Spa m&a: entenda o que é e quais as etapas do processo

Spa m&a: entenda o que é e quais as etapas do processo

SPA e M&A são duas siglas que podem assustar a princípio, mas na verdade representam uma prática muito comum no mercado corporativo, que envolve as empresas que se juntam, seja por meio de uma aquisição ou de uma fusão.

Mas isso não acontece da noite para o dia, então, quando duas empresas estão se unindo, por qualquer motivo, há um processo de transição que abre várias possibilidades para os investidores e sócios.

Isso mesmo, quem investe em ações precisa entender melhor como funcionam os M&A e quais impactos eles causam nas ações das respectivas empresas. 

E quem pensa em eventualmente vender sua empresa ou se unir a outra, também precisa conhecer esse processo.

Isso e muito mais você verá no artigo de hoje, e entendendo o SPA e o M&A, você poderá incorporá-los às suas estratégias de investimentos de forma bem mais assertiva.

Boa leitura.

o que é spa mea

O que é um SPA em M&A?

Essas duas siglas têm muito a ver, mas são diferentes, pois acontecem em etapas distintas do processo de aquisição ou de fusão entre duas empresas.

Primeiro, vamos entender o que significa cada uma dessas siglas que vai ajudar na compreensão dos conceitos.

Começando por M&A que é a sigla para Mergers and Acquisitions que é Fusão e Aquisição de uma empresa por outra, como houve recentemente quando a Disney comprou a Marvel e depois a FOX. 

Quando isso acontece com empresas desta dimensão, imagina o que acontece com os investidores que têm ações e quotas dessas empresas? E aí é que entra a nossa outra sigla, o SPA.

SPA quer dizer Shareholder Purchase Agreement, que em português é Acordo de Compra e Venda, e é uma das etapas do processo de fusão ou aquisição de uma empresa, onde os acionistas e sócios têm a opção de vender as suas participações para terceiros.

A frente vamos entender o processo de M&A e como o SPA entra na negociação.

Quanto tempo demora um processo de M&A?

Nesse ponto há muitas variáveis para serem consideradas que podem impactar muito no tempo final da conclusão do processo de M&A, então o que podemos estimar é uma média baseada na maioria dos processos que já foram realizados.

Em média, uma transação dessas pode levar em torno de 18 meses do seu início até a sua conclusão, isso se não houver nenhum tipo de interferência do Estado no processo.

No caso mais recente que ficou em alta na mídia foi a aquisição da Fox pela Disney, e o processo de negociação começou em 2017 e foi concluída só em 2019 por conta da legislação dos Estados Unidos poder embargar o acordo para não cair em um monopólio.

Mas esse é um caso muito particular, afinal, trata-se de duas das maiores empresas de comunicação do mundo, portanto é algo sem precedentes.

Em geral, as empresas que fazem fusão e aquisição levam em torno de um ano e meio para serem concluídas.

Quais são as etapas de um M&A?

Essas operações de Merge and Acquisitions passam por alguns procedimentos bastante complexos e burocráticos para que essa negociação seja viável, pois em geral muitos fatores são considerados, inclusive os acionistas e investidores.

Todo um estudo é feito para que a fusão ou aquisição ocorra de uma forma que seja viável para todos os envolvidos, como quadros societários, situação tributária, concorrência, entre outros aspectos.

Em tese pode parecer algo bastante complexo, porém as etapas são muito bem definidas o que permite um transcorrer bem tranquilo do processo, desde que tudo esteja adequado com as documentações.

Vamos ver o passo a passo do processo, chegando até o SPA do M&A que é o ponto que impacta diretamente os investidores.

1. Preparação ou atos preparatórios

O primeiro passo do processo de M&A é definir quais são os interesses dos envolvidos para entender com mais clareza as características dos bens que estão em negociação.

Idealmente o caminho é encontrar alguns pontos de sinergia entre os dois negócios para que a fusão possa acontecer de uma maneira mais suave, atraindo negociantes que têm interesse real no projeto.

Também são analisados os riscos que estão envolvidos na operação, e assim definir as bases e ajustes contratuais.

É o momento de fazer uma busca bem criteriosa para que compradores ou vendedores tenham interesses alinhados com os da empresa.

2. Due Diligence

Due Diligence, também chamado de diligência prévia, é o processo onde é feita a investigação sobre determinada empresa, geralmente por parte da que está comprando para com a que será adquirida.

A ideia é que a empresa que será comprada, passe por essa análise para identificar se não há nada de errado com as informações que foram a princípio informadas ao comprador.

É analisado todo o histórico da empresa, nas áreas financeiras, contábeis, trabalhistas, tributárias, previdência entre outros.

Alguns tipos de empresas desenvolvem atividades específicas, portanto demandam uma auditoria especializada, como em casos onde há possibilidade de risco ambiental.

3. Reorganização societária

Essa etapa pode ocorrer antes ou depois da conclusão da operação de M&A mas é ideal que todos os sócios e acionistas tenham conhecimento de como o processo de fusão está acontecendo.

A reorganização é acontece por vários motivos, mas os principais são:

  • Mudança no tipo societário
  • Incorporação
  • Cisão
  • Distribuição de Lucros.

Em geral isso acontece porque o comprador vai querer ter o controle da sua nova aquisição e muitas vezes é necessária a mudança nos quadros societários para viabilizar isso.

4. Negociação contratual

Essa é a etapa mais burocrática e envolve a elaboração e assinatura do contrato, mediante ao tipo de compra que irá ocorrer.

Há os contratos de compra e venda de cotas ou de ações, contrato de subscrição de cotas ou contratos de compra e venda de ativos.

Aqui vai depender muito da natureza da operação.

5. Contrato principal e acordo de acionistas

Depois de tudo devidamente auditado e negociado, é o momento de fazer as assinaturas de contrato e também do SPA M&A, que é o acordo de acionistas.

Nesse ponto são estabelecidos os preços, mecanismos, condições e outros pontos que vão direcionar essas aquisições por parte dos acionistas.

fechamento spa mea

6. Fechamento

O fechamento, também chamado de closing, é onde tudo é revisado para garantir que todo o processo transcorreu adequadamente e assim são feitos os devidos pagamentos e as transferências de titularidades.

7. Pós-fechamento

Essa última etapa ocorre quando M&A é devidamente finalizado, com registro nos órgãos responsáveis e alteração dos documentos.

É importante saber como funciona o SPA no M&A se você for investidor que tem ativos das empresas envolvidas, mas também para que sua empresa possa um dia passar por esse processo.

Afinal, toda empresa tem 3 destinos: ser herdada, ser vendida ou ser fechada, portanto em algum momento pode ser que valha a pena vender o seu negócio para ter liquidez.

Porém isso tudo passa por uma estratégia de Wealth Management, e isso é o carro chefe da Portofino Multifamily Office, nossos serviços unem vários profissionais para cuidar do seu patrimônio pessoal e corporativo.

Conheça nossas soluções e direcione seus ativos para um destino promissor.

Conclusão: Spa m&a  

Uma empresa ser comprada ou vendida é um processo natural do mercado, e processos como o SPA do M&A são estruturas muito utilizadas para que essas operações transcorra da forma mais tranquila.

É importante entender como isso funciona para ajustar uma estratégia de investimentos, mas também para uma eventual fusão ou aquisição da sua empresa.Tenha um guia profissional nesse processo, conheça o que fazemos aqui na Portofino.

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Causa e Efeito | 23.09.22

Causa e Efeito | 23.09.22

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Família Portofino,

Vamos nos aproximando do fim de mais um mês e os principais assuntos continuam os mesmos, inflação e o ajuste necessário das taxas de juros ao redor do globo. Desta vez, a Super Quarta – decisão de juros no Brasil e nos Estados Unidos – agitou os mercados. Por aqui, Campos Neto e sua equipe decidiram pela manutenção da Selic em 13,75%. Algumas horas mais cedo, Jerome Powell informou mais um aumento de 0,75 ponto percentual – a terceira alta dessa magnitude e a quinta vez que os juros foram elevados por lá em 2022.

O combate à inflação continua, os bancos centrais seguem buscando controlar o processo inflacionário que afeta o mundo todo, sem exceção. Enquanto a alta de preços segue batendo recordes em muitas economias e as instituições se veem na obrigação de correr atrás do tempo perdido, o receio de uma recessão global segue fazendo barulho.

No nosso quintal, chegou o momento de dar uma pausa no aumento da Selic. O Brasil interrompeu o maior ciclo de alta da taxa de juros em 23 anos, saindo dos 2% em março de 2021 para os atuais 13,75%. Essa decisão de interromper o ciclo de altas só foi possível devido à antecipação da nossa autoridade monetária em antever que a inflação, que muitos países consideravam até então transitória, era muito mais severa e disseminada do que se imaginava. Sabe aquela expressão “meu passado me condena”? Pois bem, quando se trata de inflação o brasileiro é escolado e talvez isso tenha ajudado o BC a não brincar com o fogo.

O comunicado do COPOM deu sinais do que podemos encontrar mais adiante. Primeiramente, a decisão não foi unânime, dois membros votaram para um aumento de 0,25 ponto percentual, enquanto os outros sete membros, incluindo o presidente Roberto Campos Neto, votaram pela manutenção. Além disso, o comunicado apontou que a taxa pode estacionar neste patamar por um período suficientemente prolongado. Contudo, a autoridade estará vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta caso a desinflação não ocorra como o esperado. 

Nos Estados Unidos, Jerome Powell teve a árdua missão de realizar mais um aumento de 0,75 ponto percentual, para uma faixa de 3% a 3,25%. Antecipando seus próximos movimentos, o Fed já anunciou que novos ajustes serão necessários, reforçando o compromisso da autoridade em trazer a inflação de volta à meta de 2%. “Nós não podemos falhar em relação a isso [reduzir os índices de inflação]”, declarou Powell. Olhando o copo meio cheio, pelo menos a guerra está sendo travada: o banco central americano não vai descansar enquanto não observar sinais de desinflação. No lado do copo meio vazio, essa já foi a quinta alta neste ano e os índices seguem decepcionando. Principalmente a inflação de serviços ainda se mostra desancorada.

De volta à recessão, o presidente do Fed não mediu palavras ao dizer que um “pouso suave” é desafiador, “mas não trazer a inflação para baixo traria dores maiores mais adiante”. Como resposta, o mercado não digeriu bem os remédios prescritos pela autoridade monetária americana e segue amargando quedas desde ontem.

“Opositores, sim. Inimigos, nunca”

O candidato Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado desta forma ao ser questionado sobre a sua aliança com políticos, adversários em outras eleições do passado recente, com visões diferentes das suas. Nesta semana, oito ex-presidenciáveis se reuniram para demonstrar apoio a Lula. Dentre os políticos ligados mais à esquerda, como Luciana Genro e Guilherme Boulos, os de centro-direita, como Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin, o partido de Lula segue apostando na “frente ampla pela democracia”.

Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central / Foto: Valor Econômico

Apesar de ter sido apenas uma sinalização de apoio, o mercado não deixou de imaginar que o movimento possa ser uma abertura para que Meirelles venha a integrar a equipe ministerial de Lula. Nome respeitado e de credibilidade no cenário econômico global e importante na história econômica do nosso país, o ex-ministro foi o criador do teto de gastos, por exemplo. Esta aproximação do petista com Meirelles, neste momento bastante próximo das eleições, demonstra uma certa insegurança do PT e do seu candidato, mesmo com a diferença atual superior a 10 pontos percentuais, segundo o Datafolha.

Diferentemente do consenso de mercado, trabalhamos com uma certa assimetria positiva na definição das eleições. Apesar do favoritismo do ex-presidente Lula, estudos recentes mostram a candidatura de Bolsonaro em mais competitiva do que sinalizam a média das pesquisas eleitorais. Um posicionamento do PT mais ao centro amparado por figuras de histórico mais liberal como, por exemplo, o ex-ministro Henrique Meirelles ou uma possível reeleição do atual governo poderão destravar certo valor nos ativos brasileiros.

Movimentos táticos: Gestão Portofino MFO

O discurso de Powell foi mais “hawkish¹” do que o esperado,  e por ainda não saber quando os juros começarão a afetar a atividade ou qual será a taxa terminal, o mercado segue estressado e ainda observamos ajustes nos ativos internacionais. Com as projeções da taxa de juros da economia americana apontando para 4,4% ao final de 2022 e de 4,6% em 2023, o fim do ciclo de aumentos nos parece mais próximo. No atual nível de preços, principalmente a renda fixa começa a nos parecer atrativa.

No Brasil, mesmo com um comunicado mais duro vindo do presidente Roberto Campos Neto em relação ao combate contra a inflação, as discussões já migraram para a previsão do início do processo de redução de juros, provavelmente em meados do próximo ano. Desde que não haja nenhum novo fato global que provoque uma mudança brusca negativa no processo inflacionário externo, uma maior valorização do dólar ou que o cenário fiscal do país não se deteriore, o aumento das posições de risco nas carteiras começa a fazer sentido.

Por mais que tudo ainda pareça nebuloso quanto aos juros e à inflação, a nossa análise é que, por mais duras que tenham sido as duas autoridades monetárias, uma leitura mais analítica nos apresenta motivos para sermos otimistas, na margem. Já observamos uma luz no fim do túnel, nos resta saber se este túnel é de 1 ou 10 quilômetros.

Até a próxima!

Eduardo Castro
CIO – Chief Investment Officer
PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE

“Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO.
Uma carta de gestão que traz uma visão técnica sobre o que acontece no mundo e os reflexos nos mercados financeiros globais.

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Legenda:
¹Hawkish
 e Dovish são condutas dos Bancos Centrais e governos em relação ao cenário econômico. Uma postura hawkish é caracterizada pela elevação de juros e contração monetária. Já a política dovish é marcada pela redução de juros e expansão da oferta de moeda. 

Causa e Efeito: 22.07.2022

Causa e Efeito: 22.07.2022

Família Portofino,

Com as taxas de juros em 13,25%, provavelmente migrando para 13,75% na próxima reunião do Banco Central do Brasil, no dia 3 de agosto, a recomendação de privilegiar a renda fixa pós-fixada nos portfólios locais tornou-se relativamente óbvia. Quando se fala em alocar nessa categoria de investimentos, estamos falando muitas vezes em substituir o chamado risco de mercado, expresso na variação das taxas prefixadas, juros reais, renda variável e câmbio, por exemplo, por risco de crédito.

Segundo os dados da ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – a indústria de fundos de renda fixa captou liquidamente cerca de R$ 200 bilhões nos últimos 12 meses, enquanto os fundos de renda variável e multimercados sofreram resgates próximos de R$ 48 bilhões e R$ 85 bilhões, respectivamente. Essa demanda bilionária por ativos de renda fixa aqueceu o mercado de emissões privadas, incentivando empresas e instituições financeiras a captar via emissão de dívidas. 

Banco Central - Portofino

É essa crescente demanda  de títulos privados no mercado local que nos preocupa. Diferentemente do que se observa no mercado externo, nossa precificação de ativos de crédito tem se mostrado contra cíclica. Em um mercado onde as bolsas de valores caem lá fora em média 20%, os juros vêm sendo elevados bem acima das médias recentes, a inflação se mantém pressionada, onde já está contratada relevante desaceleração da atividade com risco de recessão, o que se esperaria dos preços dos ativos de crédito? Que eles piorassem, certo? Sim, o mercado high yield americano, o qual engloba as empresas com um pouco mais de risco crédito, viu suas taxas pagas acima das do tesouro americano subirem de 2,8% para quase 6% ao ano em 2022.

No mercado local, essa dinâmica tem sido bem diferente. A demanda por títulos privados tem sido tão grande que na prática não se nota a adequação da remuneração das emissões privadas para um cenário no mínimo mais desafiador. O crescimento da economia tem sido revisado para baixo, diversos setores têm tido margens e lucros pressionados, quando listadas na bolsa, valor de mercado das empresas tem sido corrigido significativamente, tudo isso a despeito de correção equivalente na remuneração de suas emissões de dívidas domésticas.

O que deveríamos esperar das taxas pagas por uma debênture cuja empresa viu seu valor de mercado cair quase 70% e seus títulos emitidos no exterior perderam por volta de 20%? Que tivesse algum tipo de ajuste, certo? Errado. Este é o exemplo da debênture da Natura Cosméticos, que apesar do ajuste dos preços das suas ações e bonds no exterior, não se verificou internamente a alteração de preço das suas debêntures. O exemplo da Natura é um de vários que corroboram com a nossa tese de que a crescente demanda por títulos de renda fixa vem distorcendo o prêmio do risco de crédito das emissões de empresas no mercado doméstico. Hoje, é comum encontrarmos papéis emitidos por companhias no exterior que convertidos para CDI remuneram 3%, às vezes 4%, ao ano a mais quando comparados aos emitidos em reais no mercado local.

Nesse ambiente de grandes incertezas onde os juros provavelmente se manterão altos por mais tempo, a estratégia de crédito privado continuará a ter destaque nos nossos portfólios. Entretanto, os spreads comprimidos por questões técnicas distorcem o preço justo das emissões. Temos sido bastante criteriosos na aprovação de novos nomes, preferindo emissões que incluam algum tipo de colateral ou garantia. Por várias vezes, preferimos ficar de fora de algumas emissões mesmo gostando do risco incorrido, porém discordando da remuneração. As emissões externas nos parecem mais premiadas, desta forma também consideramos a alocação de parte da estratégia de crédito privado nessas operações de forma “hedgeada” para reais. Além de não renunciarmos ao carregamento do CDI, acessaremos um mercado onde as taxas estão mais atrativas e ajustadas à realidade do cenário, diferentemente do que observamos localmente.

O risco de crédito no Brasil é por muitas vezes silencioso em função da menor liquidez desses ativos, e pode surpreender via ajuste repentino da marcação a mercado. Desta forma, recomendamos cautela na alocação por impulso. Nestes casos, a análise da remuneração justa e adequada ao risco tem sido parte tão relevante na nossa  análise quanto o próprio escrutínio da capacidade financeira da empresa em honrar o pagamento da dívida.

Até a próxima!

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

 ”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo Portofino MFO que traz uma visão técnica sobre o que acontece no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.

Causa e Efeito: 23.06.2022

Causa e Efeito: 23.06.2022

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Tempo do áudio e leitura: 5 mins

Família Portofino,

Descrevemos o recente comportamento dos mercados como sendo bipolar. O sentimento dos agentes tem oscilado entre a torcida por um pouso suave das economias à medida que os bancos centrais elevam os juros na tentativa de conter o atual surto inflacionário e o medo de que essa elevação produza uma recessão. A divulgação dos dados de inflação, ações e comunicação, principalmente do banco central americano, ditam o rumo desse movimento pendular.

Há pouco mais de duas semanas, foi divulgada a inflação de maio nos Estados Unidos. Mais uma vez surpreendendo os analistas, a inflação dos últimos 12 meses chegou ao seu maior nível dos últimos 40 anos. Desde então, os investidores entraram no modo redução de risco, acarretando significativo ajuste da maioria dos ativos financeiros mundiais. O mercado de ações americano, por exemplo, viu evaporar por volta de 3 trilhões de dólares no valor das companhias. Colocando em perspectiva, esse valor é quase cinco vezes o valor de mercado de todas as empresas que integram o IBOVESPA.

Por outro lado, alguns indicadores demonstram que a magnitude do ajuste observado até agora não é desprezível. Hoje, apenas 18% das ações que compõem o S&P500 estão acima das suas médias de preços dos últimos 12 meses. Dessas, a maioria concentra-se no setor de energia que, diga-se de passagem, é o único dos 11 setores que compõem o índice que se apresenta com resultado positivo em 2022.

É creditado a Warren Buffett, um dos mais bem sucedidos investidores da história contemporânea do mercado financeiro, a máxima de que os investidores deveriam ser cautelosos quando os outros forem gananciosos e serem oportunistas quando os outros estiverem em pânico. Um índice qualitativo bastante utilizado para medir a razão entre otimistas e pessimistas em relação ao desempenho das bolsas americanas, encontra-se no segundo pior nível desde 1991, só perdendo para o ápice da crise financeira internacional de 2008/2009.

É verdade, porém, que do ponto de vista do preço é difícil afirmar que estamos diante de uma barganha. Se tomarmos o múltiplo Preço / Lucro como referência, os níveis atuais ainda apontam para menos de um desvio padrão da média dos últimos 10 anos.  Neste período, ainda observamos quase 30% dos dias mostrando o S&P500 em níveis mais baratos do que observamos hoje. Sim, está barato, mas não se pode descartar que fique ainda mais.

Na renda fixa, a análise chega a conclusões semelhantes. O índice da Bloomberg que reproduz uma carteira de ativos de alta qualidade de crédito, incluindo títulos emitidos pelo tesouro americano, tem o pior desempenho dos últimos 30 anos para o primeiro semestre. Os títulos corporativos que compõem essa carteira já pagam taxas acima dos níveis observados no pior momento da pandemia.

Caso a economia americana caminhe de fato para uma recessão, é de se esperar uma correção adicional dos mercados. Não tem sido incomum conviver com projeções de mais de 30% de probabilidade para este cenário de desaceleração nos próximos 18 meses. Um atenuante, é a constatação de que o FED hoje corrobora com o esperado pelo mercado.  As taxas observadas na curva de juros americana são bem semelhantes ao cenário sugerido pelos diretores do FED. Há apenas 3 meses, os mercados precificavam um nível de juros muito superior ao sinalizado pelo banco central americano.

O mercado, na prática, é minimalista na sua análise. Apesar de os preços dos ativos serem impactados por diversos fatores, os gestores e estrategistas concentram sua atenção para aqueles de maior relevância e, agora, este tema principal é a política monetária americana. Mencionamos este fato só para lembrar que nossa eleição presidencial está apenas aquecendo os motores e certamente impactará a volatilidade do mercado local nos próximos meses. Mas, isso será assunto para outra conversa.

Dissemos em nossa última carta que as nossas carteiras já vinham carregando menor risco, de forma geral, e nos mantemos assim. Mas, atentos aos ensinamentos de Warren Buffett, estamos monitorando o pânico dos mercados para não perder o que poderá vir a ser a maior oportunidade dos últimos anos.

Até a próxima!

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

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E mais:

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Causa e Efeito: 23.06.2022

Causa e Efeito: 27.05.2022

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Família Portofino,

Faz algum tempo desde que nos falamos pela última vez. A grande verdade é que, pelo menos do lado macroeconômico, pouco se alterou desde então. Nós, investidores, continuamos debatendo sobre a capacidade dos bancos centrais em lidar com o recente surto inflacionário pós-pandêmico sem que suas ações provoquem um choque recessivo sobre as economias. Esse desafio não se cansa de surpreender a todos dados os sucessivos impactos sobre preços de forma geral.

Já elaboramos neste mesmo fórum, a respeito dos efeitos do crescimento abrupto da demanda por bens durante a pandemia e posterior impacto sobre serviços com a retomada da mobilidade. Falamos também das consequências, além das questões humanitárias, do conflito Rússia-Ucrânia sobre principalmente alimentos e energia. Isso sem deixar de mencionar o custo da desglobalização, da transição energética para uma matriz mais limpa e da nova interrupção das cadeias de produção na China em função de sua política de tolerância zero à propagação de novos casos da COVID-19 e consequentes lockdowns.

Desde então, os analistas vêm alterando suas projeções de crescimento e inflação para, sem exceção, todas as regiões do mundo. Considerando os Estados Unidos e Europa como exemplos, em meados do ano passado projetava-se uma inflação para 2022 não superior a 3%. Nos dias atuais, com todas as surpresas que mencionamos acima, não se espera nada abaixo de 7%. Com o crescimento, aconteceu exatamente o contrário. No início do segundo semestre de 2021 os analistas previam, em média, que as economias americana e europeia cresceriam acima de 4%. Hoje, falar em 2,5% ou menos, passou a ser absolutamente corriqueiro.

Em estágios diferentes, bancos centrais das nações desenvolvidas e emergentes já iniciaram o processo de aperto monetário, mas a tarefa não cansa de se mostrar cada vez mais desafiadora. Mas, se por um lado, o cenário macroeconômico continua nebuloso e com baixa visibilidade, já para os preços dos ativos, a estória começa a parecer diferente. O mercado global de renda fixa, considerando predominantemente os mercados mais desenvolvidos, está tendo em 2022 seu pior desempenho dos últimos 30 anos! De forma agregada, esse mercado cai no ano mais de 10%. Sim, renda fixa, internacional, mercados desenvolvidos e em dólares com rentabilidade negativa.

Confira: Wealth Management: Saiba tudo como funciona esse serviço e qual o momento correto para contratar

Nas ações americanas, leia-se S&P500, a queda nominal esse ano se mostra importante, por volta de 15%. Quando olhamos do ponto de vista de valuation, os preços das ações hoje contra suas projeções de lucro para os próximos 12 meses, mostram um múltiplo próximo da média dos últimos 10 anos. Não há que se falar em barganha, mas longe de se afirmar que os preços se encontram ainda em níveis exagerados. Se analisarmos somente o setor de tecnologia, o impacto é ainda maior. O índice NASDAQ, que concentra apenas ações desse segmento, cai quase 25%. Estratificando ainda mais essa amostra, o ETF ARKK, que agrega apenas companhias relacionadas a tecnologias ditas disruptivas, perde cerca de 2/3 do seu valor desde sua máxima atingida em meados do ano passado.

Isso tudo para dizer que, na linguagem do mercado financeiro, nos parece que já se tem muita coisa no preço. Temos observado alguma recuperação nos mercados nas últimas semanas, mas aqueles investidores mais pessimistas alertam para o que se convencionou chamar bear market rally. Em livre tradução, isso seria uma recuperação acentuada dos preços dos ativos no curto prazo em meio a uma queda mais estrutural no longo prazo. E por falar em pessimismo, índices qualitativos que medem o pessimismo dos investidores mostram-se próximos de seus piores níveis dos últimos 30 anos. Estes indicadores costumam ser ótimos previsores de reversão dos mercados.

Faz alguns meses, nossas carteiras já vinham carregando menor risco de forma geral. Nossa estratégia de renda variável tem sido mais defensiva tanto do ponto de vista do tamanho quanto da composição dos ativos. Privilegiamos o carregamento de ativos pós-fixados, indexados à inflação e de prazos (duration) mais curtos. Não vamos queimar a largada, mas o nosso desconforto hoje está mais em identificar oportunidades que, no longo prazo, se mostrarão certamente rentáveis, do que continuar reduzindo risco. São nesses momentos, com cautela sempre, é verdade, que se ganha dinheiro.

Uma ótima sexta-feira e final de semana para você.

Eduardo Castro

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Causa e Efeito 26.04.2022

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Família Portofino,

Após um mês de março onde basicamente todas as classes de ativos performaram satisfatoriamente, caminhamos para o fim do mês com resultados menos auspiciosos. O que alterou de fato nesse ínterim para justificar a realização que observamos principalmente nos mercados acionários e, mais recentemente, na desvalorização do real? Do ponto de vista macro, não muito, é verdade. O principal tema continua a ser o desafio dos bancos centrais, principalmente aqueles dos países desenvolvidos, em lidar com uma inflação disseminada e crescente sem que suas ações afetem significativamente a atividade econômica.

Para termos noção do quão hercúlea é essa missão, segundo a revista The Economist desta semana, nos últimos 60 anos, somente em três oportunidades o banco central americano, o FED, conseguiu administrar a redução da inflação sem que houvesse uma desaceleração importante da economia. E em nenhuma delas, ele teve que lidar com um volume de estímulos tão expressivos como os de agora, uma injeção de dinheiro novo em volumes sem precedentes e taxas de juros reais negativas, portanto estimulativas, por tantos anos.

É esse equilíbrio instável entre a necessidade de se combater o aumento generalizado de preços de um lado e uma potencial recessão, do outro, que vem afetando o humor dos investidores. Agravando a situação, ainda se tem a percepção de que o FED está atrasado nesse processo corretivo. Ter que correr atrás do atraso justamente por não ter iniciado o movimento de subida de juros há mais tempo, joga sobre as expectativas a sombra do erro. Exatamente por não ter se antecipado ao problema, corre-se o risco hoje de se precisar de uma dose maior do remédio para lidar com a doença. É como se diz: a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. E nesse caso o paciente em risco é o crescimento mundial.

Confira: Carteira administrada: Saiba o que é, como funciona e para quem serve esse serviço

No mundo, temos indutores e receptores de crescimento. Os Estados Unidos, com a China, estão entre os principais indutores. Como se não bastassem todas as dúvidas em relação às chances de um pouso suave da economia americana capaz de arrefecer o problema inflacionário, temos recentemente convivido com as incertezas geradas pela nova explosão de casos da COVID-19 na China e insistência da estratégia de restrição à mobilidade imposta pelo governo chinês. Nas últimas 4 semanas estima-se que pelo menos 25 milhões de pessoas tenham sido impedidas de deixar as suas residências. Das 100 cidades que mais contribuem para o PIB chinês, pelo menos a metade delas ainda se encontra em lockdown ou com alguma categoria de restrição. Mais uma vez o mundo se vê em risco de ter que conviver não só com a potencial redução de consumo da China bem como com eventual disrupção adicional nas cadeias produtivas globais.

As incertezas quanto a continuidade do crescimento mundial nos níveis que observamos, na margem, permanecem e continuarão a ser a principal fonte de volatilidade para os mercados por algum tempo. Nos mantemos cautelosos nas alocações privilegiando ativos de renda fixa, preferencialmente isentos. Continuamos mais defensivos na estratégia de ações, porém mais agressivos na alocação em multimercados. Na nossa opinião, os multimercados macro são, desde que escolhidos de forma correta e técnica, os ativos mais preparados para se beneficiarem dessa incerteza que não amenizará tão cedo.

Eduardo Castro

Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Officer) na Portofino Multi Family Office.

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