordo. Esse cessar-fogo já resultou na troca de reféns entre os envolvidos, mas, nos últimos dias, o presidente subiu o tom do discurso após o Hamas atrasar a troca de reféns, além de ter dado declarações em que propôs a expulsão dos palestinos da Faixa de Gaza e dizer que vê os EUA tendo uma “posição de propriedade de longo prazo” no território. 

No leste europeu, a promessa de acabar com a guerra em 24 horas depois de eleito foi por água abaixo. Mas, nas últimas semanas, o presidente americano se movimentou para começar a traçar os caminhos que podem levar ao fim desse conflito. Trump falou com os presidentes da Rússia e da Ucrânia e representantes do seu governo se reuniram com representantes russos na Arábia Saudita, onde concordaram em iniciar o trabalho para a paz. 

Contudo, as negociações estão levantando receios quanto ao poder e participação da Ucrânia no acordo, assim como de todo o continente europeu. A fala de Trump que “é improvável a Ucrânia ter suas terras de volta” e o descarte da entrada do país na Otan levou preocupação ao Ocidente. Além disso, Trump fez uma publicação em sua rede social, Truth Social, chamando o líder ucraniano de ditador e o alertando a “se apressar” ou ficará “sem país”.

Inflação, juros, economia

O principal receio das medidas é um possível impacto inflacionário, o que pode manter as taxas de juros dos Estados Unidos elevadas por mais tempo. O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que não vê necessidade de acelerar cortes de juros, citando a força da economia. 

Na ata da última reunião, realizada em 28 e 29 de janeiro, na qual a taxa de juros se manteve entre 4,25% a 4,50%, membros do comitê demonstraram preocupação com os efeitos das tarifas e da repressão à imigração na inflação, no mercado de trabalho e no crescimento econômico. No documento, “os participantes indicaram que, desde que a economia permanecesse perto do emprego máximo, eles gostariam de ver mais progresso na inflação antes de fazer ajustes adicionais na taxa de juros”.

Em janeiro, o índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA registrou alta de 0,5%, acumulando inflação de 3% nos últimos 12 meses, superando as previsões do mercado de 0,3% no mês e 2,9% no ano. O núcleo do CPI, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, subiu 0,4% no mês e 3,3% em um ano.

Com tudo isso apenas no primeiro mês, o que está claro é que o segundo governo Trump deverá ser intenso, repleto de tensões e impactos que suas decisões poderão gerar, tanto no cenário doméstico quanto internacional.

Guia DCBE 2025 | Informações sobre como declarar ativos no exterior

Guia DCBE 2025 | Informações sobre como declarar ativos no exterior

O sistema da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (“CBE” ou “DCBE”) já está aberto e o prazo para apresentar a declaração termina no dia 07 de abril de 2025, às 18h00.

Sendo assim, a nossa equipe de Wealth Planning preparou um guia com orientações sobre quem é obrigado a apresentar a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE ou DCBE) em 2025 e como declarar os principais ativos no exterior.

Clique no ícone abaixo para fazer o download do guia.

Esfera Brasil | Técnica e política na corda bamba da sustentabilidade fiscal

Esfera Brasil | Técnica e política na corda bamba da sustentabilidade fiscal

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
A disputa entre Executivo e Legislativo sobre o gasto público destaca a importância da colaboração entre ambos. O Ploa 2025 enfrenta limitações, com a maioria das despesas sendo obrigatórias. O Congresso corrige falhas do Executivo, buscando garantir sustentabilidade e equilíbrio. Superar rivalidades é essencial para uma aplicação eficiente dos recursos públicos.


Por senador Angelo Coronel, relator do Orçamento 2025

A disputa entre Executivo e Legislativo sobre quem define melhor o gasto público ignora um fato crucial: ambos os Poderes são técnicos e políticos, mas só juntos garantem equilíbrio.

O Projeto de Lei Orçamentária (Ploa) 2025, enviado pelo governo com premissas de crescimento de 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação de 3,3%, já nasce engessado: 92,2% das despesas são obrigatórias, deixando míseros 7,8% (R$ 230 bilhões) para decisões discricionárias. O Executivo, ao alegar supremacia técnica, esquece que seu próprio projeto é amplamente contestado por órgãos federais, que imploram ajustes a este relator. Se a proposta fosse imune a falhas, por que tanta pressão por revisões?

O próprio Executivo, ao enviar o Ploa, subestimou riscos. O salário mínimo projetado ignorava estimativas mais realistas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – cada 1 ponto percentual extra custa até R$ 10 bilhões. Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), com dotação de R$ 112,9 bilhões, não cobre o estoque de 431 mil requerimentos pendentes. E o corte de R$ 3 bilhões no Auxílio Gás, dependente de manobra contábil questionável, expõe a fragilidade da proposta original.

O Congresso não é um mero “revisor político”. Com mais de 500 consultores especializados – muitos ex-gestores do Executivo –, a Casa analisa cada linha do Orçamento com rigor. Em 2024, a aprovação em tempo recorde do complexo pacote de corte de gastos mostrou essa capacidade técnica: as novas regras protegeram benefícios sociais do crescimento descontrolado e travaram incentivos tributários em caso de déficit. O impacto é claro: sem essas medidas, o teto de gastos para 2025 já estaria comprometido.

Agora, o desafio é aprovar o Orçamento 2025 na Comissão Mista de Orçamento (CMO), que tem até a última terça-feira de março para concluir seu trabalho. Será preciso equilibrar as demandas: de um lado, o mercado desconfia da receita estimada (R$ 2,349 trilhões), acima das projeções do Prisma Fiscal (R$ 2,275 trilhões). De outro, a pressão por investimentos mínimos de 0,6% do PIB (R$ 74,3 bilhões), essenciais para não estrangular o crescimento.

A lição do pacote de corte de gastos é clara: técnica sem política é miopia. O Executivo escolheu prioridades ao enviar o Ploa, mas cabe ao Legislativo corrigir distorções e garantir sustentabilidade.

O Congresso não é um adversário – é um parceiro que ouve prefeitos, governadores e a sociedade. Se o Orçamento fosse apenas uma planilha, não precisaríamos de democracia.

À classe produtiva, que busca previsibilidade e racionalidade na aplicação de recursos públicos, cabe reforçar: a modernidade está em abandonar rivalidades. O Brasil não suporta mais Orçamentos feitos em gabinetes fechados. Técnica e política são faces da mesma moeda – a que paga o preço do futuro.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

Clique aqui para ler sobre outras personalidades e eventos promovidos pela Esfera BR e Portofino MFO.

O espetáculo do Super Bowl une esporte, negócios e cultura

O espetáculo do Super Bowl une esporte, negócios e cultura

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
O domingo de Super Bowl é um dia muito esperado pelos amantes do esporte. Mas o evento não é apenas o jogo: o espetáculo vai muito além da bola oval.


Muito mais do que um jogo de futebol americano: business. É dessa forma que muitas pessoas definem o Super Bowl – a grande final da temporada do futebol americano. E este ano o confronto será entre o atual bicampeão Kansas City Chiefs e o Philadelphia Eagles, no Superdome, estádio do New Orleans Saints, em Louisiana.

Quando falamos em Super Bowl, além do jogo, da estratégia e de quem será campeão, os números que envolvem esse evento também ganham repercussão. E não é à toa que é considerado o maior evento esportivo dos Estados Unidos. A expectativa é que a edição deste ano, a 59ª, bata – novamente – o recorde de audiência, superando as quase 124 milhões de pessoas que assistiram o Kansas City vencer o San Francisco 49ers no jogo do ano passado.

Para esse domingo, há algumas particularidades para que a audiência cresça ainda mais. A primeira delas é que a final deste ano será uma reedição de 2023, quando os Chiefs venceram por 38 a 35. Depois, é que Tom Brady está de volta ao Super Bowl. Mas não é como você está pensando: o maior campeão – são 7 títulos – estará como comentarista na transmissão. E, a terceira, poderemos ver algo inédito: o Kansas City Chiefs busca ser o primeiro time tricampeão seguido. A dominância da equipe é algo pouco visto na história do futebol americano. Sem contar com essa edição, a franquia do Missouri participou de quatro dos últimos cinco Super Bowls, e venceu três deles. A única derrota? Para o Tampa Bay Buccaneers, em 2021, que tinha Tom Brady como quarterback.

Como dito anteriormente, o Super Bowl é um negócio, e não tem ninguém no mundo que saiba transformar seus eventos esportivos em espetáculos tão bem como os americanos. A consequência disso é transformar o comercial do evento no mais caro da indústria. Após ficar congelado em US$ 7 milhões nos últimos anos, o preço do comercial de 30 segundos subiu para US$ 8 milhões, com as principais propagandas sendo relacionadas à inteligência artificial e ao setor farmacêutico.

O Super Bowl também é dos artistas

Além do público fã de NFL (Liga Nacional de Futebol Americano, na tradução em português), o Super Bowl atrai quem também é alheio ao esporte durante a temporada. Isso acontece devido ao show do intervalo, que sempre recebe grandes cantores internacionais. Nesta edição, a responsabilidade de agitar a torcida durante 15 a 20 minutos no intervalo será do rapper Kendrick Lamar, no auge da carreira, que acabou de ser o maior vencedor do Grammy. 

Em geral, o show do intervalo é considerado uma vitrine para os artistas. A grande curiosidade é que os cantores convidados não são pagos pelo show. Apesar da NFL pagar por toda a estrutura do espetáculo, a justificativa para essa política é toda a visibilidade que o evento proporciona aos artistas. 

Para se ter ideia, segundo dados do Apex Marketing Group, após Usher se apresentar no Super Bowl, o cantor faturou cerca de US$ 52 milhões com vendas de ingressos, streams e novos contratos. 

Além das cifras e números, os shows também guardam um lugar afetivo para muitos fãs. Quem não lembra do show de Michael Jackson em 1993, considerado por muitos o maior da história. Ou, recentemente, em 2022, o show que reuniu os principais nomes do rap americano, criando uma nostalgia com o visual e artistas dos anos 90 e início dos 2000.

O Super Bowl, além de ser um marco esportivo, se destaca como um espetáculo cultural e econômico que transcende as quatro linhas do campo. A combinação entre um jogo de alto nível, performances de grandes artistas e a visibilidade sem precedentes para marcas e produtos cria uma experiência única. Mais do que um evento anual, ele se consolidou como um símbolo de entretenimento global, onde a paixão pelo esporte e o poder dos negócios caminham lado a lado, encantando milhões de espectadores em todo o mundo.

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